Não dando um trabalho espaço homem

Quando um homem não quer ficar perto de uma mulher, ele arruma desculpas de que precisa de espaço. Que precisa de um tempo. Ele pode dizer isso diretamente (quando ele diz que não tem certeza sobre o que sente), ou indiretamente (quando ele diz que precisa se concentrar no trabalho ou na faculdade). Devemos nos preparar para estabelecer os alicerces de um espaço verdadeiramente humano, de um espaço que possa unir os homens para e por seu trabalho, mas não para em seguida dividi-los em classes, em exploradores e explorados, um espaço matéria-inerte que seja trabalhada pelo homem, mas não se volte contra ele; um espaço Natureza social ... A partir do momento que existe bastante ciúme e controle por parte de um homem, isso é um relacionamento abusivo. Tome cuidado com isso, caia fora nesses casos. Mas calme, só estou de dando um conselho. Não estou dizendo que VAI ser assim. Então não fique com aqueles joguinhos de desinteresse e de que existem outros homens atrás de você. Uma das contribuições importantes é feita por Harvey (2001) apud Braga (2007), para ele 'o espaço é tido como construção do homem e não como algo dado; é o seu cotidiano' (p.69). ... A relação espaço-sociedade no mondo contemporâneo Se observarmos o desenvolvimento e produção do espaço ao longo da história, podemos perceber que este está em contínua modificação, tendo em vista que a relação entre o homem e o espaço apresentam a partir das práticas espaciais produzidas e manifestadas em âmbito social. Não só isso, as notificações do celular podem ser incrivelmente perturbadoras nas horas extras de trabalho “tão necessárias”. Então quando um projeto é bem sucedido, ao invés de aproveitar a sensação de um trabalho bem feito, você falsamente se convence que falhou porque teve que trabalhar demais para finalizar o projeto. Se um homem realmente quer você em sua vida, ele provavelmente vai arranjar tempo para um relacionamento, não importa quão ocupado ele seja com o trabalho. Ele pode se afogar em trabalho e responsabilidades, mas sempre encontrará uma maneira de vê-la de acordo com uma programação da sua agenda.

A segunda vida de Jon Snow

2020.07.02 04:49 altovaliriano A segunda vida de Jon Snow

ENTERTAINMENT WEEKLY: Então, por que você matou Jon Snow?
GRRM: Ah, você acha que ele está morto?
ENTERTAINMENT WEEKLY: Bem, eu acho. Sim. Foi assim que eu entendi. Do jeito que foi escrito, parecia que ele estava mortalmente ferido - e, sabe, é você [escrevendo]!
GRRM: Bem. Não vou falar se ele está morto ou não. [...]
21/07/2011
Graças à série da HBO, hoje temos certeza que a história de Jon não termina em A Dança dos Dragões. Na TV, depois de assassinado, Melisandre trouxe Jon de volta a vida quase que instantaneamente. Porém, temo motivos para acreditar que o mesmo não ocorrerá nos livros.
A Dança dos Dragões começa com o POV estranho de Varamyr Seis-Peles morrendo. No meio de detalhes sobre as consequências da derrota de Mance, sua relação com seus animais e memórias de sua vida, Varamyr nos conta que um troca-peles passa a habitar seu companheiro animal quando morre.
É a primeira vez que ouvimos falar sobre a "segunda vida". Exatamente no mesmo livro que Jon é morto. E a última palavra sussurrada por Jon Snow antes de morrer é justamente “Fantasma”. GRRM queria ser pouco sutil. Talvez para que não pensássemos que o ganho [cliffhanger] fosse se Jon estava morto ou não, mas o que aconteceria com Jon uma vez que entrasse em Fantasma.
Portanto, quando falamos na segunda vida de Jon nos referimos ao tempo em que Jon habitará Fantasma.
Os prenúncios [foreshadows] que temos são de que esta situação não será permanente. Melisandre tem uma visão nas chamas em “primeiro ele era um homem, depois um lobo, no fim um homem novamente” (ADWD, Melisandre). Assim, há uma indicação que Jon voltará a ser humano depois de um tempo.
Mas quanto tempo seria? Menos de uma semana? Várias semanas? Meses? Segundo A Mais Precisa Linha do Tempo, os eventos em A Dança dos Dragões ocorre em um lapso de tempo de aproximadamente seis meses. Dessa forma, penso que este seria o limite temporal máximo em Ventos do Inverno. Ninguém pensa que Jon ficará o próximo livro inteiro no lobo. Então tem que ser menos do que isso.
O ínterim que fera e homem dividirão o mesmo corpo tem implicações muito relevantes. O espaço de tempo teria relação direta com o estado de decomposição de seu corpo.
Existem um consenso de que o corpo de Jon seria jogado nas celas de gelo na Muralha. A razão disse é que Jon pediu que a neve que barrava o acesso à celas fosse limpa e que havia cadáveres de selvagens lá, à espera de que voltassem a vida para estudo:
Os cadáveres. Jon quase se esquecera deles. Esperara aprender algo dos corpos que trouxera do bosque de represeiros, mas os mortos haviam teimosamente permanecido mortos. – Precisamos desencavar essas celas.
(ADWD, Jon XIII)
Ao ter atirado esses cadáveres nas celas, Jon pode ter colocado na cabeça de Marsh e outros intendentes que ali era um bom local para manter corpos que pudessem se levantar. Não que Marsh suspeite que Jon vá ressuscitar, mas seria um bom local para isolar um corpo do resto da Patrulha.
De fato, ao mesmo tempo em que as celas são o local ideal para preservar um corpo, o acesso às celas é barrado pelas nevascas de Inverno, sendo necessário “dez intendente e dez pás” para o serviço. Além disso, o trabalho teria que ser renovado, até mesmo para que eventuais prisioneiros continuem vivos:
– Essas celas estarão enterradas novamente pela manhã. Melhor tirarmos os prisioneiros antes que sufoquem.
(ADWD, Jon XIII)
Portanto, um corpo jogado nas celas de gelo seria conservado tanto pelo frio quanto pela limitação da quantidade de ar disponível. Fica claro que Martin está dando dicas de que o ambiente perfeito para que os motineiros abandonem o corpo de Jon, tirando-o de vista de todos e obstando o acesso a ele.
Ao mesmo tempo, o corpo decomporia muito lentamente, o que possibilitaria Jon retornar a seu corpo com poucas modificações em suas feições. Eu, pessoalmente, até acredito que ele se tornaria pálido, suas mãos e pés ficariam pretos em razão do fluxo de sangue que ocorrerá enquanto o corpo não for reanimado e os ferimentos das punhaladas nunca cicatrizarão por completo.
Fora a decomposição do corpo humano morto, a outra consequência do tempo que Jon ficará em Fantasma é o que Jon faria ou presenciaria enquanto estiver no lobo.
No Casamento Vermelho, sabemos que os homens Frey correram para matar Vento Cinzento, que foi libertado por Raynald Westerling (AFFC, Jaime VII). Poderia algo semelhante ocorre durante o Motim em Castelo Negro? Existe um troca-peles recém-chegado na Muralha que pode ter a sensibilidade de perceber que Jon está vivendo agora em seu lobo e correr para libertá-lo antes que os motineiros se lembrem de Fantasma.
Entre os cavaleiros, vinha um homem a pé, com um grande animal trotando em seus calcanhares. Um javali, Jon viu. Um javali monstruoso. [...].
Borroq. – Tormund virou a cabeça e cuspiu.
Um troca-peles. – Isso não era uma pergunta. De algum modo, ele sabia.
(ADWD, Jon XII)
Borroq, inclusive, já havia sido prenunciado no prólogo de Varamyr, quando ele conta sobre um encontro de troca-peles que ele presenciou quando tinha 10 anos de idade:
[…] Haggon o levou a um encontro. Os wargs eram os mais numerosos no grupo, os irmãos-lobos, mas o garoto achou os outros estranhos e mais fascinantes. Borroq se parecia tanto ao seu javali que só lhe faltavam as presas, Orell tinha sua águia, Briar, seu gato-das-sombras (no momento em que os viu, Lump desejou um gato-das-sombras para si), a mulher-cabra Grisella…
(ADWD, Prólogo)
Ele demonstrou saber dos poderes inconscientes de Jon, ser cordial com o Lorde Comandante e ter em mente um senso de urgência em relação a ameaça que os Outros representam:
– Irmão – disse Borroq.
– É melhor você ir. Estamos prestes a fechar o portão.
– Faça isso – Borroq falou. – Feche bem e apertado. Eles estão vindo, corvo. – Sorriu o sorriso mais feio que Jon já vira e seguiu para o portão. O javali seguiu atrás dele. A neve que caía cobriu seus rastros.
(ADWD, Jon XIII)
Foi Borroq quem deu a deixa para Jon Snow falar da Carta Rosa no Salão dos Escudos, após o Lorde Comandante falar que Tormund seguiria para Durolar:
– E onde você estará, corvo? – Borroq trovejou. – Escondido aqui em Castelo Negro com seu cachorro branco?
– Não. Eu cavalgarei para o sul. – Então Jon leu para eles a carta que Ramsay Snow escrevera.
(ADWD, Jon XIII)
E é Borroq a razão pela qual Fantasma não estava presente no Salão dos Escudos:
Fantasma o teria seguido também, mas quando o lobo começou a caminhar atrás dele, Jon o agarrou pelo cangote e o arrastou para dentro. Borroq poderia estar entre os reunidos no Salão de Escudos. A última coisa que precisava agora era seu lobo atacando o javali do troca-peles.
(ADWD, Jon XIII)
Entretanto, o javali de Borroq também não estava presente:
Borroq estava recostado contra uma parede em um canto escuro. Felizmente, seu javali não estava em evidência em lugar algum.
(ADWD, Jon XIII)
Assim, Borroq pode muito bem ter saído do Salão para procurar seu javali após o discurso de Jon, para acompanhar o Lorde Comandante e ter acompanhado o motim de longe. Isso daria tempo hábil para que o troca-peles chegasse a Fantasma antes dos motineiros e o libertasse.
Uma vez solto, Fantasma conseguiria muito bem passar despercebido. O lobo gigante é conhecido por não produzir quase nenhum som, sendo extremamente furtivo. Por outro lado, sua pelagem branca fornece uma camuflagem ideal para a neve que agora caí aos borbotões em Castelo Negro. Em outras palavras, Fantasma poderia escolher tanto partir para longe quanto espreitar nas redondezas.
Mas o que Jon-Fantasma faria longe de Castelo Negro? Partiria para Winterfell e tentaria matar Ramsay? Ou ficaria no Castelo espreitando o motineiros? Borroq o levaria a algum lugar específico? Jon tentaria ir para algum dos castelos para os quais enviou seus amigos, a fim de obter ajuda deles? Procuraria Melisandre? Seguiria ao Sul para se unir a Nymeria? Bran entraria em contato? O corvo de Mormont o guiaria?
GRRM tem experiência em escrever capítulos dos pontos de vistas de lobos, mas este seriam capítulo bem trabalhosos. Eu, pessoalmente, veria acharia interessante se Jon deixasse de ser um personagem POV, mas dificilmente isso ocorrerá.
O mais capaz é que Martin entre em capítulos extremamente detalhados e complexos de Jon percebendo o mundo através dos olhos de um animal, enquanto sua consciência desvanece lentamente dentro do bicho. Porém, isso não indica que os capítulos de Jon serão chatos. Há alguns eventos que podem render bons conflitos mesmo dentro do lobo gigante.
[SPOILERS de Ventos do Inverno]Jeyne Poole está vindo para Castelo Negro sob o disfarce de Arya. Como Jon morto, mesmo que ele perceba a farsa, não poderá contar a ninguém. Isso pode dissuadí-lo de tentar enfrentar Bolton e fazê-lo mudar de rumo. Ou ele não conseguiria entender a situação do ponto de vista de Fantasma?
Por outro lado, caso permaneça nas redondezas, como Jon-Fantasma reagiria à queima de Shireen? Tudo indica que este evento ocorrerá enquanto ele estiver “morto”. Fantasma tentaria intervir? Ele conseguiria entender a situação estando dentro do lobo?
Por fim, existe a possibilidade de que os Outros cheguem a Castelo Negro antes que Jon consiga ser trazido de volta a seu corpo. Nestas circunstâncias, seu corpo poderia ser reanimado pelos Outros, enquanto sua consciência ainda estava dentro de Fantasma?
Eu tenho uma suspeita de que os Outros não conseguem reanimar troca-peles, pois no prólogo de A Dança dos Dragões, Varamyr vê o corpo reanimado de Cynara como retorna ao acampamento já vivendo uma segunda vida em Um-Olho, mas não vê seu próprio corpo perambulando morto-vivo.
Talvez os Outros necessitem que as consciências ainda estejam no corpo para reanimá-los, o que explicaria Varamyr ter visto seu próprio corpo (e criaria uma boa justificativa futura para os Outros não conseguirem ressuscitar corpos mortos há muito tempo – como aqueles na cripta de Winterfell ou no cemitério de Castelo Negro).
O que vocês acham destas questões?
(Na próxima “Quarta de Ventos do Inverno”, pretendo escrever sobre o método de ressurreição em si, seus efeitos sobre Jon e o que ele fará após ser ressucitado)
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2020.06.06 06:11 Davizaqui Eu sou babaca por dizer que odeio a minha mãe?

Olá Luba, turma, editores, gatas, e possível convidado. Eu não sei mexer muito bem no Reddit mas tô mandando minha história pra saber a opinião de vocês pois preciso saber o que fazer depois de tanta confusão... E antes de tudo desculpa os erros de português e se alguém tiver alguma confusão pra entender, pois eu vou explicar tudo com detalhes pra ninguém ficar se perguntando como aconteceu algo ou porque aconteceu. Pra começar todo mundo tem que sabe o seguinte pra entender a história mais a frente. Eu sempre morei com meus avós maternos desde o momento em que eu nasci, e com eles ainda moravam duas tias minhas, a minha tia favorita que considero minha mãe e outra que eu também amo demais. Eu não faço a mínima ideia de quem seja meu pai, pois quando minha "mãe" estava grávida da minha pessoa, eles se separaram e minha "mãe" veio pra o nordeste, me teve aqui e me deixou com meus avós, junto com minha irmã de 2 anos que ela deixou também. Obs: ela voltou pra SP quando eu tinha somente 3 meses de acordo com o que me contam, enfim... Eu nunca me dei bem com a minha "mãe" (vou chamar ela de Mals), sempre que a Mals vinha aqui a gente brigava, sem excessões, eu acho que eu não tenho o direito de bater nela, mas eu também acho que ela não tem o direito de falar nada comigo já que não me criou, uma das nossas brigas foi tão intensas que ela chegou quebrar uma vassoura em mim e eu um guarda-chuva nela kkkkk, eu era muito criança, muito infantil, hoje com 19 anos vejo que eu era um babaca mirim lembrando das coisas que eu fazia. Em 2013 a Mals veio buscar minha irmã pois ela tava dando um certo trabalho, estou contando isso pois vai ser importante na frente. Eu fui crescendo, melhorando, me tornei um adolescente bacana, penso isso de acordo com o que os mais velhos falam sobre mim, enfim... Eu comecei a ir em SP todo ano desde 2015 por chamado da Mals durante minhas férias, nada aconteceu durante os 2 primeiros anos, pois eu com 14 já tinha um pouco mais de neurônios, mas já de 2017 em diante nossos desentendimentos voltaram, alguns dos motivos era o meu padrasto (ele já tava com a Mals desde 2008 mais ou menos e eles tiveram uma filha), ela ter virado protestante e permitir demais que a pastora desse opiniões sobre nossa família e principalmente por ela cagar pra família em relação aos irmãos dela, só ia atrás pra pedir dinheiro emprestado. Em 2019 eu fui pra SP com minha avó, a gente ia no final de 2018 mas infelizmente meu avô faleceu em outubro e a gente teve que cancelar a viagem (eu pensei que meu mundo ia acabar, sério, eu nunca imaginei que fosse tão ruim a sensação de perder alguém). Sempre eu e vovó vamos para a casa da Mals pois ela não deixa a gente ir pra casa de nenhum outro irmão dela sendo que são 10 filhos de vovó em SP, e por ser na casa dela que a gente sempre tá os filhos da minha vó tem que ir ver ela, mas ela não gosta, como eu falei, ela tá cagando pra eles, ela falou na frente deles que não vai na casa de ninguém, pra ninguém ir na dela. Mas a gente chegou e tava tudo bem, natal uma maravilha, pois eu e vovó conseguimos sair sem ela encher o saco e fomos pra casa de outra tia minha, aí teve o ano novo e minha avó foi pra casa de outro filho dela e eu fiquei com a Mals, pois por ela ser minha "mãe" eu quis ficar um momento importante ao lado dela, já que sou o único filho dela que ela nunca passou aniversário do lado (o meu no caso). A gente tinha até planos de ir pra onde minha avó tava, mas ela de uma hora pra outra disse que ia pra casa da amiga dela da igreja (as únicas pessoas que ela se importa) e no final de tudo a gente não foi, pois o marido dela disse que não queria e era pra ela ficar em casa. Tudo bem, vimos os fogos na frente de casa e ela já puta, falando que eu era osso e não dava nada certo por conta de eu e do meu padrasto (e eu não tinha dito nada). A gente foi dormir e acordamos as 4 da manhã com uma ligação de uma prima lá falando que o filho mais novo da minha avó tinha sofrido um acidente (ele tava voltando pra casa de moto e outro cara bêbado de moto não viu a lombada, passou muito rápido e acabou batendo no meu tio). A Mals mas o marido foram pra o hospital pois não tinha ninguém pra ficar com meu tio e lá ele tava todo estraçalhado kkkk, com a perna cheia de ferro, um dedo da mão e do pé quebrado, todo arranhado. Aí tudo bem, 10 dias se passaram e meu tio recebeu alta e veio pra casa da Mals, pois era a mais perto do hospital e a que tinha mais espaço. Eu e minha avó que fazia tudo pra ele, a gente que dava banho, levantava quatro horas da madrugada pra dá remédios, só falta a gente da comida na boca mesmo. Ele tinha que voltar no hospital cinco dias depois, e no dia que a gente foi, acordamos 3 da manhã e fomos pra o hospital. Lá deu 4, 5, 6, 7 horas e nada dele ser atendido, mas graças a Deus umas 7:30 chegou a vez dele. Só podia subir 2 pessoas, então foi meu padrasto e o marido da minha tia lá, a que eu considero minha mãe. Eu fiquei em baixo e comecei a passar mal, pois por ter saído às 3 da manhã não deu tempo de comer nada, e eu também não tinha levado dinheiro, tava tonto, via tudo rodando mas dava pra aguentar. Continuei sentado e uma abelha dentro do hospital pra piorar tudo picou minha mão, eu fiquei ainda mais tonto, deu náuseas, minha visão escureceu por uns 5 segundos e eu não conseguia escutar nada, meio que as vozes ficavam abafadas e longe, por tá passando muito mal e por medo de vomitar dentro do hospital fui pra o lado de fora, sentei em um banco e liguei pra minha "mãe" pedindo pra ela mandar mensagem pra meu padrasto vir ficar comigo pois estava com medo de desmaiar ou acontecer outra coisa (eu não tinha o número dele e nem falava com ele, mas nessas situações a gente tem que pensar melhor e parar de ser orgulhoso). O meu padrasto veio, olhou de longe, não falou comigo e voltou pra o hospital, tudo bem, nada aconteceu comigo além da minha mão ter ficado super inchado, voltamos pra casa e segui minha vida. Algumas horas mais tarde meu padrasto está na cozinha, eu vou lá pra beber água e ele coloca uns áudios dele falando "não é pra você acreditar nele, pois ele não passa de um mentiroso, não aconteceu nada, ele tava igual um bicho do mato", eu não entendi nada mas bebi minha água e voltei pra o quarto. Eu fiquei me perguntando pra quem será que ele teria mandado aquilo, eu fiquei pensando se ele falava de mim, mas eu pensei um pouco se tinha feito algo de errado e vi que não, aí tudo bem. A Mals chegou em casa, e o meu padrasto foi trabalhar, e eu ainda pensando sobre aquilo peguei o celular dela pra ver se ele tinha mandado aquilo pra ela falando sobre eu, e pra minha surpresa sim, ela uns 3 áudios de 1 minuto cada me esculachando, eu vi tudo mas não disse nada a Mals, esperei pra ver se ela comentava sobre isso, passou umas 2 horas e ela não me falou nada e eu chamei ela pra perguntar o que significava aquilo, por que ela permitia que ele falasse aquilo de mim sendo que eu não tinha feito nada, mostrei minha mão pra provar da abelha e ela simplesmente falou que ele tinha razão, que eu não prestava pra nada e que eu só servia pra dá trabalho (sendo que quando e tô na casa dela sou eu que lavo, passo, ajudo em tudo), e que se ele quisesse fazer QUALQUER coisa comigo ele podia por que ele era meu padrasto, aí eu não aguentei e soltei tudo o que tava preso em mim durante anos, falei de quando ela parou de falar comigo por eu ter contado que sou bissexual, que a culpa da minha irmã mais velha tá passando por problemas é culpa dela pois ela colocou minha irmã pra fora por conta que ela namora um homem trans (antes da Mals saber que ele era trans, ela amava ele, mas depois que descobriu fala como se o menino fosse responsável por toda a desgraça do mundo), falei das vezes que a minha irmã mais nova me acordava com tapa na cara e eu ia reclamar ela falava que era tudo culpa minha, entre outras coisas, citei essas pois foi as coisas que mais me marcaram. E ela começou a jogar na minha cara que eu era um lixo pois não falava com meu padrasto e nem com meu tio que tinha sofrido acidente (sim, eu não falo com ele, motivos irrelevantes), e eu falei que não falava com meu padrasto pois ele disse um dia que se minha irmã mais velha tivesse passando fome e fosse pedir ajuda a ele, ele não ajudaria, e contei o motivo do meu tio também, e falei que é melhor parar de falar com alguém do que tá falando e prejudicando sua saúde mental, pois ninguém é obrigado a tá se sentindo mal pra agradar os outros, falei que tinha encontrado um tio meu por parte de pai e ele em poucos meses tem sido um tio melhor pra mim do que ela foi de "mãe" em anos. Teve mais bate e boca irrelevantes, mas eu fui pra casa da minha titia, a que me criou lá. Contei tudo e por ela conhecer minha a Mals ficou ao meu lado. Por meu tio ter caído tivemos que cancelar a viagem de volta pra casa pois minha avó queria ficar cuidando dele, cancelamos a uns 1 mês e meio antes. Finalmente estava chegando o dia de eu vir embora, pois não aguentava mais aquele lugar, brigas e problemas. Mas não tinha acabado ainda, pois a minha querida "mãezinha" arrumou uma confusão na hora de eu e vovó irmos pra casa, era pra o marido a Mals ir deixar a gente o aeroporto, mas ele marcou umas tattoo pra fazer (ele trabalha com isso), só que a gente marcou a passagem muito tempo antes pra não ter esse tipo de problema, mas ele marcou essa tattoo e disse que não dava pra ir deixar a gente no aeroporto. Minha linda titia arrumou um carro pra gente, só que minha avó tinha que ir dormir lá, pois era mais fácil pra o homem lá nos pegar, só que do nada a Mals surtou, disse que era o marido dela que ia deixar, que a vovó ia dormir lá e ela não ia sair de lá (isso tudo por mensagem no WhatsApp, por que depois da primeira briga lá a gente não ficou sem se falar, a pastora lá da Mals falou que não era pra gente ficar intrigado), mas eu já tava cansado de tudo, falei que a Mals era um ser desprezível, ela só servia pra dar dor de cabeça, falei que eu fui amaldiçoado por nascer na pior parte da família, por ter crescido sem meu pai e ter uma mãe louca, e ela lá, falando que eu era um escroto e que não era pra eu chamar mais ela de mãe, pois eu não tinha saído dela (tenho essas conversas com áudio no meu whatsapp ainda, não mostro aqui por que não sei como). Eu com maior ódio do mundo falei em alto e bom som que eu odiava ela, pois ela não sabia como é triste ver os meus primos abraçando seu pai e sua mãe e eu praticamente sozinho no mundo (é triste mesmo viu, só quem passa sabe, a sensação ruim de solidão, uma pergunta que não tem resposta: por que eu não sou normal), eu deixei claro que a culpa da nova discussão era dela e que minha vó ia sair de lá sim. Ela saiu e foi pra minha tia e graças a Deus vimos pra casa, e até hoje ela não fala comigo. E diante tudo isso, eu sou um filho babaca por ter falado esse tipo de coisa e por sempre ter afrontado ela? Ou nós dois somos seres humanos horríveis? Vocês acham que eu devo continuar afastado dela pra o bem da minha saúde mental ou eu tento conversar com ela? Por que assim, até hoje eu tenho nojo dela, uma aversão total, acham que tenho que parar com isso? Enfim... Me digam, e desculpa pelo texto enorme. Faltam algumas coisas, mas se eu colocasse vocês levaram 3 dias pra ler.
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2019.06.28 16:26 JoaoRambo13 Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38

Plantel Benfica 2019/2020 - Ataque ao 38
Como ainda não existe um lugar em que se possa debater o plantel próxima época, e com o início dos trabalhos a chegar, estou a criar aqui esse espaço, com o intuito de fazer algo um pouco diferente:
  • Mais opinativo e com o intuito de perceber qual a vossa opinião em relação a como deveria ser composto o plantel para a época 19/20
  • Dar a conhecer todos os jogadores que neste momento se encontram nos quadros do Benfica
  • Perceber que posições deveriam ser reforçadas e quais os jogadores que gostariam de ver com o manto sagrado
  • Oferecer a minha opinião pessoal

Vou começar por identificar todos os jogadores disponíveis para se apresentarem na pré-época 19/20:
https://preview.redd.it/b9dcz48xi4731.png?width=1653&format=png&auto=webp&s=2bcda82dae54f055cf704045ae16ed9a1a0456e5
Resumindo, Bruno Lage terá a sua disposição 50 jogadores. Relembro que entretanto o Benfica já confirmou a saída de alguns jogadores e garantiu a presença na fase de grupos da Champions, tendo portanto realizado um encaixe de 135M:
  1. Talisca (Guangzhou Evergrande) - 5.8M emp + 19,2M venda = 25M
  2. Raul Jimenez (Wolverhampton) - 3M emp + 38M venda = 41M
  3. Luka Jovic (Eintrach Frankurt) - 7M venda + 13M fut. transf. = 20M
  4. Dawidowicz (Hellas Verona) - 3M venda
  5. Salvador Agra (Légia Varsóvia) - 0,5M venda
  6. Nélson Semedo (Barcelona) - 5,1M clausula
  7. Entrada directa na fase de grupos da Champions - 42M
Realçar que está eminente a saída de João Félix e de Carrillo para as arábias, o que resultaria num encaixe de mais 135M para os cofres do Benfica.
Em relação a entradas estamos perto de garantir Raul de Tomas por 20M ao Real Madrid, já garantimos Cádiz ao Setúbal e Caio Lucas a custo zero.
Antes de começar a minha reflexão sobre o plantel do Benfica para esta época, e de modo a justificar um pouco a minha visão, fiz a mesma com a premissa que estamos em ano de Europeu e com um treinador que não irá fazer má figura na Europa.

Baliza :
  • Odysseas Vlachodimos chegou este ano e pegou de estaca. Correu-lhe melhor a primeira metade da época que a segunda, muito por causa do futebol medíocre que praticámos e consequente processo defensivo. Sou da opinião que para consumo interno serve, para atacar a Champions não. Foi campeão, é titular da sua selecção e está valorizado. Se surgir uma boa proposta seria interessante aproveitar a oportunidade.
  • Mile Svilar foi a nossa segunda opção mas tarda em demonstrar todo o seu potencial. Penso que a pressão que tem no Benfica neste momento não lhe é favorável, embora não gostasse de o descartar em definitivo. Um empréstimo a uma grande escola de guarda redes como o Rio Ave (por 2 anos dando-lhe estabilidade para se desenvolver) seria ouro sobre azul.
  • Bruno Varela, o patinho feio para os adeptos. Não é mau guarda-redes, mas não serve para o Benfica. Deveria ser emprestado para um campeonato periférico (Grécia, Turquia, Arábias) com uma clausula a rondar os 5M para se correr bem ser facilmente batida. Enquanto escrevia este texto Varela foi emprestado ao Ajax*
  • André Ferreira e Zlobin, dois produtos do Seixal que contam para as inscrições na UEFA. Zlobin tem potencial para ser muito bom guarda-redes e não sei se não lhe faria bem um empréstimo para ser testado. André tem qualidade (e demonstrou-a no ínicio de temporada ao serviço do Aves) mas não para o Benfica. Um dos dois terá de ser o 3º guarda redes para este ano. Se sair Vlachodimos ficariam os dois, na sombra do que chegaria. Depois de este post ter sido publicado, e embora nao vá alterar o plantel final, André Ferreira foi confirmado em definitivo no Santa Clara\*

Apesar de não ser uma posição carenciada de reforços a verdade é que, para um Benfica que almeja algo mais que o campeonato interno, é necessário um improvement. Vlachodimos tem qualidade, mas não está ao nível do Benfica que tem de lutar por um lugar entre as 8 melhores equipas da Europa.
A minha ideia seria Wuilker Fariñez, tem 21 anos e é um dos mais promissores guarda-redes do mundo. O venezuelano tem até a vantagem de jogar num parceiro nosso, o Millonarios. Aquilo que tem demonstrado nesta Copa América, e não só, demonstra que é mais um daqueles casos que não engana - tal como Oblak ou Ederson não o conseguiríamos manter por mais do que 2 anos. Durante esse período para além de contarmos com um excelente guarda-redes, teríamos um miúdo na sua sombra a crescer e outro fora de portas mas a ser acompanhado bem de perto. Outra excelente opção, mas bastante improvável, seria Andriy Lunin guarda-redes do Real Madrid e campeão Mundial sub-20 pela Ucrânia.

Lateral Direito :
  • André Almeida é o meu patinho feio do 11 titular do Benfica. E, de facto, há alguma validade para que o seja. Ainda assim é inegável que André Almeida tem estado a bom nível e tem números que o comprovam. É um jogador com anos de casa, com experiência em momentos de glória e de decepção e perfeitamente integrado com os valores Benfiquistas, que tanta falta faz ao plantel. Hoje, André Almeida é subcapitão da equipa e duvido que alguma equipa fosse capaz de dar pelo 34 um valor monetário que chegasse sequer próximo do valor que o Benfica lhe dá.
  • Ebuehi é uma incógnita. Apesar de ser internacional pela selecção da Nigéria ainda nada mostrou ao serviço do Benfica devido à grave lesão que o fez perder toda a época. Não sei se terá cabimento uma das vagas do plantel ser dele, mas tem na pre-época uma oportunidade para agarrar o lugar e descansar os adeptos em relação à sua qualidade.
  • Pedro Pereira formado no CFC, saiu em 2015 para a Sampdoria e de lá, já com experiência na Serie A, regressou ao Benfica para se impor na equipa principal. Infelizmente, as expectativas saíram defraudadas, visto que mostrou muito pouco para quem tanto prometia. Assim sendo, foi emprestado este ano ao Génova, onde acabou por se impôr como titular. Não sei se é cedo para desistir de Pedro Pereira, mas a verdade é que do que vi dele nada me agradou.
  • Alex Pinto apesar de prometer muito, ainda não deu o salto que se esperava, e já lá vão duas épocas de equipa B. Não tem qualidade suficiente para integrar a primeira equipa, mas, dado que só tem 20 anos, não é altura de desistir já dele. Ficar na equipa B também não faz sentido, dado que há miúdos talentosos para promover. Um empréstimo é o que faria mais sentido. Enquanto escrevia este texto Alex Pinto foi emprestado ao Gil Vicente.\*

LFV já veio afirmar que não vai contratar para as laterais, o que olhando para o quadro em cima e tendo em conta que o treinador é Bruno Lage (tanto jogador que renasceu com ele) não é de todo descabido. No entanto numa equipa como o Sport Lisboa e Benfica, a titularidade sustentada de um jogador como Almeida é o rosto da mediocridade.
Da maneira como o Benfica de Bruno Lage joga precisamos de uma autêntica locomotiva, que tenha uma boa qualidade técnica e que seja agressivo a defender. Como tal deixo aqui três nomes :
  1. Sabaly do Bordeaux e Senegal
  2. Alvas Powell do Cincinnati e Jamaica.
  3. Com o decorrer do Mundial sub-20 houve outro jogador que me chamou à atenção, embora jogasse como ala numa defesa a cinco. Falo de Konoplia, que para além de ser muito forte nas transições (devido à sua velocidade) tem uma grande capacidade de decisão somando 4 assistências.
Enquanto escrevia fomos brindados pela notícia que Daniel Alves não irá permanecer no PSG. Será que é possível invés de gastar 3M num Cádiz (sem querer tirar qualidade ao jogador), investir mais num jogador de créditos firmados como este? Será que um dos melhores laterais direitos da história poderá estar interessado em ingressar num clube como o Benfica ou ainda quererá um clube com ambições de vencer a Champions?

Lateral Esquerdo :
  • Grimaldo é um fora de série. Muitas pessoas não dão valor a Grimaldo por causa de alguns erros defensivos que comete, mas jogar com Grimaldo a lateral esquerdo é como ter lá um médio, tamanha a criatividade e a inteligência do espanhol. Além disso, tem uma técnica acima da média. Se jogasse noutro campeonato, estou certo que seria já internacional espanhol há muito tempo. Grimaldo é um exemplo de boa gestão no Benfica. O jogador chega à equipa principal num grau de maturidade alto mas longe do seu potencial máximo, e, atingido o seu potencial máximo, dá duas ou três épocas ao clube (ou mais). Depois dá o salto deixando os cofres cheios para investir num substituto. A verdade é que, mesmo tendo só 23 anos, já cá está há 3 épocas e meia. É portanto natural que se pense em deixá-lo voar. Não sei se o valenciano abandonará o clube esta época ou não. Se sair, terei muita pena, mas compreenderei, sendo indispensável um reforço digno desse nome. Se ficar, teremos que ficar felizes porque iremos usufruir deste craque mais um ano
  • Yuri Ribeiro e Pedro Amaral são dois jogadores na mesma linha. Yuri Ribeiro fez uma boa época no ano passado, no Rio Ave, e, face à saída de Eliseu, ocupou o seu lugar. Porém, Yuri foi um daqueles jogadores que sentiu o peso da camisola, demonstrando não ter o que é necessário para representar o Benfica. A aposta, em teoria, faz sentido. Yuri, não sendo um craque, parecia ter qualidade suficiente para substituir Grimaldo quando fosse necessário, com o bónus de ser da nossa formação. Só que, na prática, correu mal. Não censuro a escolha, censuro o facto de termos atacado a segunda volta sem arranjar outro jogador para o lugar dele, e censurarei se ele fizer parte do plantel da próxima época.Pedro Amaral é um ano mais novo mas também é ligeiramente inferior. Não é mau jogador, mas também é insuficiente. O erro que foi apostar em Yuri seria repetido se o seu substituto fosse Amaral.
  • Existe ainda na equipa sub-23 Frimpong e Nuno Tavares (muito promissor) e tivemos emprestado Matheus Leal ao Real Massamá. Não acredito que nenhum seja aposta a curto prazo, sendo que os dois miúdos formados no Seixal estão verdes e o brasileiro não conta.

Assim sendo, se Grimaldo não sair, obrigatoriamente, temos de ir ao mercado reforçar a lateral esquerda com um jogador para ser sombra do titular. E logo aqui as afirmações de LFV deixam de fazer sentido. Não sei como é possível termos um Presidente que todos os anos dá tiros nos pés parecendo não querer aproveitar todo o potencial que o Benfica tem, com medo que alguém perceba o quão grande esta instituição realmente é e lhe venha roubar o lugar.
Na minha opinião deveríamos atacar um destes alvos:
  1. Pedro Rebocho tem 24 anos, é também ele made in Seixal e já é há dois anos um dos destaques da Ligue 1. Porém, a sua equipa, o En Avant Guingamp, irá descer de divisão, pelo que o jogador está algo desvalorizado. Não me parece que Rebocho tenha qualidade para assumir inicialmente a titularidade da equipa. Porém, também não encontro um jogador com melhor perfil e com a qualidade dele para assumir o papel de alternativa.
  2. Sergio Reguilón tem 22 anos e foi formado no Real Madrid. O ano passado discutiu a titularidade com Marcelo mas com a chegada de Mendy não parece que vá permanecer no plantel. Anteriormente já nos demos muito bem com este tipo de negócios (Javi, Rodrigo, Grimaldo) e apesar de envolver uma quantia superior à que teríamos de despender em Rebocho poderíamos já aqui ter o substituto de Grimaldo quando o mesmo sair.
  3. Abdelkarim Hassan, tem 25 anos e é titular do Al-Sadd e selecção Qatariana. Já me tinha chamado à atenção na taça Asiática, dando seguimento com exibições de encher o olho na Copa América. Um defesa com um físico impressionante, forte a defender e com qualidade a sair a jogar. Não deverá ser caro e aposto que seria um achado.
  4. Rubén Vinagre, tem 20 anos, é promissor e não tem minutos no Wolves. Está no carrossel do Mendes e podíamos usar esse factor para o trazer. A montra Benfica nunca teve melhor reputação.

Caso Grimaldo saia, aí sim temos que atacar em força por um substituto digno desse nome. Com esse propósito, surgiram na imprensa alguns nomes mais consagrados casos de Alberto Moreno do Liverpool, Mário Rui do Nápoles e Leonardo Koutris do Olympiakos.
Mais uma vez a minha opinião recai sobre o plantel dos blancos, falo de Theo Hernandez. Um jogador que iria envolver um esforço financeiro enorme (avaliado em 20M) e a lutar contra grandes nomes na Europa (parece que está a ser disputado por Leverkusen e Roma) mas que nos permitiria ter um lateral superior a Grimaldo. Além disso é um jogador que não é opção no Real e está desvalorizado, pelo que a menor pressão de jogar frequentemente no Benfica e demonstrar todo o seu valor seria do seu agrado.
Em suma, o Benfica deveria ir ao mercado por um lateral esquerdo, ou dois, dependendo da manutenção de Grimaldo. Se Grimaldo sair, espero que não haja displicência na sua substituição, pois Grimaldo é um dos jogadores mais preponderantes na nossa equipa. Sobre o suplente, confesso que tenho algum receio que a estrutura tenha demasiada fé em Nuno Tavares, pois acredito que ainda não está pronto e pode-se vir queimar um jogador muito talentoso.

Defesa Central :
  • Rúben Dias, o patrão da defesa. Se ainda comete erros de principiante? Comete. Se por vezes demonstra agressividade desmedida? Demonstra. Mas a nossa defesa sem ele sofre muito e atingiu um nível, que apesar de muitos nao o reconhecerem, faz dele indispensável. Para além de nos jogos a doer assumir-se como mais ninguém o faz. Próximo ano temos Europeu e se nao lhe subirmos a cláusula (80M) esta irá ser facilmente batida.
  • Francisco Ferreira, Ferro, foi uma das maiores surpresas da época. Quem o acompanhava, como eu, na equipa B sabia que tínhamos ali um central para os próximos anos. A verdade é que já estava a estagnar na equipa B e em boa altura veio a saída de Lema e Rui Vitória. Ferro trata melhor a bola do que qualquer um dos restantes centrais e, apesar de alguns erros defensivos que ainda comete (normal, dada a falta de experiência), tem tudo para fazer uma carreira de alto nível. Intocável, portanto.
  • Jardel, o nosso capitão. Se para muitos já nao dá mais porque este está velho, eu sou de opinião completamente distinta. O Benfica nao pode perder os pilares do balneário ano após ano, muito menos quando Jardel ficou com uma responsabilidade passada por Luisão. Já vimos que Bruno Lage gosta de rodar a equipa, e Jardel terá muitos minutos nas taças e no campeonato após jornada de Liga dos Campeões. Merece um lugar no plantel da próxima época (assim ele o queira). Porém, é necessário reconhecer que não poderá ter o estatuto de outros tempos, pelo que, no máximo, terá que ser terceira opção para o centro da defesa.
  • Conti, contratado para ser o 3º central, desiludiu. Foram muitos os erros de abordagem, alguns até deram em autogolo, o que é ilustrativo que não estava pronto para vir para a Europa. Tem 24 anos, logo não se pode dizer que é um defesa central velho. Assim sendo, pode ainda ser cedo para desistir dele. No entanto, a sua saída tem que acontecer, por empréstimo e preferencialmente no campeonato português.
  • Emprestados temos dois, ambos argentinos. Lema tem 28 anos e chegou este época a custo zero. Veio classificado como um dos melhores centrais da Liga Argentina, e, para ser sincero, não duvido que tal seja verdade. Sempre que jogou demonstrou a sua qualidade e nao fosse a sua, injusta, expulsão contra o Porto as coisas poderiam ter sido diferentes. O outro argentino é Lisandro Lopez, chegou ao Benfica há 6 anos rotulado como uma grande promessa, mas nunca se impôs totalmente. Embora não seja mau jogador, dado que já tem 29 anos, não me parece sensato considerá-lo para o futuro do Benfica.
  • Lystsov, desde Outubro que está em recuperação depois de uma rotura do ligamento cruzado e ainda não há prazo para regressar. Está com 23 anos e já conta com uma pré-convocatória para a selecção Russa pelo que qualidade nao lhe falta. Tendo em conta que vem de um ano sem praticar, acho que seria preferencial ficar como 4º central/titular na B enquanto recupera forma com o plus de conceder experiência a uma jovem equipa.
  • Kalaica está no ponto para subir à primeira liga. O croata é o capitão da equipa B e, após 3 anos lá, não aprenderá mais. Agora, é preciso alguma reflexão sobre como gerir este rapaz, porque só fará sentido integrar Kalaica na equipa principal se ele tiver minutos. Uma coisa é certa, Kalaica tem de sair da equipa B, até porque há muito talento a precisar de uma vaga.

Esta é possivelmente a posição em que o Benfica está mais bem servido e continuará a estar após a saída dos dois centrais agora titulares. David Zec, Pedro Álvaro, Nóbrega e Gonçalo Loureiro fazem todos parte da geração de 2000 e se continuarem a evoluir como tem acontecido, e com minutos nas pernas, serão opções a médio prazo.
O problema é que dos 8 centrais que referi em cima, no início da próxima época, acredito que poderão ainda cá estar, no máximo, 4 deles.
  1. Rubén Dias e Ferro devem continuar a titulares no Benfica de Lage e, se mantiverem a qualidade, consequentemente na selecção nacional no Europeu 2020. Com isto deverá ser muito difícil manter os dois após o final da próxima época. Muito menos quando temos um vendedor ambulante como Presidente.
  2. Lema e Lisandro já não devem regressar ao plantel, ambos têm interessados na América do Sul e podemos/devemos recuperar o investimento feito em ambos.
  3. Jardel não segue para novo, não tendo capacidades para ser titular neste Benfica.
  4. Conti e Kalaica estão verdes, e mesmo que ambos os empréstimos corram bem não significa que estejam prontos para assumir a titularidade do Benfica, enquanto que Lystsov é uma incógnita.
Tendo em conta este cenário não sei se não será necessário apalavrar já um jogador de créditos firmados para a próxima época. David Luiz poderá ser perfeito, até porque, com a idade que tem, começará a entrar em declínio em breve, sendo que quando começasse a decair, já outros jovens valores estavam mais que prontos para assumir o lugar. Rúben Semedo seria outro nome interessante. Português, Benfiquista e ainda novo. Está completamente desvalorizado em Espanha e querem desfazer-se dele. Seria uma excelente oportunidade pois considero que tem qualidades muito boas para a posição e para aquilo que Lage pretende.

Meio Campo :
  • Começo por Fejsa pois qualquer Benfiquista sempre o respeitará, embora possa ser altura de reconhecer que o ciclo dele pode ter chegado ao fim. Fejsa sempre foi um fantástico trinco, mas nunca teve uma capacidade de construção por aí além. Só que agora é essencial ser pelo menos competente na construção para funcionar no sistema de Lage. Para piorar, fisicamente, Fejsa está muito débil. Foram anos maravilhosos mas, com uma proposta adequada, infelizmente poderá aceitar-se a sua saída.
  • Samaris e Florentino são dois jogadores semelhantes sendo que ambos são competentes na sua função, embora um seja melhor a construir e outro a destruir. Ambos são muito bons nas funções mais defensivas, com algumas diferenças no estilo, dado que Florentino tem uma técnica defensiva impressionante (não me lembro de alguém igual) e Samaris, não sendo tão bom tecnicamente, compensa com agressividade no sentido positivo. Samaris junta ainda uma qualidade de passe e leitura de jogo fora do normal para um jogador naquela posição. Ter os dois à disposição é fantástico, pois permite ao Tino crescer sem tanta pressão com um jogador muito mais batido e que ainda por cima está perfeitamente identificado com o clube. Juntos, não funcionam tão bem. Com Gabriel ao lado, complementam-no perfeitamente.
  • Gabriel foi uma contratação de risco, dado que se investiu 10M€ num jogador relativamente desconhecido. A época até nem começou muito bem, uma vez que o homem era o oposto do que Rui Vitória queria num médio mas, felizmente, com Bruno Lage, acabou por provar o seu valor. Para um sistema com dois homens no meio campo, é imprescindível um jogador como Gabriel: bom na pressão e na recuperação, fantástico na construção. Assim sendo, ainda bem que temos um jogador assim.
  • Gedson Fernandes começou muito bem a época e perdeu um bocadinho com a entrada de Lage. Não é anormal, atenção. Gedson é um box-to-box puro, sendo que ainda pode fazer várias posições no meio campo. Assim sendo, é normal que tivesse algumas dificuldades com este novo sistema pois para Bruno Lage não basta ser competente na posição. Lage é inteligente e saberá o que fazer com o Gedson, e Gedson é muito talentoso (tenho muitas esperanças nele) e certamente agarrará um lugar, seja no meio campo a dois, seja encostado à linha ou atrás do avançado. É um jogador diferente de Samaris, Florentino e Gabriel, e dará muito jeito numa época longa.
  • Krovinovic é um caso estranho. Chegou lesionado do Rio Ave e depois de uma travessia pelo deserto em termos de minutos agarrou o lugar num meio campo a 3 e foi o melhor do Benfica com apenas uns meses de competição, até à lesão. Desde que regressou, está completamente fora de forma. Não sei explicar o que aconteceu mas é preciso agir. Uma hipótese é emprestar-lo e permitir que recupere a forma e a confiança num clube que precise de um craque como o Krovi (parece que este é o caminho pois falasse num empréstimo ao Vitória). Outra hipótese é o próprio Lage conseguir reabilitá-lo na pré-época. Seja como for, ficar mais uma época a estagnar na bancada não pode ser uma opção. Na minha opinião, e tendo em conta que não acredito que Krovino se adapte a este meio campo a dois,o melhor seria um empréstimo para Inglaterra ou Alemanha com uma cláusula alta (25M).
  • Taarabt, o marroquino ganha logo pelo facto de ser versátil, pois tanto poderia ser falado juntamente com os extremos ou juntamente com os avançados. Mas todos conhecemos a história dele. Chegou rotulado de craque problemático, e fez jus à segunda adjectivação. Andamos a pagar um balúrdio e, portanto, ele só tinha que ser profissional, algo que não aconteceu. Tudo mudou esta época. Lage chegou e conseguiu motivar o marroquino, tornando-o uma opção. É impressionante a capacidade que ele tem de romper linhas com um passe. Portanto, sendo ele um jogador tão dotado, e tendo ainda mais um ano de contrato, é de aproveitar. Já que o salário dele será pago de qualquer maneira, não se perde nada em aproveitar o homem desportivamente.
  • Do rol de emprestados, há dois que claramente não têm lugar no Benfica – Chrien e Dálcio. O eslovaco é mau, claramente não valia o milhão que o Benfica pagou por ele e está a mais no Benfica. O segundo foi um negócio que se aceita, na mesma óptica de Nelson Semedo. Foi barato, por isso, se resultasse era fantástico e, não resultando, não é grave.
  • Keaton Parks, David Tavares e Alfa Semedo são jogadores interessantes. Dado o excesso de médios que temos, talvez não dê para os integrar, mas merecem uma hipótese na pré-época. Keaton é um jogador melhor a construir que a defender. Já o Alfa apesar de ser um jogador muito intenso em Janeiro Lage descartou-o. Em ambos há lacunas, acima de tudo defensivas, mas tenho curiosidade para saber como se integrariam no Benfica de Lage. David Tavares é um animal que irá acabar no plantel mas para já está verde. Acredito que o ideal seria um empréstimo para voltarem.
  • O outro emprestado deveria fazer a pré-época. Infelizmente, na sua transição para sénior, apanhou o treinador errado. Tenho receio que, agora que ele já vai com 22 anos acabados de fazer, seja tarde. No entanto, é um pivot super natural, encaixando que nem ginja neste sistema táctico. Com Lage, talvez ainda se faça jogador, por isso, não perdemos nada em integrá-lo. Estou a falar de Pedro Rodrigues, Pêpê.

Havendo tantas e tão variadas opções, eu diria que não é necessário contratar ninguém para o meio campo. Ainda por cima quando, como no caso da posição central da defesa, temos tanto talento à espera no Seixal - Vukotic, Diogo Pinto, Tiago Dantas e David Tavares.
No entanto gostaria de deixar aqui um nome - Willie Clemons, tem 24 anos e é jogador do Bodens BK e internacinal pelas ilhas Bermudas. Não será um investimento de risco e pareceu-me um médio super intenso, muito completo tanto a defender como no transporte e a queimar linhas.

Meio Campo ofensivo :
  • Rafa, foi possivelmente o melhor jogador do Benfica nesta temporada. Com Rui Vitória nunca conseguiu mostrar toda a sua qualidade (pecando muito na finalização), mas agora, com Lage, está a um nível estratosférico. O melhor de tudo é que, depois da eminente renovação, parece que iremos ter jogador para as próximas temporadas.
  • Pizzi, é um extremo diferente, mais criativo que desequilibrador, e sem o achar um fora de série acaba por ser fulcral neste 4-4-2 que nos últimos 4 anos nos fez festejar por 3 vezes. No plantel, não há outro como ele, daí o seu estatuto e importância para a equipa.
  • Caio Lucas é outro que quase garantidamente fará parte do plantel, pois é um reforço que foi garantido em Janeiro. Conheço muito pouco sobre ele, mas dizem que é um desequilibrador puro. Como cartão de visita, traz número muito interessantes esta temporada: 5 golos e 11 assistências em 2100 minutos (cerca de 23 jogos).
  • Cervi. Prometeu muito quando chegou ao Benfica mas a realidade é que foi dos jogadores que mais sofreu com a era Rui Vitória (ainda por cima na fase mais importante da sua evolução), isto porque pensou que a sua função era ser competente a defender e dar intensidade ao jogo. Agora que é preciso ter maturidade táctica, Cervi não a tem. Assim sendo, com tanto talento na posição, não sei bem o que vai acontecer. A verdade é que se JJ fosse o treinador a posição de Defesa Esquerdo ficaria fechada com a adaptação de Cervi. Com Lage não sei se isso acontecerá, mas que era o ideal, era!
  • Sobre Salvio é difícil, sempre sobreviveu da capacidade de explosão para desequilibrar. Nos tempos áureos, era uma verdadeira máquina, sendo que, não obstante a sua falta de inteligência futebolística, conseguia causar estragos em qualquer defesa. Para melhorar, sempre foi também um extremo com muito golo. Só que esses tempos parecem ter acabado. As lesões sucessivas tiraram-lhe a grande virtude e agora Salvio é um jogador banal. Para piorar, não encaixa no sistema de Lage. É um dos mais bem pagos do plantel e o seu rendimento não condiz, de todo, com o seu salário. Havendo tanta qualidade nas alas e tanta diversidade, talvez seja altura de Benfica e Salvio seguirem rumos diferentes. O problema é que Salvio já é um dos pilares do balneário, com mais tempo de casa e parece viver o Benfica como nós. E num balneário cheio de miúdos são necessárias referências que possam transmitir a mística.
  • Jota e Willock estão numa fase semelhante da evolução. Ambos são Reis na equipa B, ambos desesperam por uma oportunidade na equipa A. Jota já teve algumas oportunidades, mas muito esporadicamente. Willock ainda nem isso. Penso que estejam ainda ambos verdes para o patamar Benfica pelo que um empréstimo com V de volta poderia ser importante na sua evolução. No entanto, e tendo o Benfica tanto talento nesta posição, emprestar Willock no Championship, embora com uma clausula de compra alta, poderia ser muito interessante.
  • Zivkovic é uma das grandes decepções do ano. Com Rui Vitória, oscilou sempre entre a bancada e a titularidade nao existindo qualquer tipo de equilíbrio. Agora, com Lage, eu estava convencido que Zivkovic iria finalmente explodir. Falso. Por isso, dado que começa a ficar caro ficar com Zivkovic, era uma boa altura para o sérvio sair. Provavelmente, iremos ter uma reedição do caso Jovic (por isso, se o emprestarem, cuidado com as cláusulas que lhe metem), mas manter Zivkovic não é saudável nem para o Benfica nem para o jogador.
  • André Carrillo é um craque. Os Benfiquistas não o valorizam porque as expectativas eram altas (afinal de contas, era a estrela do rival) e Rui Vitória pouco contou com ele, mas a verdade é que Carrillo é um craque. É um extremo diferente de todos os que temos, mais cerebral mas ao mesmo tempo desequilibrador, e por ser tão diferente, Rui Vitória não sabia o que fazer com ele. Aposto que Lage sabe, mas dado que ele está relativamente valorizado também aposto que nao regressará das Arábias.
  • Benitez é jogador do carrossel. Foi um negócio, onde para se renovar com um tinha de vir outro, danoso para o clube. Seja como for, o que vi do mesmo na pre-época até nem pareceu mau. Um jogador mais ao estilo de Pizzi que dos outros. Mas a verdade é que por onde tem passado não tem rendido, e nao acredito que vá ser agora. Para sair.
  • Diogo Gonçalves, na formação era um extremo desequilibrador que sempre teve muito golo. Foi por isso que ganhou a chance de fazer parte da equipa principal na época passada. Infelizmente, não resultou, e foi emprestado não tendo corrido bem a experiência em Inglaterra. Enquanto escrevia esta analise soube que vai ser emprestado ao Famalicão, e não podia estar mais de acordo.\*

Resumidamente, não chega não trazer ninguém para as alas ofensivas. É preciso cortar alguns jogadores, para abrir vagas para miúdos que desesperam por oportunidades, e para libertar orçamento para posições que realmente precisam de ser reforçadas.
No entanto, mais uma vez, gostaria de deixar aqui um nome - Carlos Antuna de 21 anos, jogador do Manchester City, Mexicano. É um jogador muito semelhante ao antigo Salvio - destro a jogar como ala direito, capacidade de explosão e velocidade felina. Ainda por cima tem um faro de golo impressionante, a quantidade de vezes que aparece em zonas de finalização após se ter desmarcado da marcação é surreal para um extremo. E tem-no comprovado agora na Gold Cup onde já leva 4 golos e 2 assistências em apenas 3 jogos. Vai ser uma estrela

Frente de Ataque :
  • Seferovic, tem muita capacidade de trabalho e de sofrimento e tem uma mentalidade competitiva enorme. Além disso, é um excelente jogador de equipa, sendo muito inteligente em campo e ideal para o estilo de Bruno Lage. Infelizmente, falha num dos aspectos mais importantes de um avançado: a finalização. É exasperante a quantidade de golos que o suiço falha. Não se exige que marque um golo a cada oportunidade, mas às vezes Seferovic precisa de 3 ou 4 bolas claríssimas de golo para meter um, e isso, no futuro, pode custar títulos. Assim, sou da opinião que aparecendo algum clube dê por Seferovic um valor superior ao seu real seria de aproveitar.
  • Jonas, o mago brasileiro está envelhecido e muito débil fisicamente, mas a verdade é que é o maior responsável por o Benfica se ter aguentado durante a era de Rui Vitória. Acabou a época com uma média muito próxima de um golo por 90 minutos. Acho que a decisão de acabar a carreira ou não, só ele a deve tomar, mas acho que Jonas ainda pode ser muito útil, até porque já se viu que Jonas funciona não só como 9 mas também como construtor.
  • Cristian Arango foi mais um daqueles reforços que devia deixar os adeptos revoltados. Para quem não se lembra, chegou no ano passado, e, numa época em que precisávamos de reforçar imensos setores, foi o nosso reforço mais caro. Expectavelmente não tem qualidade para representar o Sport Lisboa e Benfica. Por isso é altura de deixar de gastar vagas de empréstimo em Portugal com ele. Alan Júnior é outro reforço para o carrossel que nunca deveria ter vestido o manto sagrado, estão ambos a mais no Sport Lisboa e Benfica.
  • Heriberto Tavares, extremo de origem tornou-se um avançado móvel que nos sub-21 resultou muito bem, sendo que poderia funcionar com Bruno Lage. Tenho ideia que poderá ser uma alternativa viável a Seferovic embora tenha a mesma incapacidade a finalizar que o Suíço, mas acho que merecia pelo menos fazer a pré-época.
  • Facundo Ferreyra, foi emprestado por ano e meio mas parece que o Espanhol não tem interesse em mantê-lo. Gostaria que Lage lhe concedesse a oportunidade de fazer a pre-época, embora tenha noção que foi Lage quem o dispensou em Janeiro.
  • Jhonder Cádiz, contratado ao Vitória de Setúbal depois de boa época em Portugal. Até posso estar enganado, mas não me parece jogador para o Benfica. Aliás, após as palavras do Presidente parece ser mais um para o carrossel.

Na frente, temos de ir ao mercado obrigatoriamente. Mas têm de ser reforços a sério. Um deles tem de ser um titularíssimo, outro um miúdo com enorme potencial. Na formação temos uma preocupação semelhante pois os miúdos dos planteis B, sub-23 e júniores não parecem ter potencial para um dia figurarem no plantel principal do Benfica.
Raul de Tomas parece estar perto de assinar, e Cádiz já assinou. Com a saída de Félix ficamos órfãos do nosso prodígio, e sabendo que não é possível arranjar um substituto nem por sombras semelhante, temos de repescar Chiquinho. Seria um reforço fantástico, pois poderia jogar no meio ou ainda poderia fazer de Pizzi. Já conhece a casa e foi o melhor jogador do campeonato extra-grandes.

Plantel final
(O post estava muito grande, portanto continua no comentário! Sorry!)
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2019.03.28 09:39 AntonioMachado [2006] Leopoldo Fulgencio - O método analógico em Freud

Artigo: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/estic/v11n21/v11n21a14.pdf
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2019.03.23 17:18 lizziehope Um grito, risadas e choro

Minhas mãos estavam cheias, queria liberar espaço para meu bebê, mas tudo escorregava com o sangue. Eu nunca havia me sentido tão suja e desesperada e olha que eu vivi alguns meses fora dos jogos. Tinha uma casa abandonada onde podíamos descansar, era uma antiga casa mal assombrada que parou de funcionar. As vezes, eu conseguia me assustar com alguns dos brinquedos, outras vezes somente os encarava como se não fossem nada. Minha barriga doía toda vez que eu tomava banho no rio gelado, mas era o único rio mais limpo que achamos e, se descobrissem nosso crime de viver fora, seríamos eletrocutados. Tentar passar despercebida durante um banho era mais fácil do que durante o trabalho de parto. Outras mulheres já tinham ido embora e abortado dentro dos jogos, era mais rápido e limpo. Outras morreram tentando salvar seus filhos. Eu queria salvar a minha vida, viver como pensavam nossos ancestrais. Queria sentir emoções, queria sorrir, queria amar. Queria tocar em um bebezinho de verdade, sentir suas mãos quentes e pequenas, tocando em meu rosto. No dia final, eu aguentei mais que ele. Ao enterrar minha última esperança de amor, tentei não me lembrar de meu companheiro, que nem ao menos era para ser meu companheiro. Sim, eu sou uma delas, mas não era para ser assim. Eu jogava melhor quando era mais nova, mas com dificuldades em casa, meu pai acabou tentado em aceitar uma vida de assassino, minha mãe, ainda crente em união, tentou fazer com que ele mudasse de idéia. Viajamos por muitos lugares, achamos comodidade no centro de esportes, lá havia maratonas e deuses gigantescos. Podíamos viver em paz enquanto meu pai crescia no meio deles, dando-nos oportunidade para crescer dentro de nosso próprio processo no jogo. Ainda estava estudando, parei para trabalhar de balconista em um dos cassinos. Era difícil ignorar alguns fatos, depois que um dos grandes se apaixonou por mim, comecei a ser perseguida em sonhos e pesadelos, nos jogos e na minha vida. Quando tirei o capacete e vi que era meu próprio pai, tentei tirar minha vida. Alguns anos depois, já dentro de jogos longes e muito longe dele, descobri que, na verdade, ele estava sendo controlado por esse homem: Tayson. Tínhamos as mesmas idéias de mundo, apaixonei por seus olhos misteriosos e seus pins infinitos. Fiz pessoalmente, sem o capacete, com ele. Estava tão apaixonada que não me importei com sua idade, porém, algo me dizia que estava tudo errado. Depois daquele dia, nunca mais o vi, em minhas investigações para encontrá-lo novamente, juntei todas as peças. Fugi da cidade ao descobrir que estava grávida. Perdi da vida real. Agora, todos vocês estão sentados em algum lugar, enquanto eu conto essa história, para que alguém consiga encontrar alguma chave em mim para curar essa dor. Como sempre ninguém escuta, não é? Ou fingem que escutam, não é? Ninguém vai vir aqui? Estou no prédio 12, andar 7, na segunda janela do quarto 16. Alguém pode vir aqui? Qualquer um? Simplesmente vamos conversar, como humanos... - Tire sua vida logo, vagabunda! - Trabalhou nisso e se arrepende agora? Por que não morre logo antes de se lamuriar? - Quanto tempo você viveu sem capacete? - Pergunto e faz silêncio. Ouço gritos de felicidade, um de horror e tento não representar nada em minha feição, mas lágrimas surgem. - Tayson, huh? - Coloco o capacete - Bernard, ele está fazendo de novo. - Bernard? Aqui é Humpley... - Bernard está arrumando sua roupa, parece literalmente um príncipe encantado. - Ela, nem ao menos sei seu nome, contou uma história... - Summer... Aqui isso não aconteceu, ok? Ou você salva todos os suicidas do mundo, ou você arruma esse item, conhece a sua própria guria praticamente estuprada por você com seus jogos doentios... - Ela não parece estar perturbada... - Visitas do futuro, escritora e drogada... Sim, ela provavelmente está perturbada. - Então? Eu sou um... Uma... - Não sei, pergunte a ela um dia, mas talvez você se arrependa de ter gastado tanto para poder apenas ver pessoalmente ela. - Foi um dos melhores livros que já li - Jogo meu corpo na cadeira e entro definitivamente em TimeLove, agora entendo como é divertido, a fuga fica mais adocicada com tanto amor, vestidos, príncipes e mágica. - Ela deve tratar você como uma das fãs psicóticas, talvez... Ou ama você e sua visão do futuro e por isso te seduz para que não jogue com outros. Sabe, mesmo você não acreditando, você é uma das melhores jogadoras da atualidade. Isso deve ser realmente diferente lá naquele tempo de jogos primitivos. - Eles já tem óculos e sensores, estão avançados... - Já ouvem demais? Espera, você está jogando todo esse risco nela? - Não é como se ela estivesse realmente assustada. Dou um sorriso quebrado e volto ao meu próprio quarto em TimeLove, hábito aqui em um quartinho em cima de uma cafeteria, trabalho como garçonete e, como tal, visto-me de empregada gatinha. É uma fantasia fofa, mas humilhante. Porém, tento não demonstrar muito o quanto encaro meu personagem enquanto uso essas roupas e cabelos e sirvo café e chá naquelas xícaras em formato de ursos, gatos, unicórnios. Era uma cafeteria muito, muito rosa, nela apenas pensava em servir e ganhar dinheiro, quase não pensava no real objetivo de todo aquele gigantesco jogo e do princípe que já estava convidando as meninas, uma por uma, para algum encontro. Depois, no horário de almoço, começo a lembrar da história de hoje de manhã e da mulher que cometeu suicídio. É normal nos dias de hoje, não é ilegal assistir e gostar, nem torcer para isso. Tento não pensar em revolta, quando isso acontece sai fumaça da minha cabeça e ursinhos vermelhos aparecem dizendo "Aaaah", é vergonhoso demonstrar tanto, até entendo os asiáticos nessa pressão maquiavélica da fofura. Continuo comendo, tudo vai passar. Adeus, seja lá quem seja, obrigada, Tayson. Um dia eu vou achar você e me vingar por uma família que nunca conseguirá entrar aqui novamente. Malditos empresários sanguinários.
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2019.03.09 17:25 O-Pensador Por que imposto é roubo?

Talvez a frase de efeito mais famosa dentre os libertários é: “Imposto é roubo.” Apesar de ser uma verdade, que implica, em particular, a ilegitimidade do estado — visto que roubo é um crime, independentemente se praticado por cidadãos ou se por governos —, o fato é que vejo poucas pessoas que sabem dar uma justificativa correta a essa afirmação. Isto se deve em parte à fácil intuição gerada por ela, pois qualquer um sabe que, se uma pessoa não pagar impostos e resistir às intimidações do estado, ela será sequestrada pelo governo, como ocorreu com o famoso ativista anti-imposto Irvin Schiff, que em 2015 faleceu na cadeia por defender a ilegalidade do imposto de renda nos EUA [1]. Porém, essa constatação da ameaça implícita por trás dos impostos não é suficiente para determinar que o imposto é de fato um crime, embora seja obviamente uma condição necessária. Sendo mais preciso, poderíamos ter duas, e apenas duas, situações onde o imposto poderia ser visto como como algo legítimo, caso fosse: 1) um pagamento previsto em um contrato implícito, chamado “contrato social”, onde, no passado, as pessoas, legitimamente possuidoras de suas propriedades, abriram mão de certos direitos para um governo ou outra autoridade a fim de obter as vantagens da ordem social; e/ou 2) uma taxa forçada feita pelo estado a fim de pagar suas despesas de manutenção, caso análogo a um condomínio, onde a posse territorial do estado seria legítima. Esses dois casos resumem todos os principais argumentos pró-imposto dos estatistas, de modo que para demonstrar que o imposto está fora da lei, é suficiente refutar ambos os casos, mostrando que o contrato social, caso exista como contrato implícito, não pode ser legalmente executável e que o território do estado não é legitimamente apropriado. Daí seguirá nossa famosa tese que imposto é de fato um assalto a mão armada.
Antes, porém, é importante ressaltar que questões sobre o estado ser necessário (e não é) para prover bens públicos [2] ou de seu surgimento ser ou não inevitável [3] dentro de uma sociedade livre são irrelevantes para determinarmos a justiça do imposto, pois estão em diferentes categorias epistemológicas: “imposto é roubo” é uma afirmação dentro do âmbito da Ética, das questões prescritivas, i.e., que tratam do dever, enquanto que as demais questões relativas ao estado são meramente descritivas. E como David Hume observou, [4] um dever nunca deve seguir de um ser, i.e., é epistemologicamente equivocado derivar verbos no imperativo de outros no indicativo – no nosso caso, derivar “você deve pagar impostos” de “o estado é necessário para manter a ordem” ou “o estado é inevitável”. Nesse artigo, vamos nos focar nas disciplinas da Ética e do Direito.
O Contrato Social é Uma Ficção Supérflua
Geralmente argumenta-se que o estado, tendo ou não posses legítimas, pode cobrar impostos, pois existe algum tipo de consenso implícito em torno desse arranjo social — a legitimidade se origina então da anuência dos cidadãos. A esse corpo de ideias que postulam um contratualismo implícito em sociedade feito para manter a ordem e instaurando, para isso, um regime político específico, se dá o nome geral de teorias do Contrato Social.
Antes de mais nada, é bom deixar claro que o Contrato Social jamais pode ser um contrato executável por lei, ou seja, um acordo cuja quebra pode resultar em retaliação legal. Primeiro porque — como os próprios teóricos contratualistas assumem — ele é implícito, não tendo uma expressão objetiva de consentimento. E, de fato, é deveras óbvio para qualquer um que ninguém foi consultado sobre a aderência ao arranjo político democrático que vivemos hoje. Nunca os estados modernos fizeram consultas entre as populações dominadas para que questionassem suas legitimidades e perguntassem sobre a possibilidade de elas gerirem suas propriedades por si mesmas, sem o estado como decisor último de instâncias. O ônus da prova desse consentimento recai todo sobre os contratualistas, que até agora não forneceram nenhuma evidência nesse sentido. E sequer poderiam. É um fato histórico que em geral os estados modernos surgiram não de um acordo voluntário em sociedade a fim de criar uma administração com a função de centralizar o poder público, mas sim pela conquista militar e ameaça de força física. Isto deveria ser deveras óbvio, pois é completamente irrealista que, dentro de um grupo de pessoas sempre alertas à possibilidade do surgimento de conflitos, alguém proponha, como solução a este problema, que ele próprio se torne o arbitrador supremo e monopolista de todos os casos de conflitos, inclusive daqueles em que ele mesmo esteja envolvido. Seria uma proposta no mínimo risível, por maior que seja a reputação que esse membro destacado tivesse.
Em segundo lugar, mesmo que tenha havido consenso no passado — e não temos registro algum disso, mas ao contrário, como veremos abaixo —, o Contrato Social é uma relação de subordinação individual e portanto precisa ter uma cláusula de rescisão, haja vista que a vontade humana é inalienável. Sob a ausência de tal cláusula, ele se torna um acordo tão absurdo como um contrato de “escravidão voluntária”, não tendo sentido legal algum. Com efeito, um consentimento sem rescisão prevista em contrato é uma mera promessa, de modo que a iniciação de força para fazer cumprir tal contrato tem o mesmo efeito legal de agredir pessoas em virtude de discursos. Vejamos o caso clássico de “contratos de escravidão” em mais detalhes. Suponhamos então que A promete (ou realiza contratos, ou concorda; a terminologia não é importante) em ser escravo de B, sendo assim uma tentativa de consentir agora para forçar ações no futuro. Se A depois muda de ideia e tenta fugir, pode B usar força contra A? Esta é a pergunta crucial. Se a resposta for sim, isso significa que A não tem o direito de se opor e alienou eficazmente os seus direitos. No entanto, isso não poderia acontecer simplesmente porque não há nenhuma razão para que A não possa retirar o seu consentimento. Assim, não é inconsistente para A, mais tarde, se opor ao uso de força. Tudo o que A fez anteriormente foi proferir palavras para B, tais como, “eu concordo em ser seu escravo.” Mas isso não agride B em qualquer sentido subjetivo tanto quanto não há agressão ao proferir o seguinte insulto: “Você é feio”. As palavras por si só não podem agredir, isso é – inclusive – uma das razões as quais justificam o direito à liberdade de expressão. Em poucas palavras, um proprietário de escravos deveria ter o direito de usar a força contra o escravo para que a escravidão seja mantida e que os direitos sejam dessa forma alienados, entretanto o escravo não teria previamente iniciado força contra o proprietário de escravos. Logo, o proprietário de escravos não tem o direito de usar a força contra o escravo e, assim, nenhum direito de fato foi alienado. O mesmo vale para o contrato social, que pode ser pensado como um caso particular do aqui exposto.
Em terceiro e último lugar, se existiu um contrato social para legitimar a espoliação moderna do estado, então ele certamente diz respeito às gerações passadas e não às nossas. E da mesma forma que crimes não podem passar de pais para filhos, visto que a pena é sempre individual, promessas de cumprimento contratual também não. Assim, um consentimento — implícito ou não — no passado não pode ser herdado hoje pelas gerações que não participaram direta ou indiretamente desse processo.
Tendo derrubado as teorias do Contrato Social sob o prisma jurídico, resta dele apenas mera formalidade, um conceito abstrato para ilustrar uma suposta necessidade do estado. Este foi o caso de Thomas Hobbes, que sustentou que, em estado natural, as pessoas iriam reivindicar cada vez mais direitos, ao invés de menos, levando a conflitos incessantes e cada vez maiores. Urge então a necessidade de um arbitrador soberano, acima e exterior à sociedade civil. A ideia jurídica por trás disso é clara: acordos requerem um fiscal externo que os torne vinculantes. O estado não pode portanto seguir daí, pois quem iria tornar esse mesmo acordo vinculante, se não há árbitros fora do estado? De duas, uma: ou será necessária a instauração de outro estado (caindo em regressão infinita) ou o próprio estado hobbesiano está, por si só, em estado de anarquia dentro de si mesmo. Na prática, nos encontramos no segundo caso, onde o estado não está vinculado a nenhum fiscal externo. Não há contratos fora do estado de modo que todos os conflitos envolvendo-o (seja dele com cidadãos privados, seja entre ele e seus parasitas) será sempre resolvido dentro de seus próprios mecanismos jurídicos, com suas próprias autoimpostas regras, i.e, com as restrições que ele mesmo, e apenas ele, se impõe a si. Em relação a si próprio, o estado ainda está no estado natural de anarquia caracterizada pela autofiscalização e pelo autocontrole, da mesma forma que a sociedade em “estado natural”. Só que pior: dado que o homem é como ele é, e dado que o estado é formado por homens, ele tem uma tendência natural a mediar seus conflitos em seu próprio benefício, em detrimento dos cidadãos privados. O totalitarismo é seu destino inevitável.
Outro teórico do Contrato Social foi John Locke, que assim como Hobbes inicia sua teoria focando num estado de natureza [5], que, através do contrato social, vai se tornar o estado civil. Porém, ao contrário de Hobbes, Locke vê a relação da sociedade com o Contrato Social não como uma subordinação, mas sim como um consentimento. E uma vez que o consentimento é dado, o governo, segundo Locke, tem o dever de retribui-lo garantindo a liberdade individual de duas formas básicas: fazendo valer o direito à propriedade para o homem conseguir seu sustento e sua busca à felicidade; e assegurando a estabilidade jurídica para que os homens possam resolver seus conflitos e assim assegurar a paz.
Um importante ponto do contratualismo lockeano é que a delegação de poder ao governante não retira dos indivíduos o direito de removê-la se eles julgarem que o governante traiu a confiança nele depositada:
“Pois todo poder concedido em confiança para se alcançar um determinado fim, estando limitado por este mesmo fim, sempre que este fim é manifestamente negligenciado, ou contrariado, a confiança deve necessariamente ser confiscada (forfeited) e o poder devolvido às mãos daqueles que o concederam, que podem depositá-lo de novo onde quer que julguem ser melhor para sua garantia e segurança.” [6]
Assim, o governante que quebra a confiança nele depositada está, segundo Locke, em estado de guerra com a sociedade, pois agiu de modo contrário ao direito, do mesmo modo que o indivíduo que viola a lei natural.
Apesar do significativo avanço do contratualismo lockeano frente ao de Hobbes no que diz respeito às liberdades individuais, dada sua ênfase na manutenção do direito natural à propriedade [7] e no consenso dos cidadãos, ele peca em ser demasiadamente ingênuo do ponto de vista político. O ponto de Locke a favor de um governo “voluntário” que tem legitimidade enquanto cumprir suas funções delegadas pela sociedade civil pode parecer razoável à primeira vista, mas, afinal, o estado é uma instituição de natureza definitiva, e as ações esperadas disso são determinadas pela sua natureza e não pelos nossos desejos e fantasias. Então, a verdadeira questão é se é realista esperar este tipo de operação automática e imparcial de um monopólio centralizado. E de fato, não é. O poder corrompe, porque atrai o corruptível. E o sistema de incentivos de um monopólio estatal é verdadeiramente perverso. A história está aí para mostrar que, como tendência geral, a liberdade humana é cada vez mais sufocada pela ameaça estatista e pouco ou nada pode-se fazer para deter isso dentro do âmbito político [8].
A experiência histórica da Revolução Americana foi profundamente influenciada por John Locke e ilustra muito bem o caráter utópico das ideias lockeanas de governo limitado e consensual. A famosa frase “Governos são instituídos entre os Homens, derivando seus justos Poderes do Consentimento dos Governados” foi proferida quando os revolucionários norte-americanos justificaram sua secessão do Império Britânico, dando um marco inicial à primeira república fundada por um ideário genuinamente liberal. A constituição americana foi redigida no propósito de limitar as funções do governo para os propósitos lockeanos e assim, em tese, proibia cabalmente o exercício de políticas esquerdistas (bem-estar social) e direitistas (belicismo). E é claro também que o significado geral da constituição não dá margens para dúvidas: o princípio dominante de que tudo que o Governo Federal não está autorizado a fazer está proibido de fazer. A décima emenda, por exemplo, proíbe o Governo Federal de exercer quaisquer poderes não especificamente atribuídos a ele pela constituição. Isso por si só invalidaria o estado de bem-estar social e, de fato, praticamente toda a legislação progressista. Mas quem se importa? Até mesmo o famoso jurista constitucional Robert Bork considerou a Décima Emenda politicamente inexequível.
A constituição americana já pode ser considerada morta desde a Guerra Civil, quando o direito de secessão foi negado aos estados do Sul. Ora, mas isso não era constitucional? Os estados federados não poderiam retirar-se da União? Lincoln, através dos resultados estabelecidos após a Guerra Civil, declarou que a União era “indissolúvel”, a menos que todos os estados federados concordassem em dissolvê-la. É sempre o próprio estado que irá decidir, pela força, o que a constituição “significa” firmemente decidindo a seu próprio favor e aumentando seu próprio poder em prol dos caprichos pessoais da casta política. Isto é verdade a priori, e a história americana apenas ilustrou isso. Assim, as pessoas são obrigadas a obedecer ao governo, mesmo quando os governantes traem seu juramento perante Deus de defender a constituição.
Daí em diante, as portas para o socialismo estavam escancaradas e o New Deal de Roosevelt foi a prova final desse fato. A América olhou calada a mais uma grave usurpação de poder, dessa vez de viés esquerdista, um claro golpe inconstitucional. Roosevelt e seus asseclas da Suprema Corte interpretaram a Cláusula do Comércio de forma tão abrangente de modo a autorizar praticamente qualquer reivindicação federal, e a Décima Emenda de forma tão restrita de forma a privá-la de qualquer força para frear tais reivindicações. Hoje, essas heresias são tão firmemente arraigadas que o Congresso raramente ainda se pergunta se uma proposta de lei é autorizada ou proibida pela constituição.
O estado não possui legitimamente propriedades
Ainda que não haja nenhum consenso em torno da estrutura política em que vivemos, o imposto para sustentá-la ainda poderia ser justificado caso o estado fosse considerado uma espécie de condomínio. Esse seria o caso se, e somente se, ele possuísse posses legítimas, pois daí seu território configuraria propriedade e o indivíduo que não estiver satisfeito com o retorno do imposto e se rejeitar a pagá-lo teria apenas a opção de deixar o “país” — do contrário, o uso de força por parte dos agentes do estado estaria justificada. Essa geralmente é a visão das ditaduras e dos regimes nacionalistas totalitários, onde o chavão “ame seu país, ou deixe-o” é muito comum e aparece em diversas versões nas propagandas governistas.
Veremos contudo que esse não é o caso e que a história do surgimento dos estados e de suas evoluções territoriais está profundamente marcada por guerras e injustiças nas delimitações de seus títulos de “propriedade”.
Dado que estamos analisando a justiça dos atos do próprio estado, precisamos de uma teoria legal consistente e independente do mesmo. Mais especificamente, precisamos de uma norma universal e atemporal acerca da justiça de delimitação de títulos de propriedade que nos forneça um critério preciso e objetivo de quando determinada posse é justa, i.e., quando ela configura a propriedade, entendida aqui como o direito legal de controle exclusivo de um bem escasso.
Comecemos então do início, respondendo à mais básica das perguntas do Direito: para que precisamos de leis? A chave para resolvê-la reside no conceito de escassez, que é o caracteriza nossa realidade econômica na Terra. Com efeito, se considerarmos um mundo de completa abundância, onde todos os recursos teriam replicabilidade infinita, sem danos às cópias originais, então nenhuma lei de delimitação de propriedades seria necessária e tampouco a ideia de “roubo” faria sentido. É apenas em virtude da finitude dos recursos disponíveis para o homem agir que necessitamos de uma regra universal para especificar quem tem o direito de controlar o quê. Na própria ação humana, o conceito de escassez já está subentendido, pois ao agir, o homem está fazendo escolhas específicas de como usar seu próprio corpo (também um recurso escasso) e os bens que o circundam. E escolher, i.e., preferir um estado de coisas a outro, implica que nem tudo, nem todos os prazeres ou satisfações possíveis podem ser obtidos de uma só vez e ao mesmo tempo. Ocorre na verdade o exato oposto: a ação humana implica que algo considerado menos valioso tem de ser declinado de forma a que se possa ater-se a qualquer outra coisa considerada mais valiosa. Assim, escolher também implica sempre a avaliação de custos: adiar possíveis prazeres porque os meios necessários para consegui-los são escassos e são ligados a algum uso alternativo que promete retornos mais valiosos que as oportunidades preteridas.
Assim sendo, a escassez combinada com o convívio do homem em sociedade produz conflitos que dizem respeito ao controle de um mesmo bem (i.e., um mesmo meio) para atingir fins distintos. Enquanto mais de uma pessoa existir, as amplitudes de suas ações se interceptarem, e enquanto não existir nenhuma harmonia e sincronização de interesses pré-estabelecidos entre essas pessoas, os conflitos sobre o uso do próprio corpo delas e dos recursos escassos em geral serão inevitáveis. É para resolver tais conflitos que as leis se fazem necessárias.
Uma vez que uma regra universal acerca do uso e controle de recursos escassos tenha sido estabelecida, e todos passarem a segui-la, então naturalmente os conflitos cessarão, pois as distinções entre o que é meu e seu estarão definidas por via dessa regra. As próximas perguntas que se seguem, que são inevitáveis nesse ponto, são: existe uma tal regra? E se existe, ela é única? Ou será que existe uma infinidade delas, sendo nossa escolha essencialmente arbitrária? A resposta é que existe apenas uma e sua escolha é uma necessidade lógica, dados os propósitos da lei. Pode-se concluir isto usando a exigência da universalidade e analisando a importante distinção entre posse e propriedade. A intuição aqui é bastante simples, pois se uma pessoa invade minha casa e toma meu carro, ela terá a posse dele, mas a propriedade do carro continua sendo minha, desde que, é claro, eu não tenha tomado esse carro de ninguém. Passemos a ser mais precisos.
Queremos determinar a justiça sobre a posse de um determinado bem X. [9] Vamos também exigir que o bem X seja de fato escasso, pois do contrário a própria noção legal de posse passa a não fazer sentido, já que bens não escassos, como as ideias por exemplo, podem estar em posse de uma infinidade de pessoas sem danos ou alterações ao bem original. Assim sendo, o bem X só pode ser controlado simultaneamente por um número limitado de pessoas. Suponhamos que ele esteja sobre a posse de um grupo de pessoas, que denotaremos por A e que outro grupo, digamos, B, reivindique essa posse. Quem tem direito ao controle exclusivo de X? Uma hipótese já pode ser descartada de antemão, a saber, se B reivindica X apenas por declaração verbal sem nunca ter tido um elo objetivo com X, pois se pudéssemos ter propriedades apenas por decretos, então jamais iríamos resolver conflitos, mas sim perpetuá-los, sistematizando-os legalmente no convívio em sociedade. Uma norma de delimitação por decreto verbal não atende ao propósito último da lei que é o de eliminar os conflitos.
Suponhamos então que a reivindicação de B se dá argumentando que, ao contrário de um mero decreto, ele teve um elo objetivo com X, assim como A o tem. O que deve ser feito a fim de determinar a propriedade de X? Novamente, precisamos nos ater à questão dos conflitos e distinguir quem é que teve o primeiro uso do bem X. Uma norma que visa resolver conflitos não pode ser consistente com as éticas retardatárias, dando privilégios de uso a quem tomou posse dos bens depois do usuário original. Com efeito, qualquer regra que fizesse com os que vieram depois, ou seja, aqueles que de fato não fizeram algo com os bens escassos, tivessem tanto ou mais direito quanto os que chegaram por primeiro, isto é, aqueles que fizeram algo com os bens escassos, então literalmente ninguém teria a permissão de fazer nada com nada, já que teriam de esperar pelo consentimento de todos os que ainda estivessem por vir antes de fazer o que quisessem. Se B fez uso posterior a A do bem X, sem o consentimento de A, então ele não pode ser proprietário de X, uma vez que uma tal regra, se universalizada, impossibilitaria o uso de X, também instaurando o conflito em sociedade. Em outras palavras, B, neste caso, seria classificado como um ladrão.
Resta-nos a última possibilidade de B ter feito o uso de X antes de A. Se assim for, então os papéis se invertem e A passa a ser um possuidor ilegítimo de X. Isto contudo não é suficiente para declararmos que B tem uma justa reivindicação a X, mas apenas que a reivindicação de B é mais justa que A. Pode ocorrer que outro indivíduo, ou grupo de pessoas, digamos, C, reivindique o bem X de B, mostrando, assim como B fez com A, que teve um elo objetivo mais antigo que o de B. Neste caso, C teria uma reivindicação melhor, mas que por si só não garante uma posse justa, pois com efeito, pode ainda surgir outro grupo D comprovando uma apropriação anterior a de C, e assim por diante. Obviamente, esse raciocínio para em um, e apenas um, dos dois seguintes momentos: 1) quando ninguém mais além do possuidor reivindica o bem X; ou 2) quando o bem X foi apropriado originalmente, i.e., retirado de seu estado natural. Em ambos os casos obtemos uma situação isenta de conflitos. E considerando, por abuso de linguagem, um bem abandonado, cujos possuidores anteriores não mais reivindicam sua propriedade, como um bem em “estado natural”, podemos — sem perda de generalidade para fins legais — unificar as análises dos casos 1) e 2) em uma só. Assim sendo, vemos da discussão acima que a posse de um bem escasso X só pode ocorrer isenta de conflitos se ela remonta a uma apropriação original, ou seja, no caso em que ela foi obtida por trocas contratuais voluntárias que formam uma cadeia que tem início em um possessor que retirou o bem o X de seu estado natural para o uso. E dado que a lei visa resolver conflitos, esta é a única posse do bem X legalmente justificável.
Obtemos então a famosa lei da apropriação natural, ou homesteading, que pode ser enunciada afirmando-se que todo homem tem o direito à posse exclusiva de qualquer bem escasso que ele remova do estado que a natureza tem proporcionado e deixado, fazendo para isso uso intencional de seu trabalho. Em poucas palavras, o homesteading diz que a primeira posse determinada a propriedade, i.e., o direito de excluir a posse terceiros ao bem apropriado. Nas palavras do filósofo libertário Hans-Hermann Hoppe:
“Para evitar conflitos desde o início, é necessário que a propriedade privada seja fundada a partir de atos de apropriação original. A propriedade deve ser estabelecida por meio de atos (em vez de meras palavras, decretos ou declarações), porque somente através da ação, que ocorre no tempo e espaço, um elo objetivo (verificável intersubjetivamente) pode ser estabelecido entre uma pessoa específica e uma coisa específica. E somente o primeiro apropriador de uma coisa anteriormente não-apropriada pode adquirir essa coisa e sua propriedade sem conflito, dado que, por definição, como primeiro apropriador, ele não pode ter incorrido em conflito com alguém ao se apropriar do bem em questão, uma vez que todos os outros apareceram em cena apenas posteriormente.”
Estamos agora em posição de determinar a justiça (ou a ausência dela) das posses estatais. São elas legitímas? A resposta é um claro e sonoro “não” e já foi analisada por diversos antropólogos e sociólogos. Exemplos de origens violentas de estados abundam na história antiga. O antropólogo alemão Franz Oppenheimer resumiu o que chamamos de origem exógena do estado pela típica história de um clã de famílias que, pressionado pela escassez de bens e pela queda no padrão de vida, resultante da superpopulação absoluta, resolveu por uma opção pacífica: não guerrear com outras tribos vizinhas e passar a produzir controlando a terra. E graças ao processo de produzir bens – ao invés de simplesmente consumi-los – eles passaram a poupar e estocar bens para o consumo posterior. Contudo, sendo que a natureza do homem é como ela é, outras tribos bárbaras passaram a cobiçar os bens acumulados desse clã e iniciou-se aí uma temporada de ataques violentos: mortes, sequestros e grandes assaltos. O clã voltou à condição inicial de pobreza e com menos capital humano demorou a se restabelecer para conseguir produzir excedentes novamente. Os bárbaros saqueadores se deram conta de que seus roubos seriam mais longos, seguros e confortáveis se eles permitissem que o clã continuasse produzindo mas com a condição de que agora os conquistadores se tornariam governantes, exigindo um tributo periódico sobre o uso dos bens de capital e monopolizando a terra para o controle de migrações. E é por esse processo de conquista e dominação que Oppenheimer definiu seu conceito sociológico de estado:
“O que é, então, o estado como conceito sociológico? O estado, na sua verdadeira gênese, é uma instituição social forçada por um grupo de homens vitoriosos sobre um grupo vencido, com o propósito singular de domínio do grupo vencido pelo grupo de homens que os venceram, assegurando-se contra a revolta interna e de ataques externos. Teleologicamente, este domínio não possuía qualquer outro propósito senão o da exploração econômica dos vencidos pelos vencedores.” [10]
Alguns exemplos bastante ilustrativos disso foram dados pelos arqueólogos Charles Stanish e Abigail Levine da universidade de Chicago. Em artigo publicado em 2011 pela Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS), os autores descreveram processos de dominação sucessivas de algumas aldeias que precederam o Império Inca na América do Sul. Os primeiros sinais de guerra remontam a pelo menos a 500 a.C. e, com o aumento populacional, os conflitos foram se intensificando. Já no primeiro ano d.C. a aldeia de Taraco foi invadida, provavelmente por forças de Pukara, outro centro regional da área. Pukara, por sua vez, teve seu status como estado primitivo até cerca de 500 d.C., quando foi absorvido pela Tiwanaku, o estado principal do outro lado da bacia do Lago Titicaca.
Um processo muito similar de um estado inicial surgindo de decorrentes chiefdoms beligerantes foi identificado no vale de Oaxaca do México por um estudo de Kent V. Flannery e Joyce Marcus, dois arqueólogos da Universidade de Michigan, também publicado no PNAS. Por 4.500 anos atrás, havia cerca de 80 aldeias do vale. Com o aumento populacional, um período de guerra intensa se instaurou a partir de 2.450 a 2.000 anos atrás, que culminou com a vitória de uma cidade sobre todas as demais no vale e finalmente com a formação do estado Zapotec.
Dr. Stanish acredita que a guerra era a parteira dos primeiros estados que surgiram em muitas regiões do mundo, incluindo a Mesopotâmia e a China, bem como as Américas. Os primeiros estados, em sua opinião, não foram impulsionados por forças além do controle humano, como clima e geografia, como alguns historiadores têm suposto. Em vez disso, eles foram moldados pela escolha humana como pessoas procuraram novas formas de dominação e novas instituições para as sociedades mais complexas que estavam se desenvolvendo. O comércio era uma dessas instituições de cooperação para a consolidação de grupos mais organizados. Depois veio a guerra que serviu como força de conquista para a formação de grupos maiores, que vieram a ser os protoestados.
Apesar de ser o caso mais frequente, nem só de guerra os estados adquiriram a forma que têm hoje. Com o crescimento de seus territórios, novas formas mais complexas de anexação de territórios foram surgindo. Ao longo da história moderna, abundam exemplos de pactos feitos pelos estados europeus para aquisição de territórios por decreto verbal. Um famoso exemplo é o Tratado de Tordesilhas assinado entre Portugal e Espanha para declarar divisão de posse de terras ainda não exploradas ao longo da América Sul e assim resolver os conflitos de terras após a descoberta do Novo Mundo por Cristóvão Colombo. Mais precisamente, o Tratado estabelecia a divisão das áreas de influência dos países ibéricos, cabendo a Portugal as terras “descobertas e por descobrir” situadas antes da linha imaginária que demarcava 1.770 km a oeste das ilhas de Cabo Verde, e à Espanha as terras que ficassem além dessa linha. Outro exemplo de conquista territorial por decreto é o Tratado da Antártida, um documento assinado em 1 de dezembro de 1959 pelos países que reclamavam a posse de partes continentais da Antártida. Embora sem definir partes da Antártida como território dos países signatários, mas sim como “patrimônio de toda a Humanidade” — um termo que nada significa —, o fato é que o continente foi repartido para posses — ainda que parciais e temporárias [11] — desses países perante uma clara ausência de elo objetivo. Exemplos recentes no Oriente Médio, por exemplo, Israel, também ilustram aquisição territorial por parte de decretos.
No geral, a história territorial dos estados está majoritariamente marcada por aquisições fora da lei. Isto já basta para decretarmos os territórios que eles reivindicam como ilegítimos e os próprios estados como foras da lei. De fato, a apropriação por decreto tem o efeito de privar os indivíduos de se apropriar de terras virgens, o que obviamente configura um crime, visto que a apropriação original é um direito natural. Quem tem o costume de viajar por vias rodoviárias entre cidades ou até estados já deve ter notado a enorme quantidade de terra não trabalhada e não ocupada que está na posse de governos, conhecidas por terras devolutas.
No Brasil há também o famoso exemplo da Amazônia, uma valiosa terra de ninguém que o governo brasileiro reivindica para si de forma completamente arbitrária. Já a apropriação por conquista militar é um roubo, um assalto a mão armada em escala geográfica, sendo obviamente também uma ilegitimidade.
O fato é que a imensa maioria do território sob controle dos estados foi na verdade apropriado originalmente pelos seus súditos, que hoje, além de terem apenas um controle parcial da propriedade sobre seus nomes, ainda estão sob constante ameaça armada do estado para darem a ele significativas parcelas dos frutos de seus rendimentos (imposto). E ainda que asseclas do estado tenham também se apropriado por trabalho de terras a mando dos governantes, isso não dá ao estado a propriedade delas pois, como visto acima, o estado está em débito jurídico com seus súditos. Ao contrário do que ocorre hoje, é o estado quem deve ter o uso de suas posses conquistadas legitimamente restringido e aos seus súditos deve ser dado o pleno direito de usufruto de todas propriedades sob seus nomes, até que alguém mostre juridicamente que elas não são legítimas. Vale sempre a máxima do Direito que diz que o ônus da prova é sempre de quem afirma. Em outras palavras, todos os cidadãos pacíficos devem ter o direito inalienável à auto-determinação e portanto à secessão individual, desvinculando todas suas propriedades dos monopólios jurídicos estatais. Em particular, ninguém deve ser obrigado a pagar qualquer tipo de taxa não contratual ao estado e imposto é roubo.
Notas
[1] Visto que originalmente, a constituição americana não concedia ao governo federal o poder de cobrar imposto de renda, ainda hoje há um amplo debate nos EUA sobre a legitimidade da coleta do Imposto de Renda. Foi apenas com a 16ª emenda que esse poder foi concedido ao estado americano, mas tal emenda nunca foi adequadamente ratificada. Segundo o economista Peter Schiff, filho de Irwin, no seu artigo em protesto pela morte de seu pai encarcerado:
“meu pai sempre foi mais conhecido por sua inflexível oposição à legalidade do Imposto de Renda, postura essa que levou o governo federal a rotulá-lo como um “manifestante tributário”. Meu pai não era anarquista e, sendo assim, admitia uma tributação moderada e objetiva. Ele acreditava que o governo tinha uma função importante, porém limitada, em uma economia de mercado. Ele, no entanto, se opunha à ilegal e inconstitucional imposição de um confisco da renda pelo governo federal, no forma do Imposto de Renda.”
Por sua cruzada anti-imposto de renda, Irwin Schiff faleceu na condição de prisioneiro político americano no dia 16 de outubro de 2015, aos 87 anos de idade, cego e algemado a uma cama de hospital dentro de um quarto de UTI vigiado por agentes armados do estado.
[2] Para mais detalhes sobre isso, veja meu artigo “Da Natureza do Estado à Cooperação Pacífica Por Segurança e Ordem”. Lá são fornecidos exemplos de arranjos privados de ordem e justiça na história, além de uma análise econômica de sistemas de produção privada de segurança.
[3] Para argumentos no sentido oposto, ou seja, da possibilidade de uma sociedade sem estado poder prosperar e se defender do surgimento de máfias governantes, veja esse texto de Robert Murphy.
[4] Na parte I do livro III da sua obra Tratado da Natureza Humana, Hume escreveu:
“Em todo sistema de moral que até hoje encontrei, sempre notei que o autor segue durante algum tempo o modo comum de raciocinar, estabelecendo a existência de Deus, ou fazendo observações a respeito dos assuntos humanos, quando, de repente, surpreendo-me ao ver que, em vez das cópulas proposicionais usuais, como é e não é, não encontro uma só proposição que não esteja conectada a outra por um deve ou não deve. Essa mudança é imperceptível, porém da maior importância. Pois como esse deve ou não deve expressa uma nova relação ou afirmação, esta precisaria ser notada e explicada; ao mesmo tempo, seria preciso que se desse uma razão para algo que parece totalmente inconcebível, ou seja, como essa nova relação pode ser deduzida de outras inteiramente diferentes.”
HUME, David. Tratado da Natureza Humana. Tradução de Débora Danowiski. Livro III, Parte I, Seção II. São Paulo, Editora UNESP, 2000, p. 509
[5] Há contudo algumas diferenças importantes na teoria de ambos do estado de natureza. Nesse sentido, Locke se opõe a Hobbes e Filmer, que julgavam que o estado de natureza é a-social e pré-moral, pois nele os homens não estariam submetidos a lei alguma. Para Locke, não apenas a sociabilidade é natural aos homens (não há, segundo ele, existência humana que não seja social) mas também existe uma lei que limita as ações no estado de natureza e cada indivíduo exerce um poder de julgá-la e executá-la com respeito aos demais.
[6] LOCKE, John. 1993a [1690]. Two Treatises of Government. Ed. Peter Laslett. Cambridge: Cambridge Univ. Press. Trad. de Júlio Fisher: Dois Tratados sobre o Governo. São Paulo: Martins Fontes, 1998. xiii.149; trad. modificada.
[7] Note contudo a flagrante contradição lógica nisto: um monopólio forçado da segurança e da justiça jamais poderá garantir a propriedade privada, pois, barrando a entrada de concorrentes, ele vai arbitrar unilateralmente e sem restrições o preço de seus serviços que terão que ser obrigatoriamente pagos. Isso significa que ele, por definição mesmo, já inicia todo o processo roubando os cidadãos. Assim, um protetor monopolista é sempre um expropriador, uma contradição em termos. Nas palavras de Walter Block, em “National Defense and the Theory of Externalities, Public Goods, and Clubs”:
“Argumentar que um governo cobrador de impostos pode legitimamente proteger seus cidadãos contra agressão é cair em contradição, uma vez que tal entidade inicia todo o processo fazendo exatamente o oposto de proteger aqueles sob seu controle.”
[8] No artigo “Por que devemos rejeitar a política” eu discuto o fracasso e a imoralidade da política partidária e dos meios políticos em geral.
[9] Para uma outra abordagem para a justificação do homesteading, utilizando o conceito de Ética da Argumentação, veja o meu artigo “A ética argumentativa hoppeana”.
[10] Franz Oppenheimer, The State (New York: Vanguard Press, 1926) p. 15.
[11] As posses previstas no Tratado Antártico se limitam a fins pacíficos, com ênfase na atividade científica, sendo vedada a realização de explosões nucleares e o depósito de resíduos radioativos. O Tratado determinou que até 1991 a Antártida não pertenceria a nenhum país em especial, embora todos tivessem o direito de instalar ali bases de estudos científicos. Na reunião internacional de 1991 os países signatários do Tratado resolveram prorrogá-lo até 2041.
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2018.11.13 13:35 Dinohobby Pediram para eu postar aqui também. Traduzi o texto famoso do filho incel do r/self "My son is a hateful incel, and I just cannot save him or defend him anymore."

link original pra quem quiser: https://www.reddit.com/self/comments/9vs05k/my_son_is_a_hateful_incel_and_i_just_cannot_save/

Meu garoto, meu filho mais velho, era tão bom quando pequeno, mas algo dentro dele quebrou quando ele era adolescente.
Minha esposa e eu sempre aceitamos, amamos e encorajamos ele. Nós o ensinamos a trabalhar duro e tratar as pessoas com respeito. Eu não sei onde exatamente nós falhamos com ele, mas como um pai eu me sinto responsável pelo que ele se tornou.
Começou quando ele tinha 14 anos. Ele tinha começado a se tornar recluso e emocional. Nós julgamos que era apenas as alterações de humor da adolescência. Por algum motivo ele era irritadiço e amargo o tempo todo. Nós estávamos preocupados com sua falta de vida social e sua dependência de seu computador. Ele meio que se escondia no mundo online então eu e minha esposa começamos a limitar seu tempo no computador, mas isso só o tornou mais agressivo e confrontador.
Sua higiene era ruim, e ele sempre nos confrontava quando pedíamos para que tomasse um banho ou lavasse suas roupas. Seu quarto fedia e eventualmente tivemos uma grande briga quanto a isso, onde ele acabou empurrando minha mulher e xingando-a de vadia. Finalmente conseguimos o fazer limpar e deixar entrar ar em seu quarto regularmente, justificando que a casa era nossa e que se ele não conseguia manter seu espaço em dia então não teria direito a tê-lo – essencialmente chegamos ao ponto em que nós dissemos a ele que não teria posse de suas coisas nem privacidade a menos que cuidasse do espaço que todos nós dividimos. O quarto ainda tinha um cheiro terrível e ele continuava sendo rude quanto a limpeza, mas ao menos nós podíamos falar para ele limpar e ele o faria.
Nós acabamos recebendo uma ligação de sua escola dizendo que uma estudante se sentia abusada por ele. Nos mostraram mensagens onde ele continuava repetindo para ela transar com ele, ameaçando “punir” ela por ter um relacionamento com ele sem querer fazer isso, enviando nudes para ela contra a vontade dela, contando suas fantasias violentas e eventualmente se rebaixando para reclamações horríveis cheias de ódio sobre como ela era apenas mais uma “vadia” e outras coisas.
Nós ficamos chocados. Nós explicamos para ele o porquê desse comportamento ser inaceitável, e eu disse que não havia problema em ser sexualmente ativo, mas que suas ações eram tóxicas e abusivas.
Eu tentei orienta-lo de homem para homem, levando ele para viagens de acampamento e coisas parecidas, além de falar com ele sobre garotas e mulheres e tentando dar dicas para ele. Eu sugeri para ele que tentasse tomar banho, mudasse o estilo de seu cabelo e pelos faciais, experimentasse roupas diferentes e talvez começasse a ir a uma academia.
Contei a eles algumas verdades doidas – que se ele não quer uma mulher nojenta ele não deve ser um homem nojento. Com homem nojento eu quis dizer higiene e aparência. Expliquei para ele que uma boa aparência é mais higiene e cuidado próprio que genética mas ele se recusou a aceitar o que eu disse.
Depois disso eu o peguei fungando as calcinhas de sua irmã na lavanderia – ele tinha 17 anos na época, e sua irmã 12 – ele me assegurou que isso não tinha nada a ver com sua irmã, e disse que ele apenas tinha um fetiche por cheirar calcinhas e que ele fingia que elas eram de garotas de vídeos pornô, mas ainda assim o fiz sentir o inferno por isso, deixando ele de castigo e sem seu computador por 6 meses. Eu acabei dando uma olhada em seu computador e fiquei enojado com os forums odiáveis, racistas e de incels (celibatários involuntários, homens que não conseguem ter relações sexuais e amorosas e culpam as mulheres e os homens sexualmente ativos por isso) que ele frequentava, as coisas horríveis que ele falava sobre mulheres, e arquivos salvos com pornô de desenhos com garotas de idade duvidável. Eu limpei o HD por completo e comecei a monitorar estritamente sua atividade online. Eu usei filtros parentais para bloquear sites de incels e pornôs que possuíam pornografia cartoonizada.
O próximo grande problema foi algo que ele fez com a amiga de minha filha. Minha filha é cinco anos mais nova que ele, e um dia depois de uma amiga dela ter vindo dormir em casa minha filha veio até mim e disse que essa amiga queria contar algo para mim mas estava com medo do que eu poderia falar.
Meu filho encurralou essa garota de 13 anos e fisicamente bloqueou o caminho, tocou seu cabelo e rosto enquanto fazia comentários inapropriados sobre seu corpo e perguntando se ela gostava de dormir nua e que tipo de roupas intima ela usava.
Eu rasguei com meu filho por isso, eu e minha esposa gritamos com ele, e dissemos que seu comportamento era horrível e falei que se seus atos o fizessem ser preso, eu não iria defendê-lo. Ele nos acusou de não ama-lo, mas eu disse que a razão para eu estar tão bravo com ele naquela situação era exatamente porque eu o amava, e que eu queria ajudar ele a se tornar um bom homem para que ele parasse de ser predatório, amargo e miserável. Eu contei algumas verdades duras. Que ele fez tudo isso a si mesmo e que ele é o único que ele pode culpar pelo quão amargo ele é.
Eu sugeri que ele procurasse por mulheres de sua idade e ele acabou reclamando que isso era uma perda de tempo pois mulheres já eram putas (e sua definição de puta é uma mulher que não é virgem) aos 17 anos. Eu chamei sua atenção por conta dessa merdalhada que ele disse e demonstrei claramente que se ele abusasse novamente de alguma garota jovem eu mesmo o denunciaria.
Eu convidei a amiga da minha irmã para vir em casa depois disso e pessoalmente pedi desculpas pelo ocorrido, eu chorei de vergonha pelo comportamento do meu filho e implorei por perdão por permitir que ela se sinta insegura em minha residência, além de prometer a ela que se ela a qualquer momento se sentisse desconfortável ela poderia vir até minha esposa e eu e nós sempre acreditaríamos e ajudaríamos ela. Por sorte, minha filha não perdeu essa amiga, mas por segurança eu instalei uma fechadura na porta de seu quarto.
Nós conseguimos uma terapia para meu filho mas ele se recusou a entrar em contato com o terapeuta, chamando ele de “árabe escroto”, “pajeet” e “terrorista”. Seu próximo terapeuta era um “chad” (chad, na cultura da internet, é um pau no cu estereotipado, com um ego do tamanho de um planeta que precisa de um chute no queixo, normalmente considerado o “babaca que elas correm atrás”) e portanto também não conseguir ir com a cara dele.
Nós brigamos com ele por não tentar, não conseguir um emprego e ele disse que não conseguia um por conta dos imigrantes, e eu acabei apontando que ele estava tendo dificuldades pois ele foi demitido de seus trabalhos do colégio por ser preguiçoso.
Depois dessas brigas, minha esposa tentou empatizar com ele e entender o que o tornou tão amargo, mas ele se virou contra ela, chamando ela de uma puta devoradora de rolas e disse que ela “fodeu” seu caminho por dezenas de homens até que ela encontrou um “viado beta” que estava disposto a dar um lar para ela em troca de sexo missionário.
Minha esposa, que trabalha e ajuda na renda familiar, que é uma mulher independente e profissional.
Honestamente eu perdi a mente nisso mais do que nunca. Eu nunca havia ficado tão bravo quanto quando eu ouvi o que ele disse. Ela pode ser a mãe dele, ele pode ser meu filho, mas a mulher que ele estava xingando e acabando era a porra da minha esposa. Ninguém fala assim da minha esposa.
Eu estou envergonhado de dizer que no meio da minha fúria ele me empurrou e eu retaliei fisicamente, empurrando ele de volta e colando ele na parede. Eu senti vergonha de mim mesmo. Eu nunca fui uma pessoa brava ou violenta, mas eu não pude me controlar. Eu nunca havia colocado minhas mãos em qualquer um dos meus filhos daquela forma em toda minha vida, eu odeio quem abusa de suas próprias crianças, mas esse garoto não era nenhuma criança. Ele era um homem crescido.
Ele ficou intimidado e recuou, e por um tempo ele ficou pacífico.
A gota d’água aconteceu essa semana.
Minha filha ficou com três pessoas em sua vida toda. Um garoto, uma garota e agora outro garoto. Nós sempre fomos abertos quanto a sexo com minha filha do mesmo jeito que éramos com meu filho. Nós perguntamos se ela gostaria de ter um estoque regular e sem questionamento de preservativos em sua gaveta no banheiro, e se ela gostaria de tomar anticoncepcionais. Ela disse não para as duas perguntas com seu primeiro namorado. Ela nunca o trouxe para casa, mas chegamos a encontrar ele uma vez em um de seus recitais. Quando ela teve uma namorada ela ia para a casa dela direto, e não queria trazer ela para a mesma casa que seu irmão morava, um sentimento que eu entendia.
Mas seu mais recente namorado tinha muita coisa acontecendo por trás em sua família. Ele é um bom garoto mas sua mãe é uma mãe solteira de quatro filhos e sofria bastante por isso.
Esse garoto começou a frequentar nossa casa mais ou menos um mês depois deles se juntarem. Eu gosto dele, minha filha é feliz com ele, ele trata ela com respeito, é inteligente e um absoluto cavalheiro. Ele é respeitoso e educado em nossa casa, ele me chama de senhor, minha esposa de madame e oferece ajuda para cozinhar e lavar a louça ou até mesmo limpar a casa quando ele visita. Ele conversa com a gente, é meio que um cozinheiro amador e trás comida para nós o tempo todo para agradecer os nossos cuidados a ele. Quando nós saímos para jantar ele sempre oferece pagar para ele e minha filha (mas eu sei que ele não tem muito dinheiro então eu pago para ele). Quando saímos do carro ele sempre abre a porta para minha esposa e oferece a mão dele para ajudar ela a descer. Ele segura as portas, quando saímos para algum lugar ele ajuda minha filha a colocar a jaqueta como naqueles casais doces e tradicionais.
Esse jovem trabalha duro, e dá o pouco que tem para sua mãe e irmãos. Como eu disse, eu realmente respeito o garoto. Eu ofereci dinheiro para ele uma vez para que fizesse compras para sua família mas ele recusou e disse que se sentiria culpado por aceitar meu dinheiro daquele jeito. Ele aprecia as coisas – no inverno, estava -20 graus e ele tinha apenas uma roupa com capuz, então eu enrolei minha jaqueta em seus braços e disse “tome, garoto, está frio”. Ele encheu os olhos de lágrimas e agradeceu, e eu dei alguma desculpa sobre querer me livrar da jaqueta e disse que ele poderia ficar com ela se ele trouxesse alguns biscoitos a próxima vez que nos visitasse.
Quando o Natal chegou, eu o convidei para a ceia, e quando eu fui buscar ele eu deixei alguns presentes para sua família, e no caminho de volta para minha casa nós tivemos um momento. Ele estava chorando, pois não tinha muito o que dar para nós – ele deu um presente para todos nós em casa mas chorou mesmo assim pois sentiu que não era o suficiente considerando o que eu fiz por ele. Eu encostei o carro, e o abracei, dizendo que não importava o valor do que ele nos dava, mas sim que ele nos deu algo afinal. Eu agradeci ele por tratar minha filha tão bem, e eu disse que ele era sempre bem vindo em nossa casa.
Meu próprio filho não tinha nos dado nada de natal, nem mesmo um cartão ele comprou com o dinheiro que nós demos a ele. Esse garoto deu para minha esposa e a mim taças de vinho que combinavam visto que nós gostamos de dividir uma garrafa de vez em quando.
Meu filho não comeu com a gente. Ele pegou a comida da mesa e correu de volta ao seu quarto sozinho enquanto o namorado de minha filha conhecia minha irmã e sua família, meus pais e meu tio. Todos eles disseram que ele era charmoso e muito educado. Enquanto isso, depois da janta, meu filho disse para meu sobrinho de 5 anos “vaza daqui seu viado” por ter pedido para jogar algum jogo com ele. Um homem de mais de 20 anos.
Semana passada, minha esposa e eu ficamos fora uma tarde toda para aproveitar um tempo a sós. Nós fomos jantar, e então nós fomos para um bar para jogar um pouco de sinuca, e depois para casa.
Quando entrei em casa, os garotos estavam gritando uns com os outros. Eu corri e vi meu filho e o namorado de minha filha brigando. O namorado estava apenas empurrando e tentando redirecionar meu filho, meu filho estava socando e investindo contra ele. Minha filha estava chorando e sentada encostada à parede escondendo seu rosto. Eu entrei no meio deles e os separei, demandando uma explicação.
Meu filho começou um barraco falando sobre como ele achou anticoncepcionais e ouviu sons de “putaria” vindo de dentro do quarto dela, então ele arrombou a porta e encontrou eles transando, disse que não acreditava que sua irmã era uma “puta de um preto” e chamou o pobre coitado de macaco e outras coisas.Minha esposa levou minha filha e seu namorado para longe dali. Eu gritei com meu filho pelos seus atos. Eu não consegui chegar a lugar nenhum com ele então fiz ele esperar em seu quarto. Eu fui falar com minha filha. Pedi desculpas para seu namorado, chorando enquanto eu o fazia, dizendo que eu esperava que ele me perdoasse por deixar isso acontecer. Ele disse que ele estava arrependido de ter ficado violento, mas disse que só ficou pois meu filho bateu em sua namorada. Minha filha chorou e disse que seu irmão era um psicopata e a ameaçou de estupro, e que ele admitiu já ter gozado em sua escova de dentes e de cabelo.
Eu corri para o quarto dele, e disse firmemente que ele tinha que pegar suas coisas e sair. Eu disse que pagaria para ter suas coisas enviadas a ele, para onde ele fosse, mas que ele iria embora amanhã.
Minha esposa ficou na casa das minhas irmãs, e minha filha e seu namorado ficaram na casa dele por algumas noites.
No dia seguinte eu praticamente atirei meu filho para fora de casa enquanto ele gritava e chutava.
Eu tomei sua chave e mudei a senha do alarme e da porta da garagem. Um dia depois eu recebi uma mensagem requisitando que algumas de suas coisas – quase tudo seus jogos – sejam enviadas para um prédio estranho que eu não reconheci a algumas cidades daqui. Um homem aparentemente da idade de colegial tocou a campainha e eu entreguei as coisas a ele. Eu não vi meu filho.
Minha esposa e eu fomos até seu quarto. O namorado da minha filha veio em casa e ajudou a mover os móveis para a garagem. Nós jogamos fora seu colchão e outras coisas nojentas e fedidas, além de retirarmos e substituirmos o carpete.
Escondido em seu armário estava um monte de calcinhas da minha filha, tão saturadas com bolor e sêmen velho que estavam tão duras quanto tijolos. Talvez a pior parte seja que existiam algumas que minha filha jurava não ser dela, além de serem pequenas demais para serem da minha esposa. É possível que ele tenha roubado de minhas sobrinhas.
Tinha até mesmo um caderno contendo desenhos explícitos do meu filho estuprando violentamente várias mulheres e mantendo garotas pequenas acorrentadas em algum tipo de “calabouço sexual”. Eu mexi em seu celular antigo que ainda estava funcionando, e todas suas fotos eram screenshots de minhas sobrinhas e suas amigas usando biquínis, muitos pornôs de cartoons, muitos memes de incell, Trump e red pill (red pill, vinda do filme Matrix onde Morpheus oferece uma pílula vermelha para Neo, o fazendo acordar, é um termo na internet usada entre conservadores e apoiadores do Trump para explicar quando uma pessoa acordou de uma vida de doutrinação esquerdista). Ele ainda tinha o messenger, então eu chequei suas mensagens, a maioria delas era apenas ele tentando abusar de mulheres e garotas menores de idade.
Eu dei uma olhada em seu e-mail e, para meu desgosto, ele roubou fotos privadas da minha esposa de seu celular, e estava vendendo elas.
Hoje eu fui até a polícia com tudo que eu tinha e contei tudo que sabia.
Eu dei ao meu garoto tudo... Eu não sei porque ele acabou nesse caminho. Eu sou muito arrependido de ter falhado com ele. Eu não sei o que a polícia fará, mas espero que eles parem ele antes que ele machuque mais alguém.
A coisa mais triste é que, ontem, depois que tudo tinha terminado e acalmado, foi um dia maravilhoso. Um dos dias mais felizes que já tivemos.




É isso, se alguém quiser que eu altere alguma coisa é só falar, os edits são para isso


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2018.11.13 03:45 Dinohobby Traduzi o texto famoso do filho incel do r/self "My son is a hateful incel, and I just cannot save him or defend him anymore."

link original pra quem quiser: https://www.reddit.com/self/comments/9vs05k/my_son_is_a_hateful_incel_and_i_just_cannot_save/

Meu garoto, meu filho mais velho, era tão bom quando pequeno, mas algo dentro dele quebrou quando ele era adolescente.
Minha esposa e eu sempre aceitamos, amamos e encorajamos ele. Nós o ensinamos a trabalhar duro e tratar as pessoas com respeito. Eu não sei onde exatamente nós falhamos com ele, mas como um pai eu me sinto responsável pelo que ele se tornou.
Começou quando ele tinha 14 anos. Ele tinha começado a se tornar recluso e emocional. Nós julgamos que era apenas as alterações de humor da adolescência. Por algum motivo ele era irritadiço e amargo o tempo todo. Nós estávamos preocupados com sua falta de vida social e sua dependência de seu computador. Ele meio que se escondia no mundo online então eu e minha esposa começamos a limitar seu tempo no computador, mas isso só o tornou mais agressivo e confrontador.
Sua higiene era ruim, e ele sempre nos confrontava quando pedíamos para que tomasse um banho ou lavasse suas roupas. Seu quarto fedia e eventualmente tivemos uma grande briga quanto a isso, onde ele acabou empurrando minha mulher e xingando-a de vadia. Finalmente conseguimos o fazer limpar e deixar entrar ar em seu quarto regularmente, justificando que a casa era nossa e que se ele não conseguia manter seu espaço em dia então não teria direito a tê-lo – essencialmente chegamos ao ponto em que nós dissemos a ele que não teria posse de suas coisas nem privacidade a menos que cuidasse do espaço que todos nós dividimos. O quarto ainda tinha um cheiro terrível e ele continuava sendo rude quanto a limpeza, mas ao menos nós podíamos falar para ele limpar e ele o faria.
Nós acabamos recebendo uma ligação de sua escola dizendo que uma estudante se sentia abusada por ele. Nos mostraram mensagens onde ele continuava repetindo para ela transar com ele, ameaçando “punir” ela por ter um relacionamento com ele sem querer fazer isso, enviando nudes para ela contra a vontade dela, contando suas fantasias violentas e eventualmente se rebaixando para reclamações horríveis cheias de ódio sobre como ela era apenas mais uma “vadia” e outras coisas.
Nós ficamos chocados. Nós explicamos para ele o porquê desse comportamento ser inaceitável, e eu disse que não havia problema em ser sexualmente ativo, mas que suas ações eram tóxicas e abusivas.
Eu tentei orienta-lo de homem para homem, levando ele para viagens de acampamento e coisas parecidas, além de falar com ele sobre garotas e mulheres e tentando dar dicas para ele. Eu sugeri para ele que tentasse tomar banho, mudasse o estilo de seu cabelo e pelos faciais, experimentasse roupas diferentes e talvez começasse a ir a uma academia.
Contei a eles algumas verdades doidas – que se ele não quer uma mulher nojenta ele não deve ser um homem nojento. Com homem nojento eu quis dizer higiene e aparência. Expliquei para ele que uma boa aparência é mais higiene e cuidado próprio que genética mas ele se recusou a aceitar o que eu disse.
Depois disso eu o peguei fungando as calcinhas de sua irmã na lavanderia – ele tinha 17 anos na época, e sua irmã 12 – ele me assegurou que isso não tinha nada a ver com sua irmã, e disse que ele apenas tinha um fetiche por cheirar calcinhas e que ele fingia que elas eram de garotas de vídeos pornô, mas ainda assim o fiz sentir o inferno por isso, deixando ele de castigo e sem seu computador por 6 meses. Eu acabei dando uma olhada em seu computador e fiquei enojado com os forums odiáveis, racistas e de incels (celibatários involuntários, homens que não conseguem ter relações sexuais e amorosas e culpam as mulheres e os homens sexualmente ativos por isso) que ele frequentava, as coisas horríveis que ele falava sobre mulheres, e arquivos salvos com pornô de desenhos com garotas de idade duvidável. Eu limpei o HD por completo e comecei a monitorar estritamente sua atividade online. Eu usei filtros parentais para bloquear sites de incels e pornôs que possuíam pornografia cartoonizada.
O próximo grande problema foi algo que ele fez com a amiga de minha filha. Minha filha é cinco anos mais nova que ele, e um dia depois de uma amiga dela ter vindo dormir em casa minha filha veio até mim e disse que essa amiga queria contar algo para mim mas estava com medo do que eu poderia falar.
Meu filho encurralou essa garota de 13 anos e fisicamente bloqueou o caminho, tocou seu cabelo e rosto enquanto fazia comentários inapropriados sobre seu corpo e perguntando se ela gostava de dormir nua e que tipo de roupas intima ela usava.
Eu rasguei com meu filho por isso, eu e minha esposa gritamos com ele, e dissemos que seu comportamento era horrível e falei que se seus atos o fizessem ser preso, eu não iria defendê-lo. Ele nos acusou de não ama-lo, mas eu disse que a razão para eu estar tão bravo com ele naquela situação era exatamente porque eu o amava, e que eu queria ajudar ele a se tornar um bom homem para que ele parasse de ser predatório, amargo e miserável. Eu contei algumas verdades duras. Que ele fez tudo isso a si mesmo e que ele é o único que ele pode culpar pelo quão amargo ele é.
Eu sugeri que ele procurasse por mulheres de sua idade e ele acabou reclamando que isso era uma perda de tempo pois mulheres já eram putas (e sua definição de puta é uma mulher que não é virgem) aos 17 anos. Eu chamei sua atenção por conta dessa merdalhada que ele disse e demonstrei claramente que se ele abusasse novamente de alguma garota jovem eu mesmo o denunciaria.
Eu convidei a amiga da minha irmã para vir em casa depois disso e pessoalmente pedi desculpas pelo ocorrido, eu chorei de vergonha pelo comportamento do meu filho e implorei por perdão por permitir que ela se sinta insegura em minha residência, além de prometer a ela que se ela a qualquer momento se sentisse desconfortável ela poderia vir até minha esposa e eu e nós sempre acreditaríamos e ajudaríamos ela. Por sorte, minha filha não perdeu essa amiga, mas por segurança eu instalei uma fechadura na porta de seu quarto.
Nós conseguimos uma terapia para meu filho mas ele se recusou a entrar em contato com o terapeuta, chamando ele de “árabe escroto”, “pajeet” e “terrorista”. Seu próximo terapeuta era um “chad” (chad, na cultura da internet, é um pau no cu estereotipado, com um ego do tamanho de um planeta que precisa de um chute no queixo, normalmente considerado o “babaca que elas correm atrás”) e portanto também não conseguir ir com a cara dele.
Nós brigamos com ele por não tentar, não conseguir um emprego e ele disse que não conseguia um por conta dos imigrantes, e eu acabei apontando que ele estava tendo dificuldades pois ele foi demitido de seus trabalhos do colégio por ser preguiçoso.
Depois dessas brigas, minha esposa tentou empatizar com ele e entender o que o tornou tão amargo, mas ele se virou contra ela, chamando ela de uma puta devoradora de rolas e disse que ela “fodeu” seu caminho por dezenas de homens até que ela encontrou um “viado beta” que estava disposto a dar um lar para ela em troca de sexo missionário.
Minha esposa, que trabalha e ajuda na renda familiar, que é uma mulher independente e profissional.
Honestamente eu perdi a mente nisso mais do que nunca. Eu nunca havia ficado tão bravo quanto quando eu ouvi o que ele disse. Ela pode ser a mãe dele, ele pode ser meu filho, mas a mulher que ele estava xingando e acabando era a porra da minha esposa. Ninguém fala assim da minha esposa.
Eu estou envergonhado de dizer que no meio da minha fúria ele me empurrou e eu retaliei fisicamente, empurrando ele de volta e colando ele na parede. Eu senti vergonha de mim mesmo. Eu nunca fui uma pessoa brava ou violenta, mas eu não pude me controlar. Eu nunca havia colocado minhas mãos em qualquer um dos meus filhos daquela forma em toda minha vida, eu odeio quem abusa de suas próprias crianças, mas esse garoto não era nenhuma criança. Ele era um homem crescido.
Ele ficou intimidado e recuou, e por um tempo ele ficou pacífico.
A gota d’água aconteceu essa semana.
Minha filha ficou com três pessoas em sua vida toda. Um garoto, uma garota e agora outro garoto. Nós sempre fomos abertos quanto a sexo com minha filha do mesmo jeito que éramos com meu filho. Nós perguntamos se ela gostaria de ter um estoque regular e sem questionamento de preservativos em sua gaveta no banheiro, e se ela gostaria de tomar anticoncepcionais. Ela disse não para as duas perguntas com seu primeiro namorado. Ela nunca o trouxe para casa, mas chegamos a encontrar ele uma vez em um de seus recitais. Quando ela teve uma namorada ela ia para a casa dela direto, e não queria trazer ela para a mesma casa que seu irmão morava, um sentimento que eu entendia.
Mas seu mais recente namorado tinha muita coisa acontecendo por trás em sua família. Ele é um bom garoto mas sua mãe é uma mãe solteira de quatro filhos e sofria bastante por isso.
Esse garoto começou a frequentar nossa casa mais ou menos um mês depois deles se juntarem. Eu gosto dele, minha filha é feliz com ele, ele trata ela com respeito, é inteligente e um absoluto cavalheiro. Ele é respeitoso e educado em nossa casa, ele me chama de senhor, minha esposa de madame e oferece ajuda para cozinhar e lavar a louça ou até mesmo limpar a casa quando ele visita. Ele conversa com a gente, é meio que um cozinheiro amador e trás comida para nós o tempo todo para agradecer os nossos cuidados a ele. Quando nós saímos para jantar ele sempre oferece pagar para ele e minha filha (mas eu sei que ele não tem muito dinheiro então eu pago para ele). Quando saímos do carro ele sempre abre a porta para minha esposa e oferece a mão dele para ajudar ela a descer. Ele segura as portas, quando saímos para algum lugar ele ajuda minha filha a colocar a jaqueta como naqueles casais doces e tradicionais.
Esse jovem trabalha duro, e dá o pouco que tem para sua mãe e irmãos. Como eu disse, eu realmente respeito o garoto. Eu ofereci dinheiro para ele uma vez para que fizesse compras para sua família mas ele recusou e disse que se sentiria culpado por aceitar meu dinheiro daquele jeito. Ele aprecia as coisas – no inverno, estava -20 graus e ele tinha apenas uma roupa com capuz, então eu enrolei minha jaqueta em seus braços e disse “tome, garoto, está frio”. Ele encheu os olhos de lágrimas e agradeceu, e eu dei alguma desculpa sobre querer me livrar da jaqueta e disse que ele poderia ficar com ela se ele trouxesse alguns biscoitos a próxima vez que nos visitasse.
Quando o Natal chegou, eu o convidei para a ceia, e quando eu fui buscar ele eu deixei alguns presentes para sua família, e no caminho de volta para minha casa nós tivemos um momento. Ele estava chorando, pois não tinha muito o que dar para nós – ele deu um presente para todos nós em casa mas chorou mesmo assim pois sentiu que não era o suficiente considerando o que eu fiz por ele. Eu encostei o carro, e o abracei, dizendo que não importava o valor do que ele nos dava, mas sim que ele nos deu algo afinal. Eu agradeci ele por tratar minha filha tão bem, e eu disse que ele era sempre bem vindo em nossa casa.
Meu próprio filho não tinha nos dado nada de natal, nem mesmo um cartão ele comprou com o dinheiro que nós demos a ele. Esse garoto deu para minha esposa e a mim taças de vinho que combinavam visto que nós gostamos de dividir uma garrafa de vez em quando.
Meu filho não comeu com a gente. Ele pegou a comida da mesa e correu de volta ao seu quarto sozinho enquanto o namorado de minha filha conhecia minha irmã e sua família, meus pais e meu tio. Todos eles disseram que ele era charmoso e muito educado. Enquanto isso, depois da janta, meu filho disse para meu sobrinho de 5 anos “vaza daqui seu viado” por ter pedido para jogar algum jogo com ele. Um homem de mais de 20 anos.
Semana passada, minha esposa e eu ficamos fora uma tarde toda para aproveitar um tempo a sós. Nós fomos jantar, e então nós fomos para um bar para jogar um pouco de sinuca, e depois para casa.
Quando entrei em casa, os garotos estavam gritando uns com os outros. Eu corri e vi meu filho e o namorado de minha filha brigando. O namorado estava apenas empurrando e tentando redirecionar meu filho, meu filho estava socando e investindo contra ele. Minha filha estava chorando e sentada encostada à parede escondendo seu rosto. Eu entrei no meio deles e os separei, demandando uma explicação.
Meu filho começou um barraco falando sobre como ele achou anticoncepcionais e ouviu sons de “putaria” vindo de dentro do quarto dela, então ele arrombou a porta e encontrou eles transando, disse que não acreditava que sua irmã era uma “puta de um preto” e chamou o pobre coitado de macaco e outras coisas.Minha esposa levou minha filha e seu namorado para longe dali. Eu gritei com meu filho pelos seus atos. Eu não consegui chegar a lugar nenhum com ele então fiz ele esperar em seu quarto. Eu fui falar com minha filha. Pedi desculpas para seu namorado, chorando enquanto eu o fazia, dizendo que eu esperava que ele me perdoasse por deixar isso acontecer. Ele disse que ele estava arrependido de ter ficado violento, mas disse que só ficou pois meu filho bateu em sua namorada. Minha filha chorou e disse que seu irmão era um psicopata e a ameaçou de estupro, e que ele admitiu já ter gozado em sua escova de dentes e de cabelo.
Eu corri para o quarto dele, e disse firmemente que ele tinha que pegar suas coisas e sair. Eu disse que pagaria para ter suas coisas enviadas a ele, para onde ele fosse, mas que ele iria embora amanhã.
Minha esposa ficou na casa das minhas irmãs, e minha filha e seu namorado ficaram na casa dele por algumas noites.
No dia seguinte eu praticamente atirei meu filho para fora de casa enquanto ele gritava e chutava.
Eu tomei sua chave e mudei a senha do alarme e da porta da garagem. Um dia depois eu recebi uma mensagem requisitando que algumas de suas coisas – quase tudo seus jogos – sejam enviadas para um prédio estranho que eu não reconheci a algumas cidades daqui. Um homem aparentemente da idade de colegial tocou a campainha e eu entreguei as coisas a ele. Eu não vi meu filho.
Minha esposa e eu fomos até seu quarto. O namorado da minha filha veio em casa e ajudou a mover os móveis para a garagem. Nós jogamos fora seu colchão e outras coisas nojentas e fedidas, além de retirarmos e substituirmos o carpete.
Escondido em seu armário estava um monte de calcinhas da minha filha, tão saturadas com bolor e sêmen velho que estavam tão duras quanto tijolos. Talvez a pior parte seja que existiam algumas que minha filha jurava não ser dela, além de serem pequenas demais para serem da minha esposa. É possível que ele tenha roubado de minhas sobrinhas.
Tinha até mesmo um caderno contendo desenhos explícitos do meu filho estuprando violentamente várias mulheres e mantendo garotas pequenas acorrentadas em algum tipo de “calabouço sexual”. Eu mexi em seu celular antigo que ainda estava funcionando, e todas suas fotos eram screenshots de minhas sobrinhas e suas amigas usando biquínis, muitos pornôs de cartoons, muitos memes de incell, Trump e red pill (red pill, vinda do filme Matrix onde Morpheus oferece uma pílula vermelha para Neo, o fazendo acordar, é um termo na internet usada entre conservadores e apoiadores do Trump para explicar quando uma pessoa acordou de uma vida de doutrinação esquerdista). Ele ainda tinha o messenger, então eu chequei suas mensagens, a maioria delas era apenas ele tentando abusar de mulheres e garotas menores de idade.
Eu dei uma olhada em seu e-mail e, para meu desgosto, ele roubou fotos privadas da minha esposa de seu celular, e estava vendendo elas.
Hoje eu fui até a polícia com tudo que eu tinha e contei tudo que sabia.
Eu dei ao meu garoto tudo... Eu não sei porque ele acabou nesse caminho. Eu sou muito arrependido de ter falhado com ele. Eu não sei o que a polícia fará, mas espero que eles parem ele antes que ele machuque mais alguém.
A coisa mais triste é que, ontem, depois que tudo tinha terminado e acalmado, foi um dia maravilhoso. Um dos dias mais felizes que já tivemos.




É isso, se alguém quiser que eu altere alguma coisa é só falar, os edits são para isso


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2018.05.19 15:38 rodrigoablima Livro: Alfa e Ômega - Uma Aventura nas Profundezas da Divindade Humana

CAPÍTULO 1 - A FUNDAÇÃO
Há incontáveis eras, um grupo de anciões, vitoriosos de batalhas anteriores, decidiram criar uma nova existência, pois se esgotaram as possibilidades e o mundo se tornou previsivelmente insuportável e tedioso. Além disso, em sua sabedoria acreditavam que, como antes, seria necessária uma renovação, bem como o desapego, aos resquícios e memórias do passado. A estes senhores, de nomes impronunciáveis com nossas gargantas primitivas, chamaremos de Arcontes da Alma, os famigerados Pais Arquetípicos, conhecidos na mitologia judaica como Elohim. Dentre estes senhores havia um que se destacava, por seu amor e justiça, sendo a expressão exata do Elevado, aquele que conheceu a primeira criação de todas as criações. Valente guerreiro e pai amoroso. O Verbo e Senhor dos vinte quatro Arcontes.
Sentados, em seus tronos, conversavam e planejavam os eventos que seriam vividos na nova origem. O lugar onde estavam era de beleza única e com uma atmosfera de poder e glória jamais imaginada por mortais, como eu e você. Um lugar que assusta e atemoriza qualquer criatura, impondo respeito aos seres das alturas, ou dos mais baixos abismos.
Todavia existia um lugar de maior significado e peso, um lugar inviolável, o santíssimo lugar, a morada do Eterno. Apenas o Pai e Filho do Verbo poderia adentrar neste ambiente e o fazia somente em ocasiões únicas, em importância e necessidade. Ali residia o Misterium Tremendum que nenhuma criatura ou Elohi poderia conhecer e compreender em sua plenitude, apenas o Elevado e seu unigênito comungavam daquele lugar. Uma casa, uma casa de carne, pois diziam que era o cordis ou o útero da criação.
Um enigma foi proposto, por um dos arcontes para servir como busca e sentido à nova existência, entretanto por mais que se esforçassem não conseguiam encaixar as peças, neste quebra cabeça cósmico, para dar sentido real, sabor e abundância de vida aos novos entes.
O Verbo teve que intervir, pois todos haviam percebido que fazia se propício ao Unigênito entrar na câmara santíssima e ali, diante da Presença Eterna conversar com o Inefável, em busca de algo que pudesse trazer abundância de vida aos neófitos.
Então, os enviados serventes da recamara do rei receberam ordens para preparar e purificar o átrio do templo célico, e assim o fizeram. Estes servos, os homens chamam de anjos, mas nada mais são que seres enviados para uma missão especial. Um destes Gadreel, que em hebraico pode ser escrito como ?????, também conhecido como Azazel, é a origem de muito conflito e debate. Certamente seu real título, princípio e incepção estão envoltos em mentiras e sombras. Nenhum mortal, e até mesmo seres imortais, podem afirmar com certeza sobre algo que teve o embuste como razão de ser, embora nada passa despercebido e impune pelo Eterno.
Enquanto realizava os preparos para consagração dos átrios e vestíbulos reais sua atenção foi desperta por uma pedra vermelha, um seixo de jaspe carmesim usado nas vestes sacerdotais pelo Verbo. Quero deixar claro que muito do que acontece aqui não poderia ser descrito com linguagem e palavras humanas se respeitada sua exatidão. O certo é que o que foi me passado e permitido lhe exponho da melhor forma que minhas mãos escrevem e minha mente concebe, por isso faço uso alegórico, dos eventos agora relatados, pois sem os quais jamais poderia escrever. Por isso, creia no conteúdo e não na forma, como conselho, prezado amigo, haja sempre assim, na vida, geralmente o contorno é enganoso embora a essência liberte. Se não fizeres isto, de um jeito ou de outro, aprenderás que as palavras nada dizem, todavia o que fazemos com elas sim.
Então, possuído de cobiça, apeteceu possuí-la, pois conhecia o propósito e sabia que facultaria habilidade de abrir portais e poder sobre as trevas, corrupção e mal, se usada sem consentimento e vontade do Verbo, pois em seu coração deixou entrar a dúvida sobre a bondade divina. Sem muito pensar, tomou-a para si, colocando outra de sárdio, semelhante em forma, em seu lugar. Leitor cabe aqui lembrar, que o ocorrido, apesar de não aprazer a Aquele que É, foi planificado por Ele antes de todas as Eternidades, nas eras ocultas em Deus e no Cordeiro (O primevo Æion, Kairós do Ego e do Ser) e quando terminar tu verás que falo a verdade.
Neste momento, um Mal Antigo foi desperto, transformando interior deste anjo, que agora chamaremos de Inferno, עזאזל em hebraico, pois como narrado antes, se mal-usado o Jaspe Carmesim, que simboliza o sangue do Cordeiro, porque quem o toma e usa, o faz para sua própria condenação, se não empregar o discernimento por meio Daquele que é o alimento da alma. Uma porta foi aberta e o Inferno a habita e é habitado por ele, o Filho da Perdição.
Que fique claro que o erro deste grigori não foi possuir a pedra, mas ser ladrão de algo que é livre a todo aquele que pedir ao Pneuma. O erro é a escravidão do espírito, pelo ego, que não se é refreado pelo Verbo. Neste momento, o horror primevo, entrou no corrompido anjo guardião dos aposentos reais.
Uma terrível tristeza abateu sobre o Verbo. Podia-se ver claramente no semblante do Cordeiro que algo muito sério o afligia. Porém, Ele sabia que era anseio do Eterno e conhecia muito bem os desígnios do coração de Deus. O Eterno, também estava aflito e pesaroso, pois isso não era de sua vontade ativa, mas permissiva.
Tudo foi preparado para o momento. E o Cristo entrou no santuário onde até os anjos temem ir. Ele vestia a indumentária sacerdotal completa. A Estola Sacerdotal ou Éfode uma peça parecida com um avental, confeccionada nas cores azul, púrpura, carmesim e o branco de linho fino retorcido. Sobre o Éfode um peitoral com as doze pedras, que representam os fundamentos que sustentam toda criação. Na cintura partindo do umbigo uma espécie de cordão de prata ligava as vestes ao cubo, o cubo de Metatron, uma máquina que permitia a entrada no santíssimo lugar, e assim, entrar em contado direto com o Arché. Arché é a substância primordial, constituinte de toda matéria do universo. Na verdade, Arché é um número que quando em execução conjunta com o cubo de Metatron possibilita a entrada no console fundamental que fornece uma interface para a criação da realidade. Uma vez conectado a máquina a realidade percebida pelo sumo sacerdote é mudada e este pode entrar no módulo de construção, uma espécie de programa de computador que funciona como um ambiente integrado que facilita a criação de realidades extraídas da lógica do número (ou programa) que inspira a vida.
Permita-me amigo explicar-lhe melhor o que é o Arché, também conhecido como unidade divina. Ele não é apenas um número qualquer, mas o padrão da perfeição, uma seqüência harmoniosa que encerra dentro de si todas as criações possíveis. Embora bastante próximo de Deus o Arché não é Deus. Podemos dizer que Deus é pleno quando o Verbo, a Lógica e a Materialidade trabalham em prol do sentido existencial, o tempero da vida, o Amor. O ator do Verbo é o Cordeiro, o ator da Lógica é o Arché e a Matéria é fruto da máquina de Metatron. Embora não percebamos todas as vezes, os três são e estão em Um e são vistos em plenitude no homem, mais corretamente no Filho do Homem e neste, sempre trabalham em Amor, afinal Deus é Amor!
Após todos os preparativos realizados então o Verbo adentra o santíssimo lugar. Imediatamente sua fisionomia se transforma. O módulo arquiteto estava carregado e o link foi estabelecido. Todo poder criativo de Deus estava ao dispor do Verbo, assim como, uma via de largura de fluxo inesgotável fornecia a comunicação direta entre Pai e Filho. Amigo, você deve estar perguntando por que essa conexão se fez necessária, visto que Pai e Filho são um, posso citar vários motivos, mas dois se destacam.
O primeiro é que nem sempre o Filho quer e precisa de todo poder criativo divino, há momentos que isso não se faz necessário nem desejável, lembre-se que o Filho nunca usou poder desnecessariamente. Ele nunca precisou de pirotecnia para mostrar sua identidade, poder e glória.
O segundo é que Ele, sempre quis se comportar como humano, deixe me explicar com um exemplo. Um alpinista poderia escalar uma montanha com um equipamento que facilitasse ao extremo a conquista do cume da montanha, podendo se quisesse subir até lá de helicóptero. No entanto que graça teria isso? E lembre-se a chave da vida está na graça. A graça é o Amor, divinamente humano e pessoal, em Movimento. Sem movimento, não há graça. Sem isso a vida se torna o “Trabalho de Sísifo”. Vazia, oca, sem sentido e niilista. O Verbo vivo deseja que a criação se pareça com a história arquetípica dando forma, beleza e sabor em abundância. A limitação torna as coisas mais interessantes. Embora haja sacrifícios e sofrimento, ao final, quando o montanhista tem a magnífica visão do fruto de seu esforço ele diz, valeu a pena!
Há uma terceira razão, também importante, mas em momento propício, querido neófito, lhe revelarei. Por agora basta dizer que nem todos têm fé a ponto de mover montanhas e nem só o Verbo pode usar a máquina de Metatron, mas só ele pode ir ao Aleph Santíssimo e compreender o mistério e causa da Vida.
Depois de tudo preparado, Adonai inicia seu trabalho. Como de igual maneira, em todas as criações, a primeira criação é a luz, então em um grito catártico, Fiat Lux, e a luz foi feita. A partir deste ponto não preciso entrar em detalhes, pois você conhece o desenrolar dessa história. Quero apenas focar em um ocorrido, e farei isso nos parágrafos seguintes.
***
O grigori ladrão da pedra, não era o mais forte dos anjos, porém o mais astuto e hábil na arte do falar e convencer. Ele sabia que seus dias celestes estavam por se findar e pouco tempo teria antes que fosse derribado. Além disso, as trevas em seu interior cresciam rapidamente, sempre a clamar por sangue, morte e destruição. Ele precisava agir e ligeiro. Ele carecia de seguidores, mais isso seria impossível se não houvesse separação entre Deus e os Vigilantes Universais. Ele precisava se tornar o poder, o dínamo que separa. E se possível ele separaria até Pai e Filho. Ele semearia a semente da discórdia entre os anjos superiores. A fé na bondade divina deveria ser abalada.
Uma voz gutural sussurrou em sua mente – “A chave para as trevas é a morte e com a mentira triunfarás”. Ele ainda não havia percebido, mas o dragão, em seu âmago crescia devorando seu espírito dia-a-dia. E na biblioteca celeste seu interesse pelo conhecimento proibido das eternidades precedentes crescia, em especial sobre a figura dracônica. Ele não teve maiores problemas em obter tal conhecimento, pois era o responsável pela manutenção do acervo da biblioteca real. Justamente o anjo que devia manter os livros em secreto traía o designo divino. Isso foi apenas o começo.
Um prazer perverso enchia-lhe o coração. Ele se via maior que o Criador, o que lhe enchia o espírito de orgulho e prepotência. Então enfim a semente do dragão germinou em sua mente. Ele percebeu que o seu sim, não precisava ser sim e o não, não precisava ser não. E o engano o fez sentir livre como nunca antes. O primeiro fruto da semente do dragão foi à mentira. A mentira que falsamente liberta.
Munido de conhecimento oculto e proibido se aproximou de Samyaza, o querubim do trono. O único anjo que conhecia o nome completo de Deus, o Logos, palavra passe que concedia acesso ao cubo de Metatron para alteração da realidade. Era poderoso em guerra e belo em formosura, sendo considerado o sinete da perfeição. Fazia sua morada junto às pedras afogueadas. Seu poder militar e anjos seguidores rivalizava com os de Miguel. Samyaza, não deixava transparecer, mas em seu interior deixou crescer certa inveja por Miguel, pois julgava desnecessário dois generais celestes.
Gadreel possuído pelo dragão havia percebido a insatisfação do querubim do trono. Sucessivamente alimentava o sentimento ínvido de Samyaza. Tornaram-se amigos. Gadreel em momento propício convidou-o para a biblioteca celeste e lá comungaram de conhecimento proibido. O dragão em Gadreel era ávido em devorar o espírito e sabia que não poderia abastecer-se ainda mais de sua morada, pois acabaria por destruir seu aliado por completo perdendo-o na morte e na loucura. Incentivou-o com sussurros semi-conscientes a fazer o Pacto de Execrações, descritos nos livros do primevo Aion, relatado no terceiro capítulo, “A criação do Dragão”.
Tão logo as juras do ritual se concretizaram o dragão entrou em Samyaza, lhe despertando dúvidas sobre a bondade divina. Ele sabia que o que fizera era errado, mas sentia um gozo maligno ao ver o mundo com os olhos do dragão. Enganado acreditava que o mal também poderia ser um bom trilhar e que as trevas eram belas. Não conseguiu compreender que o mal só atrai-o para a morte, e ao final consumiria seu espírito. Cabe neste momento dizer-lhe amigo que Deus deseja que sejamos um com Ele, mas Ele respeita nossa essência. Já o dragão devora-nos de forma que não somos um, mas acaba por amalgamar de forma indelével sua essência em nosso imo suplantando-a pela a dele. Sobrando somente ele. Sua fome é insaciável. E seu apetite irrefreável. E suas vítimas acabam por sucumbir, sem perceber a mordida do vampiro das almas.
Então por que Deus criou o dragão? Veja que o dragão é mal, pois assim foi criado, ele foi homicida, promotor da morte desde o princípio, e com justiça será tratado no final.
Nós eleitos, desde a fundação do mundo, somos vitoriosos de eternidade em eternidade. Somos mais que vencedores. Porém o dragão e sua semente serão derrotados de criação em criação. Como o vilão que em sua desgraça merecida abrilhanta a vitória do herói. A derrota do dragão é motivo de festa daqueles que viveram pelo Verbo. Isso está em nossos corações, implantado em nosso inconsciente. É a história arquetípica escrita na primeva incepção. Na criação anterior o dragão foi vencido pela força... Nesta, porém, o nosso inimigo está em nós e não será vencido pela força ou poder, mas pelo Espírito de Deus. Se a luta será terrível, a vitória será imensa. A vitória, no entanto, revelará sim de modo esplendoroso que o santuário santíssimo tem lugar em nosso mais íntimo, em nosso EU SOU. Seremos e já somos coparticipantes da natureza de Deus. O Misterium Tremendum, o galardão final, daqueles que são fiéis ao Verbo, será revelado e conheceremos como também somos conhecidos. E Deus fará tudo novo de novo!
Deus não é o autor da morte, a perdição dos vivos não lhe dá alegria alguma. Ele criou tudo para a existência, e as criaturas do mundo devem cooperar para a salvação. No entanto, a presença do mal permite o agir do bem. O Cristo teve a oportunidade de demonstrar seu amor, que em graça se transformou vertendo seu precioso sangue. E derrotada foi à morte e seu aguilhão e veneno será por fim destruído. Em alegria seremos transformados e o que hoje são sombras e névoas no porvir serão cores vivas como as luzes da aurora no esplendor do amanhecer.
O Eterno trabalha com ciclos. Como disse o sábio “Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar, e tempo de arrancar o que se plantou.”. Observe as estações do ano, os meses, as semanas e até mesmo os dias. Eles se repetem, mas sempre de forma diferente. A novidade não está exatamente naquilo que se vê, mas em como se vê.
Há tempo de destruição, de renovo, de trabalho, de descanso e neste fluir as eternidades passam. Ainda que em momentos de dor, mais perto chegamos do criador. Feliz aquele que achar mérito no autor das almas e para quem Ele disser, “Servo bom e fiel entra no teu descanso”. Nem todos adentrarão no descanso, pois com juras Ele disse “Não entrarão no meu descanso, embora fossem completadas as obras desde a fundação do mundo. ” Pois em certo lugar disse assim acerca do dia sétimo: “E descansou Deus no dia sétimo de todas as suas obras”. Pois aquele que entrou no descanso Dele, esse também descansou das suas obras, assim como Deus das suas. Lute por sua salvação, amigo, para que te aches no Espírito Eterno no dia em que Ele vir nas nuvens revelar as obras de suas mãos. O tempo é breve e já estamos no início do sétimo dia. Um dia para Ele são mil anos. Nosso tempo não é o Dele! E o homem é senhor do sétimo dia e reinará no milênio com o Cordeiro. Reino de justiça e paz.
Samyaza então revela a Gadreel o segredo do nome divino. Gadreel agora poderia entrar na nova criação divina e semear o germe do dragão. Entretanto havia um obstáculo. Como chegar ao santíssimo lugar, diante da presença divina, sem ser fulminado pela glória da visão sublime. Eles precisavam de algum artifício que pudesse ofender o Espírito de tal forma que este momentaneamente se ausentasse do sumo santuário. Precisavam conversar diretamente com o dragão e para isso usaram a pedra carmesim roubada. Assim, profanou a pedra de sangue para trazer do abismo ancestral o dragão. Munidos de poder profano conseguiram realizar a maior de todas as desonras, “O abominável da desolação” no lugar onde jamais deveria ser feito. Eu poderia relatar como e de que maneira isso foi realizado, mas o simples fato de mencionar tal hediondez é um sério pecado, por isso amigo, não entrarei em detalhes.
O dragão usou Gadreel para ocupar a serpente e então seduzir a Eva a comer do fruto do conhecimento. O dragão pôde então inserir no gênero humano sua corrupta semente. É por isto que alguns homens são verdadeiros demônios, sem qualquer tipo de compaixão ou remorso por seus atos. São filhos do diabo, promotores da morte e do engano, homicidas frios e insensíveis. Nos últimos dias, quando a ceifa estiver às portas, a distinção entre luz e trevas entre joio e trigo será fácil e assim os anjos terão pouca dificuldade em separar os bodes das ovelhas.
Nessa época, os homens serão amantes de si mesmos, gananciosos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes aos seus pais, ingratos, ímpios, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Serão o reflexo do dragão trilhando o caminho da escuridão em profundas trevas. Do céu será revelada a ira de Deus contra toda a impiedade e injustiça dos homens que detêm a verdade em injustiça. Como disse o Revelador “veio a tua ira, e o tempo de serem julgados os mortos, e o tempo de dares recompensa aos teus servos, os profetas, e aos santos, e aos que temem o teu nome, a pequenos e a grandes, e o tempo de destruíres os que destroem a terra.” Mas antes da primeira luz do dia raiar no horizonte, a noite tem que ficar mais escura!
Deus sabia qual caminho o homem iria trilhar, mas Deus nunca pune um pecado que você ainda não cometeu. Deus realmente queria que o homem fosse como Ele, não negando-lhe nem mesmo seus atributos criativos, a maior vontade de um pai e que o filho trilhe seu caminho. Mas Deus sabia que isso tinha um preço, um alto preço, pois Deus não seria tão irresponsável de dar a uma criança tamanho poder de uma vez, por que o poder corrompe e o poder absoluto corrompe totalmente! Foi então que Ele, Deus, revelou seu plano ETERNO de SALVAÇÃO, o CAMINHO, pelo qual os escolhidos chegariam a DEUS, de forma a não se corromper! Deus plantou no jardim do Éden duas arvores, a do "Conhecimento do Bem e do Mal" e a arvore "da Vida". Nas regiões celestiais, o Satã, a inimizade, a sombra, também entraria nesse plano. Gadreel entrou na serpente e fez o homem escolher um caminho que não era a vontade do VERBO. Ele roubou a identidade do homem e autoridade sobre o mundo criando inimizade entre Deus e homem e entre homens e homens! E ainda fez parecer, que ele foi o bem feitor da humanidade, revelando um segredo oculto, o qual, segundo o diabo, Deus não queria que o homem soubesse! Mas tudo isso já havia ocorrido, em Deus, nas eras ocultas da ETERNIDADE.
Então DEUS faz a promessa, a primeira profecia, sendo o profeta o próprio Deus, "Um dia, um descendente de Eva, esmagaria a cabeça da Serpente" e ela, a serpente, feriria este homem no calcanhar! O problema é que agora, o ser do homem, estava corrompido e não refletia o EU SOU, o espírito de Deus, que diferencia os homens dos animais, havia adormecido, e a sombra (que na Bíblia é conhecido como carne – A semente do dragão) tomou seu lugar. A alma do homem se inclinou e inclina para o mal, porque a essência do dragão se ligou a ela, como já havia dito. Então, Deus no tempo certo, envia seu TABERNÁCULO, de carne, o VERBO abre o CAMINHO, do alto a baixo, rasgando o véu, o escrito de dívida, que separava DEUS do homem, se misturando com o homem de forma tal que não poderia ser separado. Uma guerra foi é e será vencida... Neste CAMINHO agora o homem tem em seu corpo duas essências conflitantes e que militam entre si, o ESPÍRITO e a CARNE. Por isso que Jesus, O VERBO TABERNACULADO, desce as profundezas trevosas do inferno e toma a chave da MORTE do diabo.
Tornando Ele, o cabeça dos principados e potestades (leia Colossenses 2 - atente para o versículo 10). Agora pelo sangue do cordeiro, o diabo (Gadreel), o dragão e satã (Samyaza) podem ser vencidos, porque Jesus é também senhor do INFERNO, como desde a eternidade foi, mas que a agora em plenitude se consumou! Por fim, Jesus ressuscita e então tem se inicio o tempo da graça. Neste tempo, todos que se alimentarem da Árvore da Vida, a Videira Verdadeira (leia João 15) e exercerem a autoridade de Cristo, sobre o mal, conservando seu Espírito Santo, serão arrebatados ou morrerão em Cristo, não experimentando jamais o dolo da segunda morte. E com o cordeiro reinarão pelos séculos dos séculos.
CAPÍTULO 2 - KAIRÓS
Quero contar aqui algo que ocorreu em um tempo fora do tempo. Quero falar da primeva incepção. É uma tarefa hercúlea, mas tentarei ... É certo que o Espírito Eterno, sempre ajudando e inspirando, está aqui... Que seria eu sem o Pneuma, meu amigo? Que preenche e transborda o coração daqueles que vivem pelo Cordeiro. Espero que Ele, enquanto você lê esses escritos, que encha até transbordar as palavras e a linguagem seja muito mais viva que apenas letras mortas num papel.
Antes do tempo existir existia o Verbo, como disse João, “No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez. Nele estava a vida, e a vida era a luz dos homens. A luz resplandece nas trevas, e as trevas não prevaleceram contra ela.”
Todavia amigo pode ter passado em sua mente... O que havia antes do princípio, não é mesmo? Bom, tenho duas respostas para você, a mais simples é: Só Deus sabe... É... Não te satisfez... Nem a mim... Queremos saber, né? Aqui vem a segunda resposta. Nem tudo é possível saber, pois não há uma resposta que cabe na lógica atual desta criação.
Deixa te explicar melhor, se algo é o princípio de tudo, não pode haver antes... Estamos acostumados a viver em Chronos, o tempo depois do tempo, mas aqui, como disse outrora, estamos em Kairós, um não-lugar fora do tempo e do espaço. Isso por que o tempo como conhecemos também é uma Criação do Eterno.
Há perguntas que nunca saberemos a resposta. E há perguntas que não tem resposta. E estas só Deus sabe, por que Ele sabe de tudo. Em alguns casos Ele revela seus mistérios, como aconteceu com Enoch, o sétimo depois de Adão, mas isso lhe custou um alto preço. Não por que Deus é como o poderoso chefão, a Cosa Nostra, que lhe mata por que você sabe demais. Isso acontece por que há mistérios que se revelados podem modificar de tal forma a psique e o corpo que simplesmente a existência é desfeita.
Como está escrito em Gênesis que Enoch andou tanto com Deus que já não o era mais, e Deus o tomou. Esse tomar de acordo com o Codex Aleppo é אתו. Esta palavra tem sido alvo de estudos judaicos conhecidos como midrashim. Midrashim, nada mais é que estudos rabínicos mais aprofundados, tentando preservar a exegese original, que as vezes pode ter se perdido com o tempo. E podemos dizer que extraindo sua definição do Codex Aleppo ou ainda dos “Manuscritos do Mar Morto” possui uma acepção que mistura os sentidos das palavras fundir, desfazer, coexistir e coparticipar em uma única palavra.
E há Verdades em Deus e Ocultos que são tão perigosos, ou melhor, temerosos, que se revelados fora do momento escolhido enrolariam o universo como um pergaminho na mão de um escritor. E nisso não há menor graça... Nem para Deus... Nem para nós... É como saber o final do filme, antes de assisti-lo. Embora aqui não saiba nem revele estes mistérios, cuidado... Você não será mais o mesmo após ler esse livro... Eu te garanto... Quando o recebi percebi isso! É... o autor escreve, mas também o recebe, nem que seja pelo ar (Pneuma)! Não é mesmo Teófilo... Não é, meu amigo?
Voltaremos a falar depois sobre Enoch, personagem muito importante, que o livro de Judas (não o Iscariotes) cita, inclusive com alusões ao terceiro Livro de Enoch, que segundo muitos pais da Igreja, como Orígenes, deveriam estar no Cannon Bíblico, mas não estão por que os Judeus Ortodoxos, pais da Torah, o baniram pois continha profecias que os deixavam incomodados com sua exatidão sobre a vida do único e verdadeiro Cristo, Yeshua, o unigênito Filho de Deus.
O judaísmo rejeita a crença de que Jesus seja o Messias aguardado, argumentando que não corresponde às profecias messiânicas do Tanach, justamente por que mutilaram a Torah retirando o referido livro.
Quero deixar claro que não sou anti-semita muito pelo contrário. Oro pelo povo judeu, pelas suas aflições, mas sei que muito do que acontece no mundo (coisas boas e ruins) tem algum dedinho judaico. Em algum lugar está escrito que este povo será como pedra no sapato das nações. E em outro sítio diz que todas as famílias serão abençoadas pelos filhos de Abraão. Mas é certo que de fato comandam toda mídia ou pelo menos boa parte da mundial, mas com certeza da ocidental. Principalmente Hollywood. Preste atenção e verás que falo a verdade!
Quero também dizer que nada escapa a vontade de Deus. E este o permitiu, pois vivemos no tempo da graça, mas quando chegar o tempo dos Judeus estes acordarão para a besteira que fizeram, quão vergonhoso será reconhecer que eles, enganados e iludidos, favoreceram o “Abominável da Desolação”, por sua grande teimosia em não aceitar o Verbo Tabernaculado, Jesus de Nazaré. Sempre há um propósito oculto nas ações do Eterno. Principalmente na progressão do desvelo da verdade sobre o que e como se dará o desfecho de tudo. E o livro de Enoch terá importância ímpar neste processo.
Continuando... Posso dizer, ainda que grosseiramente, que Kairós é um lugar na mente de Deus, mais ou menos, como a imaginação humana, porém com realismo e detalhe maior que nosso mundo. Kairos é Deus descobrindo Deus e brincando de esconde-esconde com seu Filho e envolvendo e sendo envolvido pelo Espírito Santo. É como uma família, em seus momentos mais íntimos.
Bom... Para facilitar diremos que a primeira criação de Deus foi Deus. É como acontece no sistema de Boot de um PC. Deus cria Deus, ou melhor gera Deus. Deus na pessoa do Pai, cria o Filho, o Verbo. A BIOS de seu PC, ainda é seu computador, porém ela é o que dá o arranque em todo sistema computacional.
Por um prisma a vida pode ser vista como relacionamento. E não há relacionamento na Unidade Absoluta. Isso por que, relacionamento se expressa por pelo menos duas entidades. Deus só se relaciona com Deus em sua trindade. Entretanto, em Kairós, inicialmente só existia Deus UNO.
No princípio, havia o SER, o Verbo... Simples, compacto, total, denso e pontual. O “SER” neste ponto está impessoal e no infinitivo. Como o espectro da luz branca que carrega em unidade todas as cores. Não há o Eu, ou qualquer outro pronome, muito menos tempo verbal e ação. Apenas a existência. Embora não lhe faltasse cor alguma, faz parte da beleza de Deus compartilhar o que Ele tem...
É aqui que usar a linguagem, com suas limitações, torna tudo mais complicado. Se necessário releia esta parte. Vamos a ela...
Não havia nada, muito pelo contrário, do nada, nada se tira. O nada nunca se aplica ao ser, por isto não é! O nada como figura de linguagem pode ai sim ser alguma coisa, mas isso agora não vem ao caso. Nunca chegarei a um somando apenas zeros. Para o zero, o um é infinitamente grande, pois nem mesmo com infinitos zeros, chegamos a um. Mas com uns e zeros eu percorro o infinito. O sistema de numeração mais básico é composto de apenas dois números ou estados. Zero e Um. Ligado e Desligado. Vivo e Morto. Com estes dois dígitos posso expressar infinitos números... Ou estados... Mas o zero, ainda que seja o menor número expressando quantidade não é nada. Afinal o “é” pode lhe ser aplicado, pois este É um número.
Então o SER se esvaziou até morrer. A primeira morte é o vazio... Embora essa morte não seja a morte verdadeira... Algo como mergulhar num rio e voltar a superfície... Um batismo! Como um pai brinca com o filho com uma coberta fingindo e terminando com um put e se revelando.
As vezes esvaziar é triste e angustiante. As vezes trás alívio e gozo... Uma Catarse. Como os franceses chamam “La petit mort”. A pequena morte. Até Deus, apesar da dor de se esvaziar, sabia que o melhor é serem dois do que um! Morreu pois sabia que vale a pena morrer para que outros possam viver... Afinal... E a morte de Deus gerou o Filho. E assim dois estados ou entidades e um relacionamento em Espírito Santo.
Inicialmente esse relacionamento se processa como uma adição, uma soma, se preferir use a palavra do Codex Aleppo ???? para definir este relacionamento.
E o Filho falou... EU SOU! E um sorriso no rosto de Deus apareceu em alegria com as primeiras palavras do Filho... Ou seriam Suas? O que importa é que ele o Amou! Sim o primeiro sentimento de um relacionamento. O Espírito que une o Ser em Santidade! Agora Deus estava completo... Pai, Filho e Espírito Santo em Deus... Em Amor!
É amigo, na trindade as vezes não separamos quem é quem. Deus sabe bem expressar a palavrinha difícil, que significa fundir, desfazer, coexistir e co-participar, aquela do Codex, que da uma confusão doida na mente... Só posso dizer que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana... Não é mesmo?
Quem nunca saboreou a cereja em cima do bolo fazendo um filho, não sabe o que é viver! A escritura afirma que o maior prazer aqui da terra é o menor dos que existem no céu! E deve ser mesmo, pois aqui cercados de pecados e de morte a expressão do amor, ainda que apenas erótico, é deveras agradável... Imagina como devem ser os relacionamentos no céu onde há pureza cristalina. Afinal o que temos aqui são apenas sombras, opacas como um espelho embaçado comparadas com o que há de vir!
Acho que estou ficando louco... Concorda?
Então continuando com essa sábia loucura... Deus, na Pessoa do Pai e Deus na Pessoa do Filho continuam um se entregando ao outro, enchendo e esvaziando, como um pulmão, renovando e purificando seu relacionamento, o Espírito de Sua Santidade que traz graça e sabor a vida, o Pneuma. Esse Amor, esse Espírito é o alimento da alma, da mente, de Deus, em Kairos, e também do nosso mais indissociável imo, o nosso EU SOU, o Arché citado no primeiro capítulo deste livro.
Quero deixar claro uma coisa. Deus é amor, mas o Amor, não é Deus. O amor, é o alimento, a fonte, o maná celestial que dá substância a matéria, mesmo que esse não a seja a matéria em si. Como disse Paulo em sua carta a Hebreus, “... entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível foi feito do invisível.” Em outras palavras, o que é físico, em sua essência, é feito daquilo que não está em Physis.
Seu fosse um cientista, e na verdade o sou, diria que a matéria não possui materialidade em si, mas o espaço, o oceano de Higgs é que lhe dá materialidade, como sua massa e densidade. O átomo é um imenso espaço vazio, com pequeníssimas partículas, uma laranja no centro de um gigantesco campo de futebol. O universo, no frigir dos ovos, é mais de 99,9999% de espaço vazio. Afinal, no principio, o grão de mostarda, átomo primordial, cabia na cabeça de um alfinete, mas pesava mais que bilhões de sois.
Falando em BIOS, que anteriormente referida como o Sistema Básico de Entrada e Saída, quero também falar de Bios, como vida biológica. Qual a principal coisa que deve existir para que haja vida? Para responder isso vamos definir vida.
Vida, conforme aprendemos na escola, de um modo geral, precisa exibir todos os seguintes fenômenos pelo menos uma vez durante a sua existência: Desenvolvimento: passagem por várias etapas distintas e seqüenciais, que vão da concepção à morte. Crescimento: absorção e reorganização cumulativa de matéria oriunda do meio; com excreção dos excessos e dos produtos "indesejados". Movimento: em meio interno (dinâmica celular), acompanhada ou não de locomoção no ambiente. Reprodução: capacidade de gerar entidades semelhantes a si própria. Resposta a estímulos: capacidade de "sentir" e avaliar as propriedades do ambiente e de agir seletivamente em resposta às possíveis mudanças em tais condições. Evolução: capacidade das sucessivas gerações transformarem-se gradualmente e de adaptarem-se ao meio.
***
Fim da mostra de meu primeiro livro... Podes reproduzir estes capítulos onde quiseres, mas lembre-se de citar o autor - Rodrigo Lima – http://seguidoresdocaminhoeterno.blogspot.com.b)
***
Curioso para saber o final... Você já sabe... Mas ainda não lembra!!! Aguarde... Em breve numa livraria perto de você e na internet para baixar gratuitamente em MOBI, PDF e Epub... Espere, vai valer a pena... Enquanto isso, espalhe a mensagem!
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2018.04.24 03:15 AntonioMachado [2007] Ulrich Beck - Sociedade de Risco Mundial - Em Busca da Segurança Perdida

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2017.09.25 21:45 botafora01 Sinto que a minha vida já está traçada

Desde já peço desculpas pela muralha e pelo throw away
OK, desde o Ensino Médio eu sofria com algo que eu imagino 90% do Reddit sofreu: não conseguia pegar sequer resfriado. Era extremamente zoado pela sala toda por isso (meus amigos até hoje dizem que eu sou o único da turma que nenhuma mulher chegou), cheguei até a apanhar por isso. Só fui perder meu BV no meu ano de calouro na faculdade e a minha virgindade quando fui num bordel. Eu ficava triste com isso, mas também estava esperançoso: afinal, era um adolescente, estava entrando na faculdade, e todos sempre me louvavam por, segundo eles, eu ser muito inteligente. A menina que eu gostava na época, e que até hoje é uma amiga (e que eu passei a maior vergonha da minha vida, ao me declarar pelo fucking MSN), vivia brincando dizendo "O nerd de hoje é o cara rico de amanhã". Boas memórias.
Chegou 2013, e eu entrei na faculdade. Não fui maravilhosamente bem no ENEM, mas consegui uma bolsa integral em Administração em uma bela universidade. Escolhi Adm por pensar que o mercado estava bom e por ser noturna, o que me permitiria trabalhar. Nesse período, perdi meu BV e fiquei com outra menina uma vez, num espaço de 9 meses. Pra mim, isso era o ápice, eu era o deus da conquista, mesmo que meus novos amigos me zoassem de "pega ninguém" do mesmo jeito. Nessa época, eu baixei o Tinder e conheci o meu primeiro namorico, vamos chamar de Ana. Ana morava a 3h30 de viagem, então era praticamente um namoro à distância. Ficamos algumas vezes, 3 meses depois começamos a namorar e, depois disso, ela passou o mês seguinte dando desculpas para eu não ir lá. Chegou fevereiro, veio o carnaval, e ela disse que estava passando mal. Foi para o hospital e detectaram leucemia. Óbvio que eu pirei, queria ir pro hospital dela de todo jeito, mas ela nunca deixava, dizia que os pais me viriam, iria arrumar encrenca, ela iria ver um momento que estivesse sozinha. Se passaram 5 meses nesse tormento, hora ela dizia que estava boa, hora dizia que estava mal, quimio e afins, até que meus amigos de sala fizeram uma intervenção comigo, mostrando que não havia nada em rede social nenhuma dela a respeito de câncer, mostrando que ela estava postando normalmente sobre coisas cotidianas e que era a maior retardadice do mundo eu não ter ido nenhuma vez ver ela. Eu fiquei meio balançado, até porque meus pais concordavam com este ponto de vista, mas fiquei meio irregular com ela. Pouco mais de um mês depois disso, ela disse que tinha tido alta, tinha encontrado um ex, tinha ficado com ele e queria terminar. Não lamentei muito, até porque isso ocorreu em um espaço de uma semana, no máximo. Terminei e, desde então, ouvi dela duas vezes na vida. Passou.
Vale mencionar que, nesse meio tempo, a minha vida em casa havia melhorado demais: durante meu período de Ensino Médio, minha adolescência se resumia a passar finais de semana com minha mãe em bares, vendo ela entrar quase em coma alcoolico com as amigas e outros finais de semana na casa do meu pai, vendo ele ficar bêbado e chorar no meu ombro sobre ele ser um fracassado que não conseguiu sequer manter um casamento. Quando eu terminei, minha mãe já estava mais centrada (como está agora), saindo ocasionalmente e socialmente, e meu pai parou de beber após enfartar e voltou a ser o cara extremamente trabalhador que eu sempre admirei. No fim do meu primeiro ano de faculdade, eu passei a estagiar em um instituto federal. Ao mesmo tempo do término que eu disse acima, eu fui chamado para um concurso temporário, em outro órgão público, bem mais perto de casa.
Poucos meses após eu terminar com a Ana, entrou em cena a pessoa que eu, de fato, considero como a única que eu namorei. Vamos chamar ela aqui de Beatriz. Beatriz me chamou no Facebook, para brincar sobre uma postagem que eu havia feito (já havíamos tido pequeno contato ainda no colégio), e daí começamos a conversar. Dois meses depois, ficamos e, 5 meses depois, começamos a namorar. Ela perdeu a virgindade comigo e, na prática, eu também perdi com ela (transei com prostitutas umas 4 vezes antes. Fiz exames, por precaução, e não deram nenhum reagente). Eu aprendi demais a me aceitar com ela, nós tínhamos a mesma personalidade, ela era a primeira pessoa que não só não me julgava por meus interesses, como me incentivava a seguir eles. Não me cobrava nada, eu não cobrava nada dela, mas conversávamos de forma quase ininterrupta das 7 até meia noite. Com ela, no entanto, eu descobri algo que já havia visto antes nos bordeis: não sei o que me causa, mas com certeza eu tenho ejaculação precoce. Fui em um urologista, que me disse que era algo psicológico, que eu só precisava "me desligar". Tentei os exercícios que o próprio Reddit indica, mas nunca funcionava. Usei camisinha anestésica 2 vezes: uma vez foi uma maravilha, na outra estourou e eu traumatizei. Sempre me sentia extremamente culpado e furioso comigo mesmo após cada fim de penetração, mas o que atenuava era a presença dela, que sempre me dizia que não ligava, que eu conseguia deixar ela no céu somente com as preliminares, que não ligaria de passar por isso por não sei quanto tempo. Tudo que eu me julgava errado, ela me mostrava que não ligava. Eu me sentia num porto seguro com ela, e isso me impulsionava na faculdade: eu imaginava que iria me formar em um emprego na iniciativa privada, sem "data de validade" como meu emprego temporário, e que, 1 ou 2 anos após isso, estaria casado com ela. O único motivo de discussão que tínhamos era que ela tinha total ojeriza de tornar público: não podia postar nada com ela no Facebook, não podia atualizar status de relacionamento, não podia ir conhecer os pais dela, que "iriam proibir completamente". Mesmo os amigos eu só vi 2 vezes (uma outra vez eu não pude ir por motivos profissionais). Eu sempre entendi que isso era um receio dela, então, mesmo um pouco frustrado, eu aceitava. No que eu terminei minha monografia, estava preocupado com a questão do mercado, mas nada demais. Até que veio o dezembro, 1 ano e 4 meses após começarmos a ficar.
Eu estava na faculdade, pegando os convites de formatura, quando ela mandou o tradicional "precisamos conversar". Resolvemos por texto mesmo: ela disse que gostava de outra pessoa, e que se sentia culpada namorando comigo com interesse em outro. Aceitei, triste, e demos um tempo. 2 dias depois, um amigo me manda uma foto no perfil de um rapaz, que era o mesmo que ela gostava: ambos deitados, ela de top e ele sem camisa, e uma descrição bem...insinuante. Óbvio que eu pirei, liguei para ela, tivemos uma baita discussão, mas, depois disso, esfriou. Acabamos nos vendo, e ficando de novo. Ela terminou com o rapaz, mas ainda jurava de pés juntos que aquela foto era uma coincidência, que ela não havia me traído, que jamais faria isso, que era íntegra. E ficamos uns bons 3 meses indo e voltando até que, em abril, ela me mandou um testamento contando tudo: numa segunda, ela estava na casa de uma amiga, com este rapaz e o cara que a amiga estava pegando. A amiga e o peguete dela começaram a dar uns amassos no local e, segundo ela, ela não conseguiu "resistir" e montou no cara. Uma traição espetacular, que até hoje eu uso como humor auto depreciativo. Fiquei em choque por um tempo, mas, contra os conselhos de todos, perdoei ela e voltamos a namorar. Mas não era a mesma coisa. Ainda era maravilhoso por um aspecto, mas, por outro, ela estava insegura com o relacionamento (dizia que se sentia culpada por ter "estragado tudo por um impulso") e eu estava inseguro com tudo, precisava de validação dela pra tudo, principalmente no que tangia sexo. Eu já era inseguro sexualmente antes, agora era 3x mais, então eu basicamente a induzi a me contar toda a experiência sexual dela com ele, até eu me sentir menos perdedor. No entanto, eu estava começando a me recuperar em junho, estava me reencontrando, entendendo que estava apertando ela desnecessariamente (uma amiga teve essa conversa esclarecedora comigo). Então, tanto como solidificação como um pedido de desculpas, eu planejei uma viagem para nós, no dia que ficamos pela primeira vez, que cairia num sábado. Disse para ela os planos, ela ficou elétrica, empolgada, começou a me mandar links do local, brincar com meus planejamentos e afins...e, na semana seguinte, pediu para terminar. Disse que nunca esteve certa sobre nós termos voltado, que ela ainda me amava, que ainda sentia tesão comigo, mas que não se sentia pronta para um relacionamento sério, e "não queria me magoar". Aceitei, até mantive o contato, pq, nesse meio tempo, ela virou a minha melhor amiga. Mas o mesmo amigo da vez anterior me mandou um print de uma conversa dela com a irmã dele, dizendo que tinha terminado por estar afim de outro cara, e eu reconheci o sujeito: era um cara que ela falava horrores bem dele, "ah, fulano fez isso, fulano fez aquilo, me ajudou com x, um cara foda, faz não sei o que". Não sei se ela me traiu, mas tal conversa era de 1 dia e meio após termos terminado, e ela já havia ficado com tal cara. Não sei se ela me traiu de novo, mas a confrontei (não falei do meu amigo, obviamente, disse que a vi na rua) e ela manteve que não me traiu, mas que, dessa vez, poderia ficar com quem quisesse pq "fez a coisa certa". Eu disse que não conseguiria conversar com ela enquanto ainda tivesse sentimentos, ela disse que entendia, mas que queria saber de mim, que eu ainda era "o melhor amigo" dela.
Isso faz um mês e meio. Eu não consigo deixar de me sentir mal. Eu podia ter feito tanta coisa melhor, mas não fiz. Ela me traiu, possivelmente duas vezes, e tudo que eu consigo fazer é me culpar. Eu só não a chamei ainda pq imagino ela ficando com esse cara, que é melhor que eu em tudo: mais bonito, com uma barba farta de lenhador, com uma carreira já estabelecida, carro na garagem, mora sozinho e afins. O que me leva ao lado profissional: a sala da faculdade se reuniu para um churrasco há 3 semanas, estávamos conversando sobre empregos e eu concluí algo: apesar de que eu (e eu sei quão arrogante isso soa) ter feito que metade da sala ganhasse um diploma, eu sou o único dali sem um emprego minimamente fixo e tenho um salário que é o menor de todos, com vantagem. Todos falam que eu vou ganhar 3k, 4k logo, mas eu já cansei de tomar portadas de empresas. Gasto com passagem, gastei com um terno novo, gravata, e tudo que eu consegui foram muito obrigados, mas uma parcela da minha sala que literalmente não consegue entender que 50% e 0,5 são a mesma coisa (eu tive que ensinar manualmente regra de 3 simples e cálculo com números decimais quando estudamos Matemática Financeira) estão em empregos bons na iniciativa privada, comprando casas e carros. E, de todos ali, só uma me arrumou entrevista na empresa dela (que eu não consegui, principalmente por dita empresa estar num processo de fusão). Quatro conversam ocasionalmente, e o resto só entra em contato pedindo para que eu faça para eles provas de inglês de processos seletivos ou provas da faculdade (para os que ainda não se formaram).
Eu estou fazendo Contabilidade agora, vendo se consigo recomeçar, mas estou extremamente desiludido. Não sei o meu problema, mas o que eu imaginava quando entrei na faculdade não aconteceu. Eu sou um total fracassado no mercado de trabalho, e dificilmente vou conquistar algo além de pular de trabalho em trabalho de escritório, para tirar 2 salários e soltar rojão de alegria por não estar desempregado. Na verdade, eu já imaginava algo nessa linha desde o último semestre, mas, além da esperança mínima, eu carregava que iria ter uma família. Alguém me aceitava, alguém me amava. Hoje, eu vejo que nem isso. Nesse mês e meio pós-término, eu percebi como meu stock está horrorosamente baixo. Ouvi diretamente de uma estranha (no Tinder, vale dizer) como eu sou "feio, com cabelo estranho e roupas deprimentes". A maior parte dos meus amigos disse que eu vou achar alguém, mas só uma amiga me apresentou para alguém (Spoiler: eu quis levar pra amizade pq esta pessoa demonstrou 0 interesse romântico em mim, mas temos muitas afinidades de gostos. Não quero que alguém legal se perca só por não querer abrir as pernas pra mim em qualquer futuro).
Então, qual a conclusão? Para relacionamentos, eu sou a tempestade perfeita: meus gostos não são nada pop, meu estilo de roupa desagrada geral, minha voz é deprimente, eu sou lerdo, distraído, amo entrar em rants gigantes quando me empolgo (vide este texto) e, mesmo que alguma garota um dia resolva passar por isso tudo, o prêmio dela será ter de viver com sexo oral recheado por 30s de penetração, num dia bom. Nenhuma mulher no mundo quer se relacionar com um homem que precise fazê-la ter um orgasmo com masturbação pq não aguenta chegar a 1min de penetração. Ou seja, eu até posso tropeçar em alguma peguete (sim, essa é a palavra, tropeçar. Um incidente do acaso, como foi com a minha ex), mas nenhuma jamais chegará a ser de longo prazo. Dificilmente eu terei uma família. E, sem uma família, não há nada para contrabalancear o fato de que eu sou um fiasco profissional. O "menino gênio" do colégio, o "cara que vai ganhar 7000 daqui 3 anos" da faculdade nada mais era que uma pessoa com um par de neurônios no meio de um grupo de pessoas com bases educacionais mais fracas que a minha e, principalmente, sem interesse algum em estudar. Numa sala focada, eu teria de me esforçar para estar no meio do pelotão. Eu sou mediano intelectualmente e, profissionalmente, sou um lixo que não conseguiu fazer networking na faculdade e, hoje, irá ter de viver de escritório em escritório, sem nenhum breakthrough.
Minha vida parece estar desenhada para ser a definição de um fiasco, de um total e completo desperdício de oxigênio. Mas eu tenho uma missão: cuidar dos meus pais. Ambos dependem demais de mim psicologicamente, ambos me amam mais do que qualquer outra coisa. Sem a minha presença aqui, a vida dos dois colapsaria. Sinto que eu só vim ao mundo para ser o pilar da vida de ambos. Então, eu tenho que ir empurrando a minha vida enquanto ambos estão vivos, tentando ao máximo não embaraçar eles mais. Decidi que vou viver a vida no limite nesse meio tempo: finalmente comecei a fazer academia (minha postura sempre foi torta e, nos últimos 2 meses, eu ganhei peso. Quero eliminar essa pança antes que ela vire um problema), fui ao Maracanã mês passado ver a ida da Copa do Brasil (sou de MG), devo receber uma indenização boa quando sair daqui e estou planejando um mês de curso de inglês na Europa (meu inglês é bom, mas não é perfeito e isso sempre me incomodou horrores, sem falar que conhecer a Europa é O sonho que eu tenho de vida). Será o meu maior highlight, e a única loucura que eu me permiti fazer. Quando voltar, vou fazer o que gosto e, mais importante, vou cuidar dos meus pais, de tudo que eles precisarem de mim.
Não sei o que o futuro reserva pra mim, mas, pensando com lógica, eu devo chegar nos meus 35/40 anos quando ambos meus pais falecerem. Quando isso acontecer, serei um solteiro entrando na meia idade, possivelmente com pouca experiência sexual que não envolva garotas de programa, num emprego pouco satisfatório e sem nenhum amor que tenha sido recíproco e que não acabe na mulher se cansando de um cara patético e percebendo que praticamente qualquer coisa é melhor que eu. Será covardia, alguns sentirão tristeza, mas será temporário, todos irão superar, e haverá um pouco mais de oxigênio no mundo.
A minha mente ainda tenta, em alguns momentos, achar alguns cenários de ilusão, de que algum milagre irá acontecer, mas não irá. Eu sei que não. Profissionalmente eu fracassei. Academicamente eu fracassei. E, amorosamente, eu também fracassei. Vi que não basta achar alguém que aguente a minha personalidade, ela não irá suportar alguém que trata preliminares como Evento Principal, e eu irei morrer com esta condição.
Por mais paradoxal que seja, pensando assim eu estou aprendendo a abraçar o que eu gosto. Eu gosto de ler. Eu gosto de sair para comer e voltar para casa. Eu gosto de esportes. Eu gosto de escrever. Eu gosto de viajar. Não vou mudar o que eu gosto pelos outros, até porque será inútil, resolver um sintoma não cura a doença, e não há remédios o bastante para curar todos os sintomas dessa doença chamada eu. Fico feliz pelos meus pais existirem, pq, se não fosse por eles, eu teria sido um fiasco absoluto em vida. Fico feliz pelo meu último namoro, pq eu nunca me senti mais feliz do que numa tarde de sábado, quando ela disse "te amo" pouco antes de cochilar no meu peito. Eu fui feliz com o amor, e, por causa dela, eu aprendi que todo relacionamento que eu entrar, obrigatoriamente, terá um fim unilateral. Eu vou ser feliz com meus outros desejos, concluir meus hobbies, fazer o que eu gosto, e cuidar de quem me ama incondicionalmente, até o fim deles. Dali, serei eu que terei meu livramento.
Eu precisava contar isso pra alguém, mas não quero que tratem isso como um pedido de ajuda, pq não é. Meu real objetivo de vida sempre foi ter uma família minha, ter um filho em uma casa estruturada e passar meu conhecimento adiante. Eu já sei que, por questões psicológicas e físicas, isso jamais acontecerá. Quando meus pais se forem, eu literalmente não terei mais o que fazer aqui e, se tudo der certo, eu terei realizado ao menos uma parcela boa dos meus outros sonhos. Eu estou tranquilo quanto a isso. Talvez ainda sinta, de novo, a dor de ver alguém me trocando por outra pessoa melhor, mas agora eu sei que isso acontecerá. Doerá menos, eu espero. E, se nem isso eu conseguir, bem...dois salários por mês dá para pagar por sexo.
De novo, desculpem pelo texto gigante.
tl;dr: Todos confiavam em mim, todos achavam que meu futuro seria brilhante. Meu futuro será medíocre, patético e, ao menos, tem uma data para acabar
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2017.02.18 00:18 Drumans JUSTIÇA no mundo do trabalho

Olá pessoal,
Estive hoje a dialogar com familiares sobre a minha situação e reflexão com base na experiencia que tenho a nivel de trabalho. INTOPIC- tenho 25 anos
Estou a acabar a licenciatura de Engenharia de Informatica, enquanto tirei um estágio. Ora não me renovaram o estágio ou o contrato. Não me quero gabar de que fiz um bom trabalho mas olhem....eu realmente tou orgulhoso pelo trabalho que fiz e mesmo como estagiário ainda recebi 2 prémios pelo meu empenho e tive a carga de trabalho e mesmas responsabilidades de uma pessoa não-estagiaria. Deram-me bastante responsabilidade porque viram que eu tava imparavel e depois no fim pimba. Rua.
Embora os fatores não sejam visiveis, havia muita gente que falava mal de mim nas costas e tinham um vocabulário tão aperfeiçoado no lado da mentira, meu deus, se houvesse um guiness para ver quem faz bom teatro conheci la bastante gente que está candidato a recordes mundais. Eu mesmo defendendo-me, nao tenho o poder suficiente. Ao final do dia era um estagiário e o chefe mesmo no fundo vendo que eu tinha razão, ele protegia em primeiro os superiores a mim.
Eu não sou muito social, gosto de estar atento ao meu trabalho e adoro o que faço. Eu trabalho no computador, alguns trabalham falando e dando graxa investindo menos tempo no trabalho real em si. Quero ao final do dia sentir que o esforço que puz no que faço reflete para o bem da empresa e dos restantes, ou seja justiça.
A minha resposta é NÃO. É possivel ainda mesmo nos dias de hoje (embora ja mais dificilmente) um empresa subir com base na competencia dos seus empresários e CHEFES. Há muitas mini-empresas de pessoal que sai de empresas maiores para formarem empresas mais pequenas e filtradas mas estas pequenas, com pessoal honesto e trabalhador.
Minha resposta é um 80% SIM. 20% devido aos antepassados de familias muito poderosas e ocultas. Quanto ao sim, a incompetencia (voluntaria ou involuntaria) a longo prazo traz sempre estragos na minha opinião
Não sei...Pelo menos para tentar corrigir em conjunto ou pelo menos inventarem alguma lei inovadora para todos (tal como o direito do Homem) que tente de alguma forma combater este problema. De qualquer das formas eu preferia mais o lado do Publico e o Privado unirem-se ou pelo menos chegarem a consensos, porque segundo o que penso: Poderá existir mau sem bem? Poderá existir luz sem escuridão?) O que e quem é Bom ou Mau? Ao final do dia somos todos humanos e precisamo-nos todos uns dos outros. Mas não será que a honestidade deveria ser mais valorizada?
Será as cunhas o factor pelo qual a maioria das empresas se encontram-se assim? minha resposta é TALVEZ SIM TALVEZ NÃO. Não acredito que atualmente as cunhas sejam a principal razão das empresas estarem tão sujas, mas sou um pouco mais a favor de que na área de Recursos Humanos e afins, fizessem acompanhamentos melhores de forma a saberem a Qualidade das pessoas. Creio que a área de recursos humanos é extremamente importante e mesmo sendo cunha ou não cunha deveria haver processos de mais responsabilidade ENTRE os recursos humanos e restantes áreas que garantissem que os mais honestos ficassem. Outro fator é pelo facto desse sistema estar tao abusado, que mesmo os honestos têm de recorrer ao mesmo. Nunca trabalhei numa empresa Publica, por isso não sei por ai. Estará ao dispor de alguem que queira partilhar nos comentarios!
Será que na altura rendeu bastante a Adesão de Portugal a UE? (so estou a perguntar sobre a Adesão, tenham atenção quando for ao responder.). Eu era bastante novo na altura, posso não dar nesta pergunta uma resposta forte, mas Sentia que portugal até estava bem nos anos 90's. Creio que a adesão foi mais uma especie de Arca de Noé pois quem saiba os proprios lideres da UE ou America, estavam já planear "Crashar" a economia. Se AGORA vale a pena estar na UE. opa..obvio que vale a pena. Mas será os beneficios e o esforço da UE suficiente?
Este assunto para mim é bastante importante encontrar uma solução porque tem bastantes efeitos colaterais. Afeta na Educação, na Cultura, em tudo e a longo prazo! Quero ver o meu pais crescer forte como era antigamente. Quero o meu verdadeiro Portugal com a força que tinha antigamente! Portugal que descobriu milhares de terras e conquistou muitas outras. Um pais pequeno no mapa mas que fez bastante (de bem e de mal). Mas sinto que ha espaço para mais Bem. Estarei pronto para comentarios a meu favor e outros que não estejam a meu favor. Estarei disposto a responder a ambos e poder discutir (seja com o Bem ou com o Mal). O que fazer para optimizar a nossa nação?
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2015.12.15 06:57 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.12.15 06:35 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.12.15 06:33 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.12.15 06:29 AntonioMachado [2000] Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.12.15 06:04 AntonioMachado [2000] Roda Viva - Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.12.15 06:01 AntonioMachado [2000] Roda Viva - Entrevista a Edgar Morin

Entrevista aqui. Perguntas colocadas e síntese das respostas:
1- [na sequência dos protestos de Seattle] Qual a importância das ONG e dos movimentos sociais num mundo cada vez mais global? São as ONG's que futuramente vão representar o cidadão?
Estados, partidos e sindicatos ainda desempenham um papel importante mas as ONG conseguem articular entre regional e global com mais facilidade e maior flexibilidade; além disso são abertamente críticas do sistema económico e possuem uma preocupação explícita com a qualidade de vida.
2- Há um desequilíbrio entre as diferentes dimensões humanas? Quais as consequências dos valores do Homo Economicus passarem a ser os dominantes?
o Homo Economicus é redutor porque ignora tudo o que não é quantificável; no entanto, considerando a multifacetada natureza humana, torna-se necessário incorporar racionalidade e sentimento na produção de conhecimento e na organização social.
3- Como podemos entender a biotecnologia e quais as suas principais (des)vantagens?
Compreender a biotecnologia enquanto ideia complexa -resultante do cruzamento poderoso (e perigoso, porque ambivalente) entre ciência, tecnologia e indústria- requer uma abordagem interdisciplinar e sintética do conhecimento. a ciência é sempre um projeto ambivalente, mas essa ambivalência tem vindo a ser aumentada. pode ter vantagens ao nível da medicina mas levanta perigos como o eugenismo ou o monopólio de patentes sobre a vida ou ainda o impacto difícil de prever nos ecossistemas. a indústria genética pode ser instrumentalizada, por isso a biotecnologia deve ser regulada e, se realmente aplicada, fortemente vigiada.
4- O que há de especial no povo brasileiro?
As virtudes civilizacionais da mestiçagem (que não pressupõe homogeneização) e a sua relação com a criatividade da organização social e a complexidade das ideias.
5- [Citando Morin] «Uma cultura ciber está em vias de se expandir, mesmo que só possa ser alcançada por alguns privilegiados; trata-se de uma revolução radical que marca o surgimento da sociedade pós-industrial e que implica o nascimento de um novo pensamento. A cultura ciber é simultaneamente destruição e génese.» Estamos a atravessar um momento de destruição ou de génese?
Génese implica destruição, e vice-versa, por isso, considerando que a cultura cibernética é ambivalente, devemos estar vigilantes quanto ao seu desenvolvimento e efeitos principais; exemplo do livro: simultaneamente reforçado e posto em causa.
6- [Citando Morin] «A simplicidade é a barbárie do pensamento e a complexidade é a civilização das ideias.» Como pode a civilização das ideias proliferar no séc. XXI?
atualmente, as ideias simples são mortais porque o mundo é cada vez mais complexo e interligado, sendo necessárias ideias complexas ou sistémicas, e porque as ideias tem consequências reais sendo algumas delas tão poderosas que parecem viver fora de nós
7 - Como surgiu o universo? Acredita em Deus?
não especula sobre o passado mas aceita a hipótese de um Deus imanente, à Spinoza, enquanto rejeita a hipótese de um Deus externo ao universo, que trata como Seu objeto; prefere falar do futuro mas sem fazer profecias: alerta para a importância de desenvolver um pensamento sintético capaz de relacionar a humanidade com a ciência, a tecnologia, a economia e a política sobretudo face ao desafio que a nanotecnologia vai levantar à definição de 'vida'.
8 - Como reconciliar a 'Academia da Latinidade', da qual é membro fundador, com a noção de mundialização ou de identidade global? não são ideias contraditórias?
através do conceito de identidade(s) múltipla(s) e concêntrica(s); por exemplo, ser Europeísta não é necessariamente incompatível com ser Francês ou com ser Humano, mesmo que às vezes existam diferentes interesses em jogo. dessa forma, a academia da latinidade não é uma união de negação de outras uniões, regendo-se por um principio confederativo assente na filosofia de que problemas globais exigem soluções globais. a cultura latina (latinosfera) valoriza a 'qualidade' de vida que o Norte Global esqueceu e portanto compete com a anglo-saxónica (angloesfera), e outras, na arena da mundialização, que deve ser pensada de forma sistemática e democrática.
9 - O que pode ser feito quanto à 'componente alucinatória da percepção' acentuada pelos media modernos? Estamos perante uma forma massificada de surrealismo?
considerando que todo o conhecimento é uma re-tradução e que os media "constroem e traficam" realidades, devemos ensinar nas escolas a forma técnica como isto é feito, estimulando assim pensamento crítico no sentido forte, capaz de destrinçar estas realidades fabricadas e seus contextos.
10 - Como incorporar a cultura indígena na cultura brasileira?
integração na cultura moderna não deve pressupor automaticamente desintegração da cultura indígena, como aconteceu com povos índios na América do Norte e Canadá, na sequência do sedentarismo; devemos sobretudo proteger o território índio da exploração económica e, se possível, expandir esse território, e reconhecer a validade do conhecimento indígena: por exemplo etno-farmacologia; nações índias devem associar-se em união confederativa.
11- À luz do conhecimento interdisciplinar, qual o impacto cultural do aumento do tempo de lazer e diminuição do tempo de trabalho?
devemos deixar de utilizar o termo 'tempo de lazer' -por ser definido em função do termo 'tempo de trabalho', e por este passar a ter cada vez menos preponderância- e passar a utilizar o termo 'tempo de vida vivida'; este espaço não se preenche automaticamente pelo que devem ser criadas oportunidades de cultura que humanizem o ser humano, que tornem a vida numa festa. conhecimento é forçosamente interdisciplinar e assente no conceito de 'regeneração', sendo cada vez mais importante encontrar uma síntese entre o conhecimento humanista e naturalista, ou seja, entre literatura/filosofia e ciências físicas e humanas.
12- Considerando o papel dos media, qual a relação do homem com a morte hoje em dia?
existe uma dupla relação com a morte: angústia ou aceitação. Atualmente, com o colapso de muitas das instituições tradicionais e/ou comunitárias, o individualismo decorrente da atomização da vida social leva à angústia da morte, o que possui um efeito corrosivo na cultura e um impacto nocivo para a civilização a aceitação depende da solidez da vida comunitária.
13- Qual a utopia que substitui o socialismo, após a queda do muro de Berlim?
se considerarmos a importância do conceito de regeneração entendemos que nenhuma utopia pode ser estática e que existem dois tipos de utopias: as boas ou que se regeneram ou as más que defendem um mundo totalmente perfeito e sem conflitos. uma boa utopia é apenas a que aponta caminhos desejáveis mas realistas, ainda que nos pareçam difíceis de atingir do atual ponto de vista (fome, paz, etc...) ou que exijam reformulações. devemos ter sempre em mente que o progresso não é inevitável nem irreversível: tem de ser construído e mantido porque a barbárie está sempre à espreita.
14 - Porque /como reformar o ensino?
porque há desafios nunca antes enfrentados, resultantes de uma aliança entre duas formas de barbárie: a dos tempos remotos e a dos tempos modernos; porque existem problemas globais que necessitam um tipo pensamento que não (apenas) divide mas sintetiza. seguindo Marx pergunta: quem educa os educadores para estes desafios? alerta para a importância de criar experiências piloto e de haver autonomia das escolas e propõe 7 reformas para a educação complexa do futuro, com o objetivo de criar novas brechas como Maio de 68 e os movimentos estudantis.
15- A globalização neo-liberal homogeneíza? o Brasil pode ser McDonaldizado?
partindo do sentido alimentar do termo: a corrente da McDonaldização enfrenta contra-correntes de 'slow food' e agricultura biológica e produtos 'gourmet'; para cada corrente há sempre contra-correntes mais ou menos fortes, verificando-se uma luta entre homogeneização e heterogeneização; para evitar a homogeneidade devemos procurar criar uma economia pluralista capaz de demonstrar que outras globalizações são possíveis -dando mais destaque para cooperativas, ONG's, associações- dada a necessidade de regular o mercado internacional, sobretudo após a queda da união soviética. o Brasil tem a vantagem da mestiçagem que é, por definição, heterogénea.
16 - Para quem escreve?
como Nietzsche, para todos e para ninguém... mas também para si próprio, como forma de aclarar e melhorar as suas ideias e de pensar sobre o pensar, pelo que nao devemos ter medo de admitir as nossas contradições. o seu objectivo é tentar marcar os outros com a sua literatura, da mesma forma que foi a literatura dos outros que o impulsionou.
17 - Qual o papel da literatura no seu pensamento?
enquanto que as ciências sociais e humanas 'destroem' o sujeito para o poder estudar, a literatura aborda o sujeito tal como ele é, na sua totalidade, e devolve-o à investigação. literatura é uma escola de vida e reler é uma das mais belas alegrias da vida porque a nossa experiência de vida permite sempre novas interpretações que por sua vez modificam as nossas experiências. devemos procurar juntar a ciência e a literatura, que deve ser entendida como mais do que estrutura, semiologia ou simples técnica.
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2015.10.05 16:06 veribaka [Blog] Análise ao Atlético Madrid vs Benfica (Eu visto de vermelho e branco)

Na 2ª jornada do Grupo C da Liga dos Campeões, o Benfica deslocou-se à capital espanhola, onde defrontou o Atlético Madrid. Para este jogo, Rui Vitória fez entrar Raúl Jiménez para o 11 titular, tendo saído Mitroglou. Tudo o resto se manteve igual em relação ao último jogo.
Como era esperado, desde cedo que o Atlético tentou pegar no jogo. Contudo, o primeiro lance de grande perigo é do Benfica, com Jonas a rematar ao lado, depois de uma boa jogada. A equipa de Rui Vitória ia tentando ter bola e manter a sua identidade. O perigo aparecia em ambas as balizas. Primeiro, Jardel evita o golo de Correa, depois é Filipe Luís a evitar o golo de Gonçalo Guedes.
Perto dos 21 minutos, o Atlético quase marca, mas Jackson atira por cima. Foi o aviso para o que ia acontecer aos 23 minutos. Boa jogada da equipa espanhola e Correa aparece a finalizar na cara de Júlio César. Alguns segundos depois, o Atlético volta criar perigo, depois de uma perda de bola de Samaris. Na sequência da mesma jogada, Jackson atira ao poste. Eram momentos de grande aperto para a equipa do Benfica, que volta estar muito perto de sofrer golo aos 29 minutos. Júlio César defende o primeiro remate e depois a recarga sai por cima.
Quando o jogo não o fazia crer, o Benfica empata aos 36 minutos. Cruzamento de Nélson Semedo na direita, e a bola chega a Gaitán que remata para o fundo das redes de Oblak. Com o golo, o Benfica conseguiu acalmar o jogo e afastar a bola da sua baliza. Pouco de mais importante aconteceu até ao intervalo, e 1-1 era o resultado que se verificava.
O Benfica não entrou mal no jogo. O jogo foi dividido até aos 15 minutos, mas depois naquele período até ao empate de Gaitán, passámos enormes dificuldades. Durante esse tempo, a equipa não conseguiu ter bola e sofreu muito por isso. Os desequilíbrios causados foram muitos, com várias bolas nas costas da defesa. Gaitán pouco ajudava Eliseu na parte defensiva e com Juanfran a subir constantemente, era uma grande problema.
Jardel e Luisão demoraram a acertar, levando com várias bolas nas costas. A linha defensiva teve alguns problemas, não resultando nada bem e não conseguindo colocar os jogadores adversários em fora de jogo. Eliseu teve bastantes problemas. Os movimentos interiores de quem caía junto a ele e as subidas do lateral contrário, foram um grande problema. Foi muitas vezes apanhado em inferioridade numérica por aquele lado. Nélson Semedo foi conseguindo estancar os lances pelo lado dele, mas teve muita ajuda de André Almeida e Gonçalo Guedes.
André Almeida e Samaris também tiveram muita dificuldade durante a 1ª parte. Fizeram várias compensações, mas depois os espaços apareciam noutros lugares. Com bola não estiveram nada mal, apenas a ressalvar aquela perda de bola de Samaris logo a seguir ao golo do Atlético. Gaitán acabou por marcar o golo do empate, mas até aí tinha estado mal, e a ajudar pouco defensivamente. Guedes pautou esta 1ª parte pelo que tem feito em jogos anteriores. Muito trabalhador e a ajudar constantemente Nélson Semedo.
Jonas esteve bem, tentando jogar entre linhas, mas claro, durante aquele período teve muitas dificuldades. Jiménez trabalhou muito, é um jogador diferente de Mitroglou. Fez muita pressão nos centrais e baixou muitas vezes para vir buscar a bola.
Jackson recebe a bola com 5 jogadores do Benfica por perto. Mesmo assim, recebe, dá mais um toque e serve o lateral esquerdo que segue sozinho naquele corredor.
Desde o momento do toque de cabeça de Jonas, foram perto de 50 segundos com a posse de bola, onde todos os jogadores do Benfica participaram na jogada que acabou com Jonas a rematar ao lado da baliza de Oblak. Podemos ver segurança na posse, jogadores a virem buscar a bola entre linhas, a procura da melhor solução e a saída do Benfica a jogar com um dos médios a ir buscar a bola na linha.
Jiménez é um jogador diferente de Mitroglou, como disse na análise que lhe fiz. Aqui, podemos ver o avançado mexicano a descer quase até ao meio-campo para ter bola.
O Benfica a defender com toda a gente as bolas paradas, como tem sido hábito.
Bola no lateral direito do Atlético que consegue cruzar para a área, aparecendo depois um homem solto na entrada da área. Tão caro que ia custar um lance assim.
A boa diagonal de Gonçalo Guedes, servida por um grande passe de Eliseu. Pena a bola ter sido cortada em cima da linha.
O Atlético Madrid pressionava muitas vezes alto no terreno. Podemos ver neste lance que Gabi - um dos médios mais defensivos - está a pressionar Júlio César.
Eliseu sai para o ataque, passando a Gaitán. A bola não chega ao número 10 do Benfica, sendo cortada antes, mas nem assim o jogador se preocupa em recuperar rapidamente.
Nélson Semedo sobe e é André Almeida que compensa no corredor direito. Nélson vai recuando para o seu corredor e André Almeida continua por lá. Samaris fica sozinho no meio, saindo depois à bola. Tabela simples dos jogadores do Atlético e buraco na frente da defesa.
Lance do golo do Atlético. Bola entra pelo meio de André Almeida e Samaris. Oliver segue mais rápido que André Almeida, enquanto Gaitán acompanha Juanfran com os olhos. Bola no lateral espanhol, e Samaris a acompanhar Oliver. Como Almeida está atrasado no lance, Correa fica sozinho, assim como Griezmann na entrada da área. Ninguém fecha aquele espaço na entrada, grande tabela e golo.
Benfica tenta pressionar, mas o Atlético sai muito fácil, já que não existiu muita qualidade nesta pressão.
O problema que a defesa teve em acertar a linha na 1ª parte.
O golo do empate. Nélson Semedo cruza na direita, e Gaitán a aparecer ao 2º poste para rematar para o golo, depois dos avançados terem arrastado os centrais e lateral direito.
Boa saída do Benfica em contra-ataque, mas tanto Jiménez como Jonas chegam atrasados ao cruzamento.
Como Gaitán mudou o seu posicionamento após o golo do empate. Já veio defender mais e fechar o seu corredor.
Para a 2ª parte, entrou a mesma equipa em campo. Aos 51 minutos e numa altura que a equipa jogava com 10 devido à lesão momentânea de Jiménez, o Benfica faz o 1-2. Grande jogada de contra-ataque e Gonçalo Guedes a finalizar após um grande passe de Gaitán.
Com o golo, o Benfica baixou um pouco as linhas, dando ainda mais a iniciativa de jogo ao adversário. Continuava a pressionar, mas mais abaixo no terreno. Aos 58 minutos, Júlio César faz duas grandes defesas seguidas, evitando o empate. 60 minutos de jogo e o Atlético volta a estar perto de marcar, mas Luisão faz um fantástico corte de cabeça.
O Benfica tinha agora muitas dificuldades em chegar com bola ao meio-campo adversário, jogando mais em saídas rápidas para o ataque e baixando as linhas. Aos 71 minutos, Rui Vitória mexe pela primeira vez. Sai Raúl Jiménez e entra Mitroglou.
Benfica fechava muito bem os espaços ao centro, obrigando o Atlético a jogar pelas alas e a fazer muitos cruzamentos para a área. Aos 73 minutos, entra Fejsa e sai Samaris. Pouco mudou no jogo com as substituições. Mitroglou veio tentar segurar mais os centrais adversários e Fejsa dar mais força ao meio-campo, numa altura em que já se notava muito cansaço.
Quem já estava muito cansado era Jonas. O avançado brasileiro pediu a substituição e para o seu lugar entrou Pizzi, aos 79 minutos. O jogador português foi colocar-se na frente dos dois médios defensivos, tentando dar alguma criatividade com bola e ser mais um homem a ajudar na luta de meio-campo e no fechar dos espaços.
O jogo caminhava para o final. O Atlético não conseguia entrar com bola pelo centro do terreno e até ao fim assistiu-se a muitos cruzamentos e bolas paradas, onde o Benfica esteve muito bem a limpar tudo. O jogo acabou mesmo, com o Benfica a ganhar por 1-2.
Quando se esperava uma entrada muito forte do Atlético na 2ª parte, foi o Benfica que marcou o golo, numa grande jogada de contra-ataque. Isto veio mudar o jogo. A partir daí, as linhas do Benfica foram baixadas. A equipa foi muito solidária, ajudando sempre nas compensações. Existiu pouca posse de bola na 2ª parte - principalmente em zonas adiantadas do terreno - mas isso também se percebe. Estava a ganhar fora e a jogar contra um adversário muito forte.
Como disse, a equipa baixou a linha e os centrais ficaram mais confortáveis e foram cortando todas as bolas que apareceram pela zona central do terreno, fazendo uma grande 2ª parte. Eliseu melhorou também, não subiu nenhuma vez, e foi fechando os espaços do seu lado, contando já com mais ajuda dos colegas de equipa. Ajuda essa que Nélson Semedo continuou a ter do seu lado. O lateral do Benfica foi o jogador que, a par o Gaitán, conseguiu esticar mais vezes a equipa na frente, subindo pelo seu corredor com bola. É muito importante isto. Permite à equipa respirar um pouco e subir no terreno.
Samaris e André Almeida continuaram a tapar os espaços no meio e a fazer as devidas compensações. Depois do golo, já pouco subiram no terreno e ficaram mais recuados, roubando também muitas bolas. O jogador grego estava já muito esgotado, é natural que isto aconteça enquanto ele não aprender a gerir o seu esforço e ser mais criterioso em relação aos espaços que ocupa e nos desarmes que tenta fazer. Gaitán esteve muito bem na jogada do golo, tirando o adversário da frente e assistindo depois Gonçalo Guedes. Nesta 2ª parte, ajudou mais Eliseu em tarefas defensivas. Perto do fim do jogo, teve algumas más decisões, que lhe valeram perdas de bola. Guedes apareceu muito bem no golo que marcou e continuou a ser um jogador muito solidário defensivamente.
Jonas teve pouca bola, mas a que teve, foi jogada com critério, como no lance do golo. Depois já estava muito desgastado, mas até ser substituído, fechou muito bem as saídas a jogar do Atlético. Jiménez foi o que tinha sido na 1ª parte, a dar trabalho aos defesas da equipa espanhola, lutando sempre pela bola. Mitroglou, como é normal, teve pouco jogo para se mostrar muito, mas colocou em sentido a defesa adversária. Fejsa foi importante. Numa altura critica, veio dar força ao meio-campo. Já Pizzi entrou mal, perdendo quase todas as bolas em que tocou.
Jogada do golo. Gaitán recupera e entrega em Jonas, continuando depois a fazer o movimento de saída para o ataque. Jonas recebe e entrega, fazendo um pequeno compasso de espera para Gaitán estar em melhor posição para receber. Assim que Guedes vê que a bola vai entrar no extremo argentino, acelera logo na saída para o ataque. Gaitán tira o adversário do caminho e faz um grande passe para Guedes, que na cara de Oblak atira para o golo.
Podemos ver aqui Luisão a corrigir o posicionamento de Nélson Semedo.
Benfica a meter muita gente na área mas a esquecer-se do espaço na entrada da área. Fantásticas defesas de Júlio César.
Nélson Semedo a partir os rins a Oliver Torres sem tocar na bola.
Mais uma vez, o jogo de compensações entre Almeida e Nélson Semedo. Neste lance, poderia ter sido Almeida a sair naquela zona de Jackson, ficando Nélson Semedo na sua posição, mas como já temos visto, há cada vez mais referências individuais e não de zona.
Desatenção do Benfica e o jogador da equipa espanhola a entrar fácil entre linhas.
Grande saída do Benfica para o ataque, com Nélson Semedo em evidência. Bom toque de calcanhar de Raúl Jiménez mas depois o médio espanhol recupera bem.
Como se posicionava muitas vezes o Benfica depois de estar em vantagem. Jogadores todos muito próximos e Gonçalo Guedes a ser quase um defesa.
Mais uma boa saída para o ataque, mas o passe de Jiménez sai demasiado para a frente.
Mais uma vez Guedes a ajudar muito a defesa.
Jardel a sair ao homem e Samaris a ir fazer o lugar dele.
Muita qualidade e classe de Jonas.
Pena que este passe não tenha entrado ou que Gaitán não tenha esperado mais um pouco. Seria uma situação de 3 para 1.
Esta foi uma grande vitória do Benfica. A equipa sofreu muito, mas nestes jogos é preciso saber sofrer. Teve também a sorte do jogo, mas já merecia, pois quase nunca a tem tido durante a época. Estes desafios só se podem ganhar com um colectivo muito forte e foi isso que foi demonstrado no campo. Jogadores a ajudarem-se mutuamente e muito solidários. A equipa tentou manter a sua identidade e durante alguns períodos da 1ª parte isso foi conseguido. Ter posse de bola, mesmo que não se crie muito perigo com ela, vai permitindo aos jogadores descansar um pouco e manter a bola longe da sua baliza. Com isso, dá para acalmar o ritmo a que se joga, o que é muito importante em alguns momentos.
Rui Vitória esteve bem, tanto na escolha do 11 como nas substituições. Claro que agora é fácil dizer isso porque resultou, mas diria o mesmo caso não tivesse resultado. Penso que tem aprendido um pouco com os erros, e isso viu-se neste jogo com a substituição de Samaris por Fejsa aos 70 minutos. Situação igual ao que aconteceu no Estádio do Dragão, com a equipa a começar a ceder e a precisar de força ali no meio-campo. Samaris já pouco andava e Fejsa veio dar outra consistência na ocupação daquele espaço.
Era um jogo muito difícil para a defesa. Teve muitas dificuldades na 1ª parte. Ainda há ali muita coisa para trabalhar. Confesso que ainda não percebi se as compensações são mesmo feitas da maneira que aconteceram neste jogo e se isso é mesmo a ideia que se trabalha. Vejo Nélson Semedo a sair sempre ao homem, com André Almeida a compensar logo. Depois do outro lado não vejo Eliseu a sair ao homem como faz Nélson, e o Samaris ali não tem nenhuma tendência para compensar. O jogador grego é quem compensa os centrais que vão saindo muitas vezes ao homem. Estas compensações precisam de ser melhor trabalhadas, são muito perigosas caso não resultem e nem sei se isto é o melhor. Semedo e Almeida têm de ser mais rápidos a recuperar e não estarem os dois a ocupar o mesmo lugar.
Gonçalo Guedes ajudou muito a equipa. O trabalho defensivo que tem feito é notável. Depois sai muito rápido para o contra-ataque e sabe movimentar-se sem bola. Mereceu o golo que marcou. Gaitán apareceu nos dois golos, mas até esse primeiro golo, pouco ou nada tinha feito. Tem de ajudar mais Eliseu. Eu acho que Rui Vitória lhe tem dado mais liberdade para não descer tanto no terreno, mas a equipa estava a sofrer muito com isso. A partir do golo que marcou, ele mudou o seu posicionamento e ajudou a fechar o corredor. Jonas é demasiada classe, é um jogador incrível. Jiménez mostrou que o Benfica pode estar descansado em relação a qualquer dos seus três avançados.
Foi uma grande noite europeia do Benfica. Na Europa dos grandes, onde eu acho que o Benfica deve fazer tudo para ir o mais longe possível. E que bom foi assistir a isto in loco. Agora é ir com tudo contra o União da Madeira. A equipa não pode relaxar.
Texto escrito por P1nheir8, editor do blog. O artigo completo tem imagens ilustrativas dos lances.
Artigo completo.
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2015.09.28 11:50 veribaka [Blog] Análise ao FC Porto vs Benfica (Eu visto de vermelho e branco)

O Benfica deslocou-se ontem ao Estádio do Dragão para defrontar o FC Porto na 5ª jornada da Liga NOS. Para este jogo, Rui Vitória fez apenas uma alteração relativamente à equipa titular no último jogo. Entrou André Almeida para o lugar de Talisca, fazendo assim companhia a Samaris no meio-campo.
Os primeiros minutos de jogo foram calmos, com as equipas a estudarem-se. Porto a ter mais bola, o Benfica a aguardar um pouco mais. Apesar disso, dava para ver que o Benfica ia jogar com a defesa subida e a manter a identidade dos últimos jogos. Samaris e André Almeida estavam na frente da defesa para ocupar os espaços. Aos 8 e 11 minutos, o Benfica quase marca, depois de dois cantos. Em ambos os lances, Casillas defendeu os cabeceamentos de Mitroglou.
Se o que se esperava - eu incluído - era um Benfica com as linhas muitos baixas, a não tentar sair a jogar e a ter pouca posse de bola, o que se passou a verificar foi precisamente o contrário. A defesa estava alta no terreno, a tentar colar ao meio-campo e a equipa procurava sair a jogar. O Porto tinha alguma bola, mas bem longe da área de Júlio César e sem nunca conseguir ter bola entre as linhas do Benfica, tendo que rodar a bola para as alas. 20 minutos de jogo e o Benfica jogava tranquilamente no meio-campo adversário e saía a jogar, dominando a posse de bola e o jogo.
Perto dos 26 minutos, o Benfica volta a criar perigo. Boa jogada de Gonçalo Guedes na direita e depois Mitroglou chega atrasado ao cruzamento. Continuava uma equipa muito adulta no Dragão. A defesa na linha do meio-campo a trocar a bola, os médios a virem pedir bola e o Porto muito longe de incomodar. Não me lembro de ver isto alguma vez na minha vida. O problema era que o Benfica mesmo assim não criava grande perigo. A posse era mais de contenção e pouco vertical, não chegando para criar grandes desequilíbrios na defesa do Porto.
Perto dos 34 minutos, confusão entre Gaitán, Jonas e Maxi Pereira. Este lance veio mudar um pouco o que seria o jogo até ao intervalo. O Benfica perdeu um pouco do controlo do jogo depois disso. A equipa sentiu aquele momento, ficou um pouco mais nervosa e o Porto ganhou um pouco de ascendente, tendo mais bola. Não criou grande perigo, apenas um lance que foi invalidado por fora de jogo. O jogo chegou mesmo ao intervalo com 0-0 no marcador.
Sinceramente, não me lembro de uma parte tão tranquila num jogo com o Porto fora de casa. Também não me lembro de ver o Porto estar durante 45 minutos sem criar grande perigo num jogo em casa contra o Benfica. A equipa de Rui Vitória esteve bem, a controlar o jogo, o ritmo e a posse de bola. Equipa subida no terreno, tentativa de ter os sectores juntos e grande coesão defensiva. Claro que jogar no meio-campo com 2 médios mais de contenção, tornou a equipa mais coesa defensivamente, mas com menos gente para atacar. Mesmo assim, a equipa até se desdobrou bem para o ataque, mas tomou várias más decisões no último passe e ia sempre com pouca gente. Estivemos três vezes perto do golo. Duas vezes através de canto, e outra depois de cruzamento de Guedes. Apesar de tudo, os movimentos da saída jogar precisam de ser melhorados e juntar mais as linhas.
A defesa foi exemplar, tirando uma falha de Eliseu perto do intervalo. Centrais a fazerem um jogo perfeito. Muitos fortes a cortar todas as bolas que ali apareceram, a controlarem bem a profundidade e a tentarem colar ao meio-campo para juntar as linhas. Nélson Semedo fez uma grande 1ª parte, a secar completamente Brahimi. Eliseu a não comprometer, tirando a desatenção perto do intervalo.
Os dois médios de contenção estiveram bem. Foram matando muitas jogadas, quer com cortes ou faltas cirúrgicas e no capítulo do passe não estiveram mal. Claro que pouco deram ofensivamente à equipa, mas isso já era esperado. Guedes foi mais um médio de equilíbrio do que desequilibrador, ajudando muito em tarefas defensivas e só depois saía para o ataque. Gaitán começou bem, mas o duelo com Maxi afectou-o bastante e foi decaindo com os minutos. Jonas não esteve tão bem, teve algumas más decisões de passe. Mitroglou deu muito trabalho aos centrais e quase marcou por 3 vezes. Raramente perdeu a frente de um lance, dando sempre apoios ao portador da bola, mas claro, sente falta de mais bola na área.
Esperava-se que Corona fosse jogar na direita, mas começou no meio, jogando muito perto de Aboubakar. Era André André que se colocava mais do lado direito do ataque do Porto.
Benfica quase marca em dois cantos. Claro que quando o treinador do Porto coloca Rúben Neves a marcar individualmente Mitroglou, sujeita-se a isto. Mitroglou muito bem e grande elevação de Luisão no 2º lance.
Desde cedo se percebeu que Samaris e André Almeida pouco participariam no ataque.
Benfica muito adulto e a sair a jogar com tranquilidade.
O Porto colocava muitos jogadores a defender em lances como este. Lançamento do Benfica e podemos ver os 11 jogadores adversários perto da sua área.
A equipa de Rui Vitória conseguia fazer isto com tranquilidade no meio-campo do Porto. Mitroglou a dar apoio frontal, a entregar a bola ao médio e depois a bola era rodada para o lado contrário, onde estava o lateral a dar largura, já que Gaitán estava metido no interior do campo.
Equipa subida e a recuperar a bola assim que a perdia.
Ambas as equipas a ocuparem um curto espaço de terreno no pontapé de Casillas.
O Porto não conseguia entrar no meio-campo do Benfica sem ser pelas alas. Aqui podemos ver uma tentativa de jogar com o avançado. Jardel sai logo a Aboubakar e Samaris compensa logo a posição do central. Jonas e André Almeida fazem logo pressão, fechando os espaços e roubando a bola.
A única vez que o Benfica conseguiu criar perigo chegando com posse de bola junto à baliza adversária. Pena que Mitroglou tenha chegado atrasado.
Bom desarme de Jardel que entrega logo em Samaris, que por sua vez dá em Gaitán. Mitroglou vem dar o apoio frontal e com um toque soberbo desequilibra completamente a equipa adversária. Situação de 4 para 3 mas Jonas faz um mau passe para Gonçalo Guedes.
Aos 30 minutos de jogo, André André já tinha deixado o lado direito e já se posicionava ao centro do terreno.
Vamos jogar a quem tem os sectores mais longe uns dos outros.
Assim que a bola entrava no meio e o jogador recebia de costas, o Benfica pressionava logo, roubando muitas bolas.
O trabalho de Guedes a ajudar Nélson Semedo, tentando fazer sempre o dois contra um e fechar o interior.
O Porto tinha poucas soluções no meio-campo ofensivo. Na altura do remate, não há nenhuma boa linha de passe perto, para a bola circular, com a equipa do Benfica a fechar muito bem os espaços.
Para a 2ª parte, Rui Vitória não mexeu na equipa e entrou o mesmo 11 titular. O Porto entrou muito bem e Aboubakar aos 47 minutos envia a bola ao poste. Aos 49 minutos, André Almeida leva amarelo e este foi um momento importante do jogo. A equipa da casa entrou muito mais agressiva para a 2ª parte, dominava o jogo e aos 59 minutos quase marca por Aboubakar, depois de um grande passe de André André. O Benfica não existia em termos ofensivos.
O Porto dominava agora e era a melhor equipa em campo. O Benfica já não tapava tão bem os espaços e a equipa não conseguia chegar à frente. A posse de bola era diminuta, já que rapidamente era perdida e nem se conseguia sair a jogar. Já se deixavam os adversários ter posse entre linhas. Aos 71 minutos, o Benfica volta a chegar à baliza de Casillas, mas o cruzamento de Gonçalo Guedes é desviado para as mãos de Casillas. Pouco tempo depois, Mitroglou com uma grande cabeçada atira por cima da baliza do Porto.
Primeira substituição no Benfica aos 77 minutos. Sai Jonas e entra Talisca. O Porto a cada minuto que passava estava mais pressionante e intenso. A equipa do Benfica já mostrava um grande desgaste físico e os espaços apareciam em grande número. Rui Vitória volta a mexer na equipa aos 82 minutos. Sai Gonçalo Guedes e entra Pizzi.
Aos 86 minutos, o Porto adianta-se no marcador. Espaço entre linhas do Benfica e André André marca. Logo a seguir ao golo, entra Jiménez e sai Samaris. Nada de mais importante aconteceu até ao fim do jogo e o Porto acabou por ganhar por 1-0.
Esta 2ª parte foi o contrário da 1ª. O Benfica que veio dos balneários foi completamente diferente daquele que se tinha visto nos primeiros 45 minutos. Aquela equipa de posse, de muita segurança, da tentativa de ter as linhas juntas, de agressividade na recuperação de bola, não apareceu. Mérito também para o Porto, que subiu muito o seu nível depois do intervalo. Foram muito mais intensos, ganhando todas as segundas bolas. Já não se taparam bem os espaços entre a defesa e o meio-campo e André André jogou como quis.
A defesa esteve pior, os espaços começaram a aparecer em grande escala. No lance em que Aboubakar se isola, Jardel mal a perder a frente do lance enquanto tentava controlar a profundidade. Eliseu foi o costume, não é lateral para o Benfica. Nélson Semedo continuou muito bem, apesar de para o fim já ter dificuldades em segurar Brahimi. André Almeida a partir do momento que levou o cartão, baixou muito a agressividade defensiva e o cansaço também começo a aparecer. Notava-se nele e em Samaris, que também já pouco mais dava, e apareciam os espaços nas costas deles, cada vez que subiam um pouco mais.
Gaitán esteve mal, assim como na 1ª parte, e Guedes já não tinha a frescura depois de tantos sobe e desce para apoiar Nélson Semedo no duelo com Brahimi. Jonas esteve também abaixo do normal, sendo mais importante a fechar o espaço nas saídas a jogar do Porto que propriamente a atacar. Mitroglou ainda se ressentiu mais da falta de bola na área. Rui Vitória mexeu tarde na equipa, estava mesmo a ver-se o que ia acontecer, com André André a ter tanto espaço para jogar.
Bastou um minuto da 2ª parte para perceber que algo ia mudar.
Benfica entrou mal e Aboubakar falha incrivelmente o golo nesta situação. André André já com espaço para jogar neste lance.
Sou uma pessoa que detesta falar em árbitros e justificar qualquer resultado com a arbitragem - tirando alguns escândalos. No entanto, quero falar deste lance. Vejamos a colocação de Artur Soares Dias, completamente de frente e sem ninguém a tapar a visão. O que ele vê, é o que está na 1ª repetição. É o campo de visão dele, logo é impossível não ter visto a falta. Foi muito inteligente, sabendo que se fosse marcar falta depois daquela entrada, tinha de dar amarelo, neste caso o 2º. Então preferiu não marcar nada e deixar seguir, dando a ideia que não viu a falta.
André André consegue sair a jogar, defesa apanhada desprevenida e Jardel ultrapassado por Aboubakar enquanto tenta controlar o espaço nas costas.
Se na 1ª parte o Porto apenas pressionava a saída a jogar do Benfica com Aboubakar, na 2ª André André também o fez, criando mais dificuldades ao Benfica.
Péssima decisão de Eliseu. Jonas completamente sozinho na entrada da área, ou para chutar ou fazer andar a bola, e ele nem levanta a cabeça, preferindo fazer aquele remate com o pé direito.
Isto foi uma coisa que nunca aconteceu na 1ª parte. O Benfica a deixar chegar a bola entre linhas no centro do terreno, nas saídas a jogar do adversário.
Grande corte de Nélson Semedo.
A chegada com bola fácil entre a linha de médios e defesas do Benfica.
Situação de 3 para 2 perto da baliza de Júlio César na altura do cruzamento, e ainda com um homem solto na entrada da área.
Mais espaço entre linhas.
Das poucas boas situações que o Benfica teve para apanhar o Porto desequilibrado na 2ª parte, mas Maicon fez um grande corte. Mitroglou teve oportunidade de fazer o passe mais cedo, apanhando Gaitán embalado e com a bola no pé. Repare-se nos dois médios defensivos do Benfica. Assim que Jardel sai para tentar cortar a bola, ambos tentam ocupar o lugar dele. Foi fartura neste lance, que deu fome pouco depois.
Lance do golo do Porto. Equipa estica na pressão e o central do Porto puxa a bola para a lateral, indicando que vai bater a bola. Talisca pressiona pouco e Samaris deveria ter basculado para cá, assim que o defesa deu a indicação que ia bater. Jardel sai ao avançado, tentando cortar a bola e fechar aquele espaço. Samaris deveria já estar a fazer o lugar de Jardel, como tinha sido feito até então, sempre que um central tinha saído. Por esta altura, temos um Eliseu completamente perdido no campo, uns 3 metros atrás de Varela e sem fechar o espaço interior, deixando caminho aberto para a baliza. Porto ganha o ressalto, Brahimi já está na frente de Nélson Semedo e situação de 4 para 3 com o espaço para a baliza aberto. Ninguém faz falta e André André marca o golo.
Rui Vitória montou bem a equipa para este jogo. Equipa muito bem posicionada, a tapar todos os espaços e a dominar o jogo com tranquilidade. Na 2ª parte tudo se desmoronou. Penso que o treinador do Benfica deveria ter tentado mexer com os dois homens da frente da defesa. Notou-se que a partir dos 70 minutos eles acabaram para o jogo, e Rui Vitória nada fez para mudar isso, estando André André a fazer o que queria naquele espaço. No banco não estava lá nenhum jogador para fazer aquela posição. Cristante é um mistério que ainda estou para descobrir o que se passa com ele para nunca ser opção. Falta a equipa conseguir chegar com mais soluções e linhas de passe na frente, pois só no jogo contra o Belenenses isso conseguiu ser feito. A posse de bola melhora e é grande, mas continua a faltar sempre algo. Se olharmos para os dois jogos fora de casa no campeonato e para a Supertaça, o Benfica ainda não conseguiu marcar um golo. Preocupante.
Continuo a bater na mesma tecla. Esta equipa com um defesa esquerdo de valia e um 8, seria totalmente diferente. Aquela posição no meio-campo é um cobertor daqueles curtos. Se te queres tapar de um lado, ficas completamente destapado do outro. Não se consegue arranjar um meio-termo. Ou se perde muito em termos ofensivos, ou se perde muito em termos defensivos. A culpa aqui não é de Rui Vitória, as lacunas eram evidentes para quase toda a gente, menos para aqueles que mais importavam. Haja coragem para se apostar em Renato Sanches, continuo a achar que é o melhor 8 que o Benfica pode ter.
A defesa esteve bem no geral, algumas falhas, mas não muitas. Até os espaços começarem a aparecer em grande número, conseguiram ir limpando tudo e acabar com quase todos os lances. Falharam em alguns lances na 2ª parte. Eliseu já se sabe, não é lateral para o Benfica. Falha em muitos momentos do jogo e no golo é impensável aquele posicionamento. Nélson Semedo foi o melhor jogador do Benfica, tendo pela frente o melhor jogador do Porto. Forte nos duelos de 1 para 1 e bem a fechar por dentro o seu lado. Era uma questão de tempo até provar a qualidade que lhe apontei antes da época começar.
Os dois jogadores do meio-campo até rebentarem fisicamente e André Almeida estar limitado pelo cartão, foram tapando os espaços. Claro que não se pode pedir a nenhum deles que leve a equipa para a frente, mas isso já se sabe. Guedes fez um enorme trabalho a ajudar Nelson Semedo no confronto com Brahimi. Gaitán esteve péssimo no jogo. Claramente não se conseguiu abstrair do duelo com Maxi e dos laços de amizade que há entre eles. Basta para isso ver o lance por volta dos 30 minutos. Jonas também esteve abaixo do esperado. Foi importante a tapar o terreno nas saídas do Porto a jogar, mas ofensivamente pouco deu. Mitroglou fez um bom jogo. Deu muitos apoios frontais, raramente perdendo a frente dos lances e esteve perto de marcar.
Apesar de nunca gostar de perder, todos sabemos que na teoria este jogo é o mais difícil do campeonato. Pelo histórico dos jogos no Dragão, sabe-se que o Porto leva muita vantagem, são muito fortes em casa. Esta derrota não é o maior problema. O problema foi a derrota contra o Arouca. Ontem o Benfica podia ter ido ao Dragão no 1º lugar do campeonato, com vantagem sobre o Porto, criando pressão sobre eles. Assim, hoje já estamos a 4 pontos, e a equipa agora vai começar a jogar sobre brasas, não podendo cometer deslizes. É pena, porque este Porto é mais fraco que o do ano passado, e continua a ter no comando um treinador muito limitado e que pouco consegue fazer daqueles jogadores. Eles alimentam-se destas vitórias e agora a moral vai estar em alta.
Acredito que eles irão perder alguns pontos esta época, mas infelizmente acho que o Benfica também os perderá.
Texto escrito por P1nheir8, editor do blog. O artigo completo tem imagens ilustrativas dos lances.
Artigo completo.
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