Está tudo bem para data dois caras ao mesmo tempo

Palavras Somente.

2020.10.29 10:18 nofimnaime Palavras Somente.

Eu não aguento mais conversar comigo mesmo, e como não tenho mais pessoas para isso, essa é a melhor solução. Minha vida só desanda, e desde 2017 eu não consigo segurar as pontas, tive perdas que até hoje me doem, e escolhas nas quais eu me arrependo toda a noite antes de dormir. Consegui afastar esses pesos algumas vezes durante esse tempo, mas ele volta com mais carga, cargas atuais, e isso sempre vem a calhar na semana do meu aniversário. Mas esse peso não é a dor que quase me fez ser atropelado no meu aniversário ou a entrar em pânico na frente de um mercado. Uns meses atrás conheci uma pessoa, e eu naquele momento só queria sair com alguém, aproveitar uma nova amizade e ter aquele lance casual, era só isso, eu estava no meu canto escuro do quarto, já acostumado com esse peso no meu peito, e não queria mais dor de cabeça. E infelizmente eu conheci ela, eu não dava nada pra aquela desgraçada, as mensagens trocadas porém, me fez sentir algo por ela, aquele tipo de sensação "Ok, quero ser seu amigo", e desse jeito eu descobri que ela também não estava bem, tinha acabado de sair de um relacionamento complicado de 5 anos (3 anos de namoro, mas já sofria por 5 anos), e eu botei aquilo na minha cabeça, só queria ter uma pessoa pra conversar, conviver e aproveitar tudo que dava, e depois de uma longa espera de dois dias de conversa, resolvemos se encontrar, morávamos perto do outro, na qual no meio do caminho tinha um parque, perfeito meio termo para ambos, e quando eu vi ela, tudo que eu tinha montado sobre ela mudou. Aquele mesmo sentimento que você olha e admira aquela pessoa no trem, acha tudo incrível e pensa "e se...", o diferencial mesmo foi já conhecer ela, e a cada detalhe, conversa e risadas daquele dia, eu tive a infelicidade de nutrir um sentimento por ela... Não demorou muito para as coisas rolar entre a gente, tínhamos um entrosamento perfeito, e estávamos lá, indo pra minha casa no nosso primeiro encontro, e o que eu achei disso? Eu realmente tinha me apaixonado pelo brilho do olhar dela, o sorriso dela me trazia pás e a voz dela me acalmava, era tudo que eu queria até o momento, chegando lá ela me explicou que o ex relacionamento dela ainda pesava naquele momento, lógico que eu me desapontei um pouco, mas era apenas uma apaixonisse de momento, dava para reverter, e fiz o que tinha que fazer, falei que não iria servir de ponte para ninguém superar ninguém, acabou que ela dormiu na minha casa... Foi uma das melhores noites da minha vida? CLARO PORRA, E AINDA ELA FOI A PROTAGONISTA DE UMA DAS CENAS MAIS MEMORÁVEIS DA MINHA VIDA. No outro dia, conversamos ainda mais, e na dúvida que eu estava, esperei pelo movimento dela, pra mim tudo é um jogo, cada detalhe e ação conta, e o turno dela foi pedir um Uber pra minha casa, pra passar outra noite comigo, e ela estava incrivelmente linda... maquiada com uma delicadeza... vestido que abraçava a arte corporal dela... e a boca que porta o melhor dos sorrisos...
Foi nesse momento que eu cometi o maior erro de todos, depois de uma noite incrível (outra), eu falei que queria ela pro resto da minha vida, ela ainda estava afetada pela outra, mas o coração dela já sentia alguma coisa por mim, além do relacionamento passado dela, tinha a minha ex...
E então eu entro no meu primeiro inferno.
Sim, é isso mesmo que você está pensando, 4 dias de conversa e eu já estava pedindo ela em namoro, eu não conhecia ela direito, e muito menos ela me conhecia, só que aqueles momentos foram ótimos, e foram por bastante tempos, mesmo com autos e baixos, só que cada vez que ela deitava no meu peito, e a gente conversava fica mais nítido que os dois se amava, e saiu dela, o primeiro "te amo", na qual terei a dor de nunca esquecer, e foi assim que depois de 6 dias de conhecer ela, resolvemos entrar em um relacionamento, depois dela ter completado um mês de sair do dela, e eu de ter tentado incontáveis vezes de retorna com minha ex. Aliás, minha ex... todos nós temos problemas, e o problema dela sempre foi se depender demais de mim, morávamos juntos, e depois de perceber que a gente não daria certo, terminei e voltei pra casa, porém ela era destruída psicologicamente, uma vontade de suicídio constante, e eu tinha medo de isso se torna uma realidade, mesmo terminando com ela, a moça nunca deixou de ter minha importância, antes de sermos namorados, eramos amigos, e isso não acabou, sempre vou me importar com ela, como a grande amiga que ela é. E nossa protagonista não entendia isso, até tentou compreender a gente guardar por um tempo, mas ela queria nos anunciar para o mundo... E no começo eu não entendia o "pra que?" só tentava explica que isso poderia acabar com a vida de uma pessoa, e depois de uma semana nisso, se encontrando todos os dias com ela, resolvi conversar com minha ex. Expliquei pra ela o que estava acontecendo, e que eu tinha encontrado outra pessoa, que não queria perder o contato dela, sendo ela uma das pessoas mais importantes da minha vida, acabou que minha ex entendeu, e ficou ressentida, ela sentia muita coisa, e queria voltar... mas ela seguiu o caminho dela e me deu apoio, ela simplesmente me queria feliz, era só eu correr pro abraço da minha então amada e vocês teriam lido o começo de uma linda história de amor...
E então eu senti pela primeira vez a chama silenciosa do primeiro inferno.
A pessoa cujo eu já chamava de "Vida", não achou isso o bastante, mesmo já declarando nosso namoro, ela queria mais, pediu pra eu cortar contato com minha ex, vulgo melhor amiga, dizia que não daria certo e me pressionou a prometer isso pra ela, e nesse meio termo, eu tive que ver ela tentando reconstruir uma amizade com a ex dela e falhando miseravelmente no mínimo, mas BELEZA, segui deixando a minha ex de lado e fui construir o que eu queria com a pessoa que eu desejava, e nas primeiras semanas, foi maravilhoso, eramos a melhor combinação do mundo, dava pra sentir os outros casais invejando, a gente era mais entrosado que Romário e Bebeto, mais bonito que o sol se pondo em um céu laranjado, muito mais divertido que o todo o elenco dos Barbixas fundido com o Hermes e Renato, se você não entendeu que éramos incríveis, coloca todas as referências ao seu gosto que você vai entender. Só que eu descia mais para o inferno e não sabia.
Os outros níveis do inferno.
Todo mundo briga, não é nenhum erro discordar com alguém, e os lados se alterarem, mas o meu pavio estava curtíssimo... Eu não me aguentava, imagina então os erros das outras pessoas? E eu falava com ela o que me incomodava, e não era coisa básica do tipo "aí não gosto do seu sotaque" tava mais pra "você poderia falar menos putaria no meio da rua entre as pessoas?". E isso foi piorando, e eu não sou nenhum santo, muito pelo contrário, sei que errei de ter falado com ela daquele jeito, e então foi aí que o MEU jogo começou a trocar de estilo, eu percebi que tinha que mudar meu jeito, meu comportamento e minha forma de tratar algumas coisas. Sou explosivo, se tem que brigar, eu brigo, mas cara, eu não queria perder ela, e nessas foi me tocando que poderia ser melhor eu me trancar na fúria e dialogar na calma, e sim, eu me moldei a ela. Não, não errei só nisso, fiz coisas na qual eu não me orgulho e nem sei como aconteceu, porém, eu estava lá, ouvi o dela, e mudei, é um mérito meu, eu quero que você que está lendo tenha sua própria resposta para isso, pois a minha resposta é, não, isso não é um mérito, se você percebe que está errado, você muda, ok! Ok? E eu infelizmente não vou te dar um Plot Twist e falar que estamos vivendo lindamente, pois a gente desceu mais os degraus... No nível de começar a culpar o jeito no qual a gente conversava no whats para poder brigar, ela falava que eu era outra pessoa no whats, que respondia seco e era monossilábico, eu nunca vi isso, para começo de conversar, e ninguém nunca reclamou isso de mim, o que eu achei mais estranho, porém ela falou que outras pessoas que ela mostrava minha conversava concordava com ela, e tentei mudar isso, mandava mas áudio no intuito de ser mais confortável pra ela, e então chegou nosso primeiro mês de namoro...
Eeeeeh laiá, se quiserem numerar os infernos, fiquem à vontade, pois eu não tenho saco.
Eu sempre odiei isso, de mêsversario, maluco, ninguém quer saber que seu bebê feio está fazendo 8 meses, ou então seu relacionamento que ninguém liga está no terceiro mês, sabe quem se importa pro seu relacionamento, você e sua companheira, e... era importante para nós dois... pra mim pelo menos...
Chegou o cujo dia, e eu tinha planejado uma coisa simples, porém de coração. Vinho, uma pizza, janela aberta com iluminação da lua, era um momento especial na qual queria deixar ainda mais especial. Não falei nada, só deixei as coisas acontecer, e eu não sei por qual motivo, mas ela não estava me ajudando para isso (descobri depois o porquê) e meio que ficava "aí vc quer me ver ou não", meio que se não fosse óbvio que SIM, não só pela vontade de ver ela todo o dia, como pela data, e eu falava que queria, porém ela achou que faltou "vontade" nas minhas palavras, e resolveu ir em uma festa no dia que marcava um mês no nosso relacionamento, eu não acreditei, fiquei encabulado, cara, era nossa noite, noite na qual você optou por passar com pessoas que eu nem sabia quem era, e sem mais nem menos, e vamos discutir de novo... Mas dessa vez foi diferente. Fui na casa dela, já tínhamos conversado sobre o que aconteceu pelo telefone, ela falando que eu não fui direto e parecia sem vontade de ver ela, e eu explicando que não, e que ela cagou pra mim e foi pra uma festa como se fosse nada de mais... Acabou que ela me falou que estava muito cansada pra um relacionamento sério, e que achava melhor a gente dar um tempo, até ela se sentir confortável para estar em outro relacionamento... Tudo que eu queria, era não perder ela, concordei como um desesperado, porém falei que não iria aceitar algumas coisas, entramos em um consenso, e agora sim estamos felizes até agora, claro que não...
Depois desse episódio, resolvi me dedicar ainda mais, fazia tudo que dava pra ela, andava pra qualquer canto com ela, ia buscar, levava ela, talvez vocês nem acredita, mas eu mudei a direção do vento só pra ver o vento tirar o lindo cabelo dela da frente do mais belo rosto, e isso não foi o bastante. Ela buscava mais coisas para a gente discutir, com coisas do tipo "não se mexe no celular na companhia de alguém" é até verdade, mas dá pra você abrir uma excessões quando você passa o dia inteiro com a pessoa, mas eu aderi, e continuei me mudando por ela, era meu foco a melhora dela, e ter nossas alianças de volta "sim, eu comprei alianças, e ela tirou quando pediu o tempo". Mas foi aí que as coisas começaram a mudar pra mim, não vou esquecer que a gente passou mais um tempo de boas, mesmo depois dela ter pedido o tempo dela, a gente brigou muito, e nisso eu estava pensando "será que é bom pra nós dois?" só que quando a gente passava a tarde juntos, eu perdia esse pensamento, pois eu amava ela de verdade, cogitei terminar sim com ela, mas a gente conversava e se resolvia, porém foi nessa que eu percebi que só uma pessoa mudava, eu...
E então, chegamos no último inferno.
Essa epopéia estava no fim, e eu nem percebi, mas vamos logo para o último capítulo. Eu já conhecia a família dela, pelo menos a parte que ela sente alguma coisa, e chegou a vez dela conhecer a minha, meu irmão que tava em Brasília veio com a minha prima e era o momento perfeito, minha mãe ia preparar um almoço especial, chamou até minha tia e meu tio, tava tudo perfeito, só não esperava por uma coisa importante, ela não ir... Então vamos lá, bora começar uma semana antes, ela estava mal, se sentindo triste, fui na casa dela e troquei meu melhor amigo (que estava fazendo aniversário) pra ficar com ela, ele simplesmente me implorou para ir, e eu só falei "me ocorreu um imprevisto", era ela o imprevisto, e dei a força que ela precisava, beleza, no outro dia ela saiu com a amiga dela (coisa que me incomodava, já que a amiga dela incentivava ela ficar com outras pessoas, mas dessa vez, eu achei que ela precisava sair da casa dela). Só que ela ainda estava meio pra baixo, e no final de semana, especificamente sábado, resolvemos sair, ela com a galera dela, e eu com meu amigo que eu tinha furado, no domingo era o almoço, beleza, a gente conversou no whats e parou em um momento da noite, eu não me lembro do restante da noite, fiquei muito bêbado (e não, não fiz nenhuma merda de bêbado, só não me recordo de como eu voltei pra casa e que horas), acordei cedo, que é estranho, e antes mesmo de mandar mensagem pra ela, 6h ela me manda um áudio, falando que tava voltando pra casa da amiga dela naquele horário e que não daria pra ir pra minha casa conhecer minha família, eu fui destruído aí, mandei um "tudo bem", esperei até às 7h, fui no mercado comprar as coisas pro almoço, e foi isso, a cada pessoa perguntando, "Hey, cadê a sua Vida", eu simplesmente colocava um sorriso falso no meu rosto e falava "tá passando mal hoje, vai ficar em casa", no meio do almoço ela me ligou, e eu falei que fiquei mal com isso, e que não queria ver ela. E lembra que eu falei que via as coisas como um jogo, foi esse momento que eu pensei em desistir de tudo, o mais forte desse sentimento. Ela veio em casa, e me ouviu dizer que não queria mais aquilo, eu tinha cancelado trabalho pra ir ver a família dela, quando ela ficou na rua pra não ver a minha, mas eu fui fraco, aceitei as desculpas dela... A mesma pessoa que fala que desculpa não é uma palavra, e sim uma ação, e foi nisso que eu me peguei. E no outro dia, ela tinha uma entrevista de emprego online, na qual o entrevistador não foi com a cara dela (e ele foi babaca, ela foi incrível na entrevista), s acabou nela não passando, ficou devastada, e eu ainda meio chateado com ela, larguei de lado esse sentimento, e fui ajudar ela, comprei bebida, a melhor pizza que eu podia pegar (dominos é claro) pra ver ela levando o vinho que peguei pra beber com a amiga dela...
Ok...
Queria muito ver ela, e na sexta foi o dia, IRRAAAAAAAA, vou ver ela, e ela vai passar o dia comigo, vamos ter a melhor noite de todas e nada disso vai acontecer... Tirando a parte de ver ela, eu fui, e passei incrível 3h lá, a amiga dela falou que tava na bad, e pediu pra ela ir lá, e fodac eu. Mas até aí tudo bem, a garota lá precisava de uma companhia, acompanhei ela até um lugar pro Uber ficar tranquilo, e trocamos mensagem até de noite, quando ela resolveu sair... E sumiu... De madrugada (umas 5h) ela falou que a noite dela foi incrível, que conheceu um cara na qual conversou bastante, e que se divertiu muito, e isso foi as últimas coisas que ela me falou no final de semana resto de sábado, domingo e começo de segunda. Então começou a semana, fui entregar currículo já pensando "isso não está acontecendo" "deve ter uma resposta melhor", a única coisa que ela deveria fazer, era me valorizar depois da pisada de bola do almoço, e não contente, ela me pisa na com os dois pés depois, eu precisava entregar aqueles currículos, eles perderiam a data de vencimento, já que no outro dia eu teria 23 anos, e foi o pior dia do meu ano, eu tava visivelmente abalado, cheguei a vomitar no meio da rua, e mandei mensagem pra ela, pra saber se como estava, e ganhei um incrível "oi, c tá bem?". Cara eu já não tava legal, estava no meio da rua mal, e ainda ganho uma dessa, como se fosse um qualquer na vida dela, mandei um áudio pra ela, falei que não tava, que ela tinha sumido final de semana e queria conversar com ela, e sim, já ia com intensão do pior, colocar todas as coisas dela na minha bolsa, e com a pior das hipóteses já terminava ali, só que fui surpreendido... ela responde a porra do áudio com um "ah, não sei oq vc entendeu, nosso lance é casual, eu tive um final de semana cheio, virei duas noites, pipipipopopo" as lágrimas do meu rosto já estava deixando de existir com a falta de senso dela, eu simplicidade liguei e a única coisa que eu consegui falar foi "Eu desisto." Falei que ia encontrar ela e levar as coisas que estavam na minha casa, e pedi pra ela levar as minhas coisas (inclusive as alianças que ficou com ela), quando ela me chega, toda sorridente, fazendo sinalzinho com a mão, e eu não querendo acreditar, não sabendo se ela não entendeu a grandeza dos acontecimentos, ou porquê eu era só um qualquer pra ela, ela sentou na minha frente e disse "aí, eu não vou mais correr atrás de você... E blá blá blá" era uma realidade horrível, eu não estava acreditando que vivia aquilo, eu pedi minhas coisas, dei a dela, e disse tchau, e ela teve a pachorra de me perguntar se eu não ia abraçar ela, será que em algum momento ela percebeu minha expressão facial? Ela olhou pro vermelho dos meus olhos? Ou então notou o tom da minha voz? Eu cheguei em casa, destruído, e desativei tudo que poderia, graças a Deus eu ainda tenho pessoas que se importa comigo, e me ligaram, falei que ia me isolar um pouco e que qualquer coisa poderia me ligar. Foi a pior noite da minha vida, não dormi nada, e não aguentava nada, quando chegou as 7h da manhã, resolvi sair, chorando que soluçava, e fui para o parque, sentei no banco, e fiquei lá, quando a primeira pessoa me liga, me dando os parabéns (sim, era meu aniversário), eu não sabia oq falar e disse que tava ocupado, na segunda eu não consegui enganar, e percebeu minha voz de choro, falei que logo ligava de novo, e na terceira, eu desabei, era minha ex, a única pessoa que eu não esperava, ela sempre sabe quando eu não estou bem, e ela me deu um pouco de energia, me incentivou a ir pra casa, ver minha mãe, e sair com algum amigo, levantei animado, as palavras dela fazia sentido, até lembrar que a única pessoa que eu realmente queria a ligação não fez questão, e aconteceu uma das piores coisas da minha vida, eu simplesmente olhei para um carro na rua, e fui em direção a ele, a sorte que eu tive do cara ter feriado hoje eu vejo que é incrível, a sorte que eu tive de só ter subido em cima do capô dele e ver ele de tão perto atrás do parabrisa só mexendo a boca não entendendo nada que ele falava, sai de cima do carro e sentei na calçada, depois de uma longa conversa entre um grupo de pessoas, um cachorro e comigo mesmo, resolvi ir pra casa, lavei meu rosto e abri a geladeira, minha mãe tinha feito uma torta pra mim e comprado pizza pra fazer de noite, a minha relação com minha mãe é de mais ou menos pra ruim, porém naquele mesmo dia, foi ela que me viu chorar depois de me desejar sorte, sendo que quem eu chamava de "Vida" me deu o pior parabéns possível pelo Instagram.
Até hoje, dois dias depois do meu aniversário, ela não apareceu pra falar qualquer coisa, e eu realmente não quero ver a cara dela, pois eu tô destruído, até agora eu tô recebendo ligação e mensagem de pessoas que realmente se importa comigo, pedindo pra me ver, e eu não conseguindo, porque essa é a pior versão de mim, e eles merecem muito mais que isso, eu tô pensando em tanta coisa ruim agora, e minha mente tá conturbada tentando simular isso como se nunca tivesse acontecido, e eu realmente não consigo acreditar como esses poucos meses, destruíram tanto minha vida.
Você que leu isso até agora, agradeço muito por reservar esses minutos da sua vida pra esse texto, eu começar ele umas 23h da noite, e tô terminando agora 6h17, depois de parar algumas vezes, e me desculpa pelo tamanho. Eu só achei que precisava compartilhar isso com alguém.
Obrigado por ter chegado até aqui.
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2020.10.12 03:11 zsagattigerz Minha esposa pediu um tempo.

Estou passando por uma situação muito difícil, a minha esposa me deixou a 5 dias atrás pedindo um tempo em nosso casamento, tirou todas as coisas dela do apto e foi pra casa da minha sogra, minha esposa continuo conversando comigo pelo WhatsApp falou que era um tempo até eu me tratar do meu problema com álcool e cigarro e até indicou um psiquiatra ai entã eu mostrei fraqueza fique pedindo pra ela volta e etc... Então ela falou muitas coisas ruins dizendo que não volta mais e que tudo acabou e pra mim seguir a minha vida porque eu só atrapalhei a vida dela. Então falei adeus pra ela e Continuei postando coisas no whatsapp e ela vê todos, comecei a conversar com a minha sogra que me disse pra eu deixar ela que ela volta e fala coisas ruins pra mim pq está brava. Eu amo muito a minha esposa e não queria perder ela. Eu sei que errei pq estava fumando cigarro escondido dela e tenho problema com álcool. Estou desesperado fui na paróquia aqui perto de casa e rezei pra deus me ajuda e eu não tenho nem um amigo pra conversa, estou sozinho no meu apto. Eu ainda sinto no fundo que meu casamento ainda não acabou é uma sensação que não consigo explicar. Mas, parece que ainda vamos volta. O que eu na entendo nas mulheres é o porque ela está fazendo isso comigo dizendo que tudo acabou pra eu esquecer ela e seguir a vida. Mas continua vendo meus status no whatsapp não me bloqueou e pediu pra eu me tratar do meu problema com álcool. poxa eu fico na dúvida se acabou mesmo ou ela só está brava e vamos volta. Estou chorando muito e com o psicológico abalado as mulheres são muito complicadas tem momentos que dá esperança e em outros não.. alguém já passou por uma situação assim ?
12/10/2020 Deixei de fumar e estou tomando remédios para ansiedade, fui até a paróquia do bairro e rezei por mim e minha esposa.
13/10/2020 Ontem minha esposa havia me bloqueado no WhatsApp e hoje pela manhã me desbloqueou. Minha pediu pra eu mandar mensagem para a minha esposa mas eu estou com medo da reação dela.
14/10/2020 Após dias discutindo no whatsapp ela me bloqueou varias vezes e desbloqueou hoje trocamos Bom dia ! E ótimo trabalho, não vou fala mais nada quando chegar de noite eu vou mandar um Boa Noite!
16/10/2020 2 dias sem conversar com a minha esposa, estou conversando muito com a minha sogra e ela me falou que a minha esposa está reclamando muito, que eu destruí a vida dela que ela não sabe oque fazer daqui pra frente.. ela é de São Miguel zona leste , e quando a gente se casou ela veio comigo para o Butantã. Hoje estou sentindo 0 de chances dela volta pra mim e ainda estou me sentindo mal por isso, continuo sem beber ou fumar..
17/10/2020 Fui na paróquia e pedi a deus que me absolva meus erros com a minha esposa e ilumine a minha cabeça para o melhor caminho. Fiz uma reflexão sobre a minha esposa e ela não foi uma boa pessoa comigo, já houve agressões físicas e verbais pela parte dela, todo meu salário era controlado por ela, sexo era umas 2 ou 1 vezes ao mês, ela tinha muitas alterações de humor e já chegou a me expulsa do apto por algumas vezes por motivos muito infantis. Havia muita hostilidade por parte dela contra mim, mas tbm tinha momentos em que ela esta bem. Eu sentia pena dela pq eu acreditava que ela estava com algum problema mental e eu não sabia como ajudar. Na última briga ela me colocou pra fora do apto de madrugada e não deixava entrar tive que pegar um uber e ir para casa da minha mãe e acabei comprando umas brejas e bebi muito lá pois eu estava triste., Então no outro dia voltei e pedi para abrir a porta pois eu precisava pegar algumas roupas assim que ela a abriu eu entrei e disse que não iria sair, ela chamou a polícia que informou para ela que não poderia me tirar do apartamento porque está alugado em meu nome, então ela saiu e foi para casa da mãe, no outro dia voltou com um caminhão de mudança e levou tudo TUDO só deixou o sofá e o microondas pra mim. Cara foi uma puta de uma sacanagem isso. Ela sinceramente acho que ela não eu uma pessoa boa para estar ao meu lado e estou iniciando um processo dentro de mim de mejo por ela e perdendo o amor. Hoje ela postou algumas mensagens no WhatsApp como indireta para mim. A mãe dela me disse que ela tá estranha. Claro deve tá batendo o arrependimento e a falta por mim. Mas a bixa e tão orgulhosa que não vai mandar e nem eu l. Na boa to tranquilo, já tô gostando da ideia de volta pra casa da minha mãe junta uma grana e compra um carrão pra mim. A minha dor já passou por ela e coloquei uma data limite de até o final de outubro passou disso tchau não voi fica esperando ela.
18/10/2020 Em uma breve conversar com a minha sogra ela me disse que não esta vendo a filha dela bem com essa separação e está preocupada com ela. Agora eu estou super puto da vida porque acho que ela esta resistindo a volta pra mim mesmo sofrendo. Que foda, minha vida está de cabeça para baixo , por mais que eu tente esquecer ela vendo vídeo motivacionais, religiosos ..etc isso não passa nem o tempo está ajudando. O termino foi no dia 02/10/2020 .. continuo seguindo o conselho minha sogra de não fala com ela...eu errei muito com ela. Se ela me dar mais uma chance cara eu sou muito sortudo mas não acredito que isso vai acontecer. Eu não me vejo com outra pessoa só de pensa sinto nojo eu gostava dela, eu nunca senti dor tão forte como essa tá piorando a cada dia estou ha 3 dias seguidos sem dormir vou acabar morrendo ou ficando louco morador de rua. Eu sinto que ela esta pensando em mim a gente tinha uma conexão qual que de alma gêmea . Porque ela está fazendo isso comigo? Ela tá me deixando assim pra eu sofrer e nunca mais beber ou fumar se for isso ok já aprendi a lição. Estou ficando de saco cheio já dessa putaria vou meter o louco e começar a xingar ela e a mãe dela. Porra, a mãe dela fica me dando esperança dizendo que ela volta e bla bla bla que ela gosta de mim que ela quer que eu mude que eu melhore que eu acorde para o relacionamento que não se torne pior do que já estava. mano, mas minha esposa fala que ACABOU ai me bloqueia ai desbloqueia fica vendo meus status ai me manda mensagem me xinga ai bloqueia ai desbloqueia ai fica vendo meus status denovo. Tô ficando maluco já. Ai que porra. Ela médica veterinária e e está trabalhando em plantões de 12hs ela deve tá muito puta comigo, aqui no Butantã temos praças aonde ela costumava passear com os cachorros todos os dias agora na zona leste ela não pode fazer isso então e casa e trabalho nossa ela deve tá sofrendo... Cada dia que passa eu vou sentindo mais falta e nesse momento acredito que as chances dela volta comigo são mínimas, eu tenho dificuldade de conquista outras mulheres e não vou superar nunca a perda do meu amor. Caraio a vida é foda com a gente. 2- Que situação tudo isso aconteceu por culpa minha. Estou sofrendo pra caraio e ela mais ainda pq teve que larga o trabalho .. me sinto no fundo do poço , talvez eu nunca volte a vê-la novamente. 3- Minha sogra mudou o tom das conversas acho que azedou de vez não volta mesmo. O apartamento está financiado no nome da mãe dela e tem que paga multa na boa eu quero que se foda porque a minha esposa levou as coisas então elas que se virem pra paga o aluguel e a multa.
19/10/2020 Hoje a minha sogra me pediu para fala com a minha esposa minha sogra quer muito que eu fique com a filha dela ela gosta muito de mim e eu dela.(coisa rara de acontecer) Bom, por enquanto a minha esposa ou ex. Sei lá. tá me respondendo na boa sem agressividade, vamos ver o que vai rolar. / A conversa com a ex. azedou e ela me falou que a única coisa que tem pra resolver comigo é a separação em juiz. Minha sogra disse pra mim que ela tá falando isso agora e tem certeza que a gente vai volta. / Mano, azedou de uma tal forma que me tenho mais esperança de nada. Acabou mesmo
20/10/2020 Minha ex. Bloqueou whatsapp telefone em todas as redes sociais tivemos as conversas por telefone e quando dizia que gostava dela e que mudei e me arrependo do erro ela até dava um bom sinal que tbm gosta, me contou que está passando uma grande dificuldade no trabalho e está difícil fica na casa da mãe dela. Eles tiveram uma briga ontem. Ela por ter saido do apartamento acha que eu tenho que pagar a multa de recisão sozinho. Tá sendo um inferno. Ela tomou a decisão errada e está claramente arrependida com isso. Não quer ficar na casa da mãe dela. Eu peço a Deus que em guarde e me proteja eu não entendo como a pessoa que me dizia me amar e 15 dias atrás agora me odeia e não quer me ver. Eu amo tanto essa pessoa e não consigo superar e acredita que estou passando por esse tipo de situação, agora não tenho nem um tipo de contato com ela. Meu deus do céu me arrependo por ter bebido e fumado essa foi a causa do termino do meu casamento.(ainda tenho um sentimento de alívio ou que algo ainda vai muda) / Rolou mais um quebra pau entre minha sogra e minha ex. Esposa agora a minha ex saiu da casa da mãe mandou várias mensagens pra mim e a merda fedeu de um jeito que não teu volta não. Minha ex agora não quer fala comigo e nem com a minha sogra .. caraio que barraco feio da porra que eu me envolvi com essa mulher ela é muito louco e agressiva até com a mãe dela. Gente do céu pedi o interesse nela total só me sobrou dó agora porque ela saiu da casa da mãe e não sei pra onde foi ... Eu acho que ela esta surtada da cabeça não se acalma de jeito nem um. Meu deus do céu. O pior que ela mexe com uns negócios de macumba e parece que essa porra tá afetando a vida dela.. tínhamos uma vida tão boa e ela chutou o pau da barraca assim do nada caraio, nunca pensei em passa por uma situação assim na minha vida. Há 15 dias atrás uma pessoa que se deitava comigo dizia que me amava, fazia amor comigo agora me odeia.. caramba estou transtornado com essa situação. Coisa horrível.
20/10/2020 Minha ex. Está descontrolada a mãe dela expulsou ela de casa disse que ela está insuportável, aparentemente ela surtou, agora está mandando mensagem para mim e para a minha sogra com tons agressivos. Estamos preocupados com ela pois ela já agia assim com agressividade com a gente mas parece que piorou .. agora a situação virou caso de preocupação com ela pois não sabemos qual será a atitude dela. Ela continua me mandando mensagem mas nem respondo.. ela não está com a cabeça boa não.
Uma coisa não se encaixa nessa história! 13h ela foi explusa de casa 17h ela me disse que alugou um apartamento 19h Postou foto no whatsapp já no novo apartamento com os móveis nele eu vi na foto mesa, e outras coisas que eram do nosso apartamento. Detalhe, a mãe dela estava no trabalho como iria expulsa ela de casa ?
Eu estou sendo manipulado 🥺 É tudo uma farsa.. meu deus quem são essas pessoas que estão conversando comigo? Não to entendendo mais porra nem uma.
22/10/2020 Estou começando a me sentir mais aliviado e com pensamentos positivos, porém as vezes ainda sinto uma dor pela falta dela, talvez eu nunca consiga esquecer a fernanda. Vou levar essa dor dentro de mim pelo resto da minha vida. Só um milagre pode salvar meu casamento nesse momento. Me bloqueou novamente no whatsapp mais uma facada no coração. (Não bloqueou só retirou a foto dela) fazendo joguinhos novamente, estou perdendo minha sanidade mental com essas atitudes.
A mãe dela tá sendo muito boa comigo. Porém a filha dela não está cooperando não quero mas estou desconfiado que a mãe dela só está sendo boa comigo porque o contrato do apartamento está no nome dela e tem a multa e o aluguel desse mês pra pagar. Caraiooooooooo minha mente está a mil.
23/10/2020 Trocando indireta via status do WhatsApp. Coloquei uma foto linda minha a bicha deve tá puta. ela colocou uma dela tbm. mas na boa eu sou bem mais bonito.. hahahaha Postei uma foto que apareceu minha mão sem aliança mas a foto estava invertida ela viu e me mandou mensagem reclamando que eu tirei a aliança.. hahaha.. aff ela separou de mim e tá cobrando que eu use aliança? Na verdade eu continuo usando sim.. mas sei que ela não.
24/10/2020 Sem ela percebi que não sei fazer nada, o apto está uma zona, cheiro de comida estragada o sofá com cheiro de chulé, estou comendo comida de microondas não sei nem o que pedir no ifood. Eu era totalmente dependente dela nas decisões nem o lixo eu tirei. Nossa, estou perdido. Eu fico esperando uma mensagem dela a todo momento, só queria que tudo voltasse ao normal. Essa experiência está sendo torturante. Comentou em mais um poste meu. (Mandei um oi e me ignorou) ela tá ficando muito online no whatsapp acho que ela tá ficando com outra cara. Meu coração tá doendo muito.
25/10/2020 Peguei ela online no WhatsApp as 1:40 da madrugada ela nunca ficou acordada até esse horário. Ela saiu pro rolê ou tá ficando com outro cara. Eu vivia com um mostro dentro de casa, ela nem se divórcio de mim ainda e já tá saindo muito safada... Lamentável.
Era o fim e eu que não quis aceitar as 4:30 da madrugada ela me mandou mensagem falando várias coisas e mandou um vídeo em estava em bar de pagode, disse que quer me ver nem respirar o mesmo ar que eu e outras coisas mais... Pessoal infelizmente não tenho chances de reconciliação com a minha esposa ela está com muita ódio de mim e vou ter que carregar esse meu erro pelo rest da minha vida.. a dor nunca vai curar... Pedi tanto a deus que me ajudasse orei tanto e a mãe dela também mas não deu certo. Eu levei a minha vida para o fundo do poço, nunca vou encontrar uma mulher igual aquela Deus me castigou ele não gosta de mim pedi a ajuda dele e ele não me ajudou nada mudou só ficou pior a cada dia e hoje ela está totalmente me odiando ... Deus o senhor não foi justo comigo eu pedi perdão ao senhor rezei pelos meu pecados sempre fui uma pessoa boa pra todo mundo porque o senhor fez isso comigo ? Me tirou a pessoa que eu mais amava no mundo de mim. Porque? Isso doi muito esse mundo não é bom.. só tem maldades e coisas ruins minhas esposas éramos tão felizes foi só um erros dava pra concertar. Mas minhas orações o senhor falou comigo "filho fique calmo ela vai volta pra você" porque o senhor me disse isso e não aconteceu isso deus ? Eu estava esperando o tempo dela. E não valeu por nada nada.. ela sente muito ódio por mim.
Nossa, o jogo deu um reviravolta. Depois da mensagem que ela me mandou na madrugada eu enviei um textão pra ela. Disse que até queria muito que ela fosse minha esposa mas depois dessa atitude eu prefiro seguir a minha vida sem você, que o divórcio o mais rápido possível e agradeço pela sua passagem em minha vida me ajudou abrir meus olhas pra vida para de beber e fumar estou um homem melhor para a minha verdadeira parceira e esposa. Pra que ela ficou louca, coloquei ela no lugar dela e dei pra ela bem entender que eu não queria mais ele. E continuava dizendo do divórcio. Ai ela disse eu não vou fazer nada de divórcio não para com isso e bla bla bla.. dominei ela agora tá conversando comigo igual uma santa e me ligou ficamos 30 minutos conversando.
Então ela ainda me amava mas estava com raiva por algumas atitudes minhas e então saiu.. o problema é que ela estava fazer uma tortura emocional em mim o que acho uma puta de uma sacanagem eu posso ter aprendido algumas coisa mas poxa, na boa não precisava pegar tão pesado assim..
Gostaria de pedir desculpas a Deus ele falou pra mim e se realizou aparentemente vai dar tudo certo. Nós vamos combina de se encontrar, ela já me pediu pra comprar comida para o gato e um brinquedo para ele.. eu disse que sim vou comprar.
26/10/2020 Hoje consegue dormi e acordei bem melhor, fiz meus exercícios e estou na empresa, mandei mensagem pra ela falando bom dia e uma ótima semana. Não vou estender mais a conversa. Durante a semana vou com calma acredito que agora ambos os lados estão mais calmos.
29/10/2020 A conversa evoluiu bastante nos últimos dias e já estamos combinando de se encontra. Em um áudio ela sugeriu que eu ficasse de sexta a segunda feriado no apto dela e que tbm levasse ela pra sair tbm pediu presente ela é bem patricinha e delicada mas ríspida as vezes. Bom, gostaria que o encontro fosse no sábado porque daria tempo pra eu me arrumar estou com a barba e cabelo grande tbm daria tempo de compra um presente pra ela.
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2020.09.20 14:53 UninformedImmigrant U wot m8? Estórias de um gajo que se mudou para o UK [Capítulo 1: Mudanças e chegadas]

Olá amigos. No post anterior introduzi levemente o espírito desta série, e este é o primeiro capítulo "a sério" da série. Este capítulo versa sobre o processo de preparação para a mudança e o "primeiro embate" da chegada ao novo país; que assuntos tive que tratar imediatamente antes de me mudar, assim como assim que cheguei. Como tenho dito, esta experiência é pessoal, e é importante que entendam que não se aplicará certamente a todos. Riam-se, chorem, e deixem os vossos pensamentos na caixinha em baixo.
Ao longo do texto vão ver uns números entre parênteses rectos ([XXXX]). Isto são referências que estão por extenso perto do fim do post, na secção apropriadamente denominada "Referências".

Take-Aways Principais

Eu gosto de ter uns bullet points com as ideias principais que se devem reter de cada capítulo, uma espécie de "se não leres mais nada, lê isto" do capítulo. Os deste capítulo rezam assim:
Os detalhes estão no texto por aí abaixo.

A odisseia do trabalho científico em Portugal

Já alguma vez tiveram aquele sonho em que querem gritar e não conseguem? Aquela sensação quase infantil de impotência, do pavor da inacção e do pasmo em relação ao que quer que seja que se está a desenrolar à nossa frente? Ou aquele em que querem esmurrar alguém mas não acontece nada? A sensação de impotência é, pessoalmente, das piores que podemos ter; a de querermos fazer alguma coisa, acharmos que sabemos o que fazer e não conseguirmos.
Trabalhar no tecido académico e de micro-empresas português (vulgo technology transfer) é um bocadinho assim. Por mais que um gajo se esforce, é muito difícil escapar à subsidio-dependência, à chico-espertice, à mediocridade, à inexperiência, à falta de processo e, acima de tudo, à falta de recursos. Por bom que seja o sonho, por interessante que seja o projecto, por positivo que seja o ambiente de trabalho, por porreiros que sejam os colegas, há uma sensação latente de "isto não vai dar para construir uma carreira". Isto torna-se particularmente agudo quando se trabalha numa área de tecnologia de ponta, para a qual inevitavelmente o mercado português está pouco desenvolvido. Não havendo mercado, a empresa vira papa-projectos e passa a viver de fundos comunitários, QRENs, COMPETEs, H2020s e coisas que tal. O tempo que se devia gastar em desenvolvimento é gasto a tentar convencer revisores de projectos a darem-nos mais uma esmola, e todos os projectos são uma corrida ao fundo: como é que conseguimos fazer esta omelete bonita com muito poucos ovos? Será que precisamos mesmo de duas pessoas para fazer isto, não dará só uma? Certamente o equipamento X também dá para este projecto.
Um aspecto particularmente doloroso neste ambiente é a altíssima rotatividade dos colegas. Quando se trabalha nestas condições tende-se a depender de recursos precários: bolseiros de investigação, estágios IEFP, estágios profissionais, estágios académicos, e por aí fora. Isto torna imediatamente impossível treinar alguém para fazer alguma coisa de jeito, e dei por mim a ensinar 3 ou 4 pessoas a fazer a mesma coisa em ocasiões diferentes ao longo dos anos. Nunca ninguém fica e toda a gente parte para outra, seja porque a empresa não lhes pode pagar, ou porque são incompetentes demais para nos darmos ao trabalho de lhes tentar arranjar financiamento. As caras e os nomes confundem-se numa espécie de groundhog day tecnológico em que cada ano que passa temos as mesmas conversas. Um tipo que vá ficando, ora porque é bom ou porque é teimoso, vai dando por si a avançar na idade ao mesmo tempo que os colegas não. A certo ponto, todos os meus colegas eram pelo menos uns 4 ou 5 anos mais novos que eu; ora se até eu quase nem tinha barba (hipérbole), então eles estavam mais verdes que as bananas da Costa Rica quando chegam ao Continente.
Quando me perguntam porque é que os portugueses têm tendência a se dar bem lá fora, aponto-os sempre para as condições em que somos habituados a fazer trabalho world-class. As publicações a que submetemos artigos não querem saber das nossas dificuldades; querem papers de qualidade. As agências de financiamento não querem saber de rotatividade, querem saber de know-how, track record e orçamentos. O trabalho que temos que entregar para sobreviver tem que ser de topo, ao mesmo tempo que as condições são de fundo. Pega-se num tipo habituado a isto, senta-lo numa cadeira de 300€, dá-se-lhe 3 monitores e um portátil que dava para comprar um carro, e é natural que o desempenho seja incrível.
Eu não me considero um perfeccionista (e acho que quem se considera perfeccionista pensa demais de si próprio) mas procuro estar numa constante curva ascendente no que toca à qualidade do meu trabalho. Umas vezes a curva é mais inclinada, outras vezes é menos inclinada, mas a cada dia estar um bocadinho melhor que no dia anterior. Aliás, quem me conhece sabe que esse é um traço que aplico em quase tudo: no trabalho, na vida, no desporto, etc. Antes de me mudar sentia que tinha batido no tecto da qualidade do que podia entregar. O meu esforço era máximo e o factor limitador da qualidade da entrega era a forma como o trabalho que eu tinha para fazer era entregue. Não havia tempo suficiente para inovação, era preciso planear de forma irrealista (e entregar de forma irrealista) para se conseguir fazer o malabarismo de todos os projectos. A constante mudança de contexto comia horas todos os dias.
A ética de trabalho portuguesa é, geralmente, horrível. Se eu trabalhei as minhas 8h, entreguei o que tinha para entregar e não tenho horário de trabalho, então vou sair às 16h. Ou chegar às 10h. Geralmente, fazer menos que 9-19 é mal visto, e eu fui sempre muito vocal (se calhar de forma prejudicial para mim próprio) acerca do quão estúpido isso me parece. Cheguei a ouvir algo semelhante a "tu és daqueles gajos que vão de férias desaparecem do mapa". Não é esse o objectivo das férias?

Um dia destes decidi mudar-me para o UK

Então um dia desatei a mandar CVs por esse mundo fora, a ver o que colava. Inevitavelmente, apareceram-me várias ofertas interessantes, a melhor das quais no UK. Contas feitas, a oferta praticamente multiplicou o meu salário bruto por 5 (talvez um bocadinho mais), empurrando-me de um salário mediano em Portugal para um salário bastante acima da média no UK. Esta é daquelas particularidades a que me refiro quando digo que a minha experiência é extremamente pessoal: eu tive a sorte de gostar e ter talento para trabalhar nesta área, e a dupla sorte de ser uma área em que simultaneamente há muita oferta e pouca procura de trabalho. Meio ao calhas cultivei um skillset muito valioso, ou que consegui vender bem. Infelizmente, para manter esta conta dissociada da minha identidade não vos posso especificar qual é; somos poucos, tornava-se muito fácil encontrar-me pelas publicações.
Curiosamente, está agora (à data da escrita) a fazer um ano que me decidi mudar. Nessa altura, a maior preocupação de quem se mudava para o UK era o Brexit, mas houve uma série de factores que me acalmaram:
Acerca deste último: ser estrangeiro no UK ou ser em qualquer outra parte é, para mim, semelhante. Então, se o Brexit por alguma razão resultasse numa perseguição aos estrangeiros, ou numa forte desvalorização da libra, etc, a minha situação ainda assim seria melhor que antes. Teria um CV mais rico, experiência adicional na indústria, e dinheiro no banco, tudo factores que facilitariam a mudança para um país terceiro.
Portanto com os factores políticos resolvidos por ora, e com a família a apoiar, lá me decidi.
Lá vim eu.

Preparação

A preparação para a mudança dividiu-se em:
Para benefício máximo meu e das duas empresas envolvidas, decidi reservar apenas umas 3 semanas sem trabalhar para tratar de tudo. Arrependi-me profundamente: devia ter fodido uma das empresas (a velha, potencialmente) e tido mais tempo para mim e para os meus. Naturalmente, houve muito que pude fazer enquanto trabalhava, como tratar da documentação. A logística foi um pesadelo; tive que esvaziar o apartamento em 2 dias e encontrar forma de arrumar tudo o que tinha na minha casa de família. Uma boa parte ficou por fazer pois queria passar tempo com a família em vez de arrumar merda. Tive que denunciar o contrato de arrendamento, da energia, da água e das telecomunicações. Obviamente, a Vodafone foi a mais merdosa no meio disto tudo, primeiro porque queriam que pagasse a fidelização (tive que demonstrar que vinha para o estrangeiro), e depois porque queriam cobrar o equipamento apesar de o ter entregue a horas e em boas condições. Típica escumalhice de telecom portuguesa, nada de novo.
A preparação legal foi mais cuidada. Para referência, a documentação que preparei foi:
Também nomeei (por procuração) um representante legal em Portugal. Inicialmente pareceu-me overkill, e apenas o recomendaria se tiverem alguém que seja de muita, muita confiança. Mas para mim tem sido muito útil, pois essa pessoa pode-me substituir em qualquer todos os compromissos, requerer a emissão de documentação em meu nome, transaccionar os meus bens (tipo vender o carro velho) e negociar em meu nome com as telecoms quando se armam em parvas (ver Vodafone acima). A pessoa que ficou com esta responsabilidade é da minha absoluta confiança, mas mesmo assim é um compromisso que deve ser mantido debaixo de olho e apenas pelo tempo necessário.
Às tantas perguntei-me "sua besta, já pensaste em quanto dinheiro vais gastar?" Bom, através de uma combinação de salário baixo e escolhas financeiras pouco saudáveis (que reconheço mas não quero detalhar), as minhas poupanças resumiam-se a uns míseros 2000€. Amigos, 2000€ não é dinheiro nenhum. Precisava de mais. Pelas minhas contas, e porque não vinha sozinho, precisaria de cerca de 15000€ para fazer isto com algum descanso, ainda que não conforto.
Lembram-se de quando tivemos uma crise "once in a lifetime" em 2008? Aquela da qual vamos ter saudades agora em 2021? Essa mesmo. Uma consequência engraçada dessa crise foi que as pessoas se habituaram a fazer crédito ao consumo, e os bancos habituaram-se a emprestar dinheiro como quem dá cá aquela palha, já que o Estado depois os resgata e ninguém vai preso. Como sempre trabalhei, paguei os meus impostos e nunca tive dívidas, pude pedir um crédito pessoal para pagar a mudança inicial. 15k no banco, check.
Obviamente não o gastei todo, e a empresa para onde fui trabalhar devolveu-me uma esmagadora parte do que gastei através de um fundo de "relocation expenses". A empresa pagou (mas eu tive que adiantar):
Em cima disso, paguei eu:
Admito que fiz algumas escolhas controversas, e houve muito dinheiro perdido em conversão de moeda. Podia ter ficado fora da cidade enquanto procurava apartamento, podia ter comprado mobília mais barata, podia ter dormido no chão, podia ter comprado malas mais baratas, podia ter andado de comboio em vez de alugar carros quando precisei. Mudei-me de uma forma que considero "medianamente confortável": não o fiz luxuosamente, mas dei-me ao luxo de trazer a Maria, de não ter que partilhar casa e de evitar largamente transportes públicos. Com o dinheiro que a empresa me devolveu constituí um fundo de emergência. Não liquidei logo a dívida porque entendo que é mais importante ter um fundo de emergência do que estar debt-free (mais sobre isso daqui a um post ou dois).
São escolhas. Emigrar é caro, amigos. Conheço quem o tenha feito com 200€ no bolso, mas não é confortável e não quero isso para mim.
Praticamente foi tudo pago através do Revolut. Criei uma conta pouco antes de vir, comprei o premium para não ter limites de conversões, e usei. Inclusivamente recebi lá o primeiro salário enquanto não criei a conta no banco.
A preparação emocional foi a menos complicada. O meu núcleo duro é relativamente pequeno, e toda a gente estava preparada há muito tempo para que eu "fugisse"; era conhecido praticamente desde que tinha começado o PhD que a minha área não era viável em Portugal, e que estava revoltado com a ética de trabalho merdosa. Naturalmente a minha mãe não gostou da ideia, mas são coisas da vida. Ainda assim, um conselho: não se armem em fortes e não descuidem a preparação psicológica/emocional que é necessária para este tipo de viagem. Eu sei que pessoas diferentes têm níveis de resiliência diferentes, mas o português tem muito a mania de achar que é o maior; cuidado com isso. Além disso, não deixem que estas preparações vos tomem todo o tempo que têm; guardem tempo para estar com a família, para lazer, e para descansar. Eu deixei-me consumir um pouco e não foi bom.

Como não ser sem-abrigo

Aterrei em meados de Setembro num dia nublado com duas malas de 30kg, uma mochila para mim e outra para a Maria, e a convicta certeza de que me estava a foder. Tinha cerca de 2.5 semanas até começar a trabalhar, e até lá a missão era só uma: encontrar um apartamento. Há muito para dizer acerca da habitação no UK, vou escrever um post só para isso e por isso aqui vou focar apenas na experiência do recém-chegado.
Eu decidi que não estava disposto a arrendar pelo privado; iria sempre através de uma agência imobiliária. Como não tinha tanta familiaridade com o mercado nem com a legislação, achei que seria mais seguro ir por essa via mais cara e minimizar a possibilidade de ser ludibriado. Recomendo vivamente. Então comecei a encetar contactos por telefone para marcar visitas a apartamentos.
E aí bateu-me.
Eu não conseguia perceber nada do que estes caralhos diziam ao telefone. NADA. "Ahka hrask apfiasdafsd duja sudn" diziam eles, e eu "sorry, I have a really bad connection, could you repeat that?" e eles lá repetiam mais calmamente "G'mornin, how can I help you today?". Muita vez disse eu que tinha pouca rede, a ver se eles abrandavam um bocadinho. E funciona! Top tip: se estiverem a tentar perceber o que eles dizem por telefone, queixem-se da ligação; o serviço móvel no UK é tão mau que eles vão na conversa.
Agora, eu sei falar inglês, ok? Naveguei perfeitamente bem as entrevistas, tenho dúzias de publicações em inglês "impecável", e trabalho em inglês há anos e anos. O problema é o seguinte: falar inglês enquanto se trabalha e escrever coisas em inglês são ambos experiências muito diferentes da de tentar falar com um nativo com sotaque, que assume maneirismos e expressões que não conhecemos, sobre locais que não conhecemos e dentro de um sistema (de arrendamento) que não conhecemos, tudo isto por telefone e sem poder ler nos lábios nem ler expressões corporais.
Com algum desenrascanço tipicamente português fui enchendo os dias de visitas a apartamentos na zona. Num dos dias aluguei um carro para ir ver apartamentos numa cidade vizinha (onde até acabei por ficar), algo que recomendo vivamente. Durante essas semanas vimos facilmente uns 25 apartamentos, talvez mais. As primeiras impressões foram:
(Um aparte acerca da alcatifa: se tiverem uma casa toda alcatifada comprem um robot aspirador de qualidade e aspirem todos os dias, até mais do que uma vez. A vossa qualidade de vida vai aumentar 1000 vezes.)
Escolhido o apartamento, fizemos uma oferta/candidatura. Oferecemos o valor que o senhorio pedia e, já tendo falado com muitos agentes, ofereci-me para pagar o contrato inteiro de 6 meses no dia da entrada. O que se seguiu foi um processo que, para mim, era completamente estrangeiro: o de "referencing" do potencial arrendatário. Pediram-me as moradas anteriores até 3 anos e os contactos dos senhorios, assim como a minha morada de família permanente e (muitos) dados pessoais. Essa informação foi usada para verificar que eu não era um impostor, e para verificar que tinha o hábito de pagar a renda. Ligaram para a minha antiga senhoria portuguesa, uma senhora de 82 anos, a perguntar se eu pagava a renda. Por mero acaso ela fala inglês (foi investigadora) e soube-lhes dar resposta, mas achei a atitude absolutamente desnecessária. Lembro-me de me sentir ofendido; "mas estes filhos da puta acham que pagar 6 meses à cabeça não chega?"
Seguiu-se um contrato de arrendamento para uma Assured Shorthold Tenancy [1], que é a modalidade "normal" de arrendamento para habitação por aqui. O agente imobiliário tratou de toda a papelada, mas eu tirei um dia para ler todo o contrato e verificar se batia certo com o que conhecia da lei daqui, o que recomendo vivamente. Atenção que a partir de meados de 2019 as taxas cobradas pelos agentes imobiliários passaram a ser limitadas por lei [2], por isso se vos pedirem alguma taxa administrativa mandem-nos sugar no pénis mais próximo. Na altura disseram-me que o normal, antes dessa mudança, seria o arrendatário pagar uma taxa de 700 libras à imobiliária pelo serviço. Era matá-los.
Assinado o contrato, ficou fixada uma data para entrada no apartamento. O valor a pagar é esperado nesta altura, no momento imediatamente precedente à entrega das chaves, o que significa que é preciso ter esse dinheiro disponível num cartão aceite pela imobiliária. Obviamente que é possível pagar por transferência, mas isso pode atrasar a data de entrada, e eu estava a pagar hotel por isso tinha interesse em me despachar.
Este processo foi, para mim, extremamente stressante. Até ao momento em que temos a chave na mão, o nível de incerteza é altíssimo: vou precisar de estender a estadia no hotel? Vou ter dinheiro que chegue caso o senhorio recuse o arrendamento? Será que vou ter que procurar noutra zona? Será que vou conseguir fazer isso enquanto trabalho? Para mim, encontrar a primeira casa foi facilmente a parte enervante da mudança. Agora já tenho uma posição muito mais sólida: conheço a zona, conheço o mercado, tenho um pé de meia e transporte próprio. O início custa muito mais.

Burocracias adicionais a tratar no início

Além da casa, que era a minha primeira preocupação, há um outro conjunto de coisas que têm que ser tratadas quanto antes:

Referências

[1] https://england.shelter.org.uk/housing_advice/private_renting/assured_shorthold_tenancies_with_private_landlords [2] https://www.gov.uk/government/collections/tenant-fees-act [3] https://www.gov.uk/council-tax [4] https://www.gov.uk/tax-codes [5] https://www.gov.uk/income-tax/how-you-pay-income-tax

Capítulos Anteriores

O próximo capítulo deve ser mais sobre habitação ou sobre compramanter carro e conduzir. Depende de qual o capítulo que acabar por ficar pronto mais cedo. Às tantas calha ser outro qualquer ¯\_(ツ)_/¯
Se este post gerar uma resposta tão forte como os outros, é possível que eu não consiga responder a todos os comments. Se for esse o caso, peço desculpa; vou dar o meu melhor.
No outro post alguém (um mod?) colocou o flair "Conteúdo Original". Não encontrei esse por isso pus "discussão".
Abraços, e obrigado por virem à minha TED talk.
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2020.08.16 01:37 not_eletrons Bot isso não é spam :(

Eu eletrons_dark (na twitch), Dei legendas de 5 vídeos a esse bot https://www.youtube.com/watch?v=RW7mP6BfZuY com ajuda desse tutorial: https://www.youtube.com/watch?v=3tlW_jSlYL4 (graças aos dois vídeos foi possível todo isso) abaixando as legendas aqui: https://downsub.com/. Um dos resultados,após um longo tempo foi esse:
"É olha o ali botões borra esperando eu eu isso forma deu me aqui tem então então não que é eu não tudo mandou mandou um tive um têm com jeito um um acho carro acontecer caminho sabonete sabonete peruano to vez também gênio que a pegou porque a meu acredito eu arrasar não eu a um meu galera aqui meu o deus vai muito ele não tá com muito muito muito muito muito muito o patinho muito fazem ver aquele viu gostei na tem da um um a carne nossa e nem é então mais tô eu quero o que aqui esse americano eu esse americano tipo vida ficar olha esse vida vida voando guerra me que só não mas não o tem não nada robô vamos bem perto feliz própria eu vida eu o é eu o o eu vida conseguiu porque o o soltar não não sou sobreviver tão nem louco não não extractor que mão eu caso não aqui que aqui é do que tinha tá aqui em tava ó ó eu ó e fazendo apesar podem sim vez galera que a vai de mais ó não fixa então esquerda isso achei ah e e ali ah ah não ah achei gente isso único de da negócio um ideia mas fique mesmo está fica fortes estejam da ficar aqui matou pra da escondendo não gente fazer é mundo estava não mais tava outra tô monstro não pirata eu pegar apesar o o que e a galera jeito vai fazer a fazer gente vai usou esse um um jogar último vai um mais depois caramba que ajude agora efeito é que o bicho o o podem o o gol aquele o a roubo bicho no dele caneca de privada mesa lá às mil mesa lá olha aqui aqui olha botar lá ah aqui tá ó ó isso macaco fez isso isso porcaria boa é está podia na rifle ouvi ser quero eu experimento sou seu olá hoje bugou morreram muito time mapa mas dia para que esperei pode ser uma como agora deus que negócio ser juca ou o a ficava precisa da da então fica e da galera da escrever o ambrósio tornando trabalho vão castor mandei alguém na esse o gente fez ser como acertar nome no não modo ser dar o não como viva agora agora mandou agora vai aguardar acho um ser elétrico meu nada no itapipoca na gênio no xícara gente não eles a ganso é a a ele é ele que é é ele então acredito sei vou nós ele loja bcp então fazem né assim porque né que pouco saiba a calma te intelectual é nossa na ninguém pela indo aí então vamos dar tirar não entendi aqui preciso aqui fica nosso vai tem assim ai tá aqui drive um os um duplicar né esse falo pra bom né limitada né chip bicho no não é o favor é fim interessante é não você quem não cara ok gosto um capaz aliás se peguei na na qualificados para o pessoal a a vai data gente a a dar raiva não se todos um os são indo é os sala os armados vai fazendo está que ficar sem ele pode mexer botão você ele morreu se tal a mano não mano agora a a ficar não cabo mas gente que eu se eu como porque porque ser nem quero ser pegar só embaixo preto parkour aqui só bicho direito bicho tá gente tá de saiu peguei é fim de de de as aquele de que um vão dando que pedra não é aí coisa não boa não por zoom resgata eu eu bem eu viva vai vai vai fazer galera agora daí quebrar aquela não dar céu pra ai tá vai quer era entende quem meu ele meu ele meu deus ele tá vindo umas ele nem ele se aquele não já aquele brics eu muito twitch cara sair programação robótica eu cientistas bote gente bugar consegui então fazendo maia tá essa pessoa tio lembre com e e arma hoje botões do não não"

bem zuado. Talvez eu faça umas correções no texto e coloco em cima do original.

Download dos arquivos: https://drive.google.com/drive/folders/1WxVHsqC2M2oaQuinYm36iCQpNxA3Rr-S?usp=sharing
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2020.08.14 22:53 not_eletrons Zueira com a rede neural

Eu eletrons_dark (na twitch), Dei legendas de 5 vídeos a esse bot https://www.youtube.com/watch?v=RW7mP6BfZuY com ajuda desse tutorial: https://www.youtube.com/watch?v=3tlW_jSlYL4 (graças aos dois vídeos foi possível todo isso) abaixando as legendas aqui: https://downsub.com/. Um dos resultados,após um longo tempo foi esse:
"É olha o ali botões borra esperando eu eu isso forma deu me aqui tem então então não que é eu não tudo mandou mandou um tive um têm com jeito um um acho carro acontecer caminho sabonete sabonete peruano to vez também gênio que a pegou porque a meu acredito eu arrasar não eu a um meu galera aqui meu o deus vai muito ele não tá com muito muito muito muito muito muito o patinho muito fazem ver aquele viu gostei na tem da um um a carne nossa e nem é então mais tô eu quero o que aqui esse americano eu esse americano tipo vida ficar olha esse vida vida voando guerra me que só não mas não o tem não nada robô vamos bem perto feliz própria eu vida eu o é eu o o eu vida conseguiu porque o o soltar não não sou sobreviver tão nem louco não não extractor que mão eu caso não aqui que aqui é do que tinha tá aqui em tava ó ó eu ó e fazendo apesar podem sim vez galera que a vai de mais ó não fixa então esquerda isso achei ah e e ali ah ah não ah achei gente isso único de da negócio um ideia mas fique mesmo está fica fortes estejam da ficar aqui matou pra da escondendo não gente fazer é mundo estava não mais tava outra tô monstro não pirata eu pegar apesar o o que e a galera jeito vai fazer a fazer gente vai usou esse um um jogar último vai um mais depois caramba que ajude agora efeito é que o bicho o o podem o o gol aquele o a roubo bicho no dele caneca de privada mesa lá às mil mesa lá olha aqui aqui olha botar lá ah aqui tá ó ó isso macaco fez isso isso porcaria boa é está podia na rifle ouvi ser quero eu experimento sou seu olá hoje bugou morreram muito time mapa mas dia para que esperei pode ser uma como agora deus que negócio ser juca ou o a ficava precisa da da então fica e da galera da escrever o ambrósio tornando trabalho vão castor mandei alguém na esse o gente fez ser como acertar nome no não modo ser dar o não como viva agora agora mandou agora vai aguardar acho um ser elétrico meu nada no itapipoca na gênio no xícara gente não eles a ganso é a a ele é ele que é é ele então acredito sei vou nós ele loja bcp então fazem né assim porque né que pouco saiba a calma te intelectual é nossa na ninguém pela indo aí então vamos dar tirar não entendi aqui preciso aqui fica nosso vai tem assim ai tá aqui drive um os um duplicar né esse falo pra bom né limitada né chip bicho no não é o favor é fim interessante é não você quem não cara ok gosto um capaz aliás se peguei na na qualificados para o pessoal a a vai data gente a a dar raiva não se todos um os são indo é os sala os armados vai fazendo está que ficar sem ele pode mexer botão você ele morreu se tal a mano não mano agora a a ficar não cabo mas gente que eu se eu como porque porque ser nem quero ser pegar só embaixo preto parkour aqui só bicho direito bicho tá gente tá de saiu peguei é fim de de de as aquele de que um vão dando que pedra não é aí coisa não boa não por zoom resgata eu eu bem eu viva vai vai vai fazer galera agora daí quebrar aquela não dar céu pra ai tá vai quer era entende quem meu ele meu ele meu deus ele tá vindo umas ele nem ele se aquele não já aquele brics eu muito twitch cara sair programação robótica eu cientistas bote gente bugar consegui então fazendo maia tá essa pessoa tio lembre com e e arma hoje botões do não não"

bem zuado. Talvez eu faça umas correções no texto e coloco em cima do original.

Download dos arquivos: https://drive.google.com/drive/folders/1WxVHsqC2M2oaQuinYm36iCQpNxA3Rr-S?usp=sharing
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2020.06.29 20:20 throwaway2159861 Fracassei em todos os aspectos da minha vida

Boa tarde, estou precisando desabafar e resolvi contar aqui grande parte da minha história e talvez fazer uma auto-análise. Imagino pelo que vi e vivenciei que é possível que muitas pessoas se identifiquem com os assuntos que eu vou falar, então pode até ser uma leitura interessante.
Antes de começar, recomendo essa música pra quem por ventura vier a ler o texto abaixo. Ela não tem nada de especial, mas eu gosto bastante dela.
https://www.youtube.com/watch?v=7NLvmr7zpso
Pois bem, atualmente tenho 28 anos, quase fazendo 29 e estou terminando a minha segunda faculdade. Provavelmente algumas coisas em relação a datas serão confusas pois além da minha memória ser bastante ruim, ela se restringe aos últimos 5 anos da minha vida. Então, as últimas memórias que eu tenho são da copa de 2014 no Brasil onde consegui assistir a alguns jogos. Eu não sei se isso é neurológico, mas estou pra ver isso tem alguns anos já. Antes que perguntem, eu tenho memórias de situações anteriores, mas em vez de lembrar do fato em si eu me lembro de alguma outra pessoa me contando, então é uma espécie de memória de segunda mão.
Enfim, quando eu tinha cerca de 10 anos eu tive depressão crônica e comecei a tomar medicamentos para tratar isso. Por volta dos 13~14 além do tratamento da depressão, eu comecei a ter ataques de pânico intensos, de modo que eu tive que abandonar o colégio por cerca de 6 meses pois eu não conseguia sair de casa. Também desenvolvi um distúrbio de personalidade esquizóide. Felizmente acabei não perdendo o ano pois a direção entendeu a minha situação e eu tinha boas notas, esporadicamente eu arrumava a matéria do colégio e lia em casa pra tentar aprender alguma coisa. Curiosamente um amigo meu me contou anos depois que a minha mãe por volta dessa época pediu pra ele e alguns outros amigos tentarem me convencer de ir numa excursão do colégio que seria durante um feriado prolongado.
Avançando um pouco, por volta dos 17 anos e perto de prestar o vestibular, eu não tinha a menor idéia de qual curso eu deveria escolher. Cheguei a perguntar para o meu pai se ele poderia me dar mais um ano pra escolher a carreira enquanto eu fazia um cursinho mas ele só riu e achou que eu estivesse de sacanagem. Por fim, acabou falando pra eu fazer Direito pois ele sempre achou que todo mundo deveria saber o básico das leis, além do fato de ter trocentos concursos públicos disponíveis pros graduados. Nesta época, eu já estava de saco cheio de estar indo no psicólogo e no psiquiatra com regularidade, além de ter que tomar os medicamentos todo dia. Pra ser sincero, comecei a tomar os medicamentos em dias alternados em vez de diariamente e cada vez mais fui espaçando, até o ponto de achar que eu não precisava tomar mais. Não notei mudança nenhuma no meu comportamento, apenas uma grave insônia. Depois de um tempo então revelei que eu não estava mais tomando os medicamentos para os médicos e para os meus pais e como aparentemente não fazia diferença nenhuma porque ninguém percebeu, eu só parei de frequentar o psicólogo e psiquiatra de um dia pro outro.
Como eu não sabia pra qual curso prestar vestibular, acabei acatando a idéia do meu pai, só que eu não tinha motivação nenhuma pra estudar. Aliás, eu nunca tive e sempre fiz parte da grande maioria dos alunos que estudam apenas na véspera. Para a minha grande surpresa, acabei passando no vestibular e só fiquei sabendo aos 45 do segundo tempo, no penúltimo dia da pré-matrícula quando um amigo meu veio me dar parabéns. Foi uma conversa engraçada, ele me deu parabéns mas eu não sabia pelo quê, já que eu não tinha acompanhado o resultado do vestibular pelo fato deu não ter estudado durante o ano. Foi uma grande sorte, que aliás é um tema recorrente na minha vida. Dei sorte do meu colégio dar o conteúdo inteiro durante o 1º e 2º anos do ensino médio, deixando o 3º ano apenas pra revisão da matéria toda, então querendo ou não, eu assistindo as aulas acabei fazendo uma revisão sem querer. Dei muito mais sorte do meu amigo ter me avisado, já que sem ele eu perderia a matrícula e só deus sabe o que aconteceria. Talvez eu conseguisse o meu sonhado ano pra descobrir o que eu queria fazer da vida, mas me conhecendo, acho que eu apenas procrastinaria por mais um ano.
Já no começo da faculdade eu percebi que as carreiras legais não eram pra mim. Na verdade, analisando friamente, tenho certeza de que eu seria um bom juiz, devido à minha personalidade e jeito de ser. Infelizmente nasci sem a motivação necessária para traçar objetivos de longo prazo e perseguí-los. É bem verdade que eu considero que não se nasce com isso e que é tudo uma questão de disciplina, mas não me vejo mudando isso na minha personalidade no curto, médio ou longo prazo. Talvez seja um mecanismo de defesa pra me prevenir do fracasso, afinal de contas, ninguém pode dizer realmente que fracassou se nem tentou.
Enfim, apesar de achar a área da advocacia algo bastante chato, passei a me interessar moderadamente pela área acadêmica, mais especificamente pelo jusnaturalismo. Na época da faculdade comecei a ler um pouco sobre religião comparada e sempre achei que o direito sem uma base metafísica não passa de um jogo de poder onde quem possui mais faz a lei e quem não possui apenas obedece. Até hoje tenho vontade de realizar uma pesquisa acadêmica sobre isso, mas as chances beiram a zero pois a vida acontece.
Também durante a faculdade eu comecei a ter recaídas da depressão, mas como eu já conhecia os sintomas, eu sempre tomava medidas contra a minha própria vontade para tratar o problema no início. Eu tinha que manter um horário de sono regular, fazer algum tipo de exercício físico diariamente e ter uma alimentação mais saudável. Isso realmente funciona, então se alguém estiver passando por isso, recomendo fazer isso antes de partir para algo mais radical. O problema é que isso é chato demais e eu não conseguia manter essa disciplina por muito tempo, então eu ficava alternando períodos bons e ruins. Na verdade, isso acontece até hoje, mas aos poucos fui aprendendo a lidar com isso.
Vou abrir um parêntese aqui pois pelos anos de experiência, percebo que muitas pessoas passam pelo mesmo problema que eu, sobretudo aqui que é um lugar para desabafos anônimos. Também não é um assunto fácil de conversar com as pessoas, a não ser que você tenha ótimos amigos ou uma família bem estruturada que se importa realmente com você. A minha família sempre me deu essa abertura, mas por conta da minha personalidade eu nunca fui capaz de falar nada disso com eles. Aliás, não sei nem se adiantaria alguma coisa falar com eles. Acredito que o melhor meio mesmo seja apenas ler relatos na internet de pessoas que passam por uma situação semelhante pra saber que isso não acontece só com você. Acho que isso foi o grande motivador pra eu escrever este texto.
Gostaria de falar sobre sentimentos. É bastante paradoxal, visto que eu sou literalmente analfabeto em matéria de sentimentos e não sinto quase nada devido à minha TPE. Ainda sim, acredito que ajuda bastante saber que alguém tem a mesma sensação que você, pois é algo difícil de colocar em palavras. A pior delas é justamente esse algo que não tem nome. É como se fosse alguma coisa queimando, mas não queimando num sentido físico. Está mais para uma dor na alma, ainda que paradoxalmente a dor pareça física. Desde pequeno eu sinto isso e não consigo imaginar a minha vida sem sentir isso. A melhor forma que eu encontrei de descrever essa sensação até hoje foi como se existisse um buraco negro em algum lugar aqui dentro e que ele estivesse sugando tudo, até mesmo a tristeza, só que como ela está em maior quantidade, é o que acaba sobrando pra gente, ainda que essa tristeza não seja tão intensa quanto já foi em outros momentos.
Voltando, já no meio da faculdade eu sabia que teria problemas caso eu decidisse mudar de carreira pois seria bem mais difícil a minha entrada no mercado de trabalho sem experiência e com uma idade avançada, sem contar psicologicamente, já que os meus amigos estariam numa posição mais avançada da carreira profissional e consequentemente ganhando muito mais dinheiro que eu, o que é difícil pra qualquer pessoa, ainda que você não se importe muito com isso. Eu decidi não abandonar o curso no meio pois era um curso de renome numa excelente faculdade, então ainda tive que aturar mais 2,5 anos estudando algo que eu não gostava só pra pegar o diploma no final tendo certeza que eu não iria usá-lo.
Pois bem, prestei o enem no último ano da faculdade e consegui emendar um curso no outro. Não pra minha surpresa, descobri que o segundo curso que eu escolhi também era horrível e confesso que até cogitei em voltar pra advocacia. O problema é que eu não tive nenhuma experiência profissional em escritórios de advocacia e já esqueci o conteúdo da faculdade anterior, o que basicamente me impossibilita de voltar pra carreira anterior.
Ao menos arrumei um estágio e estou ganhando um salário mínimo por mês até eu me formar, que eu espero que seja daqui a dois meses. A parte ruim é que provavelmente não vão me contratar e eu vou ficar desempregado, a parte boa é que eu odeio o meu trabalho e provavelmente não vou aguentar nem mais 1 ano trabalhando lá.
Dito isto, vamos aos problemas e ao real motivo do desabafo. De uns tempos pra cá o negócio do meu pai está indo muito mal, de modo que tivemos que pegar alguns empréstimos com o banco e o coronavírus acabou forçando o negócio a ficar parado desde março. Então, já estamos numa situação periclitante.
Não bastasse isso, recentemente meu pai teve que operar para tirar um tumor e ao que tudo indica, provavelmente ele está com câncer. Além disso o meu pai está no limite de fazer parte do grupo de risco do covid e trabalha com atendimento ao público. Não sei como faremos pra tomar conta do negócio, já que ele provavelmente vai ter que parar de trabalhar pra fazer o tratamento.
A minha mãe por sua vez é aposentada por invalidez. A minha irmã tentou abrir um negócio também mas foi paralisado pelo coronavírus, sendo que ele já não ia bem. Desde o ano passado ela veio com uma proposta deu tomar conta da parte administrativa da coisa e tirar um dinheiro para mim do que entrar, mas a verdade é que ainda não consegui tirar sequer 1 real da coisa pois essa é a única fonte de sustento da minha irmã, então tudo o que eu consegui foi trabalhar de graça e um monte de dor de cabeça.
Eu por minha vez estou trabalhando entre 10 e 14h por dia ganhando um salário mínimo, fora o estresse e ainda tenho cerca de 5 semanas pra escrever o TCC que eu nem comecei pra me formar na faculdade daqui a 2 meses.
A única notícia boa que eu tive recentemente foi um conhecido meu ter me contado que só não se matou porque há uns anos atrás eu liguei e conversei com ele bem no dia em que ele tinha pretendido se suicidar.
Dada a minha situação é difícil não pensar em se matar constantemente. Não que isso seja algo novo, tenho esses pensamentos recorrentes desde os 13 ou 14 anos de idade, mas entre pensar e fazer existe um abismo infinito de modo que eu nunca cogitei seriamente fazer isso. Ainda sim, deixo sempre a opção aberta muito embora eu tenha me decidido a fazer isso só depois dos meus pais e da minha irmã morrerem.
Sendo bem sincero, motivos mesmo pra continuar vivendo eu não tenho nenhum. A única coisa que ameniza um pouco é eu tentar deixar a vida um pouco menos merda para os meus familiares, só que o fato é que eu tenho 28 anos na cara e não consigo nem me sustentar sozinho. Se o meu pai morrer, seja de câncer ou de coronavírus, imediatamente teremos que vender o apartamento e ir morar de aluguel ou com algum parente.
Eu acho que isso tudo é culpa minha, mas no fundo eu sei que não é, já que ninguém é capaz de prever o futuro. Também sei que a minha situação não é tão ruim quanto a de outros, já que eu ainda tenho um teto e comida, mas também sei que a coisa pode ficar feia muito rápido.
Acho que o maior agravante é que eu não tenho sequer 1 área da vida onde eu tenho um desempenho satisfatório. Fracassei economicamente, já que não consigo me sustentar; Fracassei amorosamente, visto que não tenho perspectiva nenhuma de constituir família; Fracassei socialmente pois o meu já pequeno círculo de amizades está se tornando cada vez menor muito pela perda de contato, já que eu não tenho mais como acompanhar os meus amigos com tanta frequência devido à falta de tempo e dinheiro; e a pior de todas, é a sensação de que fracassei como filho. Sim, é verdade, e eu tenho certeza que ninguém nunca vai falar isso, mas não existe nada mais natural que os filhos tomarem conta dos pais na velhice. Infelizmente pra mim, esse tempo chegou e eu não fui capaz de resolver esse problema à altura.
Quem não gostaria de bancar os pais para eles pararem de trabalhar, depois de uma vida inteira de trabalho? No meu círculo social já há pessoas que conseguiriam fazer isso, ao menos durante esse período de quarentena. É inevitável a comparação, mesmo sabendo que cada um é cada um. Eu sempre soube que seria difícil não ficar chateado com esse tipo de coisa quando eu escolhi mudar de carreira, mas está beirando o impossível. Não apenas no aspecto econômico, mas também no aspecto afetivo. Desde sempre a minha família soube que eu era praticamente um autista no quesito de relações sociais, ainda que eu esteja infinitamente melhor do que quando eu era mais novo. O que pega mais, é que no meu íntimo eu sequer considero a minha família como família propriamente dita. Eu entendo que eu tenho um dever moral para com eles, mas não vejo diferença entre eles e os outros seres humanos. É por isso que eu nunca falei eu te amo para eles e nem para ninguém. Não tenho certeza se eu vou chegar a falar isso pra alguém na minha vida, mas tudo indica que não.
Enfim, eu tinha mais coisas pra falar, mas infelizmente tenho que voltar a trabalhar. Desabafar aqui não foi ruim, eu deveria fazer isso mas vezes. Dito isto, eu estou juntando um dinheiro pra me consultar com um psicólogo online depois de quase 10 anos. Eu gostaria de ter dinheiro pra fazer pelo menos 2 meses, mas é difícil achar um psicólogo bom na faixa de preço que eu posso pagar.
Se possível, eu também gostaria de um feedback sobre o texto em si. Eu tenho uma conta anônima no medium e escrever lá, ainda que infrequentemente por falta de tema ou tempo, acabou se tornando uma das poucas diversões que eu tenho, muito embora eu ache que seja difícil alguém chegar a ler até o final, dado o tamanho imenso do texto.
É isso, excelente dia pra vocês.
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2020.06.07 19:23 SrMakoto [Review caseiro] Teclado sem fio (bluetooth) Logitech k380

Olá pessoas do reddit, comprei esse teclado há uns dois anos e meio e venho deste post fazer um pequeno relato sobre esse produto da logitech.
Logitech sempre foi uma marca cara para periféricos, apesar de algumas exceções, em geral o preço é alto. Descobri esse segmento de produto quando olhava os vídeos de analise ou reviews de youtubers gringos. Até tenho um teclado da marca mas é no padrão japonês e era bem grande, desejava algo pequeno e portátil. Foi ai que descobri o logitech k380. Apostei na boa fama de qualidade da empresa.
O teclado é no padrão 60%, significa que baseando num teclado normal e com todas as teclas, ele tem 60% disso. Tamanho é aproximadamente de mesmas dimensões de um nintendo switch, seu padrão de letras é internacional e não apresenta cedilha, tem teclas de atalho junto as linhas das teclas FN do tipo retroceder, avançar musica, multi janela e afins. Ele é fino, algo em torno de um dedo mindinho fino e um dos seus grandes diferencias é ter a opção de conectar com ate 3 dispositivos, inclusive com mac. Alguns botões possuem ate descrições relacionados ao sistema da apple .
O teclado utiliza bluetooth 3.0 , poderia ser pelo menos um 4.1 ou 5.0 pra gastar menos energia e ter uma menor latência. Com relação a tempo de resposta não achei algo que comprometa a usabilidade, consigo jogar um pouco com ele no euro truck simulator 2 sem problemas, só não esta num padrão gamer entusiasta. Está la, mas é bem pouco. Ele utiliza duas pilhas palitos e não há uma forma física de sinalizar quando a bateria está acabando. Acho que quando ele perde conexão, uma espécie de apagão deve ser um sintoma, como esta acontecendo comigo.
É um teclado muito confortável diga-se de passagem. O seu tamanho compacto não interfere na digitação e ajuda no seu transporte . Consegue-se colocar sem problemas numa mochila junto ao notebook e para que não haja falsos cliques e tem um chave lateral para desligar o dispositivo. No começo, você sente uma certa diferença na digitação pelo fato do tamanho das teclas e do corpo serem um pouco menores que o convencional, existindo o risco de você errar com mais facilidade a digitação, não vejo como ponto negativo, apenas observação. As teclas são flat, pouco barulhos as fazem e são bem macias ao digitar. É bem tranquilo digitar por horas nele e se você já tenha pegado o ritmo pra escreve nele , vai longe.
tem um software da própria Logitech em que você consegue reprogramar alguns botões, é ok e útil esse programa e até utilizo pra desligar ou hibernar meu pc só com o teclado.
Como nem tudo são flores, tenho considerações sobre está teclado de data lançamento de 2015. Em primeiro lugar, o bluetooth. Está mais que na hora da Logitech lançar uma versão revisada dele nos atuais 2020 por ele ainda ser vendido na versão de 3.0. Cadê o 5.0 de bluetooth? Mesmo que exista outros modelos dessa família K e talvez com recursos atualizados, essa versão 380 tem suas peculiaridades que ainda possa ser considerado como uma opção de compra dependendo da necessidade da pessoa. 2º- A distância entre a carcaça e os botões poderiam ser milimetricamente menores. O espaço é grande o suficiente pra acumular poeira em demasia. Ainda não abri pra limpar, porém vejo um acúmulo que considero excessivo pra 2 anos de teclado. Parece detalhismo demais de minha parte mas esses pontos só se percebe com o tempo e usando bastante o produto. Apesar de não ter em mãos, o teclado da xiaomi sem fio, pelas fotos parece ser mais justo o espaço. 3⁰-ter um feedback de luz do nível da bateria, por mais que exista no programa de pc que mostra de forma simplificada, é muito mais intuitivo e prático ter essa resposta no próprio aparelho. 4⁰- Mesmo que ainda se opte por pilhas, uma entrada pra se conectar via ao Pc fisicamente poderia ser interessante tbm. 5⁰-Cairia bem um teclado retro-iluminado nele.
Vale a pena? Com esse preço atual não. 300 reais (ou mais) é bem salgado e já na época que paguei, por volta de 180 já era algo caro. E mesmo que o preço estivesse melhor não seria minha primeira opção de compra hoje em dia, o mercado de teclados wireless lá fora e no brasil melhorou de uns tempos pra cá e veio junto mais opções e mais Features que deixam esse teclado um pouco defasado. Já tem até teclados mecânicos sem fio. Ele é bom? Sim, como dito, é leve, bem fino, compacto, boas teclas e a até hoje não tive problemas de teclas emperradas ou duplo clique e não pretendo trocar por mais alguns anos. Porém infelizmente ele parou no tempo e perdeu seu valor de competitividade.
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2020.05.31 10:34 o_arrombado_da_3b Meus "colegas" de sala não foram com a minha cara e decidiram me f#der

Criei essa conta só pra postar isso pois caso esse post receba atenção eu não quero meu nick estampado nele
[AVISO DE POST LONGO]
Acho melhor eu contextualizar vocês um pouco antes de ir direto pra história
Tenho 17 anos, estou no terceiro ano do ensino médio. Sou uma pessoa extremamente tímida e antisocial tenho problemas para me comunicar e fazer amigos -tanto que tenho apenas dois que estão comigo a uns 5 anos- porém no fim de 2019 me mudei de uma cidade relativamente pequena (200mil habitantes) pra ir morar com meu pai na capital pois meu relacionamento com a minha mãe era algo que tava me fodendo psicológicamente e eu não prefiro nem lembrar.
Agora vamos para a parte que importa
(Começo do ano) Como disse já estou no meu ultimo ano escolar, depois de 11 anos na mesma escola simplesmente mudar do nada não foi uma experiencia muito agradavel, boa parte devido ao fato de que jovens são meio arrombados e também por que eu não me encaixo em nenhum grupo (nunca consegui me encaixar em nenhum na escola antiga também mas isso nunca me incomodou) e a maioria ja estava "fechado" com pessoas que já se conheciam previamente. Então eu pretendia passar mais um ano da minha sem me relacionar com ninguém e depois só seguir a vida.
(Fevereiro - Março 2020) Algumas semanas de aula se passam e tudo está ótimo; eu não enchi o saco de ninguém e ninguém encheu o meu, até que chega um rapaz pedindo meu número pra me colocar no grupo da sala, obviamente aceitei porque grupos de sala são extremamente úteis pois sempre tem os herois que mandam exercícios trabalhos e etc. . (Vale citar que que algum tempo atrás ele tava passando de mesa em mesa coletando número de todos da sala mas passou direto por mim, não liguei muito por que pelo menos no grupo da sala eu ia estar já que no ultimo ano eu passei meu número pro cara que era adm do grupo e ele cagou e nunca me adicionou)
Dois dias depois estou eu no meu canto mechendo no meu celular lendo um livro e cuidando da minha vida quando chega uma menina falando comigo, ela tava agindo um pouco estranho e percebendo isso eu olho pra trás dela e tem o grupo de amigos dela (que por acaso tem o mesmo rapaz) e vejo que todos estão dando risada. "Qual é o seu nome?" ela perguntou. "⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀" eu respondi. Então ela diz que me achou bonito com um sorrizo irônico no rosto (nem que tivesse com a cara mais séria do mundo eu acreditaria) e também diz que queria me dar um abraço. Eu olho pros amigos dela e eles tão rachando o bico como se fosse a coisa mais engraçada do mundo. Nessa hora eu estava extremamente desconfortável (não me leve a mal mas eu já não gosto muito de contato físico, muito menos com uma pessoa que eu nunca vi na vida) eu tento negar educadamente e me afastar da garota quando ela me abraça e tenta me beijar, Nessa hora eu levanto da minha cadeira bem rápido pra me afastar e digo de forma bem clara pra garota me deixar em paz. Ela volta pros amigos dela e eu tento retornar ao meu estado de tranquilidade e ler meu livrinho. Daí pra frente começou a desandar, toda vez que era conveniente os amigos dela traziam o assunto pra todos de como eu era cusão que deu um fora na amiga deles e empurrou ela; Atividade em grupo? "Não faz com o⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ não em que ele deu um fora empurrou minha amiga" Ed. Física? "Cuidado com o ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ele gosta de empurrar" Muito engraçado porém pra mim não foi um grande problema por que eu decidi que não ia me incomodar com isso. E então chega aquela semana onde paralisaram as aulas pela primeira vez e todos os professores decidiram passar trabalhos para os alunos fazerem em casa,eu tinha fotos e anotações de todos eles no meu celular porém como sou alguma espécie de clean freak moderno e constantemente formato meu mini-aparelhinho computadorizado acabei me esquecendo de salvar esses arquivos tão vitais para minha vida escolar, mas ainda havia esperança, o grupo da sala que estava mofando a algum tempo no canto de grupos silenciados.Bom jovem moderno procrastinador que sou e também por que esqueci da existência dos trabalhos, faltando uma semana e alguns dias pra data de entrega dos trabalhos abro o grupo e envio: "Alguém poderia me passar os trabalhos por favor? Acabei perdendo aqui". Ai o maluco me manda: "Olha só ele fala" e a outra menina: "Eu até te passaria se vc não fosse um arrombado" e então eles começam a falar sobre mim eu só fecho e grupo e deixo ele lá no canto já não tinha esperança de que ia conseguir esse trabalho mesmo como infelizmente estava em casa e não tinha contato com nenhum professor. Chegou outra onda de trabalhos um tempo depois e os arrombados fizeram questão de me kickar do grupo, mandar os trabalhos e me adicionar de novo e também tentam criar essa imagem para os outros que eu sou um arrombado. Fast Foward pra hoje já perdi 3 trabalhos de cada matéria algumas apostilas e tudo que há de bom. Isso tem rondado a minha cabeça pois estou preocupado com as minhas notas, pelo menos minha escola vai aderir ao google classroom em breve e acho que não terei mais problemas com isso. Eu não ligo muito pro que pensam de mim mas porra, minhas notas né velho.
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2020.02.15 02:28 carretinha O padre e A Baronesa

Em uma aldeia havia um padre conhecido pela sua piedade com os monstros. Possuídos de todos os lugares viajavam até a pequena aldeia para serem curados de seus demônios. O padre atendia em uma pequena igreja, sem bancos, feita de madeira, pintada de branco, que era quente demais no verão e fria demais no inverno. A simplicidade das instalações não incomodava aquele sujeito humilde, porém a Baronesa se contorcia de ver um servo de Deus trabalhar num lugar tão mal cuidado. Claro, isso não seria um problema se Ela não tivesse que ‘visitá-lo’ toda dia de missa.
A Baronesa, dona daquelas terras e outras na região, tentava emplacar seus novos produtos no mercado. Máquinas como o mundo nunca tinha visto, criaturas metálicas espertas, programadas para todo tipo de tarefas: limpeza, construção, cuidado com as crianças, vigilância dos escravos, mordomos e tudo mais que o cliente pudesse imaginar. Mas o povo, pobre de conhecimento e ainda mais pobre de dinheiro, olhava para as máquinas com desconfiança, viam em seus olhos amarelos e iluminados motivações ocultas e sombrias. A Baronesa, sabia o que o povo pensava de suas construções e se surpreenderia se fosse diferente.
“Esses ignorantes e imbecis, não compreendem os avanços da tecnologia! Mas de que adianta? Ainda que entendessem, nada poderiam fazer! Essa gentalha não consegue manter uma moeda no bolso. Oh, imagine! Nem que juntassem todos os pobretões de todas as aldeias da região, não conseguiram comprar um peça das minhas maravilhosas máquinas.”
O que a surpreendia era a reação dos seus pares, os sofisticados baroneses, duques e nobres, que rejeitavam com igual força suas ideias sobre a modernidade.
“Minha querida Baronesa, a senhora possui tantas terras boas, devia focar em cultivá-las ao invés de construir essas criaturas de metal.”
Para impressionar a nobreza, encontrar possíveis compradores ou pelo menos alguém que a apoiasse, a Baronesa gastava partes enormes da sua interminável fortuna com festas e mais festas. Onde as máquinas serviam, cozinhavam, faziam segurança e entretinham os convidados, sem parar, sem reclamar e sem se cansar.
No entanto os barões, duques e nobres não pareciam impressionados e tratavam com profunda indiferença as maravilhas da tecnologia. Num mundo iluminado por velas, onde moinhos de água tinham acabado de ser inventados, tais criaturas metálicas pareciam apenas uma alegoria festiva, um enfeite, algo que está ali por estar e ao mesmo tempo não existe, uma mistura estranha entre personagens bizarros de circo e mendigos de rua.
Foi durante uma missa, num dia extraordinariamente quente, agravado pelas instalações da igreja; no meio da aglomeração do povo, que se agregava mais próximo do altar para acompanhar mais um exorcismo e cura de um monstro; onde a nossa querida Baronesa se sentia absolutamente desconfortável; que Ela teve a ideia de que
“Se meus pares fecham os olhos para as modernidades, a igreja há de abri-los.”
Foi assim que irrompeu um grito pedindo atenção. O povo, até então atento a cura, voltou-se para Ela. Até o monstro sobre o altar se virou. O único que não se mexeu foi o padre, pois aquele era o momento mais crucial do exorcismo, se ele saísse do transe a alma daquela pessoa poderia se perder para sempre.
“Senhoras e senhores, desculpe-me interromper o espetáculo que é a cura divina! Todavia preciso anunciar para todos vocês, que depois de tantos anos que passamos neste lugar caindo aos pedaços, finalmente teremos uma nova igreja! A doação, claro, será feita do meu próprio bolso e construída com minhas próprias máquinas, de modo que todos só tem a ganhar.”
O povo que desconfiava no começo da fala, sorriu ao ouvir ‘do meu próprio bolso’. Mas logo fechou a cara novamente, ao ouvir ‘com minhas próprias máquinas’. Afinal, se não fossem por essas malditas criaturas de metal, os pedreiros teriam algum trabalho e receberiam o suficiente pra gastar no bar, no verdureiro e na peixaria; que faria com que a dona do bar, a moça das verduras e os pescadores tivessem mais dinheiro pra gastar no padeiro, no alfaiate e no ferreiro; e assim, sucessivamente. De modo que o pouco dinheiro pago aos pedreiros passasse pela mão de todos na aldeia, em seguida na mão de todos das aldeias vizinhas, até enfim ser pego por cobradores de impostos e finalmente se perder dentro do cofre de algum nobre.
Apesar da decepção, o ânimo geral foi positivo. Afinal uma igreja nova ainda era melhor que nada. E embora duvidassem das intenções da Baronesa e de suas criações, jamais duvidariam de sua Fé, que alegavam ser a maior entre todo povo comum. Boatos passados de boca em boca diziam até que Ela era capaz de realizar milagres, mas claro que não passavam de boatos.
Entretanto por mais fervorosa que fosse a Baronesa, a ponto de sair da sua confortável mansão no topo do Monte; descer a pé todo o morro; atravessar o rio; subir a colina onde estava a igreja; e fazer o caminho de volta todas as vezes que ia à missa, Ela ainda questionava certas ações do padre. A Baronesa, assim como todos ‘cidadãos de bem’, defendia que os monstros não deveriam ser curados, muito pelo contrário, deveriam ser caçados e mortos pelos crimes que cometeram contra Deus, pois ‘os crimes contra Deus’ eram a única explicação para tem se transformado. Isso se não tiverem matado gado, ou estripado alguém depois que assumiram a sua forma monstruosa.
Após o anúncio ninguém mais assistia o exorcismo e para o padre isso não fazia diferença, na verdade era até melhor. Não gostava de fazer os exorcismos em cima do altar ou em público, se o fazia daquela forma era por dois motivos: O primeiro, era literalmente por pressão popular, porque uma vez o povo quase quebrou a porta dos fundos da igreja enquanto tentavam espiar um ritual. E o segundo, porque aquela era uma boa forma de divulgar seu trabalho e atrair aqueles que precisam de cura. Portanto apenas um exorcismo era feito em público e só no final da missa, se ainda houvesse outros possuídos a serem curados eles seriam atendidos na parte de trás da igreja, quase em segredo.
Só depois que o demônio foi expurgado e finalmente o monstro pode olhar no espelho e ver a pessoa que era, que o padre abandonou o transe e a concentração no trabalho. E não demorou muito a saber da novidade através dos cochichos e conversas que corriam por toda assembléia:
“Onde ficará a nova igreja?”
“Será que vão derrubar essa daqui?”
“Tomara que tenha uma torre do sino!”
“Espero que não seja em cima do morro.”
“Ia ser lindo se fosse em cima do rio!”
Assim que pescou informação o suficiente sobre a construção da nova igreja, foi imediatamente contra. Jamais um único fiel deveria ser responsável pelo dinheiro e construção do templo, porque
“Um templo, assim como a Fé, deve ser uma construção conjunta. Feita pela dedicação e amor das pessoas e não por ganhos materiais ou glória pessoal. O marceneiro deveria trabalhar a madeira que o lenhador cortou e doou, para que os ajudantes usem os pregos que sobraram da construção de suas casas, para pregar juntas as tábuas. Todos trabalhando juntos, sem ninguém cobrar a ninguém, cada um fazendo e doando de acordo com o que pode e tem!”
“É assim que deveria ser construído um templo! E foi assim que foi feita essa capela.”
Esperou a multidão se dispersar e foi conversar com a Baronesa, que por sua vez estava ansiosa para contar os detalhes da obra.
“Eu agradeço sua oferta minha querida, mas um templo assim como a Fé deve ser uma constr...”
“Desculpe senhor padre, porém acredito que alguém mais competente deveria tomar a decisão. Passados mais alguns anos ou uma praga de cupins e esse lugar vem abaixo! Além disso o povo clama por um lugar mais confortável! Já lhe aviso: se o senhor insistir em recusar minha proposta, enviarei a oferta ao bispo.”
“QUE ENVIE ENTÃO! Mas saiba que nunca estarei de acordo com um templo feito tão mundanamente!”
Foi uma discussão acalorada, contudo não foi nem a primeira, nem a mais tensa delas. O padre e a Baronesa tiveram várias discussões em torno da Fé, da organização da aldeia, das leis e de outros vários assuntos. Mantinham ao mesmo tempo um profundo respeito e um certo desafeto um pelo outro, mas nunca rancor.
O padre achava que as ideias da Baronesa eram afastadas demais da comunidade e pouco preocupadas com a benevolência, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. Para a Baronesa, as ideias do padre eram sempre ideológicas demais e pouco práticas, apesar de estarem de acordo com as palavras de Deus. E como era a concordância com as palavras de Deus que decidia quais eram as melhores ideias, eles não tinham critério de desempate. Costumeiramente, o padre ganhava as discussões, por ter uma posição mais próxima de Deus, mas as coisas costumavam ser feitas ao modo da Baronesa, por ter uma posição mais próxima do Governador.
No fim, o projeto foi enviado ao bispo que o aceitou imediatamente, formando uma comissão de bispos para abençoar o local da nova igreja e os objetos santos.
A planta da igreja, também incluía uma área no subsolo que seria a nova casa do padre. Ele, até então, morava num pequeno quartinho de teto baixo, na parte de trás da capela, dormia num colchão fino colocado sobre o chão, que fora presente do pescador. O cômodo também possuía ainda um fogão a lenha, montado pelo ferreiro. O banco e a mesinha onde o padre realizava seus estudos, ambos bambos, eram peças defeituosas doadas pelo marceneiro e um pouco mais afastado havia uma fossa com cabine, feitas pelo próprio padre, onde ele fazia suas necessidades.
A Baronesa foi rápida para mostrar serviço, e assim que abençoaram o local as máquinas deram início a construção. Os bispos ficaram encantados com a forma que aquelas criaturinhas de metal trabalhavam, tão encantados que se sentaram num ‘acampamento de obras’, montado pela Baronesa, para assistir a construção. Quando anoiteceu, a casa do padre já tinha o piso e todas as paredes. Logo antes de se retirarem para dormir os bispos perguntaram a Baronesa:
“Suas construções não vão descansar?”
“Ah, senhor bispo, não se preocupe, elas não precisam disso, podem trabalhar por dias seguidos. Inclusive, garanto aos senhores que a igreja estará de pé e decorada antes do dia de missa.”
Os bispos se surpreenderam com a promessa. Uma igreja como aquela demoraria ao menos três meses para ser construída por mãos humanas, se essas fossem mãos de pedreiros experientes talvez dois e meio. Porque a Baronesa falou muito bem delas, os bispos esperavam que as máquinas fizessem em um mês, tanto que a maioria deles tinha planejado ir embora no dia seguinte, menos o bispo responsável pela região que faria a primeira missa e o batismo da igreja. Contudo já que a Baronesa prometeu uma entrega tão rápida, todos resolveram esperar para realizar uma grande missa de batismo.
***
As máquinas trabalharam durante toda a noite. Elas têm a forma que melhor condiz com o seu trabalho. Sim, porque diferente das obras feitas por pedreiros, onde cada um faz um pouco de tudo, as máquinas possuem uma função específica, então necessitam de um corpo específico. Enquanto uma passa o cimento, a outra coloca os tijolos; uma ajuda a secar o cimento e, ao mesmo tempo, outra passa a massa onde o cimento já secou; uma é responsável por ajudar a secar a massa e a outra por pintar onde a massa já secou; algumas ajudam a levantar aquelas que trabalham em andares mais altos; sem falar na batedora de pregos, nas carregadoras, nas colocadoras de móveis e decoração, etc. Tudo isso é perfeitamente sincronizado, para que não se pinte onde a massa está molhada; não se pise onde o piso ainda não assentou; ou para não secar o cimento antes de colocar os tijolos.
Todavia diferente de um relógio, que para funcionar depende de todas suas engrenagens perfeitamente encaixadas, nos lugares e tempos específicos, tais criaturas trabalham de modo tão sincronizado porque se comunicam. Sim, e se comunicam de uma forma parecida, mas ao mesmo tempo muito diferente daquela dos humanos. Sua precisa e avançada ‘fala’ é composta por vários sons de *beep*, e cada máquina tem um *beep* de tom e altura diferentes. Durante a execução de uma tarefa elas ‘falam’ de forma incessante, para alertar umas às outras de suas ações, logo todas precisam conhecer a ‘voz’ uma das outras, a fim de ter uma noção sobre ‘o que ocorre onde’ na execução da tarefa.
Contudo não só na linguagem elas lembram os humanos, elas pensam, tem sentimentos, personalidades, gostam de certas máquinas e desgostam de outras. Apesar de serem fisicamente iguais e pintadas do mesmo jeito, o colocador de tijolos 36579 é alegre e festivo, enquanto o 85479 é introspectivo e silencioso, isso fica evidente em seus movimentos e também no tom e frequência de seus *beeps*. Um humano até poderia perceber isso, se pudesse observá-los atentamente durante dias, no entanto para as máquinas a diferença de personalidade entre eles é gritante. Claro, a personalidade deles pode até fazer com que ajam de forma diferente, mas de modo algum isso afeta seu trabalho, pois apesar de mover o braço um pouco mais e se agitar de vez em quando, o 36579 precisou colocar os tijolos da mesma forma e ao mesmo tempo que o 85479, para que as paredes ficassem prontas juntas.
Um humano provavelmente se sentiria desconfortável de ter que trabalhar de forma tão mecânica, sem poder imprimir sua personalidade, sua ‘marca’ no trabalho. Só que essa é a beleza para as máquinas, elas adoram ser todas diferentes e ainda assim trabalhar de jeito igual. O sincronismo as deixam felizes. Trabalhar para elas não é muito diferente de uma dança, uma dança num mundo onde todos são exímios dançarinos.
E naquele dia participaram de seu grande baile, que se estendeu por toda noite, quando tiveram de cochichar, mantendo seus *beeps* baixinhos para não acordar as pessoas humanas. Com a chegada da manhã seguinte, dançaram novamente sob o dia, cantando *beeps* mais altos, porque os humanos faziam muito barulho. E dançaram, trabalham, cantaram e cochicharam durante os dias que vieram, até que…
***
Na manhã do ‘dia “antes do dia de missa”’ a igreja estava pronta. Era grande, definitivamente maior que a velha capela. Ainda não chegava aos pés de uma catedral, porém tinha os tijolos mais bem colocados, as paredes mais bem niveladas, os únicos bancos posicionados com precisão milimétrica e um altar perfeitamente arrumado, com os todos utensílios alinhados, prontos para o início da missa.
As máquinas, orgulhosas do seu trabalho, se retiraram e aguardaram, ao lado da igreja, o despertar da Baronesa. Dispuseram-se em fileiras organizadas por função e aproveitaram o tempo de espera para conversar. Demoraram apenas 12 segundos para discutir profundamente sobre os mais variados assuntos, a comunicação delas era realmente muito eficaz. Nesse pequeno intervalo de tempo conversaram sobre: como os humanos eram estranhos, como gostaram de finalmente fazer um trabalho fora da mansão, teorizaram sobre os pássaros que cantavam na manhã, flertaram, fizeram novas amizades, planos para os próximos trabalhos, etc. Depois ficaram paradas. As mais afobadas tremiam de levinho, ansiosas para que sua Mestra dessem-lhes mais ordens, afinal gostavam muito de trabalhar.
A aldeia inteira, e boa parte das vizinhas, estava presente para a missa, que foi coordenada sobretudo pelo bispo regional, contando com as participações pontuais e diversas bênçãos dos bispos das outras regiões. Finalmente, depois de anos à frente do altar, o padre podia assistir uma missa como simples fiel e isso trazia-o boas lembranças.
Ao final da missa, e antes de conhecer sua nova casa, o padre perguntou a Baronesa se Ela havia construído um lugar para realizar a cura dos possuídos. Ela disse que não, que havia esquecido, mas os dois sabiam que o ‘esquecimento’ era proposital. Era mais provável que ela tivesse construído um abatedouro do que um lugar de cura.
“Se não construiu não há problema, eu os receberei na minha casa então.”
Em sinal de respeito, a Baronesa presenteou o padre com uma máquina ajudante, que ele só aceitou depois de muita relutância.
“Senhor padre, faça o favor de aceitá-lo, o senhor bem sabe é um tremendo desrespeito cometer a desfeita de rejeitar um presente.”
O ajudante foi instruído por sua Mestra a apresentar a casa ao padre, que levou alguns amigos e o bispo da região consigo. Desceram a escada atrás do altar, que levava à casa. Tudo tinha sido construído e organizado nos padrões mais modernos, o padre, que era um sujeito simples, não gostou da casa de primeira, desconfiava do estranho vaso de porcelana com água dentro, que ficava onde o ajudante disse ser o banheiro. Julgava que aquilo tinha intenções malignas.
Na verdade várias coisas na casa pareciam ‘erradas’, as velas nos candelabros nunca apagavam, a casa estava fresca demais para uma casa no subsolo e havia sempre uma brisa vinda de algum lugar. No final da visita, encontraram várias escotilhas bem discretas, por onde entravam ar e luz. A Baronesa podia não gostar do padre, mas queria que a casa fosse o mais funcional possível. Porém foi só depois de abençoar a casa mais de 15 vezes e finalmente descobrir como funcionava o vaso de porcelana que o padre se livrou de um certo ‘sentimento ruim’.
O ajudante era muito útil. Ele ajudava a preparar a missa, limpava a casa e a igreja, preparava comida e fazia companhia pro padre nas madrugadas. E apesar de achar estranho no começo, o padre foi, aos poucos, se acostumando com a natureza daquele ser flutuante com uma grande lâmpada amarela no meio do rosto. A máquina se auto denominava ‘Ajudante 2047’, tinha uma personalidade extrovertida e adorava falar. Isso incomodava a Baronesa que estava prestes a tirar-lhe o modulador de voz, quando teve a ideia de dá-lo ao padre. Nada poderia tê-lo deixado mais feliz! O padre era quieto e gostava de ouvir as pessoas, então tratava o ajudante com paciência, até quando ele falava demais, o que na opinião do padre não acontecia com tanta frequência, afinal a comunicação dele era estranhamente… eficaz. A maior parte das conversas eram sobre as pessoas. Apesar de nunca falar diretamente com elas, o Ajudante 2047 adorava ver seu comportamento estranho e ficava sempre ansioso para interagir, contudo toda vez que se aproximava de alguém a pessoa se afastava, às vezes com um olhar de repúdio, às vezes com um olhar de medo, mas na maior parte das vezes com uma mistura dos dois. No dia seguinte, o padre teria que encontrar e explicar para a pessoa que o ajudante não faria-lhe nenhum mal. Todavia mesmo com tantas explicações as pessoas ainda evitavam-no, então contentava-se em observá-las.
Agora que não precisava fazer todo trabalho da casa e igreja sozinho, o padre era mais visto do lado de fora, onde ajudava qualquer um que precisasse e não cobrava nada em troca, pedia apenas que comparecessem à missa. Vivendo assim, o padre e o Ajudante ajudaram-se mutuamente e logo isso virou a vida ‘normal’.
Com a reforma a igreja ficou mais famosa e a fila de possuídos cresceu, indo muitas vezes da sala da casa do padre até a entrada da igreja. Ao atender um enfermo, primeiro ele tinha de escutar suas confissões, em seguida concedia-lhes perdão e só depois fazia a oração de expurgo, para livrar-lhes. Alguns viam os sintomas da possessão desaparecem imediatamente, deixando cair qualquer escama, pêlo ou pedaço de pedra que, porventura, vieram a crescer; outros só melhoravam com o passar dos dias, mas seus sintomas iam embora sem deixar qualquer evidência. Os primeiros a serem atendidos eram aqueles que estavam em situação mais grave, ou seja, aqueles prestes a completar a transformação e perder o controle. Destes, alguns eram atendidos antes do final da missa, outros no lugar que estavam assim que fila se formava. Licantropia, glutanismo, petrificação, harpeismo e duplicismo eram os casos mais comuns, mas havia uma infinidade de outras possessões.
Um dia houve uma discussão sobre quem construiria a nova ponte sobre o rio, a Baronesa logo ofereceu suas máquinas, em troca, claro, de uma pequena contribuição da população. Já o povo queria que o marceneiro e o pedreiro fizessem a ponte. O padre, como sempre, tomou o lado do povo, pois sabia que se deixasse a construção nas mãos da Baronesa e suas máquinas o dinheiro jamais sairia dos cofres dela. Quando mandaram o impasse para o Governador, todos temiam que a Baronesa fosse ganhar, então o padre arquitetou um plano: avisou todos na aldeia, de modo que a Baronesa não ficasse sabendo, que seria feita uma missa importante no ‘dia depois do próximo dia de missa’. Durante essa missa ‘escondida’ eles arrecadariam os fundos para a ponte, que deveria ser construída antes que chegasse a ordem do governador. Assim, quando a Baronesa descesse de sua mansão no ‘dia de missa’ a ponte estaria pronta e o dinheiro continuaria entre o povo.
“Sei, senhor bispo, que este não é o plano mais honesto, mas o povo não aguenta mais entregar suas moedas à quem nunca às retorna.”
Confessou o padre, em lágrimas. O bispo apiedou-se do homem e respondeu-lhe que aquela devia ser a vontade de Deus, portanto não haveria castigo.
A Baronesa trabalhava em suas máquinas na varanda da mansão quando viu uma aglomeração na frente da igreja. Era normal que houvesse ‘missas depois do dia de missa’, Ela própria ia às vezes, o estranho era estar tão cheia. Pensou um tempo sobre o assunto, perguntou-se se havia esquecido alguma data especial, até que se lembrou da discussão e conjecturou que aquilo só poderia ser um plano do padre. Com pressa, desceu pela primeira vez o morro com suas roupas de trabalho, tomaria-a muito tempo colocar as roupas chiques, que costumava usar quando descia ao povoado. Andava rápido, porém o caminho era longo e ela só chegaria ao final da missa, mas talvez, a tempo de frustrar os planos do padre.
O padre que havia organizado a missa do lado de fora, exatamente para que pudesse ver o abrir e fechar do portão da mansão, acelerou a missa e conseguiu recolher o dinheiro antes que ela atravessasse o rio. Aflito, disse que não haveriam exorcismos públicos e que aqueles que necessitassem de ajuda deveriam procurá-lo em sua residência.
Neste dia havia um homem, que estava acompanhado de uma enorme criatura envolta num manto negro. O povo sabia que aquilo só podia ser um monstro em estágio final de transformação. A criatura era a esposa do homem e tinha sido possuída por um demônio glutão. Ao ouvir que deveria esperar ainda mais para ser curada, ela perdeu o controle, deixando-se levar pelos pensamentos sombrios que a atormentavam. Ficou furiosa, arrancou a capa que cobria o corpo e o rosto, e respondendo respondendo aos protestos do marido, que implorava para ela colocar o pano de volta , vociferou:
“Estou cansada! Estou com fome!”
O monstro era terrível, gordo, sem pelos ou cabelo, tinha horríveis bolas de pus amarelado, que se espalhavam como furúnculos por todo o corpo. Seu rosto era completamente deformado, a ausência de lábios fazia com que seus dentes e gengiva ficassem totalmente expostos. Porém a pior parte era a carne e pele que faltavam na lateral direita do torço, fazendo com que as costelas ficassem de fora e que fosse possível ver alguns dos órgão internos da criatura, mas o pedaço não parecia ter sido arrancado, não, pelo contrário, estava em formação. A carne borbulhava e parecia crescer muito lentamente, desejando cobrir as vísceras e formar o braço que faltava.
A criatura começou a andar em direção ao altar. As pessoas assistiam a cena paralisadas, em choque, horrorizadas. Ao dar o segundo passo, ela esbarrou no homem do casal à frente. O resultado fez com que o pânico tomasse conta do público, que finalmente disparou a correr em todas as direções. Primeiro, o homem ficou preso, depois seu corpo foi sendo pouco a pouco absorvido pela carne do monstro, e na medida que ia sendo ‘incorporado’ o lado direito do monstro enchia-se de carne, pele e bolhas de pus. A esposa do homem até fez um esforço para salvá-lo, mas ao ver a carne sendo derretida e sugada, vomitou e caiu para trás, para, em seguida, sair se arrastando de costas pro chão, incapaz de desgrudar o olhar do horror que acontecia em sua frente. Por sorte, o monstro a ignorou, seu olhar, faminto e furioso, dirigia-se para o padre, que preparava uma oração desde que este havia tirado o manto. Precisava do exorcismo pronto quando tocasse no monstro, do contrário seria absorvido.
Nesse momento a Baronesa já estava chegando e pode ver tudo com seus próprios olhos, furiosa, ela cerrou os punhos e começou a rezar. A criatura encarou o padre até que o corpo do homem fosse totalmente absorvido, aquela ‘refeição’ tinha sido o suficiente para formar um braço grotesco, mas não para preenchê-lo de carne, sobrara então por todo lado direito do monstro buracos, por onde se via os ossos e partes internas. Isso deu ao padre tempo para terminar o exorcismo. Semi-acabada, a criatura avançou correndo aos tropeções, como as criaturas infernais normalmente fazem, o padre só precisava tocar na criatura e fazer a segunda oração para a salvação das duas almas. O homem absorvido já estava morto, porém sua alma precisaria ser libertada e a possuída, exorcizada. Fazer isso em tão pouco tempo não seria tarefa fácil, mas tinha de tentar.
O monstro já estava perto. O padre sentia o cheiro podre, ouvia as passadas pesadas, os grunhidos inumanos, mas manteve os olhos fechados e o coração sem medo. Calculou a posição do monstro e no momento certo esticou o braço. Ouviu um grito, mas não sentiu o toque. Abriu os olhos. Sua mão estava a centímetros da criatura.
Algo estranho havia acontecido. A Baronesa tocava o monstro pelo lado, que congelado como uma estátua, tinha uma expressão de terror e tristeza nos olhos, um terror que só um possuído poderia sentir. O terror de ter seu corpo mudando a composição de carne, ossos e órgãos para cinzas, o que causava uma dor alucinante, o terror de ter sua alma sendo desmembrada, estraçalhada e destruída, o terror de saber que não vai nem para o céu ou para o inferno e sim para o vazio da inexistência, o terror de sentir tudo isso e não poder gritar.
Do lugar onde a Baronesa tocou, espalhou-se uma cor cinza por todo corpo do monstro, com uma textura que não lembrava pedra, mas, sim, pó acumulado. O padre teve tempo de ver o efeito tomando o corpo da criatura, que apesar dos pecados e da morte, possuía ainda um resquício de humanidade e tinha salvação. Também teve tempo de reparar em uma lágrima, que escorria do olho ainda não transformado em cinza da possuída. Quando foi finalmente inteira afetada pelo toque, ela se desfez e suas cinzas levadas pelo vento. A alma das duas pessoas, assim como a do demônio haviam sido completamente destruídas. O padre sabia que aquilo não era um exorcismo, era uma outra coisa, mais antiga, mais cruel, mais perigosa…
“Ela... ela lançou um sortilégio?”
Foi o que pensou, enquanto encarava a Baronesa, que estava pingando suor, cansada, ofegante, suja de terra e graxa. Ela olhou em seus olhos, mas não disse nada, apenas se virou voltando para a mansão.
Durante a noite, máquinas de limpeza desceram, para limpar o que sobrou das cinzas.
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2019.10.21 20:01 altovaliriano Pergunta de BryndenBFish e NPR de novo (out/2019) e Entrevista a OMNI (nov/1996)

Mais recente: Chicago Humanities Festival (11 out 2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16170
O SSM consiste em um vídeo de 5 minutos carregado no youtube em que Martin responde à pergunta selecionada no twitter pela entrevistadora Eve L. Elewig. "Coincidentemente", foi a elaborada por Jeff Hartline (mais conhecido como BryndenBFish). Que marmelada...
Brincadeiras à parte, a pergunta foi "Ele acredita que Robert, Ned e Jon Arryn estavam certos em se rebelar contra Aerys? Ou ele teria permanecido leal a Aerys e os Targaryens?". Martin se desviou da pergunta e enrolou. Veja no vídeo.
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Mais recente (2): Entrevista à NPR Chicago (19 out 2019)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/16176
Na verdade, este artigo foi uma compilação da entrevista de Martin à WGN Radio e do bate-papo ocorrido na Chicago Public Library Foundation (CPLF), ambos já relatados aqui (vide aqui e aqui)
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Mais antigo: Transcrição de uma entrevista à OMNI Magazine (21-22 nov 1996)
Link no arquivo: https://www.westeros.org/Citadel/SSM/Entry/1425
A entrevista parece ter sido feita no formato de chat da internet, como vários códigos de hora, data e IPs. Eu suprimi tudo isso, deixando apenas nickname e mensagem, em ordem cronológica (a entrevista começou no dia 21 e terminou no dia 22). A tradução segue abaixo:
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Ed_Bryant_Mod : Boa noite, Sr. e Sra. América, e todos as naves no espaço! Esta é outra edição do Omni Visions Prime Time com Ed Bryant. Meu convidado esta noite é aquele escritor estelar de ficção científica, fantasia, romances, contos, filmes e TV, George RR Martin. Boa noite, George!
GeoRR : Para constar, deixe-me dizer que nunca trabalhei em ST:TNG [Star Trek: The New Generation], apesar do crédito que Ellen me deu quando ela estava divulgando isso. Portanto, sem perguntas sobre Data, por favor. Com Vincent eu posso lidar... bem, tanto quanto qualquer pessoa pode lidar com Vincent.
GeoRR : Perdemos contato com Ed?
Ellendat : Enquanto Ed tenta voltar para nós, eu gostaria de me desculpar com George por me enganar quanto a sua participação no ST:TNG.
GeoRR : Acho que Ed caiu de vez. Ele me avisou que isso poderia acontecer.
Ed_Bryant_Mod : Opa, desculpe pessoal! Minha introdução fantástica para George desapareceu repentinamente e eu fui interrompido por uma mensagem de "erro no servidor". Eu estou de volta, então eu vou aumenta-la (mais).
ellendat : Eu sei que posso falar por muitos de seus leitores (e provavelmente membros da platéia aqui) que é bom você voltou a escrever ficção em prosa depois de vários anos concentrando-se em TV.
GeoRR : Há dias em que estou muito satisfeito por estar "de volta" (embora nunca tenha realmente ido embora, sabe - durante todos os meus anos em Hollywood, escrevi e editei WILD CARDS). Há outros dias em que sinto falta da TV. Certamente sinto falta dos grandes carrinhos de mão de dinheiro que costumavam rolar no meu escritório.
Ed_Bryant_Mod : Para aqueles que possam ser novos na SF [Ficção Científica], George Richard Raymond Martin começou a publicar profissionalmente em 1971, com uma curta história para GALAXY. Seus livros subsequentes incluem A MORTE DA LUZ, TUF VOYAGING, SONHO FEBRIL, ARMAGEDDON RAG, a série WILD CARDS (como participante e editor), SANTUÁRIO DOS VENTOS (com Lisa Tuttle) e, entre muitas outras coisas, A GUERRA DOS TRONOS, o primeiro volume enorme em uma série de fantasia épica maciça. *ufa* Além disso, ele passou uma estada em Hollywood trabalhando com A BELA E A FERA e a renascida ALÉM DA IMAGINAÇÃO. Então, George. Quando você dorme e quanto tempo antes de terminar a série de fantasia?
GeoRR : Eu pretendo dormir entre o terceiro e o quarto volumes, ed. Eu dormia um pouco entre o segundo e o terceiro, mas agora é a hora de escrever um roteiro de SONHO FEBRIL que devo à Hollywood Pictures. Hollywood Pictures não existe mais, com certeza, mas eu ainda devo o roteiro. Se eu permanecer dentro do cronograma, devo terminar AS CRÔNICAS DE GELO E FOGO até o final de 1998, mas não prenda a respiração. Esses livros têm três vezes o tamanho de romances comuns, até grandes romances como SONHO FEBRIL, e estou aprendendo da maneira mais difícil quanto tempo leva para escrever um.
Ed_Bryant_Mod : Talvez você seja um viciado em adrenalina, George. Sobre a série de fantasia: Por quê? (sendo franco). Esta não é fantasia como avô, com certeza. É difícil, mas romântico. O que o intrigou em embarcar em um projeto tão grande?
GeoRR : Pudera eu saber. Na verdade, comecei o livro no verão de 1991. Eu estava entre os projetos de Hollywood, então decidi começar um novo romance, ver até onde chegava. O romance que comecei era um livro de SF chamado AVALON, ambientado na mesma "história futura" de DYING OF THE LIGHT e de muitos de meus contos. Na verdade, eu escrevi três capítulos. Mas então um dia o capítulo inicial de A GAME OF THRONES me veio tão vividamente que eu tive que escrevê-lo. Não é o prólogo, lembre-se, mas os primeiros capítulos, onde Bran vê o homem decapitado e encontra os lobos gigantes na neve. A próxima coisa que eu sabia era que AVALON havia sido colocado em uma gaveta e a fantasia tomara conta de mim completamente. Eu sabia que estava perdido quando comecei a desenhar mapas. Porém, é claro, DOORWAYS foi selecionado e fui convocado de volta a Hollywood, mas o livro nunca esteve longe de meus pensamentos.
Ed_Bryant_Mod : Intrigante... voltando um pouco. Quando você era mais jovem, antes de começar a escrever, qual o papel da fantasia em sua vida? O que você leu? Você jogou jogos com dragão e lobo gigante? E onde o seu gosto nesse sentido se desenvolveu como leitor e escritor adulto?
GeoRR : Acho que estou tendo alguns problemas aqui. O sistema comeu minha resposta.
Visitante (Gdozois) : Ellen, Gardner Dozois aqui. Quando George e Ed voltarem, pergunte se ele tem planos de publicar Turtle Castle um dia desses.
ellendat : Gardner, sua pergunta está aqui para que todos vejam :) shhh.
GeoRR : Estou de volta, acho. Eu desloguei e voltei. Todo o sistema parou aqui e nenhum dos comandos parecia funcionar.
GeoRR : Deixe-me tentar essa resposta novamente. Quando criança, eu lia principalmente SF e quadrinhos... não =havia= nenhuma fantasia sendo publicada naquela época. Eu descobri JRR Tolkien no colégio, quando Ace publicou sem autorização o Senhor dos Anéis. Fiquei Maravilhado. Também li Robert E. Howard, provavelmente antes de Tolkien. Conan era divertido, mas a Terra Média era mágica e maravilhosa. O =lugar= era tão importante quanto o enredo ou os personagens, acredito. É assim em toda grande fantasia. Estou tentando tornar meu mundo, meus sete reinos, tão vividamente real quanto JRR fez com o dele.
GeoRR : Olá, Gargy. Ninguém liga para TURTLE CASTLE.
Visitante (Gdozois) : Eu imagino isso como uma obra-prima perdida que será descoberta após sua morte e o catapultará para a fama mundial.
Visitante (169.197.15.29) : E quanto a Burroughs e Wells?
GeoRR : Eu tentei um Edgar Rice Burroughs. Um dos livros "Moon", eu acho. Eu devia estar velho demais, porque odiei e nunca tentei outra até Melinda Snodgrass e eu sermos contratados para fazer o roteiro de A PRINCESA DE MARTE. Eu li HG Wells, é claro. A MÁQUINA DO TEMPO em particular foi == e é == um dos meus favoritos.
Ed_Bryant_mod : George, junto com a fantasia, você parece ter muitos interesses em escrever. Nos interstícios entre mega-fantasias e trabalhos de Hollywood, alguma esperança de mais SF ou horror? Há aqueles de nós que se lembram de SONHO FEBRIL e ARMAGEDDON RAG com carinho indisfarçável.
Visitante (169.197.15.29) : Acho que eu tinha 10 ou 12 anos quando peguei Burroughs. É o que me fez começar, eu acho.
GeoRR : Oh, definitivamente farei outras coisas eventualmente, se a fantasia terminar. Tenho anotações para duas sequências de SONHO FEBRIL, tenho duzentas páginas do romance de Jack, o Estripador, que comecei em 1985 e nunca consegui vender, e quero fazer um livro com um dos meus pilotos de televisão não filmados. Aquele lá é pura SF.
Visitante (Gdozois) : Aproveitando que você o está importunando, Ed. Eu gostaria que ele escrevesse algumas novas histórias de ficção científica. --Gardner
ellendat : Sim. Eu também.
GeoRR : Na verdade, Gargy, é por isso que eu estava ligando para você no outro dia. Eu tinha essa noção ... bem, é muito complicado falar disso aqui, e não devemos falar disso em público de qualquer maneira, mas é uma ideia que eu gostaria de explorar com você quando você tiver meia hora ou mais .
Ed_Bryant_mod : A menção da PRINCESA DE MARTE me obriga a perguntar... Além das cargas de dinheiro em carrinhos de mão, qual é o apelo em Hollywood ? Você viu sua história "Reis da Areia" se tornar o piloto da renascida A QUINTA DIMENSÃO - Melinda Snodgrass (a escritora) e os produtores / diretores / atores visualizaram sua história de uma maneira que você a reconheceria?
Visitante (Gdozois) : Você sabe como se apossar de mim, George. Qualquer hora. --Gardner
GeoRR : Além disso, há esta novela chamada "Shadow Twin" na qual um certo Sr. Dozois e eu estávamos colaborando. Ellen, quer comprar uma novela Dozois / Martin?
Visitante (Gdozois) : Talvez possamos mesclar SHADOW TWIN com TURTLE CASTLE. --Gardner
ellendat : Estou certamente interessada. Está terminada?
Visitante (169.197.15.29) : Escritor iniciante fica [mais] verde.
GeoRR : Hollywood ... bem, essa é uma resposta complicada. Você realmente precisa subdividir Hollywood em duas arenas separadas, TV e Cinema. Eu trabalhei em ambos. TV foi muito emocionante, estressante, mas gratificante. Trabalhei em alguns bons shows, escrevi roteiros dos quais me orgulhava, os vi filmados, subi de um humilde redator para um exaltado produtor supervisor e quase consegui meu próprio show. Eu odiava morar em Los Angeles, mas gostava muito de trabalhar na TV.
Filme, por outro lado, cheguei ao ódio. O escritor é rei na TV; no filme, o escritor é uma merda. Passei três ou quatro anos da minha vida fazendo roteiros, vários deles com Melinda, e não tenho um punhado de filme para mostrar. De fato, ninguém nunca viu os roteiros, exceto alguns executivos de desenvolvimento. Adoro ir ao cinema, mas se tiver sorte, nunca mais precisarei "desenvolver" um filme.
Ed_Bryant_mod : Com algo parecido com o seu próprio show ... DOORWAYS. Esse era um conceito adorável e sofisticado de SF com boa reflexão sobre transitar em um mundo paralelo. Que tipo de forças foram necessárias para matá-lo?
GeoRR : Nunca terminei, Ellen ... mas um dia desses. Primeiro, preciso digitalizá-lo e colocá-lo em um disco. As páginas que temos (um bocado bastante grande) foram realmente escritas em uma = máquina de escrever =. Lembra-se delas? Eu tive uma máquina de escrever elétrica, já Gardner...
Visitante (169.197.15.29) : Eu pensei que ele se transformou (sem a sua influência) em Sliders. (não é um show muito bom, por acaso) -- David Felts
GeoRR : O que matou DOORWAYS foi principalmente foi uma sincronia ruim. Em agosto de 1992, quando exibimos o piloto para a emissora pela primeira vez, a ABC estava salivando para encomendá-la e, de fato, encomendou seis scripts de backup, um número muito alto. Mas estávamos muito atrasados ​​para a temporada do outono de 1992, então tivemos que esperar até maio do próximo ano. Entre agosto e maio, os dois maiores campeões da rede, os executivos que haviam trabalhado no programa conosco, partiram para outros empregos. Seus sucessores nos consideravam algo que restava do antigo regime. Quando chegou a hora da crise, a ABC decidiu que eles queriam apenas um único novo programa de SF em sua programação e seguiram com LOIS & CLARK, que havia sido desenvolvido pelo regime seguinte. E para quem não sabe o que foi o DOORWAYS ... bem, foi SLIDERS. Só que bom.
Visitante (Gdozois) : George, vamos sair agora. Tenha uma boa entrevista e diga Olá para Parris por nós. Boa noite Ellen, Ed e os demais. --Gardner
Ed_Bryant_mod : Uma pergunta em outra área. WILD CARDS, aquela longa série de livros de Bantam e Baen sobre supercaras e supermocinhas, vivos e às vezes bem, em um mundo que eles realmente criaram - alguma chance de continuar de alguma forma? Ainda parece haver público.
GeoRR : Gostaria muito de continuar com WILD CARDS, mas agora há muitas outras coisas no meu cardápio. Além disso, não temos um editor. Em retrospecto, mudar para a Baen foi um grande erro. Eles nos pagaram mais dinheiro, mas não venderam os livros com a mesma eficácia que a Bantam e depois nos culparam pelas vendas fracas. Suspeito que os WILD CARDS retornarão eventualmente, de alguma forma, embora possa haver um hiato de alguns anos. Alguns dos escritores estão fazendo barulho sobre como fazer histórias independentes sobre seus personagens e vendê-los para as revistas. Se algum dia eu encontrar tempo, provavelmente eu mesmo farei algumas histórias de Tartaruga e Popinjay.
Ed_Bryant_mod : Falando em WILD CARDS, apenas no caso de um de nossos sistemas travar novamente, eu queria fazer uma pergunta que assombra a maioria de nós, escritores. À medida que os livros esgotam com grande velocidade, eles se tornam o desespero do leitor lento demais para pegá-los durante as oito horas em que estavam à venda... Você é um dos escritores ativistas que se esforçou para manter seus livros disponíveis com seus próprios esforços. Isso está funcionando? E como os leitores podem aproveitar o seu serviço nessa área?
GeoRR : Sim, eu realmente mantenho estoques de meus livros esgotados e sobressalentes, tanto de capa dura quanto de brochura. De WILD CARDS, tenho volumes 1,2,6,7,9 e 11. Também tenho livros de bolso britânicos de REIS DA AREIA e TUF VOYAGING, a adorável edição limitada numerada e assinada do ARAMGEDDON RAG com slipcase e as primeiras edições do SONHO FEBRIL, SANTUÁRIO DOS VENTOS E RETRATOS DE SEUS FILHOS. Qualquer pessoa que queira alguma dessas informações pode me enviar um e-mail para [[email protected]](mailto:[email protected]) ou [[email protected]](mailto:[email protected]). Os preços são muito razoáveis ​​e os autógrafos são gratuitos. Você não apenas receberá um livro lindo e assinado, como também ajudará a apoiar meu mania com soldados de brinquedo. Desde que comecei a fantasia, fiquei viciado em colecionar cavaleiros em miniatura.
Ed_Bryant_mod : Ótimo. Lembrarei às pessoas que livros assinados e personalizados são ótimos presentes de fim de ano. Voltando a WILD CARDS momentaneamente. Uma enorme quantidade de material foi publicada ao longo de alguns anos de trabalho duro e febril. O que você acha que foi o maior apelo?
GeoRR : Bem, tivemos alguns escritores muito bons e algumas histórias fantásticas, mas acho que foi mais do que isso. O que notei no WILD CARDS foi o intenso interesse que os leitores desenvolveram nos personagens. Eles não eram apenas fãs do Wild Cards, eram fãs do Turtle, ou do Tachyon, ou do Fortunato. Cada leitor tinha personagens que amava e outros que odiava com a mesma paixão, e eles queriam acompanhar suas vidas. Eu sustento que é a mesma coisa que faz as pessoas acompanharem novelas de TV.
Marilee : George, eu sempre leio todas as histórias em Asimov, até mesmo as fantasias, mas frequentemente não estou interessado em comprar um livro relacionado a uma história de fantasia. Eu li "Blood of the Dragon" na edição de julho e imediatamente encomendei A GUERRA DOS TRONOS (que está abrindo caminho ao topo da pilha de leitura). O que fez você decidir escrever uma fantasia agora?
GeoRR : Marilee, eu respondi sobre esse assunto, talvez antes de você entrar. Não sei se há como retroceder, mas ... resumidamente, o livro não me deu escolha. Eu estava trabalhando em um romance completamente diferente, mas A GUERRA DOS TRONOS acabou de me tomar. Estou feliz que você tenha gostado de "Blood of the Dragon". Eu estava trabalhando em um capítulo de Daenerys hoje, por incrível que pareça.
Estranhamente, acho que nunca poderia ter escrito A GUERRA DOS TRONOS, a menos que eu tivesse feito WILD CARDS primeiro. O grande elenco de personagens de GOT é muito diferente dos meus romances anteriores, que se concentram muito em um único protagonista (A MORTE DA LUZ, SANTUÁRIO DOS VENTOS, ARMAGEDDON RAG) ou no máximo dois (SONHO FEBRIL). WILD CARDS, por outro lado, é =repleta= de personagens, e editar esses livros, especialmente os romances-mosaico, me deu muita prática no malabarismo com vários pontos de vista. Estruturalmente, A GUERRA DOS TRONOS é um romance-mosaico de WILD CARDS, só que comigo escrevendo todas as partes.
Ed_Bryant_mod : George, agora que você é um veterano em Hollywood, você acha que algumas das mesmas forças estão começando a deformar a publicação impressa também? Os novos autores com romances não seriados estão perdidos? E a publicação na web? Sinta-se à vontade para abordar qualquer um desses...
GeoRR : Uma pergunta deprimente, e uma resposta ainda mais deprimente ... mas sim, devo dizer, acho que as publicações estão sendo Hollywoodizada e tenho muita empatia por novos escritores que tentam entrar no ramo. Acho que ainda é será possível fazer um bom trabalho, mas muito menos possível ganhar a vida com isso. Quem ganhará a vida com isso serão as pessoas trabalhando em franquias e atendendo a gostos já estabelecidos, como [Star] Trek e Star Wars. É uma imagem sombria para alguém que realmente quer ser escritor em tempo integral. Por outro lado, antes de 1970 havia pouquíssimos escritores de SF em tempo integral, então talvez estejamos voltando ao que havia na Era de Ouro.
Ed_Bryant_mod : Deprimente, de fato. E o admirável mundo novo da publicação on-line? Alguma área brilhante que você possa enxergar?
GeoRR : Ainda não estou convencido de que a publicação on-line possa funcionar. Quero dizer, não vejo como alguém faria dinheiro com isso. Além disso, devo admitir, adoro livros, a sensação deles, a aparência deles, a conveniência. Leio-os na banheira, na cama e sentado ao ar livre. Não posso fazer isso com um leitor on-line, e também não gosto de imprimir romances e ter que lutar com pilhas de papel pesadas.
Marilee : Li todas as novelas OMNI no meu HP200LX - um computador de bolso que é mais leve e menor que a maioria dos livros, e pode ser segurado como um. Eu os li em consultórios médicos, restaurantes ou em qualquer lugar que eu tivesse que esperar. Ainda assim, ele seria muito caro se fosse apenas para ler livros.
Visitante (206.113.120.25) : Quais são suas próximas aparições na Whimpy Zone? --Keith
GeoRR : Não há muitas viagens nos meus planos atuais. Eu fiz uma turnê de quinze cidades pelo A GUERRA DOS TRONOS em setembro e outubro, além de Worldcon, Archon e World Fantasy Con, então agora estou feliz por estar em casa. Estarei em Archon novamente em outubro próximo e, claro, na worldcon em San Antonio, e em fevereiro vou a Nova Orleans para o Mardi Gras. Além disso, eu não sei. Eu posso ir ao Neulas [Nebula] em Kansas City.
Marilee : O que você fará com os cavaleiros de brinquedo quando os adquirir? Eu tenho muitos spaceguys de Lego, mas eles geralmente ficam na prateleira e são reorganizados de vez em quando.
Ed_Bryant_mod : Hmm, George. Talvez você possa se tornar um fazedor de pacotes e iniciar linhas de romances que exploram o mundo dos ônibus espaciais e cavaleiros de brinquedos Lego. Publique-os como Ron Goulart costumava escrever quando estava na publicidade... na parte de trás dos pacotes...
Talvez uma ou duas perguntas finais à medida que o tempo diminui. Onde você se vê como escritor em dez ou vinte anos, George? Ainda fazendo o mesmo reconhecidamente amplo leque de ficção? Ou há novas fronteiras que você deseja encarar?
GeoRR : Quanto aos cavaleiros, sim, eu os coloco nas prateleiras, arrumo os dioramas, os reorganizo e compro vitrines cada vez maiores e mais caras. Porém, eu não lido com Lego. Tenho Britain, Pings, Timpos, Banners Forward, Arsenyevs, Hornungs, Tiffany Soldiers, Staddens, Wyvern Standards, Traditions e uma dúzia de outros fabricantes, e também compro as remodelagens baratas de plástico e as pinto. Essas não são miniaturas de jogos, entenda. Estes são do tamanho tradicional de soldado de brinquedo, de 54 a 70 mm. As miniaturas de jogos são de 15 ou 25 mm, pequenas em comparação. Minha grande fantasia é encontrar o veio-principal da Courtenays sendo vendido em um mercado de rua por três dólares cada. Sorriso.
Ed, para dizer a verdade, não sei ao certo o que vou escrever daqui a cinco anos, muito menos vinte. Livros, TV, contos... Eu gostaria de fazer de tudo, mas nunca há tempo suficiente. Especialmente porque tenho o vago desejo de tentar ter uma vida também. Na verdade, não me saí tão bem nessa última parte; às vezes, olho para trás sombriamente ao longo de todos os anos passados ​​sentados em frente aos vários tipos de teclado, escrevendo sobre paixão, aventuras e maravilhas, quando o que realmente quero é =vivenciar= alguma delas. Mas talvez essa seja a maldição de todos os escritores. A maioria das biografias de escritores é mortalmente monótona, exceto para outros escritores - páginas e páginas de "E então ele escreveu". Ah, ok.
O que eu desejo para você, George, é que talvez você possa dividir seu tempo entre o teclado e o mundo. Nunca é tarde demais para ter uma aventura genuína. Então, boa sorte. E não leve nenhum soldados de brinquedo de madeira. Muito obrigado por participar do Omni Visions Prime Time hoje à noite. E para o resto de vocês, obrigado por participar. Boa noite a todos.
Marilee : Obrigado por aparecer, George!
GeoRR : Feliz de ter vindo aqui. Ed, Ellen, obrigado por me convidar. Depois que resolvemos os problemas, foi divertido.
GeoRR : Boa noite, Pessoal.
ellendat : Boa noite, George, e obrigado por ter vindo.
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2019.09.16 15:40 exsoldierakechi [Sério]Minha noiva enfermeira do UPA pediu pra sair.

Vim compartilhar com vocês por muitos não conhecerem a realidade da saúde do Brasil, vendo de dentro. Ela finalmente pediu pra sair após 4 anos e muita insistência minha e da família dela. Que não aguentavamos mais ver sofrer.
O país tem muito dinheiro, mas muito é desperdiçado... e de formas que a maioria nem imagina, vim aqui listar algumas das coisas que ela me contou ao longo dos anos que trabalhou lá, e entre os motivos da saída dela. Ela trabalha em uma cidade grande do Sudeste, perto de um grande centro.
Sobre os Pacientes:
-Maioria dos "pacientes que vem do SAMU" são bebados caídos nas ruas. As pessoas veem eles caídos de manhã, chamam o SAMU, levam eles pro upa. Esses bebados vomitam nas enfermeiras, as vezes falam merda e causam baderna. É normal você receber o mesmo cara 4~5x. As vezes a esposa/parente vem buscar, as vezes eles só aparecem pra xingar mesmo. -Tem mãe que tem 5~7 filhos, e quando um ta doente, leva os 7 pro UPA. e as vezes o que ta doente nem tá mesmo, mas ela quer um atestado pra não ir pro trabalho.
-Os dias mais cheios são sexta e domingo, pelos motivos acima. Alguns ficam até 4 horas pra ser atendidos e ela já me disse que aproximadamente metade nem devia estar ali. -MUITO dinheiro é desperdiçado com pessoas que "agendam exame na fila de 3 meses pra ser atendido do SUS" e simplesmente não vão, ela não deu números mas acha que mais de 2/3 dos casos. Isso só piora as filas do sistema. -muitos pacientes xingam as enfermeiras pela demora, ou por elas passarem pacientes em mais urgência na frente. Muitas delas vão embora chorando por serem ameaçadas de morte quase todo dia. Um dia atenderam um traficante e a gangue dele disse que se o cara morresse. eles iam "derrubar" o lugar.
-Existem pacientes que vão, ficam esperando pra ser atendido, o médico passa medicação e quando eles veem que vão tomar injeção, vão embora com medo da agulha. -Crianças chutam enfermeiras quase sempre, e as mães brigam com as enfermeiras por gritar com os pestinhas. e não segura o filho quando vai ser furado. Logicamente essas mães depois surtam quando o filho tira o acesso bagunçando e tem que ser furado novamente porque "TADINHO". -Um morador de rua já cospiu na cara dela porque a sopa não tava quente o suficiente. -Ela atende em um UPA perto da rodovia local, e a QUANTIDADE de acidentes com pessoas que tavam zig-zagueando no transito é grande. A maioria deles quando chegam vivos, chegam pistolados porque "os lerdões não sairam do meio". -Maioria dos idosos não são fofinhos ou educados. Maioria deles exigem as coisas, e cobram demais o tempo todo. -já teve paciente fingindo que estava piorando e se jogando no chão pra ser atendido. Não funcionou. -Já teve paciente que chegou "morrendo" e foi buscado no carro de cadeira de rodas de tão mal que estava. a pessoa tinha quebrado 1 dedo da mão.
-Pacientes já chegaram depois de serem espancados por populares após cometer um crime. A maioria é muito educado mas não sente nenhum remorço do que fizeram pra apanhar. -Quase toda semana, ao menos uma mãe adolescente grávida chega alcoolizada/drogada, e a mãe que a traz está desesperada. -Tem gente boa que vem da roça de burro mesmo andando a mais de 2 horas pra ser atendido toda semana(tratar ferimentos e necrose), e ainda leva frutas pras enfermeiras. Elas adoram. -Eu já disse de outra forma, mas deve ser confirmado: Maioria das pessoas atrasam quem precisa porque fica mentindo sobre o que tem, ou querem atestado, ou vergonha do que fizeram pra estar ali. -Um homem já fez cocô de proposito no leito da observação porque "você tem que me limpar. É sua obrigação." Ele foi limpado, caso a enfermeira negue atendimento, ela pode ser demitida.
Sobre as enfermeiras/auxiliares/Socorristas e afins
-A quantidade de infidelidade é gritante. principalmente com os médicos. Muitos desses casos devido ao stress. -A maioria das enfermeiras amam a profissão e entraram nela pra ajudar, não ganhar dinheiro. Muitas saem em menos de um ano. Em depressão e revoltadas, nunca se recuperam totalmente a abandonam a área.
-A jornada de trabalho é de 12 horas por 36 de descanso, ou seja, dia sim dia não de 12 horas, com 3 folgas semanais. -Existem enfermeiras ruins, péssimas até. Que não ligam mesmo e que gostam de abusar de quem não pode reagir, causando dor de propósito. -Diariamente ao menos uma delas está chorando em algum lugar do UPA por algo que aconteceu no dia. Com minha noiva já foram 2 vezes só esse mês.
-Faltam medicamentos as vezes, mas não é tão frequente assim. -Todo mês, o setor onde a enfermeira fica muda. Se sua chefe não gosta de você, ela pode te mandar pro que você menos gosta sempre, pra te forçar a sair.
-As enfermeiras concursadas são as piores de longe. Tem regalias, faltam frequentemente e fazem corpo mole pra tudo. além de quase sempre escolherem onde vão ficar no proximo. mês. As terceirizadas são as que mais sofrem,pois tem medo de serem despedidas e constantemente tem que baixar a cabeça pra evitar "confusão". -Cada setor do upa devia ter ao menos 2 enfermeiras. Minha noiva Já chegou a ficar em sutura, eletro, remoção(Ambulância) e coleta em um só mês devido a falta de funcionários. -Uma gosta de se achar mais esperta que a outra, mesmo que as vezes custe a vida de um paciente. Apenas por não admitir que errou em algo, e faz errado assim mesmo. -Se você for mal educado, elas usam a agulha mais grossa pra doer mais :). -Se você for educado, elas guardam seu nome e te tratam com amor e carinho. E sim, elas até falam bem de você quando chegam em casa. -Mais de uma vez por mês, uma delas é assaltada ou tem que correr de alguém. Pelo horário previsivel e a região ser mais carente.
-O tempo médio que uma enfermeira trabalha lá antes de desistir é 6 meses. Quem já está a muitos anos são exceções.
-A maioria trabalha lá por necessidade ou por experiência, o salário não chega a 2500 por mês. muitas trabalham em dois empregos.
-As enfermeiras chefes nem sempre ficam presente, escolhem favoritos e costumam cobrar coisas sem sentido.
-Colegas ensinam errado pra te ferrar mesmo se não for com sua cara. -Quando gostam de você, são pra vida toda. -Algumas choram quando acordam pra ir trabalhar de madrugada. Não pelo esforço, mas por saber o que vão passar durante o dia. Eu já vi isso ao vivo multiplas vezes, e vi diferentes colegas de trabalho dela.
-Socorristas e etc do SAMU costumam ser legais de trabalhar junto, mas um ou outro é MUITO chato. -As vezes eles levam alguém quase morrendo e jogam no upa o mais rapido possível pra não ter que lidar com a burocracia do falecimento. -Dirigem de forma espetacular no geral. Um ou outro é estressado no trânsito.
-Faltam equipamentos e pessoal constantemente, a unidade do UPA dela está com menos de 50% do pessoal recomendado. -O salário atrasa TODO MÊS de 10 a 20 dias pros terceirizados. A empresa que terceiriza recebe o pagamento na data certa da prefeitura
-Enfermeiras as vezes apanham de pacientes que não gostaram de uma notícia ruim, ou por demorar pra ser atendidos. Minha noiva finalmente vai sair do trabalho após uma mãe reclamar que não ia receber atestado pelo filho fingir que estava doente, e a mãe dar um tapa na cara dela por negar.
-

Sobre os médicos: -A maioria realmente não olha na cara dos pacientes.
-Boa parte não dá a minima e está ali por dinheiro
-Os bons médicos são FACILMENTE identificados, e você vai perceber na hora. -O "mito" de tudo ser virose é real. E muitos dizem isso porque o paciente não tem nada mas não para de enxer o saco pra pegar atestado.
-Não se acham deuses, tem certeza. -Não fazem nem 10% do trabalho, mas devido a regras da secretaria de saúde. Quase nada por ser feito sem eles. seja entubar uma pessoa que esteja em situação crítica, seja usar um medicamento especifico mais forte, ou mesmo dar pontos em algum corte. Mesmo que você tenha 10 enfermeiras capacitadas até MAIS que o médico, só ele pode fazer isso. -Quando você leva pontos, você ficar ou não com cicatriz vai depender da pressa do médico em dar ponto.
- Maioria adora dar em cima de enfermeiras. Só minha noiva foi assediada 3 vezes. Uma até apalpada. -Nada acontece com relação ao item anterior, a administração não investiga ou faz nada, pois médicos "estão em falta".
-Você pode morrer porque um deles tava no horário de almoço, no refeitório dentro do UPA, e ele não quis "voltar antes" pra uma emergência. -Os cubanos costumam ser os mais atenciosos, mas os de pior habilidade prática e conhecimento, de longe. -Muitos dos mais velhos usam nomes de remédios que não existem a 20 anos pra se referir a outro medicamento. Eles brigam com as enfermeiras quando elas não sabem. -A letra horrível é pura falta de vergonha na cara. maioria sabe escrever muito bem.
Bom, acho que isso resume boa parte do que eu ouvi esse tempo todo. Caso tenha interesse talvez até peça pra ela fazer um AMA.
O objetivo é só vocês que as vezes precisam de um atendimento refletir um pouco. É dificil manter a calma com dor, ou precisando de ajuda, mas você está ali um dia só. Elas estão ali todos os dias e muitas já nem são mais as mesmas de quando entraram.
E tem outras que são FDP mesmo.
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2019.09.16 15:38 exsoldierakechi [Sério]Minha noiva enfermeira de um UPA pediu pra sair.

Vim compartilhar com vocês por muitos não conhecerem a realidade da saúde do Brasil, vendo de dentro. Ela finalmente pediu pra sair após 4 anos e muita insistência minha e da família dela. Que não aguentavamos mais ver sofrer.
O país tem muito dinheiro, mas muito é desperdiçado... e de formas que a maioria nem imagina, vim aqui listar algumas das coisas que ela me contou ao longo dos anos que trabalhou lá, e entre os motivos da saída dela. Ela trabalha em uma cidade grande do Sudeste, perto de um grande centro.
Sobre os Pacientes:
-Maioria dos "pacientes que vem do SAMU" são bebados caídos nas ruas. As pessoas veem eles caídos de manhã, chamam o SAMU, levam eles pro upa. Esses bebados vomitam nas enfermeiras, as vezes falam merda e causam baderna. É normal você receber o mesmo cara 4~5x. As vezes a esposa/parente vem buscar, as vezes eles só aparecem pra xingar mesmo. -Tem mãe que tem 5~7 filhos, e quando um ta doente, leva os 7 pro UPA. e as vezes o que ta doente nem tá mesmo, mas ela quer um atestado pra não ir pro trabalho.
-Os dias mais cheios são sexta e domingo, pelos motivos acima. Alguns ficam até 4 horas pra ser atendidos e ela já me disse que aproximadamente metade nem devia estar ali. -MUITO dinheiro é desperdiçado com pessoas que "agendam exame na fila de 3 meses pra ser atendido do SUS" e simplesmente não vão, ela não deu números mas acha que mais de 2/3 dos casos. Isso só piora as filas do sistema. -muitos pacientes xingam as enfermeiras pela demora, ou por elas passarem pacientes em mais urgência na frente. Muitas delas vão embora chorando por serem ameaçadas de morte quase todo dia. Um dia atenderam um traficante e a gangue dele disse que se o cara morresse. eles iam "derrubar" o lugar.
-Existem pacientes que vão, ficam esperando pra ser atendido, o médico passa medicação e quando eles veem que vão tomar injeção, vão embora com medo da agulha. -Crianças chutam enfermeiras quase sempre, e as mães brigam com as enfermeiras por gritar com os pestinhas. e não segura o filho quando vai ser furado. Logicamente essas mães depois surtam quando o filho tira o acesso bagunçando e tem que ser furado novamente porque "TADINHO". -Um morador de rua já cospiu na cara dela porque a sopa não tava quente o suficiente. -Ela atende em um UPA perto da rodovia local, e a QUANTIDADE de acidentes com pessoas que tavam zig-zagueando no transito é grande. A maioria deles quando chegam vivos, chegam pistolados porque "os lerdões não sairam do meio". -Maioria dos idosos não são fofinhos ou educados. Maioria deles exigem as coisas, e cobram demais o tempo todo. -já teve paciente fingindo que estava piorando e se jogando no chão pra ser atendido. Não funcionou. -Já teve paciente que chegou "morrendo" e foi buscado no carro de cadeira de rodas de tão mal que estava. a pessoa tinha quebrado 1 dedo da mão.
-Pacientes já chegaram depois de serem espancados por populares após cometer um crime. A maioria é muito educado mas não sente nenhum remorço do que fizeram pra apanhar. -Quase toda semana, ao menos uma mãe adolescente grávida chega alcoolizada/drogada, e a mãe que a traz está desesperada. -Tem gente boa que vem da roça de burro mesmo andando a mais de 2 horas pra ser atendido toda semana(tratar ferimentos e necrose), e ainda leva frutas pras enfermeiras. Elas adoram. -Eu já disse de outra forma, mas deve ser confirmado: Maioria das pessoas atrasam quem precisa porque fica mentindo sobre o que tem, ou querem atestado, ou vergonha do que fizeram pra estar ali. -Um homem já fez cocô de proposito no leito da observação porque "você tem que me limpar. É sua obrigação." Ele foi limpado, caso a enfermeira negue atendimento, ela pode ser demitida.
Sobre as enfermeiras/auxiliares/Socorristas e afins
-A quantidade de infidelidade é gritante. principalmente com os médicos. Muitos desses casos devido ao stress. -A maioria das enfermeiras amam a profissão e entraram nela pra ajudar, não ganhar dinheiro. Muitas saem em menos de um ano. Em depressão e revoltadas, nunca se recuperam totalmente a abandonam a área.
-A jornada de trabalho é de 12 horas por 36 de descanso, ou seja, dia sim dia não de 12 horas, com 3 folgas semanais. -Existem enfermeiras ruins, péssimas até. Que não ligam mesmo e que gostam de abusar de quem não pode reagir, causando dor de propósito. -Diariamente ao menos uma delas está chorando em algum lugar do UPA por algo que aconteceu no dia. Com minha noiva já foram 2 vezes só esse mês.
-Faltam medicamentos as vezes, mas não é tão frequente assim. -Todo mês, o setor onde a enfermeira fica muda. Se sua chefe não gosta de você, ela pode te mandar pro que você menos gosta sempre, pra te forçar a sair.
-As enfermeiras concursadas são as piores de longe. Tem regalias, faltam frequentemente e fazem corpo mole pra tudo. além de quase sempre escolherem onde vão ficar no proximo. mês. As terceirizadas são as que mais sofrem,pois tem medo de serem despedidas e constantemente tem que baixar a cabeça pra evitar "confusão". -Cada setor do upa devia ter ao menos 2 enfermeiras. Minha noiva Já chegou a ficar em sutura, eletro, remoção(Ambulância) e coleta em um só mês devido a falta de funcionários. -Uma gosta de se achar mais esperta que a outra, mesmo que as vezes custe a vida de um paciente. Apenas por não admitir que errou em algo, e faz errado assim mesmo. -Se você for mal educado, elas usam a agulha mais grossa pra doer mais :). -Se você for educado, elas guardam seu nome e te tratam com amor e carinho. E sim, elas até falam bem de você quando chegam em casa. -Mais de uma vez por mês, uma delas é assaltada ou tem que correr de alguém. Pelo horário previsivel e a região ser mais carente.
-O tempo médio que uma enfermeira trabalha lá antes de desistir é 6 meses. Quem já está a muitos anos são exceções.
-A maioria trabalha lá por necessidade ou por experiência, o salário não chega a 2500 por mês. muitas trabalham em dois empregos.
-As enfermeiras chefes nem sempre ficam presente, escolhem favoritos e costumam cobrar coisas sem sentido.
-Colegas ensinam errado pra te ferrar mesmo se não for com sua cara. -Quando gostam de você, são pra vida toda. -Algumas choram quando acordam pra ir trabalhar de madrugada. Não pelo esforço, mas por saber o que vão passar durante o dia. Eu já vi isso ao vivo multiplas vezes, e vi diferentes colegas de trabalho dela.
-Socorristas e etc do SAMU costumam ser legais de trabalhar junto, mas um ou outro é MUITO chato. -As vezes eles levam alguém quase morrendo e jogam no upa o mais rapido possível pra não ter que lidar com a burocracia do falecimento. -Dirigem de forma espetacular no geral. Um ou outro é estressado no trânsito.
-Faltam equipamentos e pessoal constantemente, a unidade do UPA dela está com menos de 50% do pessoal recomendado. -O salário atrasa TODO MÊS de 10 a 20 dias pros terceirizados. A empresa que terceiriza recebe o pagamento na data certa da prefeitura
-Enfermeiras as vezes apanham de pacientes que não gostaram de uma notícia ruim, ou por demorar pra ser atendidos. Minha noiva finalmente vai sair do trabalho após uma mãe reclamar que não ia receber atestado pelo filho fingir que estava doente, e a mãe dar um tapa na cara dela por negar.
-

Sobre os médicos: -A maioria realmente não olha na cara dos pacientes.
-Boa parte não dá a minima e está ali por dinheiro
-Os bons médicos são FACILMENTE identificados, e você vai perceber na hora. -O "mito" de tudo ser virose é real. E muitos dizem isso porque o paciente não tem nada mas não para de enxer o saco pra pegar atestado.
-Não se acham deuses, tem certeza. -Não fazem nem 10% do trabalho, mas devido a regras da secretaria de saúde. Quase nada por ser feito sem eles. seja entubar uma pessoa que esteja em situação crítica, seja usar um medicamento especifico mais forte, ou mesmo dar pontos em algum corte. Mesmo que você tenha 10 enfermeiras capacitadas até MAIS que o médico, só ele pode fazer isso. -Quando você leva pontos, você ficar ou não com cicatriz vai depender da pressa do médico em dar ponto.
- Maioria adora dar em cima de enfermeiras. Só minha noiva foi assediada 3 vezes. Uma até apalpada. -Nada acontece com relação ao item anterior, a administração não investiga ou faz nada, pois médicos "estão em falta".
-Você pode morrer porque um deles tava no horário de almoço, no refeitório dentro do UPA, e ele não quis "voltar antes" pra uma emergência. -Os cubanos costumam ser os mais atenciosos, mas os de pior habilidade prática e conhecimento, de longe. -Muitos dos mais velhos usam nomes de remédios que não existem a 20 anos pra se referir a outro medicamento. Eles brigam com as enfermeiras quando elas não sabem. -A letra horrível é pura falta de vergonha na cara. maioria sabe escrever muito bem.
Bom, acho que isso resume boa parte do que eu ouvi esse tempo todo. Caso tenha interesse talvez até peça pra ela fazer um AMA.
O objetivo é só vocês que as vezes precisam de um atendimento refletir um pouco. É dificil manter a calma com dor, ou precisando de ajuda, mas você está ali um dia só. Elas estão ali todos os dias e muitas já nem são mais as mesmas de quando entraram.
E tem outras que são FDP mesmo.
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2019.08.22 14:05 modsbr Megathread sobre os incêndios na Floresta Amazônica em Português/English Megathread regarding the Amazon forest fires

https://i.redd.it/wxz48yv7bvh31.jpg
Se alguém se oferecer a traduzir o conteúdo em espanhol, nós ficaríamos muito gratos!

1. That bullshit with INPE (Brazil's National Space Research Institute)

“A questão do INPE, eu tenho a convicção que os dados são mentirosos. Até mandei ver quem é o cara que está à frente do INPE para vir explicar aqui em Brasília esses dados aí que passaram para a imprensa
Translated:
About INPE, I am convinced that the data is a lie. I even ordered to check who's the guy heading the INPE for him to come here in Brasilia and explain the data that was released to the press.
The first thing I can say is that Mr. Jair Bolsonaro needs to understand that a President cannot speak in public, especially at a press conference, as if he was in a pub-talk. He made inappropriate and unsubstantiated comments and made unacceptable attacks not only on me, but on people working for the science of this country. He said he was convinced that INPE's data are a lie. This is more than offensive to me, it was very offensive to the institution. I was really upset, because in my opinion he played with me the same game that he did with Joaquim Levy (who resigned from BNDES after public threats by Bolsonaro). He has taken a pusillanimous, cowardly attitude, to make a public statement perhaps hoping I will resign, but I will not. I hope he calls me to Brasília to explain the data and that he has the courage to repeat, looking face to face, eye to eye. I am a 71-year-old gentleman, a member of the Brazilian Academy of Sciences, I will not accept such an offense.
What is happening is that this government has sent a clear message that there will not be any more punishment [for environmental crimes] like before … This government is sending a very clear message that the control of deforestation will not be like it was in the past …. And when the loggers hear this message that they will no longer be supervised as they were in the past, they penetrate [the rainforest],” Galvão said, claiming “enormous” damage had already been done since Bolsonaro took power in January.

2. Amazon Fund, and that thing with Norway and Germany

In a joint letter sent to [the Minister of the Environment] Salles on June 5, Norway and Germany had defended Cofa's governance model, consisting of three blocs: the federal government, state governments, and civil society, including NGOs, which have been systematically criticized by members of the Bolsonaro government.
  • All those things I've mentioned up there in Item 1? Of course they knew about it, and then some. It's not like satellites and other equipment don't exist for them to know what was going on, Bolsonaro's problem with INPE was that silly, the data provided by them was observable, so yeah. Anyway, this adds fuel to fire.
  • In July he also said that Macron and Merkel 'haven’t realized Brazil’s under new management', and some other shit.
  • Germany withdrew money promised for forest protection in Brazil!
"The policy of the Brazilian government in the Amazon raises doubts as to whether a consistent reduction of deforestation rates is still being pursued," German Environment Minister Svenja Schulze told Saturday's edition of the Berlin daily Tagesspiegel.
  • Bolsonaro to Merkel over Amazon aid cut:
They can use this money as they see fit. Brazil doesn't need it
Also
I would like to send a message to dear Mrs. Angela Merkel, who suspended 80 million dollars to the Amazon Rainforest. Take this money and reforest Germany, ok? It's much more needed there than it is here
"Brazil broke the agreement with Norway and Germany since suspending the board of directors and the technical committee of the Amazon Fund," Norway's Environment Minister Ola Elvestuen told the Dagens Naeringsliv newspaper. "What Brazil has done shows that they no longer wish to stop deforestation," said Elvestuen.
  • Bolsonaro (after Norway's withdrawal) went to Twitter, where he shared a video and also decided to write:
Look at the killing of whales sponsored by Norway
He used images from the Faroe Islands though, a Danish territory, in the North Atlantic.

3. Those fucking fires and our forests, man

  • Yes, it's common to have forest fires by this time of the year.
  • Important note here, though: federal deforestation and firefighting policies. Since March, Bolsonaro's government has cut $7.3 million slated for fire prevention and environmental inspections to Ibama (Brazilian Institute of Environment and Renewable Natural Resources) and ICMBio (Institute for Biodiversity Conservation), two of Brazil’s federal environmental agencies.
  • This administration has launched policies that undermine Ibama and ICMBio by effectively dismantling environmental law enforcement and allowing deforestation to proceed unchecked. As an example, Ibama’s website must now announce in advance when and where each operation will take place, even though it’s obvious that the success of the raids depends on secrecy and the element of surprise
  • Bolsonaro has deranged deforestation enforcement further by firing or not replacing top environmental officials. This includes 21 out of 27 Ibama state superintendents responsible for imposing most of the deforestation fines. Also, 47 of Brazil’s conservation units now lack directors, leaving a combined area greater than the size of England without conservation leadership.
  • August 10, we apparently had this thing which farmers called the 'Day of Fire', I shit you not. The first reference being from a small town newspaper from Novo Progresso (they have live radio so headphone alert!) on August 5. This can be summed up as farmers wanting to show Bolsonaro their willingness to work and, just to be clear, this wasn't approved by the government in any way, they just decided it was okay.
  • Bolsonaro got the short end of the stick on something you've probably seen: the dark skies observed in São Paulo on August 19. Despite the perfect timing to shit on him for environmental problems, this is not exactly one of those things, there's more to it as it was due not only to Amazon fires, but also due to fires in Bolivia and Paraguay, besides actual clouds from a cold front.

1. A merda que rolou com o INPE, em Julho

2. Fundo Amazônia (wikipédia), que recebia dinheiro da Noruega e da Alemanha

3. A porra dos incêndios e a porra das nossas florestas, caralho

A prevenção e controle de incêndios florestais teve bloqueio de 38,4%, equivalente a R$ 17,5 milhões. A ação de licenciamento ambiental federal perdeu 42% da verba de R$ 7,8 milhões.
  • O Ministério do Ambiente, sob Salles, também demitiu 21 dos 27 superintendentes regionais do Ibama, sem anunciar substitutos
As superintendências são responsáveis por comandar o Ibama nos estados. A instância executa principalmente as operações de fiscalização e também atua em emergências ambientais, na prevenção e no controle de incêndios florestais.
Nesta semana, a Folha revelou o conteúdo de uma minuta de decreto elaborada pelo Ministério do Meio Ambiente que cria um "núcleo de conciliação" com poderes para analisar, mudar o valor e até anular cada multa aplicada pelo Ibama por crimes ambientais no território nacional.
A Folha também mostrou que a minuta teve aval da autarquia ambiental sem ter recebido pareceres técnico e jurídico. O procedimento, embora não seja ilegal, é considerado incomum, sobretudo no caso de uma proposta que altera políticas centrais do órgão.
A atuação fiscalizatória do Ibama tem estado sob ataque do presidente Jair Bolsonaro (PSL), que já declarou em diversas oportunidades a intenção de acabar com uma suposta "indústria da multa" no órgão.
  • Fazendeiros planejaram o que se chama de "Dia do Fogo", com focos de incêndios por todo o Pará. O "dia do fogo" foi revelado no último dia 5 pelo jornal Folha do Progresso, de Novo Progresso. De acordo com a publicação, os produtores se sentem "amparados pelas palavras do presidente" Jair Bolsonaro (PSL) e coordenaram a queima de pasto e áreas em processo de desmate na mesma data. O objetivo, segundo um dos líderes ouvidos sob anonimato, é mostrar para o presidente que querem trabalhar.
  • E o céu escurecido em São Paulo e outras cidades. O desmatamento e as queimadas ganharam repercussão internacional, principalmente depois que São Paulo, a 3.000 quilômetros da Amazônia, viu o céu escurecer como consequência do mau tempo misturado à fumaça das queimadas. A água da chuva ficou preta, como mostrado no Jornal Nacional. Um comentário no Reddit explica bem os três motivos para o céu escurecido:
Primeiro ponto: continuaram as queimadas pras bandas de Rondônia, Acre etc., que já vinham levando fumaça/material particulado de lá pra Argentina, Paraguai, Uruguai e região sul do Brasil e, pelos últimos dois dias mais ou menos, chegou no sudeste também. Não é muito inesperado que isso aconteça, considerando os padrões de vento envolvidos e a existência dos Andes — tem a mesma origem da história do transporte de umidade da Amazônia que evita que o Sudeste vire um deserto.
Segundo ponto: de ontem [18/08] a tarde pra hoje [19/08] ocorreram incêndios florestais enormes no sudeste da Bolívia e no Paraguai. Por satélite dava até pra ver puffs de piroconvecção. A fumaça desse incêndio chegou ao Mato Grosso do Sul ainda ontem, e por hoje chegou a SP e partes do PR, MG e RJ.
Terceiro ponto, pra quem mora no sudeste do estado de SP: esses dois fatores se combinaram com uma frente fria que tava chegando e deixou tudo ainda mais escuro. Por mais tentador que seja culpar a escuridão bizarra das 3 da tarde de SP hoje inteiramente nas queimadas de Rondônia, essa não é a história completa, apesar de talvez parcialmente correta.

Manifestações

Há manifestações planejadas por todo o país, mas tome cuidado, tenha certeza que há pessoas reais por trás da organização das manifestações. De acordo com esse tweet, há protestos organizados nas seguintes cidades:
  • Rio de Janeiro, RJ - 23.08 / 17h / Cinelândia (Parece que há várias pessoas tentando organizar algo em São Paulo, então não duvido que aconteça vários protestos nos próximos dias)
  • São Paulo, SP - 23.08 / 18hrs / MASP (Parece que há várias pessoas tentando organizar algo em São Paulo, então não duvido que aconteça vários protestos nos próximos dias)
  • Brasília, DF - Reunião de organização 21.08 / 20h30 / UnB - Ceubinho Dia 24 de Agosto, organizada pelos Jovens Pelo Clima
  • Curitiba, PR - 23.08 / 17:30h / Praça da Mulher Nua
  • Florianópolis - 24.08 / 14:00 / no Largo da Catedral
  • Ribeirão Preto - 24.08 / 14 hrs / Av. Francisco Junqueira
  • São Carlos, SP - 24.08 / 15h / Praça São Benedito
  • Natal, RN - 24.08 / 15hrs / Midway
  • Belém - 24.08 / 9:00 / na praça da República.
  • Manaus, AM - 24.08 / 10h / Praça do Congresso
  • Fortaleza / 24.08 / 14:00 / na Gentilândia.
  • Goiânia / 24.08 / 14:00 / Início no Vaca Brava até a Praça Cívica
  • Salvador, BA - 23.08 / 14h / Em frente ao WetNWild, na entrada da Climate Week
  • Atalanta, SC - 23.08 / 9h / Colégio Dr. Frederico Rolla
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2019.07.22 03:17 TYagami Domadores de Almas - Destino, Espiritualidade e Apocalipse

Não acho que o nome tenha te trazido até aqui, mas se você não segue nenhuma religião, mas tem uma crença, e ainda por cima tem contato com espíritos, acho que já podemos começar nossa conversa.
Primeiramente, muito prazer.Eu nem sei o que eu estou fazendo aqui pra começo de conversa porque jamais me imaginei fazendo isso...
Caí aqui no Reddit meio que de paraquedas. No meio de uma conversa com um amigo meu, ele me disse para vir aqui e criar um post contanto minha história porque querendo ou não, tem mais pessoas envolvidas e muitas delas já sabem também que foram escolhidas para um "algo maior". Mas... Ao invés de enrolar mais, vou explicar do começo.

Meu primeiro contato com algum espirito foi aos 3 anos de idade. Eu me lembro de ter visto uma mulher de pele clara, cabelo comprido preto e usava uma roupa branca, parecia uma camisola. Uma criança normal se assustaria, já eu... Por algum motivo eu decidi falar com ela.
- Quem é você? - Perguntei.
- Um alguém. Só um alguém. - Respondeu. - Quer ser meu amigo? Sorriu a moça.
- Tá. - Respondi.
No momento em que eu respondi, ela sumiu e eu apaguei.
Alguns anos se passaram e nunca mais tinha visto aquela moça. Pra mim, aquilo tinha sido apenas um sonho. Engano meu.
Não entrarei em detalhes sobre a moça no momento para não deixar a história muito extensa e principalmente pra mim não perder o foco do post. E antes que perguntem, sim, ela ainda está comigo.
Eu sempre fui uma criança bem extrovertida, de uma imaginação muito fértil e sempre amei desenhar. Então, por conta da criatividade, as coisas que eu via/ouvia/sentia que eu não podia contar pra ninguém, eu decidi começar a escrever uma história: Domadores de Almas. Não, não são pessoas que controlam almas... Na verdade, são espíritos que são mandados para a Terra (o carnal) para encontrar pessoas capazes de receberem certos poderes/habilidades e também para que até esses espíritos ficassem mais fortes, conseguindo liberar até mesmo 100% de seu poder total. O porque desses espíritos terem vindo até nós? Um mal ia nascer a partir dos 7 pecados e esse mal irá destruir os dois lados, por isso eles receberam essa missão.
História legal, né? kk
Só que parecia que algo ou alguém não queria que eu escrevesse essa história porque sempre que eu ia escrever o capitulo 4, algo acontecia. Se fosse no caderno: A folha rasgava por conta da borracha, a ponta do lápis quebrava, a caneta estourava... Se fosse no computador: O word travava, o pc travava e até a força chegava a cair!
Ainda não "acreditou", né? Tá bom.
Com 19 anos me batizei na igreja evangélica. Pois é. Sou evangélico. Mesmo com tudo o que sempre aconteceu na minha vida, decidi seguir a Cristo rs e não me arrependo. A história? Bom, estava parada. Nunca dava pra continuar, então deixei ela de canto. Mentira. Eu pensava que era algum bloqueio meu e tentava de novo, mas ai era desde o começo e com isso as mudanças e alterações vieram, coisas que deixaram a história mais real e um pouco mais pesada também.
Toda pessoa quando cria ou faz algo tem a vontade de mostrar para a família, né? Desde os 12 anos quando eu comecei a escrever essa história eu sempre quis mostrar ela pra minha mãe e pra minha irmã mais velha. Meu pai nunca ligou muito. Sabem o que elas falavam? "Que era do demônio". Gente, como é do demônio se eu nunca li, vi, estudei ou até mesmo procurei sobre algo do tipo? Mesmo vendo e ouvindo coisas, eu tinha medo! Não gostava! Mas não quer dizer que eu procurava. ME DESCULPA SE QUANDO PASSAVA DRAGON BALL Z EU GRITAVA "SATAN, SATAN" NA SALA COM A MÃO PRA CIMA, MAS ACREDITA EM MIM, EU NUNCA PESQUISEI! E MR. SATAN É O NOME DO TIOZINHO ALI!!
Lembram? Me converti, entrei pra igreja e fui conversar com meus pastores sobre o assunto. Resumindo? Apaguei a história e queimei todos os meus desenhos referentes a minha história. Todos que de acordo com o espirito santo tinham que ser queimados/destruídos.
Eu, minha mãe, minha irmã mais velha e meus pastores descemos para uma rua aqui perto de casa que é calma e levamos os desenhos (todos que achamos), uns tapetes e uma mesa de plastico branca que íamos jogar fora. Aproveitamos pra queimar tudo junto. Peguei uma folha, molhei com álcool Zulu na ponta, peguei o esqueiro e acendi. Tava lá, a chama azul, toda bonitinha e o papel ainda branco. Branco. Não queimava. O papel não queimava. Ok, álcool de cozinha é fraco. Vamos na ponta seca. ... ... ... ... É... Acho que o problema não era o Zulu. O papel não quer pegar fogo mesmo. Parti pro tapete. Fui e pensei: "Pelo menos os fiapinhos vão pegar fogo...". Nem os fiapos do tapete pegavam fogo. A chama azul lá parada e nada acontecia. Ninguém tava acreditando. Meus pastores pegaram o carro deles e levaram tudo para o monte onde lá pegou fogo sem exitar.
Quase entrei em depressão depois disso. Eu não desenhava mais. Não escrevia mais. Nunca fui fã de copiar desenhos, sem gostei de criar os meus. Aí, num certo dia eu tive um sonho. Era muito real pra ter sido só um sonho. Eu estava num campo. Um lugar lindo. Um céu limpo com poucas nuvens, uma brisa gostosa. Do meu lado direito tinha uma montanha que por ela descia uma cachoeira e do lado esquerdo era só campo. Na minha frente tinha alguém, mas eu não conseguia ver seu rosto. Era como se o Sol estivesse atrás dele impedindo com que eu visse sua face. Ele usava uma roupa branca com uns detalhes amarelos ou eram dourados. Ele me olhou, esticou a mão em minha direção e disse:
- Vem. Vamos conversar.
Sua voz era calma. Forte, mas passava tranquilidade. Por algum motivo eu não conseguia falar e então ele continuou.
- Sabe... Tem muita coisa que gostaria de falar, mas a principal é... Sabe o porque de não conseguir escrever a história do capitulo 4 em diante? O porque de tudo isso acontecer? - Perguntou e esperou. - Porque do capitulo 4 em diante você envolveria pessoas reais. Seus amigos, os que você colocou como personagem, todos eles passariam pelo mesmo que você passa e poderia ainda acontecer coisa pior por conta da história deles. Compreende agora? - Apenas assenti que sim. - Agora sobre seus desenhos, você pode dar continuar com eles, mas com um porem. Vamos usar o ser humano como exemplo. Um homem comete vários crimes em sua vida, mas num certo ponto ele decide mudar. Ele decide ser diferente. Se arrependeu de tudo o que fez e agora segue uma vida ajudando as pessoas, fazendo a diferença. Entendeu onde eu quis chegar? Mesma pessoa, mas com atitudes diferentes. Seus personagens, ainda pode fazê-los, mas eles não podem voltar a ser quem eram. Tudo bem?
Antes que eu pudesse pensar em responder, fui acordado.
Depois disso voltei a desenhar e comecei uma história nova, mas uma coisa começou a acontecer e eu estava com medo de contar pra alguém e ser taxado de louco. mais ainda
No dia 3 de Fevereiro de 2018, no primeiro final de semana de Carnaval, foi onde "tudo começou".
3 amigos meus estavam comigo aqui em casa. Íamos pro bloquinho tanto no Sabado quanto no Domingo, mas alguma coisa tinha acontecido que não fomos no Sabado e íamos no domingo. Eu então recebi uma mensagem de um amigo meu me chamando para ir na casa dele comer pizza e beber alguma coisa, disse que estava com uns amigos, ele disse que não se importava e fomos todos. Nos dividimos em "2 grupos". Eu, Ele e um amigo meu fomos comprar bebida. A mulher dele, e os meus dois outros amigos ficaram lá com ela. Do nada, no meio da caminhada, entramos no assunto espiritualidade. Assim que chegamos na casa dele, ele me olhou e pediu pra perguntar sobre o que eles estavam conversando e em que parte eles estavam. Quando perguntei, sim, eles estavam na mesma parte que a gente, e foi ai que o assunto "bombou" e ficamos conversando sobre isso o resto da noite. No meio da conversa, ele me olha e diz:
- Tá, vamos lá. A sua moça tá aqui na minha direita dando em cima da minha entidade, né? - Perguntou ele.
- Como você? Como é que você sabe? - Perguntei.
- Ele... Isso não tem graça! - Respondeu minha moça toda sem jeito.
- Agora... - Ele então continuou. - Aquele ali é seu outro, não é? - Perguntou apontando para frente.
- Espera. Ela eu entendo você saber porque as vezes eu não resisto as piadas dela e olho pra ela sem graça, mas ele? Eu nem olhei pra ele e você sabia que ele tava ali? - Perguntei. Eu não estava acreditando.
- Do que ele tá falando? - Perguntou um amigo meu.
- E que moça? - Perguntou uma amiga minha.
Foi nessa noite que meus amigos souberam dos meus amigos. E foi nessa noite que eu descobri também que não eram amigos imaginários e que tudo o que eu tinha vivido, era 100% real.
Contei pra ele dos meus desenhos, da história e de como tudo acabou e ele ficou nervoso. Muito nervoso.
- Porque você fez isso? Apagar sua história e queimar seus desenhos? Pra que? Se tinha algo te atrapalhando era só falar comigo que eu eliminava esse ser.
- Então... Eu não fiz porque 1°: Pensei que fosse Disney minha e 2°: Não sabia de você e muito menos de mim.
- Tá, mas de verdade? Eu tenho certeza que você foi destinado a escrever essa história e sabe o que eu acho? Que depois que você apagou a história, você tá vendo todas as cenas acontecendo de verdade na sua frente. Do mesmo jeito que você tá me vendo agora, você vê as cenas. Tô mentindo? - Sorriu ele.
Ali meu mundo caiu. Lembram ali em cima quando disse que algo começou a acontecer depois que eu parei com a história? Então. Foi isso. E eu não tinha contado isso pra ninguém. E eu não conversava com esse meu amigo mais.
Depois dessa noite muita coisa na minha vida mudou. Eu precisei incorporar meus dois amigos porque esse meu outro amigo queria conhecê-los porque precisava saber se iam me fazer mal ou não. Ele queria falar com eles e esse teria sido o único meio ali já que eu já tinha dado abertura para os dois. Depois disso, além de ganhar alguns "dons" acabei ficando sem asma e meu problema de coluna.
2 meses depois enquanto voltava para o escritório depois do almoço, tem um galho abaixado, muito caído no meu caminho e uma das suas folhas ia me acertar se eu empurrasse ela ou me abaixasse. Eu bati na folha e com isso o galho levantou, mas voltou depois pro lugar que tava. De repente...
-Ai... - Ouvi uma voz infantil vindo de trás de mim.
- Acho que batemos em alguém. - Respondeu um dos meus amigos.
Quando eu olho para trás, atrás daquela folha tinha alguma coisa. Eu parei, olhei, vi duas mãozinhas segurando a folha, ele estava escondido.
- Cês tão vendo isso também? - Perguntei e eles disseram que sim.
Fui devagar até a folha e quando estava chegando, vi uma cabecinha me olhando e assim que percebe que eu a percebi ela volta pra trás da folha.
- Tem alguém ai...? - Perguntei.
- Por favor não me bate de novo, eu não fiz nada, eu só tava aqui na minha folhinha.
- Calma, eu não vou te bater e me desculpa, foi sem querer. Eu não sabia que você estava aqui.
- Ah, tudo bem então. Sua energia é boa. - Sorriu ele saindo de trás da folha. - Só a do seu amigo aí que me assusta. A energia dele é pesada. Me dá medo.
- QUE COISINHA FOFA! - Ouvi minha amiga gritando saindo de dentro de mim e indo pra cima dele apertando suas bochechas.
Vou cortar o dialogo...
Depois de conversarmos um pouco, acabei chegando na história. A reação dele não foi uma das melhores...
- O QUÊ? VOCÊ É UM DOS ESCOLHIDOS? - Gritou o pequeno. tem 19 centímetros ele.
- Escolhidos? Do que?
- Do Apocalipse. Um dos que vão ficar aqui pra batalha.
- Isso é real? Porque assim... Quando eu era pequeno que eu tinha lido apocalipse e pedia nas minhas orações pra estar na Terra ao lado de Deus e tudo mais, eu não esperava que fosse real ou que fosse dar certo.
- Não importa como foi! Eu quero ficar com você. Vou te proteger. Você me aceitando como parceiro ou não, vou te proteger. Passei muito tempo nessa arvore esperando um motivo pra sair dela e finalmente achei. Vou com vocês.
Só que... Parece que alguém mais ouviu nossa conversa...
No dia seguinte eu acordei com um grito de uma criança de madrugada.
- O que aconteceu? - Perguntei. Eu sabia que não era um sonho, porque quando sou acordado por eles é diferente.
- Nossa conversa ontem... Ouviram.
- Como assim "ouviram", pirralho. Desembucha. - Disse meu amigo rosnando.
- Calma. Me explica isso melhor.
- Eu não sei o que aconteceu, mas deveria ter alguém seguindo vocês já e agora o mundo inteiro já tá sabendo de você e que "você tá montando um exercito pro apocalipse".
- Exercito? Eu só queria escrever uma história...
- Desculpa, a culpa foi minha da gente ter conversado na rua e eu nem lembrei de fazer uma barreira também.
- Agora já foi. - Rosnou meu amigo.
No dia seguinte, no meu grupo do WhatsApp grupo do tinder rs. Entrou um rapaz do DDD 81 que depois que viu minha apresentação no grupo me chamou no privado e depois simplesmente saiu do grupo. Conversei com ele e tudo mais e depois perguntei o motivo dele ter saído.
- Já te encontrei. Não preciso de mais nada no grupo. - Respondeu o rapaz.
- Eu tô falando pra você que esse viado é do babado, mas você não me escuta... - Disse minha amiga.
- Own, que fofo. - Respondi.
- Fica tranquilo que daqui, que mesmo longe eu vou estar te protegendo. - Continuou.
- Aaaah, se eu ganhasse 1 macho a cada palpite certo meu... - Debochou minha amiga.
- Posso fazer uma pergunta? Qual sua religião? - Perguntei.
- Não tenho uma religião. Acredito em Deus, mas também acredito em outras coisas.
Quando ele disse isso... Alem de confirmar que minha amiga estava certa, também comprovou que era alguém "como eu", que tem amizades assim com espíritos e tudo mais. A gente continuou conversando, ele acabou conversando com ela, mas por um mal entendido, ele sumiu. Ela disse pra ele que "Tinha que passar por ela e pelo meu outro amiguinho pra me ter"... Foi triste. Mas seguimos. Mas não acabou por aqui. Estados Unidos, Canadá, Inglaterra, Portugal... Gente de vários lugares por algum motivo conseguiam meu numero, não sei como, a gente conversava e dava no mesmo. Não a parte da minha amiga falando aquilo, mas era todo mundo do "meio".
No meio do ano, em Junho de 2018 se não me engano recebi uma ameaça aqui em casa. Cercaram a minha casa e me mandaram um "aviso"
- Pode avisar para todos esses seus amigos "Domadores" que o "exercito" de vocês não chega aos pés do nosso.
Ele tinha entrado aqui em casa com outras entidades, ameaçaram de destruir meus amigos e me mandou mandar esse recado para os meus amigos que estavam nesse grupo do WhatsApp sobre o assunto.
Depois disso fomos atrás de ajuda. Eu nem sabia que dava pra atacar alguém espiritualmente, ou melhor, eu nem acreditava que pelo espiritual poderiam ser feitas tantas coisas... Eu era recém-nascido no assunto praticamente. Não tive treinamento nenhum.
Uma amiga então me disse que tinha um grupo perto da casa dela que eram do meio. Pedi para ela falar com eles dizendo que precisávamos de ajuda e fui ao encontro deles. A diferença entre nós dois? Meu grupo e o deles? O que nós conhecemos por "Apocalipse" eles conhecem por "Ragnarok". Eles estavam dispostos a nos ajudar e chegaram até a nos propor uma "aliança" entre nosso grupo e a alcateia deles, mas... Sabem minha "amiga"? Não sei se é ela que tem as visões ou se graças a ela eu consigo ter elas, mas vimos que parte deles estariam no outro time e... Eu me apego fácil as pessoas.
- Sabe que se a visão for real, alguns deles morreram pelas nossas mãos, não é? Melhor nos afastarmos sem nenhuma inimizade pra caso venhamos a nos encontrar na rua do que algo pior venha a acontecer. Sei que vai doer mais em você do que em mim. Ou melhor, em nós. - Disse meu amigo. o que rosna
Eu concordei. Ele estava certo.
Depois disso, um amigo meu que é do "meu grupo" me disse:
- Cara, porque não vai no Reddit, cria um post contando tudo e vê se consegue encontrar mais pessoas? Tá, é uma faca de dois gumes porque pode ser que apareçam pessoas querendo nos ajudar, mas também podem aparecer pessoas que vão querer nos matar a qualquer custo! O que nós, não só nós sabemos, mas todos sabem... O tempo está próximo mesmo. Não acho que essas coisas aconteceriam a toa. Acho que custa tentar. - Disse esse meu amigo.
- O que vocês acham? - Perguntei para os meus amigos.
- Não podemos sujar nossas mãos de sangue agora, mas se tentarem machucar você, não exitarei em incorporar para te proteger. - Rosnou meu amigo.
- E se forem para nos ajudar, os ajudaremos também! Com tudo o que pudermos. Se for um boy gato eu ajudo mais ainda hihi - Brincou minha amiga.
- Antes disso eu tenho que voltar a escrever a história. Só ai vou confirmar mesmo que eu aceito meu destino. - Disse.
- Infelizmente nós dois já aceitamos o nosso. - Sorriu minha amiga dando um tapa no braço do meu outro amigo.
- Domadores até o fim?
- Uma vez domadores, sempre domadores. Não importa o que aconteça. - Sorriram.
Depois que decidi que ia fazer a história e seguir com isso, tive outro sonho, naquele mesmo lugar, com aquele mesmo homem. Dessa vez eu estava em pé.
- Tem certeza de que vai seguir em frente com isso? - Perguntou ele.
- Sim. Tenho. Se eu fui destinado a escrever essa história, a estar mesmo nessa luta, mesmo que eu vá ficar com muito medo quando chegar a hora, eu vou em frente. Sem falar que... E se essa história tiver informações que possam ajudar algumas pessoas ou avisá-las sobre o que está por vir. Se acontecer algo com elas e eu não tiver avisado, vai doer bem mais em mim do que nelas, porque eu tinha a informação, mas quis guardar elas pra poupar umas 10, então... Não compensa.
- Então está certo. Que assim seja.
E ai acordei.


E é por isso eu tô aqui. Não sei se vai aparecer o horário no post com a data tudo certinho, mas agora são 22:20 de um Domingo, dia 21/07/2019 e tá dando pra sentir uma pressão muito forte vindo do lado de fora da minha casa. Eu não ia escrever esse post hoje, nem sei até quando eu ia continuar enrolando pra escrever isso, mas... Por algum motivo... Peguei meu celular pra jogar Grand Chase e o Reddit abriu. Se eu entendi? Não entendi. E como eu sei que a vida dá dessas, então eu pensei: Porque não? Deve ser a hora.
Ps: Não adianta me chamar de louco, sei que sou. kk
Ps 2: Não vou revesar o post como eu sempre faço com qualquer texto meu que eu reviso sempre umas 3 vezes. Então, escrevi, postei. kk
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2019.02.06 04:31 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2019.02.04 21:13 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2019.02.04 21:11 orpheu272 Odisseia p.4

A Odisseia p.3 me fez refletir muito e trouxe muitas sensações nostálgicas - boas e ruins.
Após os acontecimentos relatados anteriormente, muita coisa aconteceu. Eu contei tudo sobre a ida de meu pai e eu à casa de sua outra mulher. Minha mãe ficou em choque, mas, resumindo, nada fez. Meus pais discutiram feio, porém como em um forte temporal, tudo se acalmou e o único despedaçado pelos ventos fortes fui eu.
Nossa vida seguiu como se nada tivesse acontecido. Meu pai continuava “trabalhando” nos fins de semana, e minha mãe acreditava fielmente nisso.
O ano era 2004. Na época eu estudava no Imaculada Conceição (“entra burro, sai ladrão”, essa era a piada interna de nossa sala da 3ª série) - hoje o colégio não existe mais, no seu lugar foi construído uma nova escola chamada Ativa. Minha vida seguiu e eu fui jogando todo aquele acontecimento para longe, em um lado da memória que eu pretendia nunca mais acessar. Minha rotina era como a de qualquer criança: pela manhã eu acordava bem cedo e assistia o Art Attack e todos os desenhos possíveis, almoçava e saia junto à minha mãe para o colégio que ficava duas ruas de distância de minha casa; de lá minha mãe seguia para o trabalho, em uma escola menor, três ruas atrás de onde eu estudava. Quando eu saia do colégio, subia a ladeira do IPE que dava direto a uma casa larga com dois pés de jambo na frente. Era a casa da minha avó. Lembro que eu subia aquela rua contando meus passos; meu primo sempre me esperava junto ao meu avô, na calçada. Eram tempos bons, sem preocupação e sem nenhum planejamento quanto ao futuro. Tudo o que me importava estava ali: meus avós, meu primo, meus tios, minha mãe e irmãos, aquela imensa rua e todos os meus amigos, todo o IPE que eu tinha a liberdade de correr.
(abro um parêntese aqui apenas para mostrar esse fato curioso: https://www.google.com/maps/@-5.8519077,-35.3517844,3a,75y,35.43h,93.97t/data=!3m6!1e1!3m4!1sSkt77cA6_uDfibvoWpUAiA!2e0!7i13312!8i6656 - essa é a minha avó sentada na frente de sua casa. Ao seu lado está seu vizinho, Manoel, mais conhecido como “Mané Capeta”.)
Certo dia minha mãe disse que precisávamos nos mudar. Foi uma notícia repentina. Nosso destino era Santa Cruz, cidade do interior do RN, lugar aonde meu pai nasceu e cresceu e onde, também, vivia toda a família dos meus avós paternos. Tudo isso foi uma surpresa muito boa, pois eu sempre amei aquela cidade, sempre me senti atraído por tudo o que havia lá. Santa Cruz é uma cidade impressionante, ao seu redor há serras e um clima de tranquilidade que eu nunca vi - até hoje sinto isso quando visito meus familiares que moram lá. Eu fiquei muito feliz com a notícia, embora na época não soubesse -e até não ligasse - o motivo de nossa ida. Mais tarde descobri que estávamos nos mudando porque meu pai havia contraído uma dívida alta com um agiota e outras pessoas. No desespero todos nós nos mudamos, meus pais e avós paternos.
A chegada em Santa Cruz foi interessante. Eu sentia uma paz e alívio, talvez meu inconsciente estivesse ciente de certos acontecimentos que o meu “eu” criança não estava dando muita bola. Nossa primeira parada foi na rua Mossoró, na casa de meus bisavós, os pais da minha avó Arlete. De lá, fomos para a casa que minha avó alugara para ela, meu avô e tia. Era uma casa muito comprida, três quartos, uma cozinha imensa e um quintal grande que ficava no térreo da casa. Lá nós passamos a noite, para nos mudarmos para nossa casa no dia seguinte. As coisas foram se encaixando de forma mágica: antes de chegarmos à Santa Cruz, meu bisavô conhecido como “Seu Peão” havia falado com um amigo sobre seu neto, esposa e filhos que estavam chegando para morar na cidade, prontamente seu amigo disse que tinha uma casa para alugar e que seria nossa assim que chegássemos. Eu não tenho como provar isso para vocês, mas espero que acreditem, o aluguel da casa custava R$ 80,00. Eu nunca vi isso em lugar nenhum do MUNDO! Enquanto meu bisavô fazia essa gentileza, minha tia Shyrlei, irmã de minha avó, estava falando com a diretora da escola em que ela trabalhava. Foi ela que conseguiu a entrevista para minha mãe.
(https://www.google.com/maps/place/R.+Mossor%C3%B3,+Santa+Cruz+-+RN,+59200-000/@-6.2322868,-36.017769,3a,75y,114.24h,81.89t/data=!3m7!1e1!3m5!1swyiXzeGVvR5VbUYR5tTxJQ!2e0!3e11!7i13312!8i6656!4m5!3m4!1s0x7b1fbf19b3cd5c9:0x1e3a8db953381fe8!8m2!3d-6.2332947!4d-36.016516 Essa era a nossa casa. Na época não tinha essa mureta e no lugar da pequena palmeira havia uma árvore que, como não sabíamos a qual espécie pertencia, chamávamos de “pé de pau”. Se vocês andarem para a esquerda, irão se deparar com uma ladeira - também a esquerda - e descendo ela, chegarão ao Santa Lúcia.)
Na semana seguinte estávamos em nossa casa, minha mãe trabalhando e eu com uma nova turma no colégio. Eu amava tanto aquela casa, amava tanto o canto dos pássaros, o cheiro fedido dos besouros que ficavam na árvore na frente de casa, acordar cedo para comprar o leite que vinha direto de um sítio, mas eu amava o conjunto de tudo isso e a sensação de que todos os problemas e aquela vida pesada havia ficado para trás, lá em Macaíba.
Na rua ao lado morava os meus primos, Tainã e Thiego. A minha tia Arleide, irmã da minha avó, cuidava deles, mas o único que morava com ela era Tainã, seu neto mais velho. Toda tarde, ao voltar do colégio, eu assistia Cavaleiros do Zodíaco na Bandeirantes, jantava e corria para brincar com eles e os meninos da rua. Eu amava tudo aquilo. Nós corríamos da Rua Mossoró até a praça Tequinha Farias - e minha mãe nem fazia ideia. Era comum nos finais de semana a gente subir o cruzeiro que, na época, não tinha a Santa Rita como monumento.
Santa Cruz é uma cidade católica, de pessoas bondosas e uma limpeza invejável. Eu me sinto em casa sempre que vou até lá. Lembro das ruas por onde andei, os amigos com quem brinquei e as tardes gostosas que passei na casa da minha doce a amada bisavó Helena, a mãe de meu avô (escrevo brevemente sobre ela nesse parágrafo com uma dor imensa no peito. Em algum momento falarei mais sobre você, vovó).
Mas uma coisa que me marcou em Santa Cruz não foi a sensação de fazer parte de algo ou o preenchimento que aquela cidade me dava. Foi justamente a perda que me marcou como brasa.
Dito isto, iremos iniciar uma nova aventura. Não se preocupe, estou com você, pois fui o primeiro, o original.

A jangada que leva…

Eu e meu primo Tainã éramos muito unidos: brigamos, batemos um no outro ao ponto de ficar um do lado do outro cansado no chão, mas nos amávamos como irmãos. Era minha companhia de todas as horas; andávamos aquela cidade, conhecíamos tudo que havia ali e gostávamos de explorar cada canto ainda não explorado. Tainã era luz, sempre disposto, sempre caridoso. Ele sempre estava para ajudar qualquer pessoa, independente de quem fosse. Ele era puro, verdadeiro e iluminava aonde chegava. Tainã foi meu primeiro melhor amigo. Tudo era bom quando ele estava por perto - mesmo o dia em que zoamos alguns meninos na rua e eles correram atrás de nós dois.
Uma noite de sexta todos estavam brincando na rua da casa de minha tia. Lembro que a gente estava brincando de polícia e ladrão. Acho que foi o dia que mais fiquei sem fôlego. O tempo estava fechado, mas estava quente e sem vento. Era uma noite silenciosa, mesmo com todos aqueles gritos de criança e pessoas em suas calçadas conversando. Às 20:00 me despedi dos meus amigos e do meu primo. Ainda lembro da conversa:
-Vai jogar videogame amanhã comigo, né?
-Vou. Papai vai sair pro sítio amanhã de duas horas, mas se você passar aqui eu vou com você jogar.
-Tá certo.
No dia seguinte eu almocei rápido e pedi dinheiro para minha mãe. Eu estava completamente viciado em Halo e queria logo correr para o videogame. Nesse meio tempo acabei brigando com o meu irmão, bati nele. Minha mãe estava no quintal lavando roupa e ouviu toda a confusão. Por eu ter feito aquilo, ela me proibiu de sair naquele dia para brincar, então eu chorei com muita raiva. Por volta das 14:00, Tainã apareceu na janela da sala, eu o avisei que não iria pois mãe havia me proibido de sair naquele dia. Ele então foi para o sítio junto de Luiz, seu avô (que ele chamava de pai).
Lembro que meu dia foi bem tedioso. A programação da TV aberta sempre foi ruim e a única pessoa que eu podia brincar no momento, estava emburrado comigo, além disso o tempo não ajudava nada, demorava a passar e parecia parado, monótono, cinza.
Eu não lembro bem a hora, mas foi lá pro fim da tarde, minha avó chegou na minha casa e eu fui recebê-la. Ela me gritou, pediu para que eu chamasse minha mãe e que não voltasse. Achei estranho minha avó agir daquela forma comigo, ela nunca tinha feito isso antes e era notório seu nervosismo. Como o quarto de minha mãe era o primeiro e muito próximo da sala,mesmo que elas estivessem falando baixo, eu ainda consegui ouvir “Tainã” e “morreu”.
Eu não quis acreditar no que havia ouvido. Talvez meus ouvidos estivessem pregando uma peça em mim. Era impossível. Tainã estava saudável brincando comigo na noite anterior, eu o vi vivinho horas atrás na janela de minha casa…
Minha avó foi embora em direção à casa de minha tia. Ao entrar no quarto minha mãe fez aquele ar de quem quer conversar. Reconheci na hora aquela cara de quem vem falar algo sério. Ela se sentou ao meu lado na cama, respirou, olhou nos meus olhos e falou calmamente, mesmo com sua voz um pouco trêmula: “meu filho, sua avó veio aqui pra avisar que seu primo foi levado ao hospital em Natal. Ele estava andando de cavalo no sitio, quando caiu e bateu com a cabeça, mas vai ficar tudo bem”.
A verdade é que Tainã já estava morto antes mesmo de chegar em Natal. Ele havia morrido no caminho. No sítio, ele decidiu andar de cavalo, mas a viseira não estava bem encaixada. No momento em que ele puxou, ela acertou o olho do cavalo e este deu um impulso com as patas da frente. Meu primo caiu, bateu com a cabeça justamente em uma pedrinha e sua massa encefálica saiu pelo ouvido.
Mais tarde naquele mesmo dia, fomos à casa de minha tia Arleide. Lembro que entrei, passei pela sala e fui em direção do quarto dela. No momento em que ela me viu, me abraçou. Ali foi a primeira vez que eu senti o peso da vida, das emoções, do pesar. Ela me abraçou como quem se agarra a uma esperança. Talvez ela nem estivesse abraçando Jean Filho, seu sobrinho, mas usando meu corpo para imaginar Tainã, seu neto, o neto que ela tanto amava e que não estava presente no momento de sua partida. Tudo estava parado ali. Nada funcionava; não havia voz, não havia pessoas, muito embora a casa estivesse repleta de familiares. A única coisa que existia ali era aquele abraço forte e um choro de agonia, de dor, de pranto e súplica. Minha tia não perdeu apenas um neto naquele dia. Ela perdeu um filho e uma parte de si.
A morte de Tainã marcou o fim da infância, da inocência, dos tempos bons correndo as ladeiras de Santa Cruz. Sua morte levou um pedaço de todos nós. Eu carreguei umas rosas que me entregaram; fui à frente do velório. Para todo lugar que eu olhava, tinham pessoas nas calçadas olhando, não de curiosidade, mas com um olhar triste e respeitoso. Meu primo foi muito querido em nossa cidade.
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2018.10.24 02:52 MoonGosling Na paz e sem downvotes: Vou votar em Haddad, mude meu voto

Queria fazer aqui algo parecido com o que rola no changemyview, que eu acho fantástico. Acredito que todos nós acabamos ficando presos em bolhas, e por isso venho há um tempo seguindo o brasilivre apesar de discordar da grande maioria dos posts e comentários que vejo aqui, e ser constantemente downvotado quando participo das conversas. Nesse espírito, queria propor um CMV de tempos de eleição e de véspera do segundo turno, com civilidade e debate, que é o que eu espero dos cidadãos do Reddit. Parece legal? Então deixa eu falar um pouco sobre o porque de eu votar em Haddad:
Começo dando o disclaimer que considero muito importante nesse período: Eu não sou petista e não queria esse segundo turno com Haddad. Quando faço aquele teste que lhe coloca nos eixos políticos sempre acabo ligeiramente a esquerda (muito mais próximo ao centro) e fortemente no lado liberal. Eu não tenho sentimentos negativos muito fortes em relação ao PT, mas eu acredito que a política precisa de mudança, e novas coisas precisam ser testadas de tempos em tempos para que possamos avançar em diferentes frontes. Também reconheço o sentimento de antipetismo, independente de ser ou não justo ou merecido, é um impedimento de um governo do PT, e tendo Haddad na presidência o povo provavelmente só se polarizará mais, o que é negativo para a democracia.

Mas, apesar de querer uma mudança no governo, e de não ter votado em Haddad no primeiro turno, agora eu voto nele. Primeiramente porque eu considero Bolsonaro uma ameaça à democracia, devido aos seus discursos que vem de longa data, desde quando ele disse que daria um golpe no primeiro dia, e que através do voto não se mudaria nada nesse país, até quando mais recentemente ele disse que poria um ponto final a toda forma de ativismo. Tem também o mais recente evento de seu filho dizendo que brincam que caso houvesse tentativa de impugnação da candidatura do pai, basta um soldado e um cabo para fechar o STF, e sua proposta de aumentar o número de ministros do supremo, que é uma medida tomada por autocratas, inclusive na nossa própria ditadura militar. A essas preocupações de interpretação se somam as preocupações de Steven Levitsky, cientista político de Harvard que estuda as democracias latino-americanas, e Monica de Bolle, diretora de estudos latino-americanos na universidade de Johns Hopkins, que dizem que Bolsonaro é o único dos candidatos que tivemos nessa corrida eleitoral com claras tendências autocráticas, e que o viés militarístico de Bolsonaro é o que mais se assemelha a, e nos leva na direção de, um governo chavista.
Mas e a anti-democracia petista?
De todas as críticas que o PT pode receber, ser antidemocrático não é uma delas. Foram 13 anos de governo petista sem que a democracia fosse violada. Muito pelo contrário, depois de um sindicalista e uma guerrilheira nós tivemos apenas movimentos que nos levaram para mais perto da democracia, com fortalecimento de órgãos como o MPF. Agora que seria eleito um economista (cientista político e filósofo) e professor que apresentou críticas aos raciocínios marxistas, e que já havia se posicionado, antes de ter a corrida presidencial em mente, dizendo que a Venezuela não pode ser considerada uma democracia. Se o PT tivesse, de fato, um viés antidemocrático seria impensável que ocorresse o que ocorreu durante sua gestão: o impeachment de Dilma e a prisão do ex-presidente Lula, principal figura do partido. Seria impensável mesmo sair as ruas com boneco inflável de Lula em roupas de prisioneiro, ou até ler livros com ideologias contrárias a petista, como acontecia durante a ditadura militar. O fato que tanto Dilma, quanto Lula, quanto o PT aceitaram, com suas devidas reclamações, os destinos democráticos que lhes foram dados é prova de que eles são, sim, democratas. A narrativa do golpe, por mais que eu acredite ser exagerada (como diz Steven Levitsky, eu acredito que o que houve não foi um golpe, mas sim um abuso constitucional), é uma narrativa que não passa disso: exagerada. Mas é válida, e, portanto, é justa e democrática. Antidemocrático teria sido se a força precisasse ter sido utilizada para efetuar a prisão do ex-presidente, ou se Dilma tivesse tentado alguma forma de contra-golpe para se manter no poder. Nenhum dos dois aconteceu, Haddad sequer promete dar induto a Lula, dizendo que acredita na inocência dele, e que isso será provado nas cortes.
Além de antidemocrático, Bolsonaro é uma afronta a tudo que eu acredito enquanto ser humano, sem sequer olhar para política. Ele tem diversos discursos incitando o ódio, como o mais recente e fan-favorite "vamos fuzilar a petralhada". Ele disse que a filha mulher foi uma fraquejada, que quando o filho começa a ficar "gayzinho" leva um "coro" e muda o comportamento, que não estuprava uma colega porque ela "não merece" (depois justificou dizendo que queria apenas chama-la de feia). Ele disse que "de homossexual [...] ninguém gosta, a gente suporta", que é homofóbico com orgulho, e que não ia "combater", mas que se visse dois homens na rua se beijando ia bater. A homofobia é um ponto tão forte nele que ele participou de dois documentários sobre o assunto, o de Stephen Fry, e o de Ellen Page.

Mas ele está apenas defendendo as criancinhas da ditadura gayzista do Kit Gay
Essa ditadura não existe. O "kit gay" também não. De fato, se a ditadura gayzista existisse eu seria um dos primeiros a saber, tendo vários amigos gays que nunca fizeram qualquer menção a querer que as outras pessoas fossem gays (exceto, talvez, quando eles olham para alguém que acham atraente. Tipo quando eu ou você olhamos para uma pessoa do outro sexo e achamos atraente e pensamos "nossa, como eu queria que essa pessoa fosse atraída por mim também"). Eu, sinceramente, não consigo entender a afirmação de que restaurante não é lugar para dois homens se beijarem, porque tem criança vendo. Qual a diferença entre ver dois homens se beijando e ver um homem e uma mulher se beijando? Sou da opinião do viva e deixe viver, e de gostar das pessoas por pressuposto, e desgostar caso aconteça algo que justifique isso (o motivo pelo qual acho tão intragável a afirmação de que "ninguém gosta de homossexual")

Esses discursos de ódio e inflamatórios já estão mostrando seus efeitos, com a grande quantidade de crimes de ódio perpetuados por apoiadores de Bolsonaro. Mas mesmo que não tivesse efeitos tão diretos, o ódio e o preconceito é uma das poucas coisas que eu acredito que não deve ser representada, para não legitimizar aqueles que compartilham desse ódio.

Quanto a corrupção, acredito que é um ponto de extrema importância, e tenho minhas ressalvas em relação a Haddad devido as diversos processos lançados contra ele. Não conheço bem as provas, porém, e sei que ele não foi condenado em nenhum desses processos, tendo sido inocentado já em dois (aqui um deles). Mas mesmo que Haddad seja corrupto (e dizer uma frase dessas me dói, "mesmo que ele seja corrupto"), Bolsonaro é, no mínimo, tão corrupto quanto. Ele se apresenta como o cara que vai limpar o Brasil da corrupção (uma estratégia de campanha que vem aí desde a república velha), mas passou sua vida toda de político no PP, o partido com mais envolvidos na Lava Jato (são 31 do PP contra 6 do PT). Ele também admitiu ter recebido propina e "rejeitado", devolvendo ao partido que depois deu o mesmo valor à ele, e depois justificou o fato de saber que o partido havia recebido propina dizendo que todo partido recebe. Esse último ponto é importante, porque eu sou incapaz de acreditar que uma pessoa que se justificou dizendo que "mas todo mundo tá fazendo" seja capaz de resolver a coisa que estão todos fazendo. Mais pra perto da eleição ele decidiu mudar de partido, escolhendo o PSL, que é um de apenas dois partidos brasileiros com nota 0 em transparência. Isso também torna muito difícil para mim acreditar que ele levará uma gestão transparente. Isso sem mencionar outros casos recentes, como a funcionária fantasma, a omissão de R$2.6mi em bens.

Além disso tudo, as pautas de Bolsonaro são extremamente fracas. Eu fui ler o plano de governo dele e além de mal-formatado (o que já gerou piadas o suficiente) ele passa muito mais tempo apontando falhas e dedos do que fazendo propostas de solução. Acho que em qualquer dado tópico tem uma razão de 3:1 de texto de reclamação e crítica para texto de solução. Isso se traduz em propostas que não são explicadas (como sua proposta de reduzir ministérios, sem dizer quais). Em outros pontos que ele vai mais a fundo (e mesmo o mais a fundo é bem pouco a fundo), eu sou totalmente contrário, como armar a população. Apesar de ver, entender, e valorizar o discurso das liberdades individuais, eu acho que o armamento da população é uma medida perigosa, e que quase toda literatura científica mostra como não sendo uma solução à segurança como ele propõe. Além disso, ele vai contra outras liberdades pessoais que eu acredito que tem precedência maior por serem, realmente, "mais pessoais", como a descriminalização e legalização das drogas, que era um dos pontos do plano de governo de Haddad, e que tem diversos resultados positivos, como em Portugal, que viu um aumento no número de pessoas se tratando por dependência, e a legalização no Colorado permitiu que os impostos sobre a maconha fossem usados para "o bem".

Bolsonaro propõe algo que, em minha opinião, é um ataque a educação no nosso país. O discurso de que há uma doutrinação na educação hoje é, em minha opinião de aluno de um colégio federal que teve muitos professores grevistas e fortemente de esquerda, ridícula. Inclusive, se esse fosse o caso ele não estaria ganhando entre o público mais educado que, justamente, teria passado por essa doutrinação marxista/esquerdista. Mais uma vez dando exemplo da minha escola, eu vi professores essas eleições ocupando quase todo o espectro político, de professor que votou em Boulos, até professor que votou em Amoedo. Eu acredito que o que há na educação não é uma doutrinação, e sim a simples extinção de algumas formas de pensar, que morrem quando estamos em um ambiente de intelectualidade e de compartilhamento de opiniões em que todos são iguais. Por exemplo: Acho muito improvável que você encontre um intercambista que seja xenofóbico, e, de fato, o intercâmbio é usado por algumas organizações pelo mundo justamente para combater esse tipo de pensamento. Isso não acontece porque o intercâmbio é, por natureza, doutrinador, mas sim porque quando você vive a experiência de outra pessoa em outro país, de outra cultura, quando você se torna minoria, aí você começa a ver de maneira diferente as outras culturas, e as minorias em seu próprio país. Eu acho que o mesmo pode ser dito de algumas ideologias, como o conservadorismo, em relação a educação.

Por fim, e de maneira geral em relação ao ponto de propostas, eu acredito que votar no Bolsonaro é assinar um grande cheque em branco, o que pode ser OK se você de fato olha para Bolsonaro e se sente completamente representado por ele, mas acho que não é uma opção interessante para o país como um todo.

Outros pontos comuns de debate:
Haddad foi o pior prefeito da história de São Paulo
E ainda assim ganhou prêmio da Bloomberg Philanthropies, e também da ONU, e foi considerado "visionário" pelo Wall Street Journal. Com ele S.P. teve uma série de avanços, inclusive a recuperação de mais de R$270mi desviados.

Haddad está sendo poste de Lula
De fato, também não gosto disso, mas pelos motivos que coloquei acima, ainda prefiro votar em um poste do que no Bolsonaro
Bom, gostaria agora de me colocar aberto ao debate. Acho que seria realmente interessante se vocês puderem desafiar os pontos que coloquei aqui, e trazer coisas que eu talvez esteja perdendo. Abraço.
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2018.05.05 07:59 koyaanisqatsi_guy Me apaixonei por uma colega de trabalho... e mudou minha vida.

O título já diz tudo. Vou contar brevemente essa experiência, pois é algo que eu vou precisar de muita força de vontade para superar.
Isso aconteceu um ano atrás...
Eu trabalho no mercado de comunicação, a rotatividade de pessoas entre empresas é muito grande, em um ano que consegui diversas entrevistas acabei passando por 3 empresas grandes, e na última delas eu conheci essa garota.
Foi por indicação de um amigo que eu fiz entrevista nesse lugar. E ele trabalhava com ela, não diretamente, mas no mesmo setor. Eu demorei um tempo pra notar que ela era diferente, a primeira vista foi só mais uma garota de 28 anos, linda e meio nerd. Porém, eu estava em uma fase de focar apenas no trabalho, pois sempre tive muita dificuldade com o lado social. Desde que me mudei para essa cidade decidi me envolver com qualquer garota que fosse fisicamente atraente, devido as frustrações de amar alguém profundamente, acabei me forçando a ser superficial. Isso foi me afetando aos poucos, até chegar em um ponto que eu simplesmente não via mais razão para isso, foi quando eu me afastei socialmente de tudo e comecei a trabalhar demais, o meu desempenho profissional aumentou, então decidi procurar lugar melhor, melhor salário, que no caso, foi a indicação do meu amigo.
Alguns anos atrás eu estava em uma faze em que projetava sinais e razões em tudo. Algo como me convencer a fazer algo por que música x que lembra pessoa y está tocando no momento em que eu estou no lugar z, então eu devo seguir meu "instinto" de investir naquela pessoa, mesmo se não tiver nenhuma chance.
Voltamos para o mês em que eu entrei na empresa nova, dezembro/16. Em janeiro eu estava almoçando com ela e com o grupo do setor dela, que incluía meu amigo, praticamente todos os dias. No terceiro dia meu amigo confirmou o que já se passava pela minha cabeça.
No almoço acontecia do grupo todo ter um assunto, mas eu e ela outro, não importa aonde estávamos sentados,longe, perto, a conversa era muito interessante pra ficar quieto.
Isso me deixou em completo estado de choque. Ela era simplesmente muito parecida comigo, eu ficava bugado, não sabia o que fazer.
Devido ao stress do trabalho, minha ansiedade tinha aumentado e como medida eu comecei a fazer terapia alguns anos atrás, meu terapeuta foi enfático em me dizer que eu deveria me permitir a amar e a me arriscar. Eu abracei a ideia.
Como um cara timído, nerd, com alto-estima baixa conquista uma garota? Eu não tenho a mínima ideia. Na minha humilde opinião e experiência própria isso é extremamente difícil. Mas não impossível.
Durante o processo da 'conquista' eu estava em um estado de negação a vida, pois eu achava ela atraente e interessante demais para minha pessoa. Passava horas questionando o por que do universo colocar essa pessoa em minha vida, pensando em todas coincidências que aconteceram para eu conhecer ela e de fato me interessar, era algo surreal. Mesmo gosto por música, filmes, nosso assunto preferido era realidade simulada, sério!
Eu decidi que iria ser sincero, deixar claro meu interesse e ver no que dava. Enquanto isso meu amigo e meus novos amigos da empresa comentavam que ela realmente dava sinais de interesse. Nesse ponto eu já estava imaginando coisas. Mas foi frustrante. Ela tinha acabado de sair de um namoro de 7 anos, engatado em uma relação breve de 3 anos e alguns meses antes ela tinha se envolvido com uma pessoa da empresa. Quando eu descobri isso, abri mão. Entrei em um estado de pré-depressão. Eu uso muito metro, ficava parado, esperando o vagão passar pensando em como seria mais facil me jogar ali do que esperar eu conseguir o amor dela.
Isso foi me dominando, essa vontade de querer fazer ela feliz e ver ela ao meu lado me implodia de angustia por não conseguir ver isso se concretizando. Há essa altura eu já sábia que ela não tava fazendo nem um pouco bem para mim, mas eu não estava pensando nisso, estava pensando em fazer ela feliz.
A primeira tentativa foi demonstrar interesse, coisa que fiz até demais. Chamava ela pra sair pro bar toda quinta e sexta feira, não conseguia me conter em ficar feliz com um sorriso de orelha a orelha quando ela aceitava. Era algo maior que o meu auto controle e que a minha força de vontade. Em janeiro foi o mês de colocar as cartas na mesa, eu deixei claro que me interessava por ela e queria sair apenas com ela, então, ela finalmente colocou um ponto final em tudo. Me disse que não queria se envolver com pessoas do trabalho, então contou os relacionamentos dela. Ai tudo fez sentido, finalmente, o medo de falhar que eu tinha, se tornou realidade.
É engraçado, pois foi muito aliviante. Eu finalmente tinha o não dela e com isso podia me conformar com mais um não da vida, me lembrar o por que eu focava no trabalho o por que disso. A frustração me fazia esquecer tudo e me deixava muito produtivo. Eu sempre usei tristeza, raiva e sofrimento ao meu favor.
Começou fevereiro
Nos dias seguintes, o mais absurdo acontece: ela me chama para ir na casa dela. Após o fora, eu imaginava que iria existir um silêncio e que o nosso começo de amizade iria morrer rápido, mas foi o oposto. Amizade era o objetivo dela, talvez uma amizade colorida. Mas definitivamente nada sério. Eu aceitei o convite de ir para casa dela, mas com uma consciência de que eu era apenas amigo. Conhecendo amigos que forçam beijo na balada e fazem esse tipo de coisa escrota, eu nunca iria tentar beijar ela após o fora. Ia ser muito constrangedor se ela não gostasse e isso era o fim do mundo em loop para mim.
Ela deu diversos sinais, mas ao mesmo tempo me contou como sempre teve mais amigos homens do que mulheres, eu achei que tinha lido a situação de uma maneira correta. Nesse dia eu fui o mais tapado possível, fui um amigo mesmo, não tentei nada. Depois disso, quarta feira, na sexta ela estava no bar comigo e com o pessoal do trabalho e convidou para irmos até a casa dela. Eu falei para o meu amigo que tinha interesse nela (não era o amigo do trabalho). Isso foi surreal. Um amigo de um outro ciclo de amigos tinha conhecido ela naquele dia, e ela convidou nós dois para irmos até lá. Eu não entendi nada. Fui sincero com ele, falei que estava muito interessado e que gostaria de tentar algo naquele dia. Ele foi super gente boa e foi embora uma meia hora depois.
Era isso, eu estava sozinho com ela no apartamento dela. Mas na verdade eu estava aprisionado dentro da minha cabeça não me permitindo tentar nada. Então eu não tentei. Nem cheguei perto. Falei tanto que a coitada caiu de sono. Nesse dia eu estava conformado que tinha zerado quaisquer ruídos e chances de relacionamento amoroso com ela.
Eu descobri que ela estava com receio de ficar comigo pelo nível de atenção e interesse que eu demonstrava por ela. Ela estava corretíssima, nós estávamos em sintonias diferentes ainda sim nosso radinho de pilha captava a frequência do outro sem querer. O fatídico dia foi durante um happy hour da empresa, no próprio local onde nós trabalhávamos. O fato de pensar em ver ela me dava ansiedade, então comecei a evitar. Não queria ir até o happy hour por nada, então fiquei na minha mesa trabalhando, naturalmente, quando todos já estavam se alcoolizando e socializando. Eu estaria bem ali a noite inteira, talvez angustiado mas transformando tudo em produtividade, é o que eu sei fazer afinal. Mas meu amigo tramou um plano, chamou a melhor amiga dela no trabalho e quando eu percebi estava sozinho com ela. A reação dela quando eu me aproximei? Foi virar para o outro lado.
Imediatamente voltei para minha mesa, coloquei meu fone e voltei a trabalhar como se nada houvesse acontecido. Ela me liga 3 vezes e comeca a mandar mensagens, pedindo para eu responder, perguntando se eu estava bravo. Eu falei a verdade, que não deveria mais ver ou falar com ela pois estava me atrapalhando e me fazendo mal. Era a hora perfeita para tudo acabar e eu voltar para a minha vida medíocre.
Ela então, as 2 horas da manhã me chama para ir no apartamento dela. Nunca, nem em 100 vidas eu diria não. Eu fui, sentindo que tinha atingido um objetivo superficial, quando na verdade, no meu interior, eu me preocupava com as consequências. Eu não queria encontrar ela bêbada, queria que fosse algo verdadeiro mesmo que fosse uma simples conversa.
Eis que eu fiz a maior besteira da minha vida. Eu preferi ela do que eu mesmo. Eu escolhi por fazer alguém feliz e me fazer infeliz, sem pensar ou medir as consequências. Então eu convenci ela, e a mim mesmo que eu tinha entendido a situação e que nós poderíamos ficar aquele dia e sermos amigos. Acabamos dormindo juntos, foi de fato um dos melhores dias da minha vida, não apenas pelo sexo, mas pela satisfação em fazer alguém que você ama feliz. Comecei a me alimentar daquela sensação. A relação foi cada vez mais tomando uma forma e quando eu percebi, estava ali, moldado, desenhado e exposto: Eu estava vivendo para ela.
Ela me ligava de noite, pedia para eu ir até a casa dela, eu pegava o táxi e ia na hora, não importa o dinheiro, distância, sono, nada, o que importa é fazer essa garota feliz. O problema é que durante o dia, eu sabia que ela não queria nada, então no trabalho eramos apenas colegas na perspectiva dos outros. Eu fui ficando cada vez mais interessado, fui me cedendo cada vez mais, ao chegar no ponto em que eu via que apenas ela definia quando iriamos nos ver. Eu não conseguia chamar ela pra sair e receber um sim, tinha que ser algo quando ela queria. Nessa altura do campeonato eu já estava muito perdido, a consequência da solidão batia na porta mas eu simplesmente ignorava e achava que era uma viagem minha, que tudo iria dar certo e eu iria conquistar ela.
Isso foi criando um vazio dentro de mim, pois eu sabia que ela não tinha terminado o último relacionamento dela de forma amigável, isso começou a afetar ela e consequentemente a mim, que ficava imaginando o que teria acontecido, pois ambos estavam quase morando juntos.
Então, março
O fim veio rápido como o final do feriado de carnaval. Passamos todos os dias juntos transando, conversando, mas aquela bola de neve gigante estava vindo e nós dois sabíamos, o problema é que eu tinha convencido ela que não tinha bola de neve e tava tudo bem. Um dia, ela me chamou para ir na casa dela jantar. Era meio que um big deal, pois nunca havia existido um convite antecipado como esse. Ela tinha arrumado a varanda com luzes e uma mesinha, foi simplesmente uma das coisas mais legais e agradáveis que eu já vivenciei com alguém. Infelizmente a bola de neve engoliu tudo esse dia. Claramente incomodada com a situação, com o que nós estávamos fazendo, ela ficou em um mood estranho e distante de mim. Era a primeira vez que ela fazia aquilo. Eu não entendi e tentei contornar, em um certo ponto eu soube que aquele era o último dia.
Depois disso ela se distanciou de mim, parou de falar comigo frequentemente. Eu achei que era algum tipo de mind game feminino, para eu correr atrás ou algo do tipo. Eu corri atrás e dei de cara em uma parede quilométrica. Não existia mais aquela ponte entre a gente, não existia mais nada a não ser uma tensão de quando vai ser a proxima vez que ela vai me chamar. Os pensamentos suicidas voltaram, eu já não conseguia trabalhar no mesmo local com medo de olhar no olho dela e saborear aquela sensação de que ela não me quer na vida dela, além dos meus pensamentos auto depreciativos de que eu era um bosta e que eu tinha me colocado em uma situação de merda.
A minha ansiedade piorou, tive que me ausentar um mês do trabalho por causa de crises constantes de ansiedade, comecei tratamento psiquiátrico junto com a terapia para segurar a ansiedade, não conseguia sair de casa, não conseguia fazer nada a não ser pensar nesse fracasso. Engordei 17 kg em um período de 9 meses. Eu fazia academia para emagrecer para ela me notar. Tenho 1,78 e estava com 80kg, depois disso, cheguei aos 98kg.
What a ride.
Depis de maio-abril de 2017 eu expliquei para ela que seria melhor se eu me afastasse para sempre. Bloqueei ela em todas minhas redes sociais, toda vez que via ela saia imediatamente do campo de visão dela, pois me dava crise de ansiedade. Evitava todos lugares achando que ela estaria ali. Não existia mais tranquilidade, ela aparecia nos meus sonhos, pesadelos. Eu realmente me perdi. Nunca mais vou conseguir falar com ela, perdi a chance de fazer essa garota incrível feliz. Obviamente a culpa de tudo isso é minha. Não tive maturidade para lidar e deu no que deu.
Atualmente eu lido com isso de uma maneira objetiva, que é: aprendizado. A vontade de morrer sempre vai existir, afinal, eu ainda amo essa garota. Nunca vou superar totalmente essa experiência devido a maneira que aconteceu. Eu me isolei socialmente por quase 12 meses, cheguei a excluir diversos amigos de longa data apenas por que eles namoravam. Apaguei familia de todas redes sociais, tudo me fazia lembrar de como eu era um miserável solitário que tinha falhado na única chance de conquistar a mulher da minha vida.
A única razão que eu estou escrevendo tudo isso, é por que eu preciso tirar isso de dentro de mim. Se eu realmente quero viver e tenho amor a mim mesmo, eu tenho que seguir em frente e ser resistente. Isso foi apenas um aprendizado, dos mais difíceis de toda minha vida. Eu questionava diariamente o por que de tudo isso ter acontecido. Eu nunca mais vou ser o mesmo, essa lição me mostrou muita coisa, uma delas é que eu tenho uma batalha constante com o meu eu interior. Nosso auto controle define quem somos, se você não em auto controle, possivelmente você vai se colocar em situações que podem mudar você e sua vida para sempre, eu espero que de maneira positiva.
Eu ainda tenho muito tempo pela frente para transformar o saldo dessa história em positivo. Mas o que eu queria mesmo era estar com ela.
Saudades de você, n.
TLDR;
Me iludi com uma colega de trabalho que era muito parecida comigo, fingi que estava preparado para uma relação superficial mas me apaixonei e acabei me perdendo dentro de mim mesmo. Entrei em depressão e me isolei socialmente por quase um ano, suicídio era mais aliviante do que pensar em um futuro positivo. A existência era dolorosa e pesada. Hoje eu sei que isso foi um aprendizado, daqueles fudidos que não é para a gente esquecer. Vou levar isso pro resto da vida, espero que com o tempo transforme o resultado em algo positivo.
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2018.02.16 01:56 antoniobrasileiro Sem direção...Fui traído.

Senta que la vai textão: Faz 10 anos que estou casado com minha esposa. Temos um filho de 10, namoramos pouco tempo, ela ainda era virgem, e eu já tinha vivido outros relacionamentos, (temos uma diferença de 7 anos). Quando descobrimos que ela estava gestante resolvi que casaríamos, confesso que logo no início eu apenas gostava dela, mas sabia que ela era uma pessoa boa de coração, eu já estava cansado de badalação, queria encontrar alguém pra compartilhar uma vida. Então conversamos, disse que estava disposto a casar com ela, e ela aceitou. No início foi muito difícil a convivência, pois sou um cara que gosta das coisas certas, às vezes até demais. Ela cresceu vendo sua mãe ser auto suficiente, de maneira que quando pedia pra fazer algo diferente, de outra maneira, ela achava que eu queria mandar nela, botar ordem. Nunca foi minha intenção, eu apenas queria orientá-la para que as coisas não dessem errado. A família dela é bem humilde, isso nunca foi problema pra mim, porém ela acha que minha mãe não queria que casasse com ela, acha que minha mãe sempre fala algo pra tentar machucá-la, e sinceramente tenho certeza que não é isso. Mas enfim, a questão é que vira e mexe acabamos tendo brigas por conta disso, e o mais engraçado é que a briga é por causa da minha família, que ela começa por conta desses achismos, às vezes porque acha que a madrinha do nosso filho (minha irmã) está mimando demais ele, dando muito presente fazendo as vontades. Graças a Deus as brigas que eram por nós mesmos diminuíram bastante. Eu nunca a proibi de nada, mesmo! Eu sempre a deixei fazer e comprar oque ela queria . Temos uma vida confortável, meu trabalho apesar de ser necessário que esteja constantemente viajando remunera bem, com isso ela nunca precisou trabalhar. Mas ela não é dondoca, de só ficar em casa sem fazer nada, ela me ajuda muito cuidando da casa, e agora tomando conta do negócio que montamos (guardando dinheiro) quando estou fora. Depois que nosso filho fez dois anos ela quis fazer faculdade de educação física, eu dei o maior apoio pra ela. Lá no fundo eu sabia que a desgraça viria deste curso, eu nunca disse isso a ela. Enquanto ela estava fazendo o curso eu nunca desconfiei de nada, com exceção de uma vez que ela disse que ia pra faculdade, aconteceu um imprevisto e tive que ir lá pegar ela. O campus da faculdade é bem grande, eu sabia quais eram as salas que ela tinha aula, mesmo assim eu não a encontrei. Liguei várias vezes o telefone só chamou, quando eu já estava voltando pra casa, ela me ligou, disse que estava na parada de ônibus próximo. Perguntei onde ela estava, ela disse que estava no laboratório, e eu realmente não tinha ido lá, já que não sabia onde ficava. Em 2015 sofri muita pressão no meu trabalho, pois minha empresa estava prestes a perder um importante contrato, e além disso tinha conseguido uma vaga muito difícil em curso que me possibilitaria ascender em minha carreira. Como a instabilidade na minha empresa estava crescendo, isso significava que teria que arcar com todas as despesas sem trabalhar durante 6 meses. Pra completar o cenário, a crise veio com força, e começou a surgir histórias de que o curso seria cancelado. Fiquei uma pilha de nervos, pois ficaria desempregado, não faria o curso e sem perspectiva nenhuma de emprego, pois na função que estava não apareciam vagas. Confesso que nem eu estava me suportando às vezes, eu transferi um pouco dessa pressão pra ela. No final de 2015 fui demitido, e no início de 2016 saiu a resposta que eu mais esperava, o curso seria realizado! Fiquei um pouco aliviado, mas a crise se aprofundou na minha área, e as vagas que apareciam para posições superiores também minguaram. O curso seria realizado em uma cidade onde conheci minha primeira namorada, porém, ela já não vivia mais lá, morava em uma cidade no mesmo estado porém a várias horas de distância. Além disso já não gostava dela há muito tempo, eu estava casado e minha ex namorando. Nessa cidade ainda moram muitos amigos meus de faculdade, que não os via fazia tanto tempo. Foi natural que eles me convidassem pra ir assar uma carne e tomar cerveja, sair pra um barzinho, e ir uma vez em um show. De uma vez que sai com meus amigos, passei bastante tempo com eles, meu telefone descarregou. No outro dia ela me ligou dizendo que eu tinha ido me encontrar com a ex. Durante o curso todo ela achou que eu estava fazendo coisa errada...Sinceramente depois do que descobri, queria ter feito. A verdade é que depois que casei com ela, nunca estive com outra mulher, nem mesmo beijei outra mulher. Acho que ela não acredita nisso… Durante o tempo que estava realizando o curso apareceu a oportunidade de montarmos o negócio que estamos tocando. Não tinha como eu tocar a obra de outra cidade, então ela ficou encarregada disso, com meu auxílio pelo telefone. Tivemos muitas brigas por causa das obras, porque muitas vezes ela queria fazer do jeito que ela achava, e muitas vezes errado, sendo que eu explicava tudo pra ela como deveria ser feito pra não ter desperdícios, pra não estourar nosso orçamento e nem atrasar as obras. No final das contas inauguramos nosso empreendimento, e está indo muito bem obrigado. Sempre foi meu sonho poder um dia largar meu trabalho e poder trabalhar perto dela e do meu filho, ter uma vida estável sem precisar me ausentar. A empresa inaugurou em outubro de 2016, atrasou um pouco, mas sem maiores consequências. Nesse meio tempo o curso já havia terminado, e eu estava empregado novamente na posição que o curso me proporcionou. Gente, vocês não têm noção de como eu fiquei mais leve, relaxado, aquele peso todo que sentia estava finalmente saindo das minhas costas. Algumas brigas ainda existem por conta do negócio, mas normal, nada sério, nessa parte sabemos que os assuntos do negócio têm que permanecer lá depois que fechamos as portas no final do dia. O ano de 2017 veio de uma forma muito boa, pelo menos pra mim. Teve uma vez que nos desentendemos feio. Foi ela que começou a puxar assunto sobre minha irmã, aquela mesma história que já falei, ela achar que a madrinha denga muito o sobrinho. Nesse dia senti que ela estava arrumando um pretexto pra arrumar confusão comigo, passou uma duas horas falando, e queria que eu ligasse pra minha irmã pra reclamar sobre o assunto. Não fiz, até porque era ela que estava incomodada com a situação, e além disso o filho não é só meu. Às vezes temos algumas brigas sérias por conta do nosso filho, porque ela muitas vezes espera que eu o corrija...Costumo dizer que ela só quer os momentos bons com ele...Acredito ser verdade, pois muitas vezes quando ele está fazendo mal criação, ela grita de lá: “olha marido oque teu filho tá fazendo”. Caramba, isso me dá nos nervos, quando o filhote faz isso comigo não espero por ela. Eu o corrijo na mesma hora. E ela muitas vezes não faz, ou me chama pra dar bronca. Agora nem vou mais, só faço falar: “Te vira! É teu filho também”. Antes de tudo quero que ele cresça um homem íntegro, respeitador e honesto. Aí veio agosto de 2017, meu mundo veio a baixo. A felicidade que sentia, quando estava em casa com eles, minha esposa e filho, ao vê-los correndo pela casa, quando eu estava brincando com eles na cama de fazer cócegas era muito grande. Eu dizia só pra mim: “Obrigado meu Deus por me dar tanta felicidade”. Se no início eu apenas gostava dela, naquele momento eu a amava demais. Tudo isso acabou! Descobri que ela estava me traindo com um ex professor da faculdade. E pra completar ele mora na rua de trás de casa. No início ela tentou negar tudo, dizendo que era invenção da minha cabeça. Mas eu tinha provas, e contra provas não há argumentos. Ela tentou esconder quem era a pessoa no início, tentou dizer que saiu só aquela vez que descobri...Mas aos poucos, por conta própria, descobri que ela já vinha saindo com o cara desde 2015, lembra da pressão que estava sofrendo? Pois é, e essa história toda de estarmos sofrendo pressão, foi oque ela diz ter causado a traição. Quando estive fazendo o curso, ela saiu várias vezes com ele, e depois me alegou que era porque achava que estava saindo com minha ex. Em maio de 2017 foi a última vez que ela diz ter saído com ele. Aqui eu preciso fazer um parêntese: Mais ou menos em 2013, não lembro bem a data, sério, a ex entrou em contato comigo, ai acabou que fizemos várias chamadas pelo skype, e ficamos nus um para outro. Rolou masturbação, confesso. Mas parou aí. Nunca mais encontrei com ela, e depois disso também não falei mais com ela. Logo depois que aconteceu as chamadas de skype, me arrependi muito, não é uma coisa que sinto orgulho. Mas também até eu descobrir a traição da minha esposa, eu ainda não tinha contado pra ela oque havia ocorrido. Ou seja, teoricamente, ela não teria motivos reais pra me trair, porque ela nem desconfiava. Brigamos muito, xingamos um ao outro. Eu chorei muito, ela também. Ela diz que sempre me amou, nunca deixou de gostar de mim. Que acha que foram coisas que deveria ter feito enquanto era solteira. Estamos juntos, ainda gosto muito dela...Tenho medo de perder minha família… Mas fico muito receoso de quebrar a cara novamente. Às vezes sinto que fui duplamente sacaneado por ela, porque se eu quiser me separar dela, terei que abrir mão também do meu sonho, de trabalhar perto de casa. Não existe um dia que não pense no que ela fez, no que ela pode ter feito com o cara. Me sinto muito humilhado. Estamos junto, mas por enquanto não consigo me ver novamente com ela como antes, os dois velhinhos… Ela toda curvadinha e eu segurando ela pelo braço...Cara é foda! Que vontade de chorar! Sinto meu orgulho ferido...Eu posso não ser o melhor homem do mundo, mas também sei que não merecia isso, sei que a opção de fazer foi totalmente dela, independente das pressões, brigas e dificuldades que tenhamos passado. Eu fiz uma viagem com ela agora para um destino romântico, foi legal...Mas...Depois disso tudo sempre tem o “mas”. Essa semana briguei feio com ela novamente, não estou em casa, estou trabalhando…Sinceramente não sei oque fazer. Já tentamos psicóloga, mas acho que não adiantou muito não. A verdade é que às vezes queria machucá-la, fazê-la sentir oque eu sinto às vezes. Essa semana instalei tinder e esses outros app, queria me sentir valorizado. Às vezes me vejo fazendo e dizendo coisas pra ela só pra ver se ainda gosta de mim. Me sinto ridículo quando percebo. Teve ocasiões em que até pensei em inventar pra ela que estive com a ex. Agora estou pensando em fazer uma viagem sozinho, pra um lugar bem distante quando sair do trabalho. Penso que preciso de um tempo só comigo mesmo. Queria opiniões e maneiras de pensar de pessoas que não façam parte do meu convívio. Por isso postei aqui.
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2017.12.28 17:57 brucewaynedosuburbio Oi, Reddit. Hoje me pagaram R$ 2 mil para stalkear e descobrir tudo sobre uma pessoa. Segue meu relato de como fiz isso :)

EDIT MAIS IMPORTANTE: não me desafiem :)
EDIT IMPORTANTE: galera, comecei a receber várias mensagens de pessoas interessadas e pedindo ajudaa para encontrar amigos e amores do passado. Eu não sou profissional nisso e fiz isso como hobby, não depositem suas fichas em mim não, rs.
E outra: vou viajar agora no Ano Novo e ficar um tempo fora. Então não devo responder mais nada por aqui por um tempo. Quando voltar, vejo mensagem por mensagem e se posso ajudar ou não.
Voltando ao post original
Eu trabalho com marketing digital e sempre fui bom em caçar pessoas. Fazia isso no trabalho direito a ponto de se tornar um hobby. Brotou um cliente novo? Eu usava meus recursos para descobrir tudo o que podia sobre ele: endereço, estado civil, mídias sociais, processos, relacionamentos e por aí vai.
Isso me fez descobrir coisas interessantes. Como uma pessoa que entrevistamos para o trabalho era um bolsominion expulso da Polícia Militar acusado de assassinato (surpreendentemente absolvido, apesar de tudo apontar contra ele e seus colegas e ter até matéria de jornal sobre isso). Que o novo namorado de uma colega de trabalho frequentava um fórum de acompanhantes e tinha um perfil fake para manter contato com as primas. Que uma funcionária daqui abriu uma empresa no nome do marido e estava usando informações privilegiadas nossas para concorrer conosco em pequenas licitações.
Minha fama acabou crescendo um pouquinho até chegar em um amigo de um colega de trabalho. A missão que ele me passou? Encontrar um amor dele do segundo grau. Achei meio obsessivo, mas o cara me disse que só queria saber como ela estava, como eles haviam perdido completamente o contato por terem se formado ainda nos anos 90, sem os benefícios da internet e tal. Ele tentou contratar uma firma de detetives, mas os caras não descobriram nada com as informações que ele passou. E ele ainda morreu uma grana boa com eles.
Ele veio falar comigo e pensei, por que não? Como nunca tinha feito isso na vida, ofereci receber APENAS se descobrisse alguma coisa, apesar de geralmente rolar um adiantamento nesses casos. Segue como fiz.
Disclaimer importante: nada aqui é garantia de que vocês terão algum resultado seguindo essas dicas. Algumas pessoas têm uma pegada digital ínfima por conta da idade ou da natureza de seus afazeres profissionais/acadêmicos.
Informações que recebi: primeiro nome, um dos sobrenomes, bairro onde a pessoa morava e supostamente ainda morava, uma foto dessa pessoa no fim dos anos 2000 em uma reunião de ex-alunos dessa escola. Ele também sabia que a pessoa em questão fazia aniversário em maio. Ele desconfiava que ela havia passado para algum curso de Letras de faculdade pública do Rio de Janeiro ainda no fim dos anos 90.
Primeira fonte: o Facebook: perguntei ao cara se ele conhecia alguém de confiança que morasse no mesmo bairro que ela. Ele tinha. Essa pessoa me cedeu sua senha e login no Facebook temporariamente para ajudar na busca. A combinação de nome + sobrenome que ele tinha não dava resultado algum. Provavelmente ela usava outro sobrenome.
Aqui eu tinha duas alternativas: a mais correta, que era pegar esses dois nomes que ele tinha e consultar o registro de aprovados no curso de letras nos anos que ele indicou (1998/1999) ou visitar a antiga escola dela. Seria o método mais fácil para descobrir o nome completo dela, mas também me tomaria tempo e gasto de ficar indo fisicamente nas universidades e na escola para consultar esses registros. Eu não queria tirar a bunda da cadeira, então foi na força bruta.
Eu chutei algumas dezenas de sobrenomes. Comecei calculando o numero de perfis que acessei numa única manhã e parei de contar quanto já estava na casa dos 200. Acho que estava na casa dos 300 quando encontrei pela foto.
Páginas curtidas, fotos curtidas pela pessoa: vamos chamar a pessoa de Karen. Karen tinha um Facebook bem monótono. Parcialmente fechado, com menos de 200 amigos e pouquíssima atividade. Isso é um empecilho fodido, mas vamos lá: com a user ID dela, você consegue checar as fotos que ela curtiu a partir do link https://www.facebook.com/search/INSERIR_NÚMERO_DA_ID_AQUI/photos-liked . Também acompanhei as curtidas dela.
Assim, descobri que ela era espírita e seguia as páginas de alguns centros espíritas. Nos comentários de fotos dela - as poucas abertas - vi pessoas mencionando encontrá-la no tal centro espírita, mas sem mencionar o nome dele. Chequei as fanpages de todos os centros e revirei as fotos dos eventos até descobrir que não só ela era membro assídua de um deles, mas também era médium de um deles. Consegui até para ele os horários em que ela atendia no centro.
Pelas páginas curtidas, também descobri um bocado sobre ela: que ela tinha um filho, que ela era espírita e de esquerda, que ela fora abandonada pelo marido. que seguia várias páginas de concurseiros, que gostava de ler literatura hot, que aparentemente sofria de depressão.
Nosso amigo Google: sabendo o primeiro nome dela, o sobrenome que esse cliente lembrava e o que ela usava no Facebook, juntei os três para fazer algumas combinações de pesquisa no Google. Sempre usando aspas e tentando fazer diferentes buscas.
"Karen" "Santos" "Amoedo"
"Karen dos Santos" "Amoedo"
"Karen Amoedo" "Dos santos"
Como eu sabia o ano aproximado em que ela nasceu e o suposto mês, jogava a data junto também com um dia aleatório: "13/05/198X".
Não demorou muito para rolar o bingo. Karen dos Santos Souza Amoedo, nascida em 24/05/198X. A informação veio na lista de aprovados de um concurso público de alguns anos atrás.
A partir daí, foi uma chuva de resultados. Descobri as exonerações e contratações dela em diferentes cargos federais e estaduais por conta dos Diários Oficiais, que ela foi assistente administrativa em uma faculdade daqui por alguns anos, passou em outro concurso e migrou para outra instituição.
A partir dos editais de cada concurso e o LoveMondays, identifiquei também o salário estimado que ela ganhava em cada um deles sem grandes dificuldades.
O Google retorna muita coisa boa. Registros em cartório, processos, empresas no seu nome, uma caralhada de coisa. Numa dessas buscas, encontrei o perfil dela no Youtube, que era aberto e tinha várias informações de coisas que ela gostava: hobbies, canais sobre depressão e espiritismo, plano de estudos para concursos públicos e por aí vai.
CPF é seu amigo
Hoje, é muito fácil no Brasil você consultar informações de pessoas por CPF em sites como o CC Fácil. Seu próximo passo então é descobrir o CPF da pessoa em questão.
Aqui é muito 8 ou 80. Muita gente tem o CPF largado pela internet por milhões de razões: alguma citação em ação judicial, diário oficial, burrice, uns bancos cadastrais que se encontram por aí. O meu, por exemplo, não está disponível em lugar algum.
No caso dessa pessoa em questão, jogar o "Karen dos Santos Souza Amoedo" (lembrando que o nome é fictício :) ) rendeu algumas dezenas de resultados e, num deles, havia o CPF da pessoa em questão. Fui lá eu no CC Fácil fazer a consulta.
Tem duas coisas SUPER importantes sobre o CCFácil:
O resultado? O endereço de casado dela, o atual endereço, o celular, o telefone fixo, alguns detalhes sobre a vida financeira dela.
A interpretação das informações: só nessa brincadeira aí já estava terminado o serviço, mas decidi ir mais a fundo e ver o que mais conseguia descobrir. Muita coisa é subjetiva e fruto de algumas migalhas de informação que a gente precisa interpretar, é quase como contar uma história mesmo.
Eu consegui acertar o perfil básico dela quase que por inteiro. A conclusão que cheguei foi que Karen casou-se com 20 e poucos anos, teve um filho e se separou em algum momento. Não consegui descobrir o nome do cônjuge, mas acho que poderia ter ido mais longe se recorresse aos cartórios da região. A depressão veio depois da separação, aparentemente com o filho ainda pequeno (hoje adolescente).
Pela descrição que ele me deu, ela parecia pouquíssimo religiosa nos tempos de escola. Concluí que a religião foi a forma que ela encontrou de enfrentar a depressão. Ela jamais exerceu a profissão pela qual se formou, se limitando a fazer vários concursos públicos para assistente administrativo, sempre mirando bem baixo. O salário mais alto da carreira dela foi R$ 2700~R$3100, já com as gratificações inclusas, pelo que consegui achar.
Ela conseguiu manter o peso após a gravidez, pelas fotos que encontrei. Mas a separação e a possível depressão fizeram ela engordar bastante. Ela também seguia várias páginas de comida orgânica e dietas saudáveis, mas não parecia estar fazendo muito efeito.
O que mais consegui?: liguei para a entidade pública onde ela trabalhava me identificando como funcionário dos Correios. Queria confirmar o endereço dela e a unidade daquela repartição onde ela trabalhava, já que era uma instituição bem grande. Falei que tinha uma encomenda no nome dela como endereço errado e que seria devolvido ao remetente, mas que aquele era o único telefone de contato. Nego se desdobrou e conseguiu me passar exatamente onde ela trabalhava e o ramal dela. Essa instituição tem várias unidades diferentes espalhadas pela cidade.
Queria confirmar o endereço que havia descoberto pelo CPF, mas também quis testar a ingenuidade dela. Dei outro endereço próximo no bairro em que ela mora, dei o nome do remetente como uma loja de apostilas de concursos públicos (com base nos interesses dela que escavei). Ela acreditou na hora e me passou o endereço certo, confirmando o segundo endereço que recebi na consulta da CC Fácil. Talvez o primeiro fosse dos tempos de casada.
Além disso tudo, com uma foto taggeada de uma amiga, descobri a escola onde o filho dela estuda. E que ele é meio geek/otaku (imagina se o cara tá no sub, hehe).
Acertei tudo? Da minha interpretação, só errei o espiritismo como válvula de escape para a depressão após o fim do casamento. Na verdade, o espiritismo foi a resposta que ela encontrou para a morte do pai há alguns anos.
Por que estou postando isso aqui?
Várias razões:
Sim, é meio creepy. Bem creepy, na verdade. Mas eu fiquei satisfeito com o resultado e espero que os dois se deem bem. E que ele não seja um psicopata ou mate ela, senão vou ficar com uma dor na consciência fodida. Mas pelo menos ganhei R$ 2 mil por basicamente um dia de trabalho :)
Vai funcionar comigo?
Aí vai um depende gigantesco, como eu disse lá em cima. Eu tenho uma vida bem ativa nas redes sociais e me recrimino por isso. É bem fácil saber bastante sobre mim e descobrir coisa sobre a minha vida. Mas a minha esposa, por exemplo, tem uma pegada digital mínima. Trabalha na iniciativa privada, em uma empresa pequena, não tem empresas no seu nome, não faz concursos públicos, não tem uma profissão que coloque o nome dela na internet repetidamente, não é chegada às redes sociais.
Se meu alvo em questão fosse a minha esposa, provavelmente eu não conseguiria porra nenhuma. Minha dica? Se vocês têm algo comprometedor e querem esconder, ou até simplesmente querem proteger sua privacidade, comecem a buscar essas informações sobre vocês disponíveis por aí e apaguem elas. Se você quer encontrar alguém, é só ser perseverante. A internet é um mar de informação.
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2017.10.27 23:56 KoboGlo Os comentários que mais receberam downvote no sub

Exclui os comentários que foram deletados, clicando no autor vocẽ vai para o post.
Nuvem(needs more jpeg) dos 10 usuários que mais comentam e eu.
Por favor, me deem um toque se eu estiver fazendo spam.
Autor Comentário Score
Gr4nc_vive Muito fácil culpar os pais pela própria falha, se não tá contente com a forma de agir da mãe que arrume um emprego e se mande, é cada uma que me aparece. -171
Gr4nc_vive Claro que não, cara, vocês são uns chorões dá porra, passam o dia procurando culpados pela própria falha e não percebem que o problema é vocês mesmo, ou é a sociedade que oprime, ou são os pais, se você deixa o externo moldar a forma como você é, você é uma pessoa fraca, cordeirinho. -122
rubemll Não sei se isso vai acabar (E acabar com os gameplayers seria uma boa, não passam informação relevante, é um tipo de conteúdo completamente fútil e inútil), mas acho que já está fazendo muita gente rever essa mania maluca de querer alta definição em tudo.Assistem TV 480i boa parte do tempo, mas na hora de um conteúdo irrelevante como filme e vídeo do YT querem 1080p, vai entender, só consome mais banda a toa.(Áudio lossless que é bom esse povo não procura, porque nem sabe o que é isso. Se fazer upscale de 720p pra 1080p e postar assim muito noob assiste 1080p felizão e elogia a qualidade, é pura fachada essa necessidade de altas resoluções, tenho sérias dúvidas se 90% dos baixadores de fullHD notariam a diferença de uma exibição 720p pra 1080p) -100
miasma55 Ri mais do que deveria.Edit: quanto mais você downvota, mais eu rio da situação. -98
rubemll Alguns nazistas matavam judeus só por entretenimento.Tem uns playboy retardado que tacam fogo em mendigo só por entretenimento.Se é só entretenimento então tá liberado.Desde que os Direitos Universais do Homem estabeleceram que todo mundo tem direito a alimentação, segurança, moradia e etc, a prioridade deveria ser melhorar o mundo até que isso seja alcançado, e jogar joguinho inútil não ajuda em nada pra isso. Dia que o mundo todo tiver equalização de acesso à renda, alimentação e informação, aí tá liberado gastar o tempo extra com futilidades inúteis só pra entreter.As coisas precisam ter uma utilidade mais nobre, "só entreter"" é coisa pra neanderthal egoísta que não sabe enxergar o mundo ao redor. Se tem gente que se entretêm pesquisando, publicando e estudando conteúdo pra melhorar o mundo, porque vai defender esses pirralhos egoístas que se entretêm só com o que afeta apenas a própria bunda?" -93
Donnutz Levy Fidelix -89
Eonporter Um salto de marcha ré... bem vindo de volta à Roma pagã.EDIT: Mas pelo menos houve uma votação democrática. O que nos tempos atuais já digno de nota. A Irlanda está se enterrando, mas pelo menos é voluntariamente. -88
Megabyte_2 M–mas... só tem gente de bem no Brasil! Só gente trabalhadora! -88
CadeOCarimbo 1) Acho que ninguém aqui do sub participou da organização, então é meio vazio dar os parabéns a nós. 2) Melhores olimpíadas da história? Vc tem acompanhado as notícias? Austrália, Argentina e Jamaica reclamando das condições físicas, um fotógrafo europeu teve 40k usd de equipamentos roubados, atletas australianos e espanhóis assaltados.. -74
missurunha Um corrupto a menos, pena que não ficou preso.edit: ta vindo uma chuva de downvotes e metadrama, mas em momento algum comemorei a morte de desse cara. Me lembrei de um caso que aconteceu aqui no pais onde eu moro. Na fronteira é obrigatorio ter placas em dois idiomas, o do nosso pais e o do outro lado. O prefeito da cidade ao lado era meio xenofobico e nao queria colocar essas placas, o cara lutou ate a morte para nao escrever nada em outro idioma no pais dele. Certa noite ele voltava para casa embriagado, bateu o carro em uma dessas placas e morreu. Ninguem comemorou, mas absolutamente ninguém ficou triste. :)abs -74
RandyLiddell Nojo é essa cambada de 'adultos' sem responsabilidade pelos seus atos, que quer transar sem protecao e depois fazer aborto. -73
DarQuinaite Tá cheio de gente perdendo mãe e avó todo dia, agora porque uma famosa aleatória perdeu o fim de ano ficou uma bosta? Não consigo entender o psicólogo do povão que faz a vida dos famosos algo pessoal. -70
Dronnie Caralho, ri mais do que deveria. Como assim o cara consegue imobilizar o bandido e acaba sendo espancado? Parece plot de filme besteirol americano. -70
VictorPictor Vc sabe que o DOPS já existia antes da ditadura e que continua existindo até hoje em vários estados né? Sem pelo menos a data das fotos, a suspeita de que estas crianças tenham sido fichadas, ou mesmo presas, recai sobre qualquer governo entre 1924 até o fim da ditabranda. -70
Lffaz Lamentável é cooperar com o imperialismo e querer interferir na política interna de um país soberano cujo líder foi eleito legítimo e democraticamente, sendo uma das últimas resistências ao neoliberalismo destrutivo promovido pelos estadunidenses. -69
ilIuminattl Downvotado pelo race baiting. Quando o policial é negro, quando a vítima é branca, ou quando o agressor é negro, não falam de raça e até condenam quem menciona a raça dos envolvidos. Quando é o contrário, BLACK MAN WHITE COP etc etc. Não mencionem as raças quando não tem relevância, ponto. -68
merdalsd Tem que denunciar. Cadeia nelas. -68
parallel_life Bem típico dos autoritários cercear manifestações de opiniões diferentes mesmo, nem que seja com tinta. A próxima atitude será pintar os livros de branco? -68
SilvioSantos2018 É difícil explicar, pois se trata mais de uma sensação. A questão é que é ridículo, cara. Não percebe isso? Ficar de choradeira por causa de imposto em videogame? Fico abismado com a infantilidade do pessoal daqui (apesar de que eu ainda goste desta comunidade).Videogame tem que ter imposto alto sim. Bora crescer e acordar pra vida, gente. -68
yakissopa E eu com isso? -68
c4vitesse Que perseguição. Nada disso vai diminuir a quantidade de inscritos dele. -67
Lffaz Mensagem clara do STF: não vai ter golpe.Moro tem que ser exonerado por colocar em risco a soberania nacional. -67
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